Proibida Pra Mim

41 34. ex-Combatentes


Notas iniciais
eu gostei demais de quem apareceu nos ultimos caps! continuem aparecendo ara eu saber se alguem esta realmente gostando da historia, eu fico embasbacada quando vejo um relato desse ♥ me façam feliz! dedico esse para as meninas que apareceram nos ultimos caps: In Magic Accio_Pudim PoneiMikaelson PudimdaLuna69 Di Lua Brice Júlia Potter Lupin por vcs!

{Depois de todo esse fim

Que na realidade

É o início de uma guerra sem quartel

Que humilha e constrange

.

Olhe para nós, o que nos tornamos

Ex-combatentes de um amor que nos encheu de vida

Olhe para nós, nesse ringue sombrio

Colocando preço sobre uma desonra que sozinha semeia feridas.

.

Que estúpidos nós dois

Que triste este fechamento das cortinas}

Míranos — Alex Ubago

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Rose Weasley

— Ok, eu estou ficando apavorada — Una exclamou. — Rose, você precisa respirar para tentar nos falar o que houve. Não para de chorar há anos!

— Você é tão exagerada! — Lily rebateu e se sentou ao meu lado no banco de trás do carro de papai. — Rose, precisa limpar o rosto e assoar o nariz, está horripilante. Que tal? Toma.

Sabia que minha prima estava tentando fazer piada para amenizar o clima. Peguei o lenço para limpar o rosto e tentar falar algo para acalmá-las.

— Não sei por que perguntamos a razão de estar chorando se já tenho uma ideia. — Lily falou furiosa.

— Me fala logo, minha rainha, ou eu sou capaz de sair atrás daquele Demônio Loiro agora!

À menção dele, me pus a chorar de novo.

— Ele... Ele disse que... Me amava.

— Fica parecendo uma monstrinha chorando desse jeito, priminha, respira — Lily tentou me abraçar, mas esmagou minha cabeça.

— Ele disse que te amava? Para o mundo que eu quero descer! Isso não deveria ser bom? — Una tinha rodeado o carro e entrado pelo outro lado. Assim, fiquei entre as duas amigas no banco de trás.

— Ele estava... Estava bêbado! E... — eu nem conseguia pôr em palavras tudo que eu queria. Nem meus pensamentos estavam ordenados.

— Puta que pariu, esse menino foi promovido à capeta! Já imagino o tamanho da merda que foi. Una, vamos dar uma surra nele!

— Eu estou quase indo e...

— Não! — minha voz saiu esganiçada. — Não. Já passou. Tenho que resolver... Temos que resolver as coisas sozinhos!

— Então já chega de sofrer, Rose! Deixa esse idiota de lado, vamos. Cadê tio Rony?

— Ele foi arrumar algumas coisas. Disse que já vinha. — Una respondeu. — Minha diva, você vai embora com seu pai?

— Acho que é até melhor, priminha. Estão todos comentando sobre você... Me desculpa falar disso — Lily fez uma careta de desagrado e só pude me entristecer.

— Rose, finalmente te encontrei! É verdade o que estão falando? — Alvo chegou arfando perto de nós. Só pelo desespero estampado em minha cara, meu primo entendeu que, pelo menos, alguma parte do que falavam era verdade.

Eu nem sabia do que falavam. Provavelmente sobre Scorpius ter estado aos beijos com aquela garota quando todos sabiam que estávamos juntos. Podiam estar falando de tantas coisas que eu já nem sabia.

— Ah, meu Deus, eu vou matar aquele puto! — meu primo abriu a porta traseira do carro de papai e tentou puxar Lily para sair. — Sai, Lily, deixa eu falar com a Rose.

— Alvo, isso é indelicado da sua parte! Sou amiga dela, estamos dando suporte, não vê?!

— Pimentinha... Vamos deixar eles sozinhos, ok? — Una intermediou antes que a confusão se alastrasse. Percebi o olhar de agradecimento que Alvo lançou a ela, e então ela saiu puxando Lily pela mão, e eu já estava sendo confortada nos braços de Alvo

— Sinto muito estar passando por isso, Rosie.

— Não tem culpa de nada, Alvo — funguei e limpei meu rosto mais uma vez. — Eu quem tomei minhas decisões e só estou pagando por isso.

— Sei lá! Só me sinto muito impotente porque não posso consertar uma coisa dessas justo com duas pessoas tão importantes na minha vida, entendeu? — ele me fez encará-lo. — Ele é um filho da p...

— Não fale assim.

— Que seja, só ia xingá-lo do que merece, mas também diria que ele é meu melhor amigo. Faz merda toda hora desde o conheço. Tem uma vida péssima, desestabilizado, eu sempre soube que iria estourar tudo de uma vez só, principalmente quando vi o pai dele aqui e...

— Tudo bem, Alvo. Eu também te diria pra ficar longe. Não quero que ninguém se envolva nem que você escolha um lado. Isso não existe. Continua como sempre, você sendo amigo dele e meu primo ao mesmo tempo, só... Finja que estou sofrendo por um outro cara.

Alvo riu levemente.

— Vou fazer do jeito que você quiser. Sabe que estou com você, se precisar daria mesmo um soco nele, até como amigo faria isso. Tive que manter Hugo longe de brigas quando ouvimos comentários maldosos. Já basta tio Ron na reunião amanhã pela última encrenca que se meteu.

— Fez bem em manter meu irmão longe. Faz isso pra mim, Alvo, vocês vão precisar engolir muita tentava de briga, principalmente depois do episódio que Scorpius protagonizou. Nossa, eu fui traída na frente de todo mundo!

— Ainda não falei com ele. Estou com muita raiva pra isso, mas vou conversar. Não entendi essa história direito e acho que você não está em condição de reviver tudo. — Alvo acariciou meus cabelos enquanto eu chorava mais um pouquinho. — Você vai ficar bem, priminha.

— Obrigada. Amo você e... Espero que fique mesmo. Vou chorar tudo de uma vez e depois nada mais. Ele não vai me tirar nem mais uma lágrima. Já basta ter me colocado na boca de todos esses desocupados do colégio.

— Você tem toda razão. Agora.. acho que preciso ir porque os ônibus já estão pra partir. Amo você, Rosinha.

Tentei fazer uma careta pelo apelido de infância e Alvo só depositou um beijo em minha cabeça. Eu agradecia seu apoio. Precisaria de muita força para enfrentar o que viria.

Fiquei alguns minutos sozinha em que deu conta de me refazer. As meninas tinham conseguido com meu pai para que eu fosse ao colégio com ele e não nos ônibus, e eu estava imensamente grata por isso. Era menos um problema para lidar: os cochichos e observação sobre a mais nova idiota do pedaço.

Será que desde do momento que Scorpius se declarou para mim com aquela música já estavam imaginando o momento em que eu seria feita de idiota? Na frente de todos, também?

Suspirei, sentindo a tristeza dar espaço para a raiva e a vergonha. Não admitia que logo ele me trouxesse aqueles sentimentos, os quais em outro momento me ajudou a superar.

— Filha?

— Oi, pai. — me recompôs quando avistei meu pai chegando.

— Tudo certo. Já podemos ir... Você está melhor?

— Andou escutando o que falam por aí, pai? Vai me dizer que esteve certo em me alertar sobre Scorpius? — perguntei sentindo os olhos arderem mais uma vez.

Eu parecia uma torneira quebrada, por Deus!

— Ah, minha filha... — ele pareceu condoído. Arrumou minhas malas nos bancos e me puxou para o banco da frente ao seu lado. Deu partida e adentramos na estrada escura que nos levaria ao colégio. — Preciso falar com você sobre algo.

— Pai, eu não me sinto bem pra isso. Só quero dizer que se estão falando sobre Scorpius ter me feito de chifruda, tudo bem, é verdade. Terminei com ele e é isso.

— Eu já sabia que tinham terminado. — meu pai me olhou parecendo temeroso.

— Mas como? Eu mesma tomei a decisão agora há pouco e... espero que ele tenha entendido que terminei tudo quando fugi pra bem longe e ainda disse algumas grosserias.

— Fui conversar com ele, minha filha. Falei com ele ainda no começo da noite.

— O que você fez, pai?! Por que não confiou em mim e deixou isso pra trás? Eu não te contei tudo e fui sincera? — eu me sentia enganada duplamente e aquilo me doeu.

— Calma, Rose... Estou falando para esclarecer, minha filha, você nunca vai entender minha atitude até ser mãe de alguém. Foi o melhor, era minha única alternativa.

— Não, você se meteu entre a gente, pai! Eu fui sincera com você, não escondi nem mesmo aquela aposta ridícula dele e o que você foi procurar saber?

— Eu... — meu pai suspirou. — Sei que vai ficar brava comigo. Fui claro com o Malfoy. Você não percebe que sua vida estava se transformando por causa dele, Rose?! Eu precisava dizer a ele algumas coisas e...

— Pediu pra ele ficar longe de mim? Hein, pai, pediu? — arregalei meus olhos diante do silêncio esclarecedor. — Meu Deus, não me diga que ordenou que ele ficasse longe de mim!

— Já disse, você nunca vai entender os sacrifícios que um pai precisa fazer.

— Não posso acreditar nisso, papai! — fechei meus olhos, muito descrente para aceitar os fatos. — Imagino o teor dessa conversa. Ele acatou o que você disse?

— Foi relutante, disse que você sabia tomar decisões e... Enfim, eu o fiz ver a verdade que está diante de qualquer um e só vocês queriam permanecer cegos e nesse joguinho! Não dão certo os dois, compreendeu? Ele entendeu depois.

— Você não podia ter feito isso, pai... — minha descrença era muito grande. — Nunca interferiu dessa forma na nossa vida. Nem minha nem de Hugo. O que acha que a mamãe vai falar?!

— Você não entende. Nem espero que entenda, nem tão cedo. Eu me resolvo com sua mãe, Rose, só... precisava dizer a você. De toda forma, se em menos de alguns minutos de conversar comigo ele foi capaz de se agarrar com qualquer menina, é mesmo esse tipo de cara que você quer, minha filha?

Aquilo foi um golpe. Me pegou desprevenida e vulnerável.

— Não importa... Nenhum dos dois me importa, na verdade. Já chega. Chega disso, estragaram tudo, se meteram nas minhas decisões, não respeitaram meu espaço! Pai, você?! Quase não posso acreditar, eu só... Não posso aceitar isso.

Virei-me para o lado da janela e lutei contra as lágrimas até ser vencida por elas. Passei a viagem toda entre dormir e limpar o rosto, sem querer olhar para meu pai.

Chegamos em Hogwarts antes dos ônibus e foi um alívio. Pulei do carro rapidamente e alcancei minhas malas antes que meu pai pudesse fazê-lo.

— Rose, deixa eu ajudar e...

— Não quero. Obrigada! — pesquei as malas e Hagrid nos olhou estranho.

— Senhorita Weasley, tudo bem? Olá, Rony, a diretora já preparou um lugar. Posso acompanhar você?

— Obrigado, Hagrid, eu vou com você. Rose... se cuida.

Deixei meu pai sozinho com o grandalhão e caminhei tudo sozinha, arrastando meus pesos. Por incrível que pareça, os da alma doíam mais.

Não podia me livrar da sensação de ter sido usada. Usada por Scorpius... Quanto do que vivemos foi real pra ele? Foi tudo uma ilusão? Eu me sentia uma estúpida por tê-lo dado uma segunda chance. Usada pelo meu pai... me abri para ele, expus meu coração e os problemas dele, e, pelas minhas costas, ele interferia em algo que não deveria.

Ao adentrar em meu dormitório vazio, joguei tudo de qualquer forma e me encolhi na cama só para arrancar o que me machucava.

~~*~~

— Não deveríamos deixá-la dormindo mais um pouco? — a voz de Lily se tornou audível.

— Não sei, Pimentinha, ela chorou a noite inteira... dormiu faz pouco tempo, mas não comeu nada durante todo esse tempo. Deveríamos acordá-la? — Una dialogava com minha prima.

— Estou acordada. Vou descer para o café da manhã — resmunguei por debaixo da coberta. — Por aqui, programação de sempre.

— Quer dizer que vai levantar e ir para todas as aulas? — o rosto de Lily surgiu em cima de minha cabeça.

— Sim, Lily, vou! Agora, pode sair de cima porque seus cabelos estão me agoniando?

— Ah, sim, é verdade. — ela saiu e pude me levantar. As duas me olhavam preocupadas.

— Não fiquem com essa cara. Não posso ficar presa aqui para sempre.

— Nós sabemos, é só que... — Una olhou para Lily, pedindo ajuda.

— Sabe, Rose... Sabe que querem te ver, não é? Estou do seu lado para chutar o primeiro que falar qualquer merda!

— Também estou com a Lily Pimentinha!

— Estou segura então com esse time — tentei brincar com elas. — Por favor, não vamos arrumar mais confusão.

(...)

— Me segura, Una, que eu vou arrancar os cabelos desse Demônio Loiro! — Lily berrou e tentei calar a boca dela para não chamar atenção.

Scorpius — uma versão nova para mim, para ser sincera — estava à nossa frente. Tinha pedido para conversar comigo e minha prima enlouqueceu. Soltava um ar de desagrado, as olheiras evidentes. Eu ainda podia jurar que estava de ressaca.

— Para de gritar, Lily! Vão todos nos olhar, eu quero ter um pouco de paz.

— Eu concordo com a Lily! O que você quer com a nossa amiga, Malfoy?

Eu preferia não ver a pessoa à minha frente. Mas era impossível fugir. Ele parecia que não sairia dali.

— Precisamos conversar, Rose. Será que seus guarda-costas podem nos dar um momento? — ele parecia amargo. Tudo nele me era também amargo.

Olhá-lo novamente e sentir tanta coisa ruim me destruía. Vi que algumas pessoas já se amontoavam indiscretamente no corredor que antes estava vazio enquanto passávamos.

— Meninas, me esperem no salão principal. Eu encontro vocês lá — sentenciei, esperando que entendessem que eu queria fugir de olhares curiosos e acabar logo com aquilo.

— Vai falar com ele?! — Lily berrou novamente. — Olha só, Demônio Loiro, você toma cuidado, ok? Não vou ser tão mais legal com você!

Una entendeu, felizmente, meu propósito e tentou puxar Lily.

— Fica esperto mesmo, Malfoy. Ela não está sozinha — ainda conseguiu alfinetar Scorpius antes de sair.

— O que você quer, Scorpius? Já não cansou de destruir a minha vida? — cruzei os braços na esperança de que ele não visse que eu estava tremendo.

— Você sabe que a gente precisa conversar, Rose — ele suspirou, parecendo carregar um peso nas costas. — Pode me acompanhar?

Tratei de fitar longamente sua mão estendida a mim e depois olhar para a cara dele, ainda sem me mover. Eu não iria tocá-lo, ele entendeu, recolheu e suspirou. Foi na frente, passos largos, e acompanhei.

— O que você quer me falar, Scorpius? Eu não tenho todo tempo do mundo. — resmunguei, queria acabar com o excedente tempo ao lado dele. Me vinha à cabeça tudo que vivemos, quantas vezes corri para aqueles braços e me reconfortei neles.

— Rose, preciso... Não sei, preciso me desculpar com você e te explicar que ontem...

— Você está me pedindo desculpas pelo quê exatamente? Por ter sido um idiota comigo e nosso namoro ou por ter beijado uma menina no meio da festa? — as palavras saíram como dardos da minha boca e fiquei contente em ver que o atingiu do jeito que eu pretendia.

— Rose, meu Deus, eu só queria te dizer que foi muito especial pra mim. Tudo que você me trouxe, Rose Weasley, não foram mentiras que tirou de mim — Scorpius murmurou, me fitando sem medo. Era, ainda, hipnotizador olhá-lo. Impossível desviar meus olhos.

— Não sei se acredito, sinto muito, mas... Não me parece a pessoa mais confiável no momento, Scorpius.

— Me perdoa, furacão. Não sabe o quanto da minha vida eu daria só pra fazer diferente ontem à noite e... simplesmente não posso. Não posso e isso me mata, então escuta pelo menos minhas desculpas. Você não merecia nada disso, em tudo que te envolvi, por todas as burradas que cometi, me perdoa. Eu faria tudo diferente, Rose.

— Não sei se me conforta saber disso — respondi e e engoli o bolo na garganta. Não iria chorar, não iria chorar na frente dele, não iria... — Só... Você quis beijar aquela garota, Scorpius?

Não sei o porquê de aquilo ser tão importante pra mim. Também não sabia quanta mágoa existia dentro de mim até ouvir minha própria voz.

— Rose, eu não...

— Responde, Scorpius. Só isso. Só isso e depois você pode me deixar aqui sozinha e a gente esquece tudo que aconteceu entre nós.

— Não quero esquecer, Rose, não posso. — muito rápido, Scorpius já tinha minhas mãos dentro das suas. Muito próximo, não pude me mover quando senti seu hálito tão perto de mim. — Não me pede isso.

