Projeto Doubleback
1 DOUBLEBACK Capitulo único
Notas iniciais
Go Jack Go
Era mais uma manha em Hill Valey, Califórnia. Em uma lanchonete de esquina duas garotas conversavam sobre Jack Halley. Na placa da lanchonete podia se ler Burger King. Halley era um nome que estava em destaque em 1985, no mundo por causa do cometa Halley, e em Hill Valey por causa do atraente vocalista Jack Halley e sua trágica história.
—Aquele garoto é um sonho!— Comentou uma menina. — Me surpreendo por ele ainda estar sozinho.
—Mas é o Jack. Ele está sozinho por escolha. — Respondeu sua amiga da direita. — Você não sabia? A garota dele foi morta atropelada por um Cadillac, desde então ele não se interessou por mais ninguém.
Jack Halley escutava em silencio a conversa das duas garotas enquanto comia seu Hambúrguer, ele notou que as garotas usavam roupas de ginasticas como lycra, sapatilha e polaina, extravagante na opinião dele que sempre preferia algo mais clássico, o cabelo de uma das garotas lembrava o corte de cabelo de sua avó, a outra usava um corte assimétrico, com franja repicada, o cabelo de ambas era loiro.
A mais alta das duas se levantou e passou raspando pelas costas de Halley, que no exato momento estava mordendo seu hambúrguer, ele quase o engoliu por inteiro. Ela então olhou para ele e deu um sorriso, uma cena provocante, então entrou no banheiro para possivelmente retocar a maquiagem. Jack ignorou e tornou a comer seu lanche, no momento ele estava mais interessado na mansão na esquina oposta a lanchonete onde estava.
A televisão da lanchonete estava ligada. “Oficiais da base nuclear de pesquisa do pacifico se recusam a admitir que uma caixa contendo plutônio fora roubada há duas semanas. Um grupo de terroristas lídio assumiu a responsabilidade pelo roubo, mas algumas autoridades atribuem o sumiço a uma simples negligencia. O FBI ainda esta investigando e não faz comentários.” Era o que a moça do noticiário da manhã dizia. Foi então que passou de skate na frente da lanchonete, segurando da rabeira de uma camionete azul Marty McFly, finalmente ele deixara a mansão, atrasado como sempre.
Halley saiu da lanchonete e a luz do sol ofuscou sua visão por um tempo e derreteu um pouco de gel do seu cabelo, então ele tirou seus óculos escuros do bolso de sua calça e o colocou. Ele era um rapaz alto e de porte atlético, pele clara. Estava usando uma calça jeans desbotada, uma camiseta de gola larga cor de rosa por baixo de sua blusa xadrez, que lembrava a vestimenta de um caipira vindo de Mississippi, calçava sempre seu sapato de grife desenhado por Giorgio Armani.
“Salve o relógio da torre! ’’ Gritava uma senhora de cor na praça em frente à lanchonete. O prefeito Randall Winston estava com planos para trocar o relógio da torre da cidade, o mesmo estava há 30 anos sem funcionar devido a um raio que o atingira, mas Jack não estava interessado nisso.
Halley correu em direção a mansão, não ficou muito surpreso em descobrir que Marty não havia trancado a porta. Foi direto para a garagem ignorando todos os aparatos científicos espalhados pelo local, e lá estava ele, o DeLorean. Ele já tinha conversado com o doutor Emmett Brown sobre a possibilidade de viagem no tempo. Doc. Brown era um especialista no assunto e com muito interesse lhe contou sobre seu mais ambicioso projeto.
A maquina do tempo fora construído em um DeLorean, Doc explicou sobre o funcionamento, primeiro o usuário liga o circuito do tempo, o circuito possui três painéis, o mais alto mostra para onde você vai, o do meio onde você está e o de baixo onde você estava. Doc comentou que ele teve a inspiração enquanto tomava banho em 1955, nesse dia após um tombo ele teve a revelação do que tornaria a viagem no tempo possível, o capacitor de fluxo. Porem o capacitor de fluxo necessitava de muita energia para funcionar, 1.21 gigawatts. Jack estava louco para ser o primeiro homem a viajar no tempo, ele iria roubar a invenção de Doc, mas seria para um causa nobre, e se tudo ocorresse como planejado devolveria sem que o roubo fosse percebido, porem após uma examinada pode constatar que o DeLorean ainda não estava em condições de funcionamento.
