Projeto: Eu (true beauty)

3 Cap. 03 - Empire State Building


Notas iniciais
Olá! Tudo bem com vocês? É comum, na etiqueta, responder de volta. Espero que gostem do capítulo!

As meninas não mais se seguraram e riram. Annabeth não aguentou a pressão e acabou saindo correndo, sem muito rumo. Deixou a escola, pegou um ônibus e vagou sem rumo até o centro de Manhatan. Já havia conseguido parar de chorar quando passou em frente ao Empire State Building e decidiu comprar um ingresso para o observatório do 102º andar.

Ao chegar lá em cima, Annabeth ficou parada por muito tempo apreciando a vista. Algumas pessoas olhavam para ela, tanto pelo uniforme, quanto pela sua trágica maquiagem improvisada, mas ela não percebia. Estava concentrada na vista, enquanto pensava nas coisas que haviam acontecido algumas horas atras.

Eu sou uma frouxa, pensou ela. Não acredito que me deixei levar pelas emoções. Não acredito que deixei Drew entrar na minha cabeça.

Foi quando o estômago falou mais alto que Annabeth decidiu que era a hora de ir para casa. Deu um último suspiro profundo, tirou os óculos do rosto para enxugar os olhos uma última vez e se virou para seguir seu caminho. Ao se virar, trombou com uma pessoa mais alta que ela, o que a fez derrubar seus óculos no chão. Annabeth se desequilibrou, mas as mãos da pessoa que ela trombou a seguraram pelos braços. Ela mal teve tempo de entender o ocorrido quando outra pessoa passou ao seu lado e pisou em cima dos seus óculos.

— Ah! – exclamou Annabeth – Meus óculos!

— Moça, você está bem? Tem que olhar por onde anda!

Era uma voz masculina quem falava com ela. Annabeth olha para cima para encarar quem chamou sua atenção, porém sem óculos, é difícil identificar. Ela aperta os olhos e consegue distinguir cabelos pretos e um par de olhos claros. Verdes, talvez? Era difícil de dizer.

— Moço, me desculpe, mas você também trombou comigo! – Ela contra-argumentou. Não estava a fim de ser constrangida novamente – Também deveria olhar por onde anda!

O que ela ouviu foi quase uma risada. Percebeu que isso poderia ter vindo do fato de que sua maquiagem ainda estava no rosto. Ela percebeu que ele ainda a segurava pelos braços e se mexeu, fazendo-o soltar. Depois olhou envolta, procurando pelos óculos.

— Você poderia me ajudar com meus óculos? Não vejo nada sem eles.

— Estão quebrados – a pessoa falou, enquanto se abaixava para pegar – Aqui – e entregou para ela.

Annabeth encarou os óculos, sem identificá-los muito bem, por um instante. Então seus olhos marejaram novamente, pensando em com seria difícil chegar ao elevador sem pedir ajuda e descer para voltar para casa. Uma fungada soltou-se dela, enquanto uma lágrima descia em seu rosto.

— Ei, moça – parece ser um garoto jovem, Annabeth pensou – Moça, não chora. Meu Deus – ele olhava no entorno, preocupado com as pessoas olhando. Annabeth não conseguia segurar o choro.

— Isso tudo é culpa sua! – ela resmungou – Meu dia já estava horrível, por que você foi quebrar meus óculos? E agora, como eu vou para casa? Eu vou ter que ligar para o meu pai e ele vai me perguntar o que eu estou fazendo fora da escola, e eu vou ter que mentir para ele e ele vai ficar muito chateado comigo!

— Moça, eu não tenho culpa do seu dia estar horrível, dá pra você chorar mais baixo? – pediu o garoto.

Annabeth estava desabando. Ela se sentia ridícula, mas não conseguia parar de chorar. Imaginava as pessoas olhando. Imaginava o garoto julgando-a. Não havia como piorar a situação. O garoto se remexeu na frente dela, retirou seu casaco e jogou por cima dela como uma capa. Esse gesto mexeu um pouco com ela. O casaco era quentinho e tinha cheiro de um perfume masculino muito bom.

— Olha, eu preciso que você se acalme, está bem? – falou o garoto – Posso ligar para alguém por você? Posso falar que você está se sentindo mal para virem te buscar?

