Projeto Genoma
3 (Ômega) Capítulo 2- A cidade do deserto
Notas iniciais
boa leitura.
A viagem ficou em silencio depois de uma pequena serie de perguntas de Zehao, o clima estava pesado, e ficou assim por alguns minutos até que Koh começou a falar comigo me encarando pelo espelho retrovisor.
-Você já tinha visto um desses?
-Desculpa?
-Me refiro ao veiculo. –Fala ele dando tapas de leve em seu banco. –Já tinha visto um desses?
-Não.
-E um modelo para grupos de busca e caça, e perfeita defesa e ótima velocidade, a chamamos de eximius veicuo. –Ele parou por segundo como se esperasse que eu comentasse algo. Mas isso realmente não me interessava, então falou novamente. –Em 10 minutos chegaremos na colônia Cravo do Deserto (serio que vocês conseguem dar nomes normais para coisas mas para vocês mesmos tem de ser essas bizarrices!?) já e possível vê-la daqui.
Olhei para frente e lá estava uma cidade com seus muros se erguendo das areias, conforme nos aproximávamos percebi o quão gastos e danificados estavam suas defesas, obviamente eles viam sofrendo inúmeros ataques, mas do que? “Mortos”? Não. Os danos e o padrão de ataques não pareciam deles, pelo menos não só deles. Quando estacionou em frente ao enorme portão feito de ferro. Koh saiu do veiculo indo em direção a uma pequena porta de madeira que ficava do lado, ele bateu três vezes, depois ficou parado em frente a ela, percebi que depois ele começou a falar com alguém que estava do lado de dentro, então ele volta, mas não entra no carro.
Ele continua caminhando até chegar à janela ao me lado, abre a porta e fala.
-Saia. –Pronto, não consegui entrar, alguém lá dentro não estava permitindo minha entrada, mas então ele concluiu. –Querem te conhecer antes de deixar você entrar ou não, Kaililha assim que eu entrar com o Om na outra porta, o portão vai se abrir e vocês podem entrar.
Sai e comecei a seguir Koh até a outra porta, vejo uma pequena vigia aberta nessa porta, quando estamos próximos ela se feche instantes depois a própria porta se abre permitindo a nossa entrada, estava tudo escuro lá dentro, mas isso não seria problema para mim. Eu passo pela porta primeiro e assim que Koh entra a porta se fecha, começo a escutar um barulho alto de algo rangendo a sala dá leve estremecida, era obvio que o portão estava sendo aberto permitindo os outros entrarem na colônia. Logo após o portão ranger de novo e com o um som de uma batida leve percebo que ele se fecha, no mesmo instante uma luz se acende dentro da sala.
Um homem com cara de poucos amigos estava sentado na minha frente, seu rosto era serio e cheio de cicatrizes e tatuagens (sério, aquilo parecia mais um bando de retalho costurado do que um rosto, era até difícil identificar qualquer característica de um rosto nele.) com um gesto ele indica para eu me sentar a sua frente, obedeço e noto Koh se dirigindo para um ponto mais escuro da sala e se apoiando contra a parede.
Após nos encararmos por um tempo o costurado começou a falar.
- Koh tem certeza que e ele?
-Sem duvida Zarcks. –Cara qual era o problema deles com nomes. –No momento em que ele apareceu e decapitou todos os “Mortos” já suspeitara, mas quando mostrou o rosto tive certeza.
Lá vem ele de novo, eu nunca estive aqui antes, aquela foi a primeira vez que mostrei meu rosto para humanos depois de mostrar minhas habilidades (e mesmo assim uma pequena parcela do que posso fazer) e ele fica agindo como se tivesse presenciado todos os meus feitos.
Mas então o que veio a seguir me surpreendeu.
-Então e verdade o que estão falando. –Divaguei-a Zarcks. –O estranho andarilho, viajando sozinho, cobre o rosto e pode lutar de igual para igual com qualquer monstro, mas a característica principal é sua aparência, um jovem de 17 anos.
Xiiiiiii agora é que complica, que merda de fofoca era essa que estava se espalhando, claro que as colônias conseguiam se comunicar e seus habitantes ir de uma a outra, as mais próximas pelo menos, mas isso era algo muito especifico e não tinha como ninguém saber o que eu estava fazendo, me certificava sempre de lutar longe das colônias e só mostrar meu rosto quando eu estivesse dentro de uma. Então como tal “lenda” estava se espalhando.
-Desculpa, mas do que vocês estão falando? –Me fiz de desentendido. –Que historias são essas?
Os dois me encaram por alguns segundos, logo em seguida Zarcks bufa em deboche.
-Garoto, não tente nos enganar, suas historias o precede já faz tempo, viajantes de outras Colônias contaram como o viram lutar contra Vermes Gigantes, as ferozes Rapinas do deserto, os Lobos das Cavernas e até mesmo “brinca” com lobisomens e vampiros.
Mas que papo era esse, ok eu fiz tudo isso, mas tenho certeza que fora tudo longe de olhos curiosos, como alguém me vira. Bem a noticia me pegou de surpresa, e por isso devo te mostrado perplexidade, pois notei um sorriso de trinfo no meio de todas aquelas tatuagens.
-Entendo, você se dava ao trabalho de fazer tudo “escondido”... Bem essa historia ouvimos de uma caravana. – Caravanas, putz, eles são como colônias , um grupo de pessoas que se adaptaram as condições do novo planeta se mantendo em constante movimento. Lembro-me de ter avistado-os uma vez, mas foi depois de ter lutado contra um pequeno grupo de mortos, eles haviam me oferecido comida e abrigo naquele dia, mas foi só uma vez. –Eles contaram que depois da primeira vez que o viram mandaram alguns batedores seguir você a distância, até o dia que o fizeram contato pela primeira vez.
Dei mole, muito mole, então eles já sabiam que eu era, e essa turma são um bando de língua soltas. Adoram contar historias onde quer que parem, obviamente já haviam passado por aqui quando tive que pegar o desvio para despistar os Caçadores, e agora deveriam estar contando para a próxima colônia tudo que viram. Merda não posso ter essa fama, Por quê? Bem a resposta para isso vem agora.
-A principio, não acreditamos, achamos que era apenas historia de viajantes para atrair um pouco de atenção, mas então você salva o meu grupo e mostra o seu rosto e para completar da o seu nome, Om. Eles nos contaram que na noite que você passou com eles você disse seu nome.
-E pelo que Koh viu e se suas historias são verdadeira, você não podia ter aparecido em hora melhor. –Os olhos de Zarcks faiscou quando falou estas palavras, em contra partida eu ficava cada vez mais nervoso. –Temos sofridos constates ataques de certos monstros e acredito que você pode nos ajudar.
Pronto, ele pediu, na verdade estava mais para uma ordem, se os humanos começam a descobrir sobre mim, vão querer que eu faça esses serviços para eles e depois vão querer que eu fique preso a eles, se bobear podem até querer as minhas habilidades para eles. Estava pronto para recusa quando Koh disse.
-Estamos dispostos a dar qualquer coisa que precise, e hospeda-lo pelo tempo que precisar se nos ajudar.
Claro que isso era só uma maneira de me manter na cidade mesmo depois de eu derrotar seja lá o que estiver ameaçando eles, porém meus mantimentos estavam no fim e seria bom descansar um pouco em uma cidade, realmente se eu tivesses condições de aguentar mais uns 4 ou 5 dias de viajem teria dando meia volta e saído por aquela porta nesse exato momento. Mas eu não estava em condições de dar o luxo de me arrisca novamente e ficar vagando sem rumo.
-Entendam isso e entendam agora. –Eu falava serio e ameaçador, meus olhos faiscavam, não podia permiti que eles se acomodassem com a ideia de me ter por perto. –Irei ajuda-los, mas apenas uma única vez. Depois de pegar tudo que preciso seguirei viajem e nunca mais voltarei. Então não se acostume em me ter por perto, não pensem que me acomodarei por aqui e nem pensei em tentar alguma gracinha.
Sem perceber havia ficado de pé e apoiado às mãos na mesa que me separava de Zarcks, os dois me encararam por uns segundos e depois sorriram.
-Feito. Assim que “eles” aparecerem o chamamos e o resto é com você. –Disse Zarcks pondo-se de pé e estendendo a mão para mim, em respeito apertei-a. –Até lá você é bem vindo em Cravo do Deserto, ficara hospedado e recebera comida ou qualquer coisa que precise por nossa conta. E não se preocupe, poucos escutaram as historias. E só você não se mostrar que ninguém vai suspeitar.
Não respondi, até parece que me mostraria na frente de todo mundo, tenho cara de artista de rua? Após o aperto de mão Koh me levou por outra porta que dava para dentro da colônia.
Caminhamos por uma rua larga e bem movimentada, as pessoas dividiam a rua com uma espécie de feira que vendia tudo que você possa imaginar até artefatos da sociedade antiga (desculpa mais nessa hora eu rir ao ver dois homens disputando um acento de privada sujo em péssimo estado, parece que o comerciante havia dito que os humanos antigos o usavam no pescoço para se proteger de monstros, pura comedia visitar as colônias.) haviam coisa de real utilidade como comida, armas e vários objetos que poderiam ser de utilidade em uma viajem longa.