Jack estava à beira do desespero, depois de tanto esforço não se conformava com aceitar as coisas como estava, foi então que ele se lembrou de algo que lhe trouxe novamente a esperança, logo após entrar na mansão ele tinha visto um recado para McFly em cima de uma cômoda, sabia que o teste seria realizado naquela madrugada, então tudo o que ele tinha que fazer era esperar.
We Gotta Get Out Of This Place
Era aproximadamente meia noite. No pátio do Shopping Twin Pines Mall McFly esperava por Doc com sua câmera ao lado de Einstein. Einstein era o cão de Doc, um Old Sheepdog, um belo cão. Passaram-se alguns minutos e um caminhão baú chega ao local, na lateral do baú podia se ler: “doutor Emmett Brown”. Marty que estava acariciando Einstein agora se coloca de pé espantado, começa a filmar. O baú do caminhão abre e de dentro sai o DeLorean, não demora muito para Marty notar que o Doc controlava o caminhão por um controle remoto.
—Hey doutor! — diz Marty.
Doc ignora Marty e chama Einstein para dentro do carro, à porta do DeLorean abre para cima. Doc ajusta Einstein dentro do carro, prende o cinto de segurança. Então Doc compara um relógio na coleira do cão com um próprio, os relógios marcavam 01h19min, em sincronia.
—Pode notar que o relógio do Einstein esta em perfeita sincronia com o meu, pegou? — pergunta Doc.
—Peguei! — diz Marty filmando tudo.
Doc então fecha a cabine do DeLorean e começa a ajustar algo pelo controle remoto do carro.
— Isso ai é o controle do carro? —pergunta Marty.
— Veja isso — diz Doc secamente ignorando a pergunta de Marty.
— Okay.
O DeLorean manobra ficando de frente para ambos.
— Se meus cálculos estiverem corretos, quando essa belezinha chegar a 88 milhas por horas você vera algo surpreendente.
Doc começa a acelera o carro, o DeLorean continuava fixo no mesmo lugar. Fumaça começa a sair por suas rodas.
Nesse instante Halley sai debaixo do capacitor de fluxo. “Agora eu entendo de onde ele tirou tanta energia, plutônio” pensou Halley. Ele se atira para frente em direção ao circuito do tempo e começa a ajusta uma nova data, Einstein começa a mordê-lo e a latir, o carro estava em setenta milhas por hora já, não tinha como pensar em uma data especifica agora, o primeiro ano que veio a mente de Halley, 2012.
Marty e Doc não haviam notado a presença do intruso dentro do carro. O DeLorean então dispara em direção aos dois, Marty tenta sair da frente, o puxa pelo braço. “Olhe, olhe!” exclamava Doc com um tom de prazer e satisfação. Raios começam a sair de trás do carro e saltar em sua frente, Marty agora com as pernas tremula continua filmando. E então, quando o choque se torna inevitável o DeLorean desaparece diante dos olhos de ambos deixando apenas duas marcas de pneus em chamas entre as pernas de Marty e a placa traseira.
Die With Your Boots On
O DeLorean aparece instantaneamente em frente ao shopping, Halley mal tem tempo de respirar e sente o carro pender para trás. Einstein agora se encolhe no banco assustado. A terra começa a se abrir. O rapaz olha no circuito do tempo, a data era 21 de dezembro de 2012. “Merda, o fim do calendário maia.” pensou ele.
— Hora de ir para carona, amiguinho! — diz Halley colocando Einstein no banco de carona e tomando o controle da direção.
Poucos segundos antes da terra engolir o DeLorean junto com arvores, carros, asfalto e tudo mais Halley acelera saindo com o DeLorean a quase três metros do chão e pousando numa plataforma que ainda permanecia na horizontal à frente.
