Proibido

29 Capitulo 29


Minha mãe assentiu, e eu e o Gustavo nos encaminhando até seu carro que estava estacionado em frente de casa. Ele ligou o som, passava um sertanejo, a letra era bonita mas eu não estava concentrada, até que ele cantarolou.

Amiga linda, será que um dia vira amada minha?

Meus olhos giraram até os dele, ele estava olhando pra mim e sorrindo, eu dei uma risadinha sem graça.

Ele era de fato encantador, mas estava com um pouco de preguiça de envolver novamente com outra pessoa. Embora o que eu tive com Fernando não chegue a ser nomeado como um relacionamento ou qualquer coisa do tipo. Me causou um desgaste.

Chegamos no café, após uns 40 minutos.

Eu não sabia, mas era uma mistura de livraria e cafetaria em conjunto, uma escada em forma de caracol que girava até o segundo andar, aonde deveria ser o corrimão, tinha prateleiras com imensidões de livros, no terreio, era a cafeteria, um balcão enorme, com bastante funcionarios, o lugar era be agradavel e aconchegante, continha pufs espalhados por todo lado, bancos de madeiras, um corredor que levava a paredes de vidros, com coqueiros, e redes amarradas.

– Eu adorei isso aqui Gus! — Exclamei.

– Eu também, é melhor do que eu vi na internet.

Começamos a perambular entre os corredores, havia gente agachada sobre os corredores da escada em circulo, lendo, ou nos pufs aleatorios que ali continha. Gustavo e eu, fomos lendo as sinteses dos livros, e conversando sobre isso. Gustavo me mostrou muito dos livros que ele havia lido e me recomendará com grande alegria. Ele era culto, inteligente, gostoso. Aquele tipico de cara, que dá medo! De tanto perfeito.

Resolvi comprar um dos livros que ele me indicou, Anjos e Demonios, de Dan Brown. Esse eu sei que é bem famoso, então pela curiosidade resolvi comprar.

Resolvemos ir pedir alguma coisa. Já que havíamos almoçado, eu realmente não estava com fome! Pedi um café expresso, e só. Gustavo se aventurou a pedir um café com leite e pão de queijo.

Ele olhou pra mim com os olhos precisos e abriu um sorriso — Você não vai pedir nada ?

– Não estou com fome — dei de ombros — Gordo.

– Depois eu perco isso, se me ajuda né?

– Não sou sua personal não — enfatizo com uma careta

– Chata, mas vai me ajudar mesmo assim — sorri novamente, bebericando da sua xícara de café.

Não me chama de Chata! Murmuro em pensamento, intrigada com a simpatia e sutileza do Gustavo que parece infinita.

Me delicio do café, que estará perfeito, sentados em um banco de madeira, coloco meus pés pra cima e me sento em pernas de indios, a uma mesinha no nosso meio que nos separa, me dando o prazer de admirar seus lindos olhos, e suas bochechas coradas.

Meu celular vibra, em alerta pego com urgência minha bolsa e bagunço tudo dentro até reconhecer o celular, o capturo o arrastando até minha orelha.

– Alo?

– Camila ?

– Oi??

– Estou no hospital com o Matheus e a Isabela.

Não sinto mais minhas pernas, minha visão parece querer estar turva, com dificuldade, respiro fundo, me mantendo firme, e reorganizando as ideias.

– Quem esta falando? Aonde eles estão? O que aconteceu? Qual hospital?, vou ai!

– É o Fernando — sua voz parece ofendida, eu realmente não tinha me tocado- Estamos no hospital aqui do centro de Bangu, não dá pra falar por telefone, eu acabei de chegar aqui.

– Estou indo, tchau! — desligo.

Gustavo esta em alerta, com os olhos esbugalhados me encarando.

– Cami? O que houve?

– Aconteceu alguma coisa com minha irmã, eu preciso ir até lá, no hospital de bangu — digo rapidamente, meu coração bate depressa, estou com os olhos ardendo.

– Calma, sabe o que aconteceu? Eu te levo lá.

Nos levantamos, e Gustavo vem até meu lado para um abraço, vamos caminhando enquanto ele olha em meus olhos.

– Não sei o que aconteceu — choramingo — Ligo pra minha mãe?

– Ainda não, espera um pouco pra saber o que é. Vou pagar e já venho — da uma piscadela, apertando minha mão e soltando-a respectivamente se introduzindo até a bancada. Permaneço onde estou o esperando, não consigo nem sequer me mexer, aquela dor no estomago, esta se emergindo, mas continuo inspirando fundo.Só consigo lembrar da preocupação da minha mãe, o quanto seu instinto será verídico.

Gustavo vem rapidamente ao meu encontro, é como se tudo em minha volta fosse um borrão, as pessoas são só borrões em preto e branco, minhas pernas se movem mas é como se eu não sentisse o peito do meu pé tocar o chão. Entramos no carro, e Gustavo parece estar ao meu favor, ele vai depressa, e ultrapassa com elegância os carros.

