Projeto Genoma
10 (Lyrian) Capitulo 9 - E agora?
Notas iniciais
Boa leitura.
-ONDE ESTÁ KOH E ZARCKS? – Grita Om para todos os soldados, que como eu olhava para ele apavorado, já imaginava que Om fosse violento realmente isso era necessário para sobreviver, mas o que ele fez foi tortura, foi um ato de pura maldade e percebi que ele estava adorando cada segundo daquilo.
Ninguém se movimenta, fica um silencio pesado, gostaria de falar com Om, mas não conseguia nem olhar em seu rosto. Estava com medo dele, eu vi do que ele é capaz de fazer e tenho certeza que aquilo era pouco, perto do que ele realmente é e faz.
-Então você conseguiu garoto! –Um homem grita do alto da muralha, parecia o único não ligar para situação. –Vamos vocês, entrem logo e vamos ver o que tem para mim.
Uma das portas de metal se abre, Om começa andar com passos apressados, continuo seguindo de perto, estava cansada e assustada nunca vi tanto derramamento de sangue sem falar da atitude de Om, realmente aquilo que ele fez me abalou, nunca imaginei que alguém pudesse ser tão brutal.
Passamos pela porta, que logo em seguida se fecha, estamos num corredor largo que se estendia contornando por dentro toda a muralha, logo a frente outra porta aberta dava para vários lances de escada tanto para cima quanto para baixo. Om para na frente delas em duvida de qual caminho pegar até que escutamos passos apressados descendo as escadas, olhamos para o lance que subia então aparece Zarcks, comandante responsável pela defesa da cidade.
-Vamos, desça. –Fala ele depois de encarar por um tempo a cabeça que Om trazia. –Vamos conversa lá em baixo.
Om não se movimenta o encara firmemente então faz um gesto com a cabeça indicando para o Zarcks ir à frente. Ele olha surpreso para Om, então dá um sorriso e fala: “Sempre cuidadoso...”
Descemos as escadas com Zarcks nos guiando, descemos uns 3 níveis até darmos de cara com uma porta simples de madeira, ele nos dá passagem após entrar. A sala não era muito grande, havia uma mesa com uma única cadeira e algumas armas espalhadas pelas paredes, uma tocha e uma única vela no centro da mesa iluminavam o local. Zarcks fecha a porta, da à volta na mesa senta-se na cadeira e nos encara.
-Sei que aqueles monstros não recuaram por motivos pessoais ou medo de nós. O que estava acontecendo, o que você fez o que é isso na sua mão?
Om bota a cabeça na mesa com os olhos virados para o Zarcks, este se assusta com a reação dele, encara a cabeça por uns segundos então encara Om por alguns segundos esperando explicação.
-Este é o monstro que vocês criaram... –Om começa a relatar o que enfrentamos os motivos dele e como ele controlava os monstros, mas por algum motivo omitiu a tal caverna brilhante. Zarcks encara a cabeça por alguns segundos e fala.
-Monstros sempre serão monstros...
-Ele não se alimentava de humanos. –Fala Om irritado, no momento me encolhi num canto da sala, eu vi como ele era irritado. –Nem todos os infectados se tornam monstros devoradores. Se não fosse a falta de conhecimento de vocês ele poderia ter sido um excelente guardião dessa cidade... Já cumpri a minha parte do acordo, vou voltar para estalagem.
Om enfia a mão no bolso e deposita o anel do exercito na mesa e logo em seguida sai da sala, encaro Zarcks por um segundos, mas logo me ponho a correr atrás de Om. Porém escuto algo antes de sair. “Mas ainda temos negócios... Om.” Refizemos o caminho até a estalagem em silencio. Porém antes de viramos a ultima curva Om me segura pelo o pulso e me puxa por outro caminho, ele me arrastava com muita facilidade. Estávamos tão rápido que eu tinha de dar saltos para não cair, viramos tantas vezes que eu já não sabia mais onde estávamos. Por fim ele parou.
-Despistamos... –Disse olhando para frente. Olhei para ele sem entender, ainda tentava me recuperar do “sequestro” dele. Olho em volta estávamos num beco escuro e muito sujo havia entulhos de varias coisas quebradas. Tudo estava em silencio. Encaro Om por um tempo que agora estava olhando para mim, no escuro seus olhos brilhavam e isso ainda me assustava um pouco principalmente depois da cena que presenciei.
-P-por... –Não consegui termina a sentença antes mesmo que eu percebesse Om me jogou contra a parede e ficou na minha frente pondo as duas mão na parede me prendendo entre elas, novamente o seu rosto estava próximo vi o rastro de sangue da ferida que ele recebeu na luta, mas nem sinal da ferida nem mesmo uma cicatriz... Mas eu estava assustada com o que ele poderia fazer para poder me importa com isso, então nesse momento eu só fechei os olhos e esperei pelo pior.
