Proibida Pra Mim
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Rose Weasley
Depois do incidente do shopping, a diretora pediu para que eu e Scorpius falássemos com nossos pais a fim de tranquilizá-los caso soubessem de algo, até porque ela disse que precisava dizer a eles.
— Vou escrever uma carta, diretora. — Scorpius respondeu a McGonagall.
Eu estava divagando sobre como os olhos cinzas do Malfoy reluziam mesmo com o rosto coberto de fuligem. Reluziam ainda mais.
— Senhor Malfoy, posso disponibilizar o telefone para você e a senhorita Weasley falarem com os responsáveis. É mais seguro, certamente.
— Não precisa, diretora — ele se levantou da cadeira ao meu lado e nos presenteou com toda sua altura. — Meu pai vai saber bem rápido, não se preocupa.
Então os olhos de Scorpius me fitaram e percebi que ele procurava qualquer coisa que pudesse estar fora do lugar no meu corpo, quase como se precisasse checar de que nenhuma parte minha havia caído.
Revirei os olhos, mas um mínimo sorriso pairou nos lábios de Scorpius manchados de preto.
— Senhor Malfoy... — Minerva o alertou mais uma vez sobre a necessidade de ele não querer ligar para o pai. O que me soava bastante estranho também, porque Scorpius parecia querer correr daquela sala.
— Fica... — ele murmurou sem querer, quase dando um passo adiante, mas se conteve no último segundo. Não se aproximou mais de mim. — ...Bem, Furacão. Longe do fogo.
Então piscou um olho e deu um sorriso para nossa diretora para tentar convencê-la. O maldito conseguiu, porque até Minerva McGonagall titubeou em reclamar algo com ele e certamente ela também estava hipnotizada pela figura dele.
O bastardo conseguia isso com uma proeza espetacular.
— Então, senhorita Weasley, — ela pigarreou para sair da hipnose-Malfoy e precisei também balançar a cabeça. — Pode usar esse telefone. Você tem um dia de descanso, se quiser, vou deixar avisado com os professores e a deixarei para ter privacidade.
Quando fiquei sozinha na sala dela, suspirei. Não conseguia sair da cadeira, as pernas mais bambas que um palmito. Meu coração ainda batia acelerado, me deixando surda com o barulho em meus ouvidos.
Respira, Rose, respira...
Tá vendo o quê que dá se meter em um incêndio?! Você fica fora do normal! Claro!
Quando me acalmei, disquei para minha casa e relatei o acontecido a minha mãe.
— Rose, meu amor, mas está tudo bem com você? Você quer que a gente vá até o colégio, minha filha? Ai, meu Deus, Ronald, venha aqui já! — Hermione, minha mãe, gritava ao telefone.
— Que foi, Mione? Quem é? — a voz do meu pai soava também pelo telefone e não consegui conter um riso por imaginá-los. — Rose? É a Rose, Mione? Me dá esse telefone, mulher!
— Ronald, não! Não, Rose! Rose minha filha, está aí?
— Sim, mãe, tô aqui — eu ri ainda mais ao escutar a briga dos dois ao fundo. — Fala ao papai que está tudo bem, eu consegui sair e nem me feri.
— Você estava sozinha, minha filha? Que história é essa? HERMIONE, ME DÁ O TELEFONE!
— Oras, fica calado, Rony! — minha mãe ralhou e subitamente a voz de meu pai sumiu. — Fala, filha.
— Então... eu fui com um amigo. — preferi ocultar o nome de Scorpius de última hora. Não sei o porquê, mas era difícil até assumir que éramos uma espécie de amigos, sim, e não queria que minha mãe conjecturasse coisas. — Ele me ajudou a sair, estamos bem, liguei só pra tranquilizar vocês, mãe.
— Que amigo, Rose?!
— RONALD, SAI DO OUTRO TELEFONE, PELO AMOR DE DEUS! O que eu fiz pra merecer isso?!
— Um do colégio, pai, vocês não conhecem. — respondi, ainda dividida entre rir de meus pais os quais eu estava com uma saudade absurda, ou ficar com aquela sensação gelada no peito ao pensar em um Scorpius amigo.
— Minha filha, que bom que já está tudo bem, você vem no feriado do dias das bruxas?! — minha mãe alardeou.
— Vem, né, filha? Papai está com saudade, princesinha! — Rony logo se esqueceu do assunto companhia-da-Rose.
— Ah, sobre isso... Eu fiquei com um trabalho e estava pensando em terminá-lo no feriado por aqui... Tem problema? São só dois dias, eu prometo estar no Natal!
Meu coração ficava um pouco angustiado em saber que eu não os veria por mais um tempo, mas a minha consciência também pesava com responsabilidades. Eu havia dito que terminaria o trabalho de Astronomia com a professora, me comprometi e não era de voltar atrás.
— Ah, minha filha, eu sei como é, não vamos ficar chateados de jeito nenhum, termine seu trabalho e no Natal eu farei sua comida favorita! — minha mãe respondeu ao mesmo tempo em que meu pai reclamou.
— Mas, princesinha! Não pode fazer outra hora o trabalho? Eu estava pensando em nossas fantasias!
— Ronald, é um compromisso com a vida escolar dela, você pode respeitar, por favor? Rose, querida, não ligue pro seu pai.
— Não, tudo bem, mãe. Pai, eu prometo que a gente pede doces ou travessuras outra hora.
Nós três rimos. Aquela tradição que mesmo sendo mais velhos, na festa na casa da vovó Molly todos brincávamos.
— Preciso desligar, gente, tenho que sair para o jantar.
Então nos despedimos e fiquei com mais saudade de casa do que antes de ligar. Precisei sair do escritório da diretora e evitei os olhares curiosos em minha direção, certamente eu estava parecendo um palito de fósforo queimado. Era o que tinha pro dia, né.
Quase corri pelos corredores para não aguentar por tempo demais aqueles cochichos até chegar ao salão comunal da Grifinória.
Para minha surpresa, esbarrei com meu irmão.
— Aí, Hugo! Como pode você ser o irmão mais novo e ainda assim ser mais alto que eu?!
Hugo riu e depois parou para me avaliar.
— Por que você está tão...
— Preta? Você não iria acreditar se eu dissesse que sobrevivi a um incêndio hoje!
As sobrancelhas alaranjadas de meu irmão subiram quase até a raiz do cabelo. Soltei meu riso de alívio. Pensar depois de vivenciar a situação era muito melhor.
— Vem que eu te conto. Você só me espera tomar banho?
— Claro, né, Rose? Você já contou aos nossos pais? Meu Deus, papai vai pirar!
— Já sim, acabei de telefonar pra eles. Você sabe onde estão Lily e Una? Já que vou contar a você, seria bom aproveitar e dizer a elas também porque com certeza vão me forrar a paciência para descobrir!
— Elas saíram. Você pode contar só pra mim? Estou bastante curioso — Hugo respondeu e já foi se sentando em uma poltrona no canto mais afastado da sala.
— Como assim sairam?! Una estava com dor de barