Projeto Genoma

13 (Ômega) Capitulo 12- Siga em Frente


Notas iniciais
Bem galera o cap 12 prontinho para a leitura! ^^ espero que gostem. Sem muitos comentarios (sempre que tento acabo dando spolier xD) então boa leitura

Após Lyrian dirigir a manhã inteira falei para ela parar pra podermos comer e descansar um pouco. Nem deu para eu tirar um cochilo no banco de traz, nessa parte do deserto era mais terra seca cheia de pedra com formações rochosas que tentavam ser montanhas, eram poucos os trechos de areia, então basicamente a viagem foi eu sendo jogando de um banco a outro.

Ela estacionou próxima a uma generosa sombra onde poderíamos nos abrigar do sol (que era a primeira vez que ele parecia mesmo de leve entre o tempo todo nublado.) quando descemos tanto eu quanto ela demos uma boa espreguiçada e ela tinha complementado com um bocejo, eu conseguia aguentar muitas horas acordado, mas ela não. Afinal foram duas noites seguidas mal dormidas tanto para mim quanto para ela. Até eu comecei a me sentir cansado apesar de aguentar mais algumas horas.

Pego minha mochila e retiro de dentro dela dois pequenos embrulhos entregando um para Lyrian.

-A primeira coisa que você tem de se acostumar é com a alimentação. –Falei enquanto ela abre o embrulho e fita desanimada uma pequena ração de viagem seca, compostas por cereais e alguns nutrientes necessários para o corpo, esse composto era ótimo, pois demorava a estragar. –A comida não será farta. Geralmente eu caço, mas em locais como o deserto e difícil arranjar comida. Ah deixei para beber a agua depois que terminar e não durante. É necessário racionar se quiser sobreviver.

Ela parecia cada vez mais deprimida com a situação, quando ela me olha desanimada apenas lhe dou um sorriso, sento no chão encostando-me no Trimotor, ela faz o mesmo sentada de frente para mim se encostando nas rochas e começa a comer de forma desanimada. Ninguém a obrigou a vir, veio porque quis sabendo das adversidades, teria de se acostumar o mais rápido possível.

Comemos em silencio, eu comi mais rápido que ela, não que eu estivesse com mais fome e comi depressa, é que ela mordiscava a comida com pouca vontade, a principio pensei que isso era por causa das condições que nos encontrávamos.

-Eu sei que as condições não são lá muito boas. –Falei dando um gole na agua do meu cantil, após fecha-lo, voltei a falar. – Mas também tem suas vantagens viajar em vez de se ficar em uma cidade.

-Não estou assim por causa da comida... –Já vi mais ânimos em Mortos. Sua voz estava toda arrastada enquanto chegava ao fim de sua comida. Olhei para ela com curiosidade estava tentando entender o que acontecia.

-Bem só poderei saber qual o problema se você falar comigo... O que esta havendo?

Ela me olhou melancólica, então voltou a sua atenção para o chão e respirando fundo começou a falar.

-Ontem à noite, naquele... massacre, quando me perdi de você no caminho enquanto te procurava encontrei um amigo meu que havia se tornado um soldado, Hojyn, ele foi ferido e ficou lutando sozinho contra um Verme Gigante para que eu pode-se chegar ate você.

Entendi o problema, mas eu realmente não podia entender seus sentimentos e nem dizer nada para ajuda-la, eu realmente não me sentia abandonado e nem conhecia amizade ou a perda dela. Sempre estive sozinho então nunca me senti incomodado com essas coisas e nem triste com a morte de alguém, na verdade é um fato natural que acontece com todos (e mesmo eu podendo viver por muito tempo um dia também irei morrer, nada dura para sempre.) então eu realmente não faço ideia do que ela sente, mas intendo o porquê dela estar assim.

- E teve aquela hora que fiquei no armazém esperando você abrir os portões da muralha. Outro amigo meu que me ajudou a juntar a multidão para fazer a distração, foi atacado pelo Zarcks, mesmo ferido, me ajudou a brigar com ele e eu simplesmente saio correndo dali deixando-o lá.

Quando terminou ficou me encarando, como se esperasse eu falar ou fazer alguma coisa para consola-la, mas eu não podia fazer nada. Isso me deixou maluco, não gosto da sensação de impotência e por alguma razão não poder ajuda-la me deixava ainda mais frustrado. (vamos lá experiência genética com um cérebro de supercomputador, deve ter alguma coisa ai que possa ajudar...) É isso, essa informação poderia ajudar.

- Sabe, eu não estou apenas viajando aleatoriamente. –Ela começou a me fitar com atenção. –Eu estou à procura dos meus irmãos, é única coisa que me lembro do meu passado. Nós nos separamos há muito tempo e desde então os estou procurando. Com isso fiz muitos amigos no decorrer das minhas viagens e os perdi com a mesma facilidade por inúmeros fatos, medo de mim, querendo me ajudar se sacrificando ou porque simplesmente os abandonei para seguir meu caminho.

Era em parte mentira o que eu contava, mas esperava que ajudasse de alguma forma. Porém me incomodava o fato dela nem sequer piscar enquanto eu falava isso será que eu estava piorando a situação?

-O fato é que, você não pode seguir em frente se ficar se prendendo ao passado, é triste sim, a dor incomoda, mas eles fizeram isso por que eram seus amigos e queriam o seu melhor. E o melhor jeito de mostrar gratidão é seguir em frente por eles, nada pode mudar o passado, mas você pode continuar em frente por você e por eles.

Lagrimas começaram escorrer de seus olhos, (puta merda Ômega qual e o seu problema?) fiquei em desespero vendo-o chorar, não sabia o que fazer para resolver isso, que merda. Realmente eu não sabia o como lidar com as pessoas.

-Obrigada Om. –É que? Agora não entendi nada. –Você se faz de durão e tudo, mas até que você sabe o que dizer.

Então tá, se isso que eu disse serviu para alguma coisa fico feliz, de verdade só em vê-la sorrir de novo me fez sorrir de volta para ela e me animar um pouco. Ofereci a ela agua, ela bebeu um pouco e depois olhou para o céu e ficou ali encarando sonhadora, por outro lado eu fiquei a encarando, admirando suas feições o que me fez perceber novamente, ela realmente me era familiar de alguma maneira, mas da onde?

Então sacudindo a cabeça me boto de pé e falo para seguirmos viagem, ainda teríamos muito caminho para percorrer, ela me entrega o cantil e ajudo a ficar de pé, voltamos para o Trimotor eu até me ofereceria para dirigir, mas aquilo era diferente de qualquer informação de automóveis que eu possuía, então a deixei no volante enquanto eu ficava no banco de trás.

Passamos a maior parte da viagem sem dizer uma única palavra, algumas vezes ela tentava puxar conversa, mas por puro costume cortava a conversa com respostas simples. Eu não queria ter feito isso, por algum motivo eu queria manter uma conversa com ela. Quando começou a escurecer disse para ela parar.

-Que foi?

-Vamos acampar por aqui. Afinal precisamos descansar.

-Mas aqui? E os monstros?

-Não se preocupe, aqui por enquanto não tem problema. Vamos já estamos 2 noites seguidas sem dormir direito. Acho que merecemos um descanso.

Ela parou e desceu, foi até a mochila dela e dali tirou um cobertor, mas quando a vi estendendo ele no chão a mandei parar.

-O que foi agora?

-Dorme no banco de trás, você não precisa dormi no relento. Não se preocupe eu fico vigiando.

Ela não disse nada apenas entrou novamente no Trimotor deitou-se encolhida nos dois bancos e se cobriu sentei no banco da frente e apoie os pés no volante enquanto observava o céu eternamente nublado desse deserto. Era estranho, mas enquanto estava ali vendo o tempo passar me senti pela primeira vez confortável, nunca me senti assim principalmente perto de humanos, mas com ela de alguma forma era diferente. Mesmo sempre existindo um conflito interno em mim eu sentia que com ela podia conversar abertamente, mas sabia que eu não poderia contar a ela o que eu realmente era.

Que ela já sabia que eu não era humano isso era fato, mas provavelmente ela devia achar que eu era um mutante ou um monstro bonzinho como algumas pessoas gostam de imaginar (geralmente os infelizes que sofrem por amores não correspondido. Acordem para vida, um bicho que tem como alimentação você no cardápio vai te amar, mas não da forma que você quer.) e por enquanto era melhor ela continuar a acreditar nisso.

Notas finais
E isso ae galera Ômega mostrando que ate experiencia geneticas frias e anti sociais podem ter um coração xD
espero que tenham gostado do cap e não esqueçam de comentar (mesmo se tiver ruim pode falar, criticas são bem vidas)
ps: finalmente fiz a capa para historia ^^, me falem o que acharam dela
vlw ae galera abração!