— Não, obrigada – Annabeth saiu andando, o orgulho ferido – Eu vou para casa sozinha.

As luzes do observatório se apagaram. As pessoas começaram a murmurar. De repente, um aviso soou nos altos falantes.

— Pedimos desculpas pelo transtorno, mas tivemos um corte de energia nos andares a partir do 100º. É necessário que todos os visitantes desçam pela escada de emergência até o andar 99. Cadeirantes e pessoas com dificuldade de locomoção, poderão aguardar até que a energia seja retomada. Agradecemos a colaboração de todos.

Ótimo, Annabeth pensou. Ela começou a tentar acompanhar os visitantes até a escada, mas sua falta de visão a fazia trombar com várias pessoas. Ela se desculpava, mas pareciam extremamente chateados com ela. Depois de algumas trombadas, sentiu duas mãos sobre os seus ombros, que te guiaram na direção da escada de emergência sem trombar em ninguém.

— Sou eu – era o menino de antes.

As mãos dele eram firmes e ele tomou cuidado para não derrubar o casaco de sua cabeça. Annabeth sentiu uma lagrima havia ficado presa em seu olho escorregar nesse momento, grata pela ajuda. O fato dele estar atrás dela a deixou mais grata ainda, para não ter que ver mais uma vez o seu choro.

Chegando na escada de emergência, ela quase caiu. Sorte que o garoto a segurou no último instante. Por um momento, ela hesitou em descer a escada. Voltou-se para o menino e disse:

— Acho que vou ficar junto com os cadeirantes e esperar o elevador.

— Mas não ficou ninguém lá em cima – ele argumentou.

— Ah. Mas acho melhor eu ficar, porque...

— Não acho uma boa ideia uma menina ficar sozinha em um lugar cheio de turistas – ele cortou. Depois passou na frente dela na escada e ficou de costas para ela – Vem, sobe nas minhas costas.

— O que? – Annabeth estava surpresa demais.

— Anda – ele a apressou – É apenas até o andar 99. Depois pegamos o elevador. Prometo que não vou cobrar ingresso.

— Moço, eu não posso faz...

O garoto puxou os braços dela e enrolou em seu pescoço. Depois puxou-a para perto e ela terminou de subir em suas costas.

— Está segura? – ele perguntou.

Annabeth, muito envergonhada, apenas assentiu. Eles desceram devagar as escadas, foram os últimos da fila. Ela conseguia ouvir a respiração pesada do garoto enquanto ele se esforçava para descer as escadas. Mais uma vez, se sentiu culpada. De todas as pessoas que passaram pelo seu dia hoje, ela foi grossa com a única que a ajudou.

— Moço, me desculpe – ela disse, quando chegaram ao patamar do 101º andar. – Não era minha intenção atrapalhar seu dia hoje.

— Só hoje? – ele disse, fingindo horror – Então amanhã você vai aparecer novamente? Por favor, não apareça. Não quero desenvolver hérnia tão jovem.

Annabeth não estava esperando essa faísca de senso de humor. Parte se sua mente se permitiu viajar ao ponto de pensar que então, se ela aparecesse amanhã, ele a carregaria novamente?

— Enfim, me desculpe. – Ela conseguiu dizer – Se quiser, eu desço.

— Ei, não se preocupe – ele a segurou mais forte, porque ela tentava se soltar dele – Era uma brincadeira, eu posso te levar.

— Desculpe novamente, eu devo ser pesada.

— Isso não dá para negar.

Não dava para saber se era outra brincadeira, porque Annabeth não conseguia ver o seu rosto. Entretando, ele não parecia ter soado maldoso, apenas sarcástico.

Quando chegaram ao 99º andar, o garoto a soltou e conduziu ele até o elevador e juntos chegaram ao térreo. O estômago de Annabeth deu um forte ronco. Ela segurou a barriga e olhou no entorno, fingindo que estava procurando o barulho. Quando chegaram do lado de fora, estomago roncou novamente e Annabeth não conseguiu evitar que seu rosto ficasse mais vermelho do que já estava.

— Acho que você precisa alimentar isso – comentou o garoto, apontando para a barriga dela. Annabeth podia ouvir a risada em sua voz.

— Não sei do que você está falando. – Mas logo seu estômago roncou novamente.