— Você não me respondeu — forcei as palavras a saírem, ainda imóvel perto dele. Meus dedos coçavam para acariciar aquele rosto, ainda com sinais de machucados. Quis cuidar dele e me doeu saber que já não era minha função. E eu não deveria querer aquilo também.

— Furacão, não... — os olhos cinzas se fecharam, quase como se doesse a resposta que eu desejava ter.

— Me diz. Você quis beijá-la?

— Não posso e nem quero mentir pra você, furacão, por favor.

— Não quero que minta. — pedi com a voz tremulando. Meus olhos já estavam marejados e ele percebeu. Soltou minhas mãos.

— No momento, eu quis. Achei que seria uma forma de me livrar de tudo que me dominava, um sentimento muito ruim, um caos dentro de mim e... Rose, me desculpa.

Provavelmente Scorpius tinha parado de falar porque tinha sentido pena de mim. Já sentia as lágrimas escorrendo por meu rosto e me senti uma fraca por não me comportar como desejava diante dele.

— Tudo... Bem, Scorpius. Não precisa mais falar, só respondeu o que eu perguntei — tentei rir da minha situação e limpei o rosto com raiva. — Eu soube que meu pai falou com você. Sinto muito pela intromissão dele, mas poderíamos ter resolvido de uma forma diferente, sabe? Vamos só... Seguir separados, a gente consegue.

— Não sou capaz de pedir pra você ficar agora, machuquei tanto você e... — Scorpius deu um passo para trás. Agradeci mentalmente por poder respirar fundo sem sentir seu cheiro. — Você vai ficar melhor se eu me afastar de você?

— Sim. — eu menti. Doía ficar longe dele, mas eu teria que me acostumar, seria assim dali em diante. — Vai ser melhor pra gente ficar o mais longe possível, assim nos acostumamos e...

— A saudade um dia vai acabar? Já passei poucas horas e parecem anos — Scorpius confessou. Passou as mãos em desespero pelos cabelos e pelo rosto.

Não respondi, até gostaria de saber.

— Fica bem. — ele me desejou depois de compartilharmos um silêncio. — Eu me sinto destruído por ver você assim e é essa dor que me obriga ficar longe de você, entendeu? Não posso causar mais do que você está sentindo, então é melhor não insistir, mas eu realmente sou apaixonado por você, Rose Weasley.

Não consegui conter o fluxo de lágrimas que jorraram. Minha visão estava embaçada e me curvei com o soluço que me rompeu. Não perca o controle, Rose, não perca, por favor...

— Vou sentir sua falta, furacão. — Scorpius parecia estar sendo torturado com minha visão. Deu as costas e me deixou ali, ainda incapaz de falar ou de agir.

Só consegui chorar e nem sabia se ainda tinha motivo para tal.

(...)

O jantar estava sendo silencioso em minha mesa. Lily me olhava a cada segundo, talvez conferindo se eu ainda estava viva ao seu lado. Havia condenado o dia ao silêncio. Depois de minha crise de choro, escolhi o silêncio. Era o mais seguro.

Se eu não falasse, eu conseguiria aguentar tudo. Caso abrisse minha boca, ainda jorraria toda água de meu corpo.

Segui o cronograma de aula, fiz algumas provas que faltavam repôr e ainda servi de espectador de meu pai. Ainda brigada com ele, não nos despedimos.

Ele havia saído da reunião, eu tinha visto junto de Una e Lily. Minha prima se adiantou para falar com o padrinho e para levá-lo para longe também. Ainda mirei o espelho de meus olhos naquele homem e só fiquei mais triste em ver meu próprio caos nele. Mas permaneci calada, assim conseguiria guardar a água de meu corpo.

Lily depois informou algumas coisas sobre a reunião. Os meninos tinham levado detenção, ao que parecia. Continuamos com aulas e fiquei entre elas e as tentativas em me manterem entretida.

— Você já comeu tudo? — Alvo surgiu perto de nós. Ele se dirigia a Una, se sentou ao lado dela e não falou com ninguém até que ela respondesse.

— Estou me esforçando aqui — minha amiga fez uma careta, mas continuou nas garfadas.

— Vou ficar até terminar. E me desculpe se te incomoda, mas serei sua companhia em todas as refeições agora.