Bem acredito que se um humano do passado visse a cidade pensaria logo de cara que ela tinha saído de algum jogo fantasioso do Japão, as construções me agradavam admito, mas era um tanto quanto estranhas em suas arquitetura, detalhes e como eram distribuídas. Cruzamos algumas ruas, viramos algumas esquinas, era incrível como mesmo a noite as pessoas ainda estavam acordadas fazendo negócios, se bem que escureceu não faz muito tempo, imaginei que estariam fazendo as ultimas compras. Quando chegamos a uma estalagem, pode ler em uma placa “O Vampiro bêbado.” Serio tenho que bater um papo com o cara encarregado de dar nomes a coisa e pessoas.
Koh abriu a porta, seu interior fedia, e acredito que para mim fedia mais do que para qualquer um deles, havia humanos bebendo e conversando de forma animada, ninguém pareceu dar a menor atenção a nos dois. Koh foi abrindo caminho pela multidão enquanto eu o seguia de perto até que chegamos ao balcão onde um velho, barrigudo careca e com um bigode estranho usando um avental limpava alguns copos enquanto olhava o movimento. Sua atenção fora atraída para Koh quando chegamos até ele.
-Um quarto por tempo indeterminado para o garoto. –Disse com um aceno de cabeça em minha direção. –E pode servi o que ele pedir coloque tudo na conta do exercito.
Ele acenou a cabeça confirmando, depois se virou e começou a passar o dedo entre um molho de chaves penduradas em uma parede atrás dele, retirou uma e me entregou.
-Quarto 10, no fim do corredor do segundo andar. –Depois disso voltou ao seus afazeres, com a chave em mãos, Koh me acompanha até a porta do quarto ao disse.
-Aproveite a estadia, e peça o que quiser, isso aqui é para você. –Disse me entregando um anel pequeno e simples, com uma pequena pedra amarelada nela. –Essa pedra e símbolo do exercito, use amanha no mercado e conseguira qualquer coisa de graça. Quando o “serviço” aparecer o chamaremos, enquanto isso mantenha-se nessa estalagem e nos mercados próximos.
Sem dizer mais nada ele da meia volta e desces as escadas. Abro a porta do quarto, tranco ao entrar, nem me preocupo em acender as luzes, jogo minha mochila e espada em qualquer canto e deixo o anel em uma cômoda próxima à cama e em poucos segundos pego no sono.
Essa era para ser uma das minhas poucas noites de sono tranquilas e sossegadas, mas sinto alguém se esgueirado para dentro do meu quarto, vejo de relance minha porta abrir e fechar rapidamente. Serio mesmo, não posso ter uma noite tranquila não... Fico quieto, fingindo ainda estar dormindo queria ver o que exatamente o intruso queria. Ele veio se esgueirando pelos cantos, tinha o maior cuidado em não fazer nenhum barulho, após alguns segundos ficou claro o que ele queria, era o anel que Koh me dará. Bem era o único pertence comigo de real valor.
Esperei pacientemente até que se aproximasse, lhe daria um susto, quando pouso a mão sobre o anel, rapidamente segurei seu punho, engraçado era um punho muito fino, então arregalo os olhos e encaro o invasor agressivamente, não sei se ele conseguiu ver minha expressão, mas sabia que ele vira meus olhos. Meus olhos brilhavam no escuro como o de muitos animais com hábitos noturnos como felinos e lobos, pude ver o susto que ele tomara... Pera ae! Agora que o encarava, mesmo que estivesse com o rosto coberto, vi pela silhueta que se tratava de uma mulher. Pela altura não deveria ser muito velha.
Acho que minha reação somados ao meus olhos devem tê-la assustado bastante, percebi uma reação involuntária dela, com mão livre ela pegou um objeto que se encontrava na cômoda e me atingiu com toda força meu rosto, realmente só pude percebe-lo, não esperava que sua reação fosse essa, não me machucou quase nada, mas por puro instinto soltei sua mão, enquanto retirava o objeto metálico da minha cara escutei ela correr e minha janela ser aberta, levantei, corri até a janela a ponto de vê-la correr pelos telhados enquanto amanhecia.
Quando olhei para cômoda, percebi que ela conseguira levar o anel, soltei um suspiro curto e desanimado, se esse anel não me fosse realmente necessário deixaria que ela o levasse, porém...
Peguei minha capa de viajem e pulei da janela em direção dela, seria uma rápida e entediante caçada.
Notas finais
espero que gostem, e toda a critica e bem vinda.
valeu ate o proximo capitulo.
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