-E agora? Vai fazer o que Lyrian? –Abro os olhos perplexa, ele estava me testando ou algo do gênero? – Você viu como e lá fora, viu que não sou nenhuma flor que se cheire. Então vai querer viajar comigo ou ficar na cidade?
Então era isso, realmente se ele tivesse me perguntado isso antes de nos enfiarmos naquele inferno, antes dele torturar aquele monstro responderia sim no ato, mas agora... Senti-me confusa, dividida, a dúvida era enorme, mas então olho no fundo dos seus olhos, olhos que desde que nos conhecemos só mostraram frieza e neutralidade, olhos que se mostraram macabros e perigosos na luta, mas por alguma razão agora me passava sensação de tranquilidade, conforto e segurança.
Dessa vez o brilho dos seus olhos não me incomodava ou assustava, mas me fascinava, sua expressão não era dura, rabugenta ou entendida, mas era tranquila, calma e... carinhosa? Então nesse momento sustentado seu olhar, não de forma desafiadora, mas amigável respondi.
-Sim, ainda quero viajar com você. Ainda quero conhecer tudo que tem fora dessa cidade.
Om abaixa os braços e se afasta um pouco, nos encaramos por mais alguns segundos até ele voltar a falar.
-Não vai ser nada fácil, mas você foi capaz de me acompanhar e foi de grande ajuda, como prometi te levarei comigo. –Começo a sorrir, ele reconheceu minhas habilidades e estava me deixando ir com ele. –Mas vamos essa noite, não é mais seguro para eu ficar nessa cidade.
-Om, depois que saímos da sala de Zarcks enquanto antes de me afastar da porta escutei ele falar “Mas ainda temos negócios...”
Ele olha para o alto e da um suspiro de tédio, então volta a falar enquanto encara o céu.
-Normal. Isso aconteceu comigo antes, na época eu não suspeitava, mas quando mostrei do que sou capaz quiseram me manter na cidade como um animal adestrado... Quando saímos da muralha tinha pelo menos 5 nos perseguindo. –Ele repara na minha cara de surpresa, eu não percebi nada e geralmente sou atenta a essas coisas. Então ele da uma leve risada. –Você já entendeu que não sou humano. Tenho sentidos muito mais aguçados que o de vocês é mais fácil eu perceber isso do que você, não se preocupe.
Então ele vai para entrada do beco e olha para todos os lados a procura de qualquer coisa suspeita.
-Teremos que ser rápidos. Apesar de ter dados varias voltas a estalagem é do outro lado da rua. –Não acreditei corri até ele e olhei para frente. Meu queixo caiu, parecia que tínhamos atravessado a cidade, mas tudo que ele fez foi correr em círculos. –Ninguém suspeitaria de vir nos procurar aqui depois do que fiz. Nós vamos entrar pegar nossas coisas e sair, existe alguma saída alternativa da cidade ou um caminho mais rápido longe de olhos curiosos?
-Tem a saída do outro lado da cidade, mas e tão fortemente vigiado quanto a principal. Mas conheço essa cidade como a palma da minha mão, podemos chegar aos portões sem muito problema. –Então vem um estalo na minha cabeça lembro-me de algo que poderia ser de grande ajuda. –Om tem uma coisa que podemos usar para fugir
-O que? –Ele me encara com expectativa
-Bem... pega minha mochila eu vou na frente. –Ele abre a boca, com certeza para me reprender, mas não tínhamos muito tempo, aquilo com certeza nos ajudaria, mas tinha que correr. Nossa melhor chance seria agora depois dessa batalha, o exercito estaria disperso e se recuperando. –Só pega nossas coisas e depois corre naquela direção (apontei para esquerda um para um ponto um pouco afastado do portão). Com sua velocidade você não terá problema de chegar lá sem muita dificuldade.
Antes que ele fale já começo a correr na direção que apontei para ele, escuto ele gritar uma vez meu nome, mas realmente Om estava certo. Eu sabia como era os soldados, eles fariam de tudo para conseguir o que queriam, então a nossa melhor chance de fuga seria “aquilo”. Realmente Om é extremamente rápido e não duvido que uma vez fora desses muros nada o pare ou alcance, mas ele não estaria sozinho e duvido que ele conseguiria manter a velocidade carregando eu e nossas coisas.
Após cruzar algumas ruas e me esgueirar por alguns becos, sombras e lixos alcanço novamente a muralha, a minha direita a uns 15 metros estava o portão principal. Mas o que eu queria estava no armazém, vou ate uma porta lateral estava trancada, mas isso nunca foi problema para mim, após alguns segundos mexendo na tranca consigo abri-la. Seu interior era iluminado fracamente por algumas tochas, achei o que queria em baixo de uma lona no meio da sala de frente para um enorme portão que dava na rua principal levando para saída da cidade.
-Perfeito agora e só esperar Om. Aposto que ele pode dar um jeito de abrir aquele portão. –Pensei com um sorriso indo para a porta, deixando-a encostada, agora tudo que eu tinha que fazer era arranjar uma distração e meu plano daria certo, e já até sabia onde conseguir essa “distração”.
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