Tudo estava desabando, o chão estava se abrindo em todos os lugares e em todas as direções. Halley novamente ajustou o circuito do tempo, dessa vez para o ano de 1985, alguns meses antes de seu ponto de partida. O DeLorean continua acelerando e quando chega a oitenta milhas por hora... Nada.
— Merda! Doc Brown chegou a me falar sobre isso. — Disse Jack batendo no volante com a cabeça. — Um alto campo magnético poderia causar um funcionamento inadequado do capacitor de fluxo, por isso ele não arriscaria viajar para o fim do mundo. Com as constantes mudanças rápidas ocorrendo no planeta com certeza isso iria acontecer.
O DeLorean estava se aproximando do relógio da torre de Hill Valey, atrás o chão continuava se abrindo e tragando tudo o que estivesse em volta. O vento estava forte, as arvores pela calçada chegavam a se deitar. A torre do Relógio começa a pender, então tornasse visível a queda, se Halley reduzisse a velocidade seria tragado para dentro da terra, se acelerasse, mesmo no máximo, o DeLorean não conseguiria passar antes que a torre obstruísse a estrada, ou pior esmagasse o carro.
“Se não posso voltar para o passado quem sabe ir para o futuro” pensou Halley.
Halley ajusta o ano para 2015 e então acelera o DeLorean. Quando o carro atinge oitenta milhas por hora novamente alguns raios saltam a frente do carro e ele desaparece instantaneamente.
O DeLoreal reaparece novamente no ano de 2015, e agora onde antes ficava Hill Valey existia apenas uma imensidão sem vida. A terra era árida e seca, um deserto. Não havia aves de rapina, nem ossos de animais, nem ruinas da civilização, nada.
—E agora amigo? O que será de nos? — perguntou Halley olhando para Einstein, o cão lhe retribuía um olhar de consolo. Halley agora via o reflexo de seus olhos castanhos nos olhos de Einstein.
The Wind Cries Mary
Era mais um dia comum em Hill Valey, um lindo dia de Janeiro, o ano era 1985. Clarissa estava indo encontrar seu namorado. Ela era bonita, mas mesmo assim se considerava uma garota de sorte por ter um namorado como aquele, uma protagonista de livros de romance clichê. Seus cabelos eram longos, quase chegando à cintura, eram de um ruivo flamejante. Seus olhos eram castanhos e amendoados. Sua pele era clara, mas não pálida, possuía algumas sardas no rosto, era seu charme. Sua boca era carnuda, e estava em destaque por conta de seu batom vermelho escarlate. Suas roupas eram simples, usava uma camiseta regata amarela, uma calça jeans meio desbotada e calçava um All Stars clássico azul, mas mesmo com toda a simplicidade ela tinha um ar especial.
Alguns quilômetros adiante um Cadillac azul queimava asfalto. Seu motorista, um garoto de uns dezessete anos. Tinha cabelo verde com um corte moicano, estava aparentemente chapado. As pessoas desviavam as pressas entre gritos quando a grade assassina se aproximava da calçada. O motor roncava como um presságio da morte se aproximando.
Clarissa viu uma moça de cor abordar uma mulher de negócios com vários panfletos sobre o relógio da torre, ele a ignorou e seguiu em frente. Ela viu quando um menino de cabelos loiros se aproximou de uma maquina de refrigerante na calçada, colocou uma nota e em seguida apertou um botão, poucos segundos depois bebeu uma Coca-Cola num gole só. A garota ruiva também viu quando um musico de ruiva terminou de tocar “The power of love” e começou a tocar “Glory Days”. Ela viu uma garota de uns oito anos, distraída na rua. A garota estava atrás de uma moeda que cairá de sua mão e fora rolando pelo chão, ela ouviu o ronco do motor e o Cadillac se aproximando, a mãe da garota parando de correr atrás da filha e colocando a mão na boca para suprimir o grito. Então Clarissa se joga na frente empurrando a menina para calçada novamente. Ela sente a grade tocar seu abdômen e a arremessar para trás.
O corpo de Clarissa bate no asfalto poucos centímetros ao lado da moeda, ela então se pergunta a si mesma se tinha se esfolado muito. Ela olha para o lado e vê a mãe envolvendo a garotinha no braço e então dá um sorriso, nesse momento sente o carro passando por cima de suas pernas, sente os ossos de suas pernas se quebrarem, sente um suco de suas tripas subindo por sua garganta. Ela vira a cabeça para o outro lado e vê fumaça saindo pela roda recém-freada do Cadillac, o motorista desarrumando seu moicano com a mão e gritando “Eu não tive culpa!”. O sangue escorre pelo seu nariz, orelhas e demais orifícios, formando uma poça em volta dela, se misturando com o vermelho flamejante de seu cabelo. Então ela novamente olha para o outro lado e vê Halley correndo em sua direção, chorando e gritando, ele então solta um buque que segurava firmemente em sua mão, alguns metros a frente ele cai de joelho. E então tudo fica escuro.
Under Pressure
Halley abre os olhos e novamente se depara com o deserto árido a sua frente. Ele havia tido um pesadelo horrível, sonhara com o dia em que perdeu Clarissa. Então ele olha para o lado e vê Einstein no banco de carona. O cão estava com a língua de fora, ofegante. Ele então fecha os olhos e imagina estar em Hill Valey, ao lado de sua garota, ele estava comendo um cachorro quente na arquibancada do estádio do Hill Valley High School enquanto assistia ao treino das animadoras de torcida.
— Eu não vou morrer assim. —Disse ele com determinação segurando firme no volante com uma mão e com a outra no cambio.
“Se não podemos ir para trás, vamos até o fim do mundo!” conclui ele olhando com um sorriso determinado para Einstein. Então tira sua mão do cambio e ajusta novamente o circuito do tempo: “31/12/9999”. Então acelera contra um enorme rochedo de granito. Quando a colisão já se torna inevitável o velocímetro do veiculo marca oitenta milhas por hora, raios saltam a frente de sua visão e o DeLorean some novamente.
Se a viagem do tempo não fosse instantânea, Halley teria a oportunidade de presenciar o fim do universo. E então do nada, do vácuo absoluto surge uma luz, uma energia. Essa energia começa a se condensar cada vez mais, e então... BANG... Um novo “Big Bang” e do centro dessa explosão se originam novos planetas, estrelas, galáxias. Porem novamente os Maias tinham razão, o universo é cíclico, e não só o universo como também o tempo. Esse não era um recomeço, era nosso universo em seus primórdios novamente.
O DeLorean aparece novamente em uma densa floresta. Halley olha para o circuito do tempo e se surpreende. Ele marcava uma data antes de Cristo, eles estavam na pré-história. E não só isso, o circuito do tempo voltara a funcionar novamente. Porem ele pode notar que a carga de plutônio estava enfraquecendo, daria para no máximo mais três viagens.
Então sem perder tempo ou procurar explicações cientificas para explicar o que aconteceu, Halley coloca 21/01/1985 no circuito do tempo. O DeLorean começa a acelerar por entre as arvores, cada vez mais rápido, e então desaparece.
The power of love
O carro aparece novamente próximo ao shopping Twin Pines Mall, no ano de 1985. Halley olha para o relógio e percebe que tem menos de meia hora para impedir o trágico fato que mudaria sua vida para sempre, que tonariam as pesquisas do doutor Emmett Brown a obsessão de sua vida. Ele então acelera novamente.
Há poucos quilômetros dali Clarissa se dirigia ao encontro de seu namorado. Ela avistou uma moça de cor com vários panfletos sobre o relógio da torre, e de alguma forma ela sabia que em poucos segundos ela abordaria uma mulher de negócios. Isso aconteceu. Ela viu um garoto loiro caminhando, e de alguma forma também sabia que ele iria parar na maquina de refrigerantes alguns metros a frente dele, comprar uma Coca e beber em um gole só. Isso aconteceu. Ela pode ouvir um artista de rua tocando “The power of love” e sabia que a musica em seguida seria “Glory Days”, de fato foi. Então ela teve aquela sensação que só se pode pronunciar o nome em francês, ela sentiu a morte se aproximando.
Halley queimava pneu e dobrava as esquinas rapidamente. Poucos metros a frente ele pode avistar o Cadillac que mudara sua vida por completo, ele acelerou ainda mais. O Cadillac andava em zig-zag, às vezes invadindo a calçada e assustando os pedestres. Então o DeLorean se colocou ao lado do Cadillac azul. Halley virou o volante totalmente para o lado em que seu parceiro de dança se encontrava. O carro assassino então foi tirado da estrada.
— Seu merda! Vai se foder! — Gritou o motorista do Cadillac pela janela, então saiu do carro. O presente que seu pai lhe dera de aniversario estava arruinado, tinha se chocado contra uma arvore e parado de funcionar.
—Talvez um dia você ainda me agradeça seu Punk! — Gritou Halley olhando para trás pela janela do DeLorean. Ele tinha um sorriso no rosto, se não estivesse usando óculos escuros o rapaz do Cadillac poderia ter notado seus olhos brilhando.
Clarisse viu uma garota de uns oito anos, distraída na rua. A garota estava atrás de uma moeda que cairá de sua mão e fora rolando pelo chão. De alguma forma ela sabia que um carro iria em direção àquela garota. “É aqui que eu morro” pensou ela se lançando em direção à menina. A menina foi jogada para a calçada. Nesse instante ela vê espectros de luz passar diante de seus olhos, eram faróis de um carro. Então o carro desvia dela por um triz, era um DeLorean, ela tem a impressão de ver seu namorado dirigindo, não é possível, é só impressão. Clarisse então olha para o lado e vê Halley indo a sua direção com um buque de flor, ela se levanta e vai em direção a ele, estava um pouco ralada, mas e dai? Ela estava sorrindo.
— Essa passou perto — diz Halley soltando o buque no chão e envolvendo Clarisse em seus braços.
— Eu iria morrer ali — respondeu Clarisse olhando nos olhos do namorado —, de alguma forma eu sabia disso. Não sei o que aconteceu.
— Não iria não, porque de alguma forma eu iria te salvar — retrucou Halley com um sorriso. — Eu também sei disso.
Então os dois se beijaram.
The End / DOUBLEBACK
Jack não olhou para trás, ele sabia que Clarisse estava bem e isso bastava. O rapaz mantinha as mãos firmes no volante e os olhos vidrados na estrada. Einstein deu um latido ao seu lado quebrando seu momento de concentração, ele então percebeu que ainda tinha mais um problema para resolver, devolver o DeLorean.
O DeLorean já estava na estrada aos arredores de Hill valey, a paisagem em volta era deserta, lembrava o Kansas. Ele não podia voltar para seu tempo dali, tinha que voltar para o Shopping Twin Pines Mall, Doc jamais poderia perceber que ele interferira no teste de viagem no tempo, quem sabe o grande Jack ainda conseguisse sair ileso dessa.
Algumas horas depois a lua já havia se estabelecido no firmamento, o veiculo estava em posição e Halley pronto para encarar Doc. Então o rapaz moveu sua mão e ajustou o circuito do tempo para sua data de origem, ele estava funcionando normalmente. “Doc vai querer arrancar minha cabeça” pensou ele com um olhar de pesar para Einstein, mas então sua expressão foi substituída por um sorriso. Ele então começa a acelerar o veiculo, o ponteiro do velocímetro começa a subir rapidamente, algumas faíscas começam a se formar na frente do veiculo.
— Este é o fim belo amigo — Halley acariciava o cão ao seu lado.
O velocímetro já indicava setenta milhas por horas quando, sem nenhum motivo aparente o rapaz se sente fraco e é obrigado a soltar o volante, ele então percebe que seu braço esta desaparecendo em pleno ar. O carro anda em zig-zag e quase se espatifa contra uma mureta, mas Jack consegue retomar o controle do veiculo, agora o corpo de rapaz não era nada além de uma superfície translucida.
“Eu criei um paradoxo temporal” pensou Halley. Doc já tinha comentado sobre isso com ele. Jack Halley só estava ali porque fora motivado pela morte de sua amada, foi esse o gatilho para todos os demais eventos, agora que aquele fato não foi consumado aquele Jack, com suas experiências, dores e sofrimentos já não existe mais.
Este era o fim, e Jack sabia disso. Pouco a pouco seus dados, sua existência iam se perdendo no continuo tempo e espaço.
— Eu ainda tenho mais uma coisa para fazer — disse o rapaz para seu companheiro de viagem —, vou te devolver para casa, amigo.
Então, com o restante de força que lhe restava acelerou, o velocímetro subiu rápido para oitenta milhas por hora, algumas faíscas pularam na frente do veiculo. O mesmo desapareceu como em um passe de magica.
Eram exatamente uma hora, dezenove minutos e zero segundos. Marty abaixa a câmera e se vira desacreditado com o que acabara de presenciar. Doc olhava freneticamente para as marcas de pneu em chamas na sua frente e para o controle em sua mão.
— Eu te falei. Oitenta e oito milhas por hora! — Exclama Emmett dando saltos.
A placa do DeLorean ainda estava virando como um pião sobre uma de suas quinas em meio às chamas.
— O deslocamento temporal ocorreu exatamente: uma hora, vinte minutos e zero segundo — comenta Doc.
Marty tenta pegar a placa do DeLorean e queima a mão.
— Jesus Cristo doutor, você desintegrou o Einstein — comenta Marty com uma expressão de pesar.
—Calma Marty eu não desintegrei nada — retruca Doc —, a estrutura molecular de ambos, Einstein e do carro estão intactas.
— Então onde diabos estão eles?
— A pergunta correta é: “Quando diabos estão eles?” — As palavras de Doc saiam como gritos, com frenética excitação. — Veja Einstein é agora o primeiro ser do mundo a viajar no tempo.
Doc corre em direção das chamas deixadas pelos pneus do DeLorean e se vira novamente para Marty.
— Eu enviei Einstein para o futuro — conclui Doc —, um minuto no futuro para ser mais exato.
Doc começa a fazer algumas anotações frenéticas em um bloco de notas enquanto continua sua explicação.
— E precisamente: uma hora, vinte e um minutos e zero segundos vamos encontrar Einstein e a maquina do tempo.
— Pera ai doutor, quer me dizer que construiu uma maquina do tempo naquele DeLorean ?
— Eu vejo assim se vai construir uma maquina do tempo em um carro tem que ser em grande estilo, e além disso o aço novo faz o fluxo do tempo dispersar — responde Doc enquanto olhava para seu relógio de pulso.
— Cuidado! —Grita Doc empurrando Marty.
O DeLorean aparece de repente dando um cavalo de pau, o carro estava coberto por uma camada de gelo.Doc e Marty se entre olham assustados, Doc então se aproxima do carro e para instantaneamente quando o carro solta um vapor branco. Marty e Doc se entre olham novamente. Durante alguns segundos ambos se mantiveram imóveis, então Doc novamente começa a se aproximar do carro, dessa vez com mais confiança. Ele tenta abrir a porta e solta agitando a mão freneticamente com uma expressão de dor.
— Ouch — exclama Doc.
— Isso esta quente? — pergunta Marty.
— Esta frio, gelado — responde Doc.
Doc agora tenta abrir a porta com o pé, protegido por suas botas de couro, e consegue. No carro, no banco de piloto estava Einstein ofegante com a língua de fora, apenas ele.
O relógio no pescoço do cão estava funcionando normalmente, mas o cinto de Einstein estava mal colocado. Doc achou estranho, mas após uma breve examinada visual pelo carro constatou que estava tudo certo.
— Einstein seu diabinho! — exclama o doutor enquanto abraçava seu cão e soltava seu sinto.
“Ele tentou soltar o cinto no meio da viagem, com certeza merece a alcunha de diabinho” pensou Doc. Einstein logo após se soltar saiu correndo. O Cão passou por trás do caminhão que havia trazido o DeLorean e ficou olhando fixamente para um outdoor no outro lado da rua. No outdoor havia a propaganda do jornal Folha de Hill Valey, tinha a foto de um jornal cuja noticia de capa era: “Jovem musico faz show em homenagem ao relógio da torre de Hill Valey e leva sua namorada junto ao palco onde a pede em casamento.”
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