Dessa vez, o garoto riu com vontade. Ele pediu que ela aguardasse um momento. Foi até alguma das barraquinhas de rua próximas e comprou um lanche para a viagem. Ao retornar para perto dela, entregou a embalagem.

— Você envenenou isso? – ela perguntou, tentando parecer menos envergonhada do que estava.

— Ah – ele deu de ombros – Eu deveria ter aproveitado a oportunidade. – falou em tom de arrependimento. – Coma enquanto vai para casa.

O garoto chamou um taxi e colocou-a para dentro. Annabeth mal teve tempo de agradecer, ele mandou o taxi partir e levar ela no endereço que ela falasse, mas não sem antes jogar algum dinheiro no banco da frente do taxista. Annabeth gritou um “obrigada” pela janela e viu o vulto do garoto retornando para o prédio, tal qual um herói indo salvar mais pessoas.

Annabeth tirou o casaco do garoto da cabeça, dobrou com cuidado e colocou em seu colo, se perguntando se em algum momento teria a oportunidade de devolver. E se eu voltasse aqui amanhã?, ela pensou. Hesitou ao pensar em como ele deve tê-la achado ridícula. Uma menina de uniforme em horário escolar, chorando sozinha em um dos mais belos pontos turísticos de Nova York, uma maquiagem terrível e o rosto inchado. Acho melhor não, pensou. Mesmo assim, deveria devolver o casaco em algum momento.

Annabeth sorriu. E se sentiu meio peculiar, em meio a toda a confusão de sua vida. Alisou o casaco com carinho, uma gratidão silenciosa pelo garoto que mudou a perspectiva do seu dia. Desembrulhou o lanche, e sentiu o cheiro de cachorro-quente, um de seus lanches favoritos.

— Você não pode comer aqui – avisou o taxista. O estomago de Annabeth a defendeu instantaneamente, produzindo o mais alto dos barulhos. O taxista olhou pelo retrovisor e viu seus olhos inchados e pele manchada. Ele suspirou – Tudo bem, mas não faça bagunça.

Annabeth devorou seu lanche tomando cuidado para não sujar o carro do taxista e se sentiu mais tranquila. Chegando em casa, o pai a esperava na sala.

— Annabeth – ele se levantou do sofá – Onde você estava? A escola me ligou!

Saber que o caso tinha se espelhado minimamente, mesmo que entre os coordenadores e professores, a deixou mais deprimida. Antes que conseguisse se segurar, ela começou a chorar novamente e correu para o quarto, trancando a porta. Seu pai a seguiu, mas não chegou a tempo para impedi-la. Ele bateu na porta algumas vezes, mas como ela não respondia, disse que a deixaria em paz e que estaria ali se ela quisesse conversar.

Quando conseguiu se acalmar, Annabeth procurou seu antigo par de óculos nas gavetas da escrivaninha. Ao encontrá-lo, desbloqueou o celular que não parava de vibrar. Havia 10 ligações de Thalia e algumas mensagens de texto xingando-a dos nomes mais absurdos possíveis ao mesmo tempo em que perguntava onde ela estava e porque não conversava com ela.

Estou bem, ela respondeu. Mais tarde conversamos.

Estava preocupada em contar para Thalia como ela havia se saído na entrevista. Ou melhor, estava com vergonha de ter que explicar o fiasco que foi. Thalia se provou certa no final. Que péssima ideia de achar que tinha condições de participar de uma atividade dessas, ainda mais com pessoas como Drew tendo o mesmo interesse. Ficou chateada em pensar que esse não era o seu lugar e frustrada em ter que admitir isso para si mesma.

Minha aparência é um limite, pensou frustrada. Passado um tempo, uma nova mensagem chegou em seu telefone. Annabeth não acreditou quando viu quem era a remetente: sua mãe, Atenna.

Sua escola me ligou já que seu pai não pode atender primeiramente, dizia o texto. Espero que você não tenha aprontado algo com aquela sua amiga ridícula e fugido da escola. Em outro parágrafo, ela completou. Não me faça me arrepender de ter sugerido sua mudança para a Goode High School. Se for para manter esse comportamento, prefiro que continue onde está e não manche minha reputação.

Como se eu estivesse pensando em ir, Annabeth digitou. Mas preferiu não enviar.


Notas finais
Já estava na hora de um vislumbre do protagonista, eu sei. O que acharam? Beijos <3