Estacionados em frente ao hospital, desço ligeiramente e vou dando passos largos, sei que o Gustavo esta atrás porque ouço o som do carro se trincando, ainda estou meia sem sabe o que fazer, mas continuo cravando os pés com força no chão, em busca de alguma resposta;

A resposta vem a tona depressa.

Com a cabeça pra baixo, e com seu topete incrivelmente impecável, vejo Fernando sentado em um banco em um corredor de espera, suas mãos estão entrelaçadas uma na outra, enquanto seus olhos encaram seu próprio pé. Continuo minha trajetória até ele, me estaciono em sua frente, ele parece estar viajando.

– EI — murmuro

Seus olhos castanhos esverdeados me sequestram quando encontram os meus, é como se meu coração não batesse mais.

– Mila — um sorriso sem emoção se faz em seu rosto, e ele se poem de pé a minha frente, vejo a sombra do Gustavo ao nosso lado.

Poupo apresentações.

– Sabe o que aconteceu ? — pergunto.

– Bateram o carro. Sua mãe e eu demos esse carro a ele, essa semana, você tem noção ? Enfim, isso não importa! o Matheus não quebrou nada, apenas arranhões, é um filha da puta!

– E a Isabela? — engulo a seco.

Ele me analisa, e poem a mão no meu ombro, meu corpo queima;

– Ela esta bem! Porém foi encaminhada para a sala de cirurgia parece que seu corpo se elevou a frente na hora da batida, e ela bateu a cabeça.

É como se eu estivesse dentro de uma montanha russa do horror, e a mesma esta me levando a escuridão, instintivamente me sento sobre o banco que antes era ocupado por Fernando, e coloco a mão na cabeça.

– Meu Deus;

– Cami, relaxe! Ela vai ficar bem, isso não significa muita coisa. Vamos esperar as noticias do médico. — Gustavo

– Sim, provavelmente ele já deve estar saindo da sala. O Matheus esta tomando alguns remédios agora.

Só quero saber da minha irmã, só isso. Continuo em silencio, Gustavo se senta ao meu lado, e deposita um beijo em minha cabeça, enquanto suas mãos arrastam na minha costa.

– Vou comprar uma água pra você, o que acha? — propõem.

Não sinto sede, não sinto nada, não sinto absolutamente nada, nem sequer vontade de chorar. Inerte.

– Acho uma otima ideia! — A voz grossa do Fernando exclama.

Levanto a cabeça, o observando, ele esta de cara fechada olhando pro Gustavo.

Gustavo olha pra mim e abre um sorriso, se levanta e Fernando e Gustavo se entreolham com faíscas sobressaindo das sua pupilas. Sinto que a ira do Fernando é maior, Gustavo parece um bicho manso em defesa.

Então Gus se vai, e Fernando se poem ao meu lado, eu olho pra ele com desdem.

– O que foi isso? — questiono.

– Isso o que ? — seu senso de humor muda, dando lugar para um ursinho carinhoso. Ghrr.

– Essa grosseria com o Gustavo, você tem algum problema? — pigarro.

– O que ? Não fiz nada. É seu namorado? — trinca os dentes.

– Ainda não — arqueio as sobrancelhas — Mas quero que trate ele bem — advirto olhando em seus olhos.

Verson Fernando

Aquelas palavras acabaram comigo. Ainda não? Ou seja vai ser? E ainda me pede pra tratar aquele pirralho bem?

Ele é o mesmo do parque, um ciumes descontrolado se alastrava sobre mim. É difícil acreditar que eu perdi a Camila, que mesmo dormindo em minha casa, ela parecia certa e que não ficaria mais comigo.

Sinto que ela leva tudo que vivemos como uma mentira. E não foi, não pra mim. Mesmo eu sendo o ser mais orgulhoso, sempre deixei isso claro a ela. Mas que porra Camila!

Ela me faz odia-la tanto, porque raios eu estou com tanto ciumes dessa garota, enquanto eu tenho problemas maiores? Como meu filho por exemplo.

Bato as mãos na coxa, e me levanto.

– Tudo bem, vou ir ver o Matheus.

Seus olhos piscam para os meus, acho que ela está intrigada, seus olhos estão pequenos, e seu nariz vermelho, olhando sentada tão delicada e pequena, me faz querer abraça-la.

– Ei, pequena, só mais uma coisa

Ela continua séria, é o ser mais serio que eu já vi. Mas que ainda assim continua sendo doce. Me encanta. Pirralha, o que você fez comigo?

– Vai ficar tudo bem, pode crer. Eu te adoro — afirmo, beijando suas pequenas mãos, ela abre um sorriso sem animo.

E depois olha pra cima, me levanto, e vejo o viado chegar

– Pronto, Cami — ele estende a garrada.

– Obrigada Gus — seus olhos brilham.

Puta que páriu, Gus ? Que apelido mais broxante, meus pelos se arrepiam enojando a cena, deixo os dois lá, e vou até o quarto do meu filho.