— Olhe só para seu irmão, Pimentinha. Ganhei uma babá — Una tentou soar como uma reclamona, mas notei o sorriso quando baixou a cabeça para comer mais uma vez.

— Monstrinha, você está aí? Quem prefere a Rose monstrinha chorona a essa Rose voto de silêncio? Virou múmia, priminha? — Lily largou seu prato para me abraçar.

— Está tudo bem, Rosie? — Alvo perguntou e assenti.

— Tá vendo? Nenhuma palavra! Múmia, solte minha prima!

— Deixa ela, Luna. Sabe o que está fazendo — meu primo interveio por mim. Agradeci com o olhar, mas Lily bufou, contrariada. Voltou a comer e depois foi quem ficou mais calada do que eu quando meu irmão se aproximou para comer conosco.

— Sabia que estão planejando uma festa novamente? Dessa vez por conta do início do recesso — Hugo notificou a Alvo enquanto conversavam.

— Sério, Cenourinha? Oba! Escutou, Pimentinha?

— Não fique feliz, não pode beber, esqueceu? — Alvo cortou o barato da minha amiga. Una murchou.

— Eu sei que não! Mesmo assim tem música, dã. Festa tem música. Pimentinha, precisamos arrumar nosso look.

— Vou ter que me desdobrar para olhar todas vocês — Alvo suspirou, e eu ri em meu canto. Ele estava preocupado era somente com uma de nós, isso sim, mas eu estava fazendo voto de silêncio naquele dia.

— Vou ter que analisar uma tarefa agora. Vejo vocês depois. — meu irmão se despediu, plantou um beijo em minha cabeça e saiu.

— Será que só eu estou notando essas meninas ridículas olhando pra cá?

— Não, minha diva, não é a única — Lily recuperou a fala. — O que tanto querem, afinal? Que foi, hein, baranguinhas?!

As meninas se espantaram com a sutileza de Lily. Alvo fez sua melhor cara de bravo para também olhá-las junto com Una e então elas ficaram gaguejando respostas.

— Não estamos... er, nada, Lily! Só...

— Só queríamos saber da Rose. Tudo bem? A gente sabe o que aconteceu — uma delas respondeu e fiz minha melhor cara de paisagem para elas.

Enquanto minha frieza era compreendida por elas, Lily quase se esgoelou ao berrar:

— Não importa do que sabem! Ninguém quer saber! Será que vou ter que comprar um gato para cada uma de vocês tomarem conta das 7 vidas dele em vez de se preocupar com a vida alheia?!

— Arrasou, menina — Una cochichou para Lily depois que as meninas resmungaram, com vergonha, e pararam de olhar. — Na certa estão esperando que Rose corra atrás daquele que não deve ser nomeado, fique chorando pelos cantos e pareça uma morta viva!

— Una, te acalma — Lily deu um significativo olhar para minha amiga. Eu compreendi que na verdade eu estava mesmo parecendo um zumbi, porém não na frente de todos.

— Vamos mudar isso. Não aguento que fiquem falando de você, Rose! É tão humana quanto Scorpius que pegou uma garota ontem e amanhã vai estar cheio delas na festa, todas se insinuando só porque acabaram. Já chega desse preconceito, meninas também podem!

— Apoiadíssimo! Yey! — Lily levantou para bater as palmas com Una.

— Eu estou escutando isso — Alvo interferiu no papo. — Estão planejando ficar com alguém só para mostrar algo a sociedade?

— Pode ser desse ponto de vista como também simplesmente por vontade. Se ela quiser, ela pode tudo — Una me estendeu a mão e apertou a minha. — Vamos conseguir.

— Estou nessa. Estou muito nessa! — Lily juntou suas mãos às nossas.

— Vou mesmo ficar por perto de vocês. Nada de fazer besteira porque querem provar algo, ok? — Alvo tentou avisar, mas as meninas já estavam em seu casulo de animação e planos.

Gostei da aura que nos circundou e prometi a mim mesma que me livraria da carcaça dessa Rose que iria se despedir de mim.

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Notas finais
eu voltei e quero saber de quem está comigo! quem acha o que vai rolar nessa festa????? babados, babados, babados obrigada pelo carinho e pelo feedback! continuo por vcs! P.S.: APAREÇAM, PESSOAL! Eu adoro ver quem tá acompanhando e quero dedicar o próximo cap a quem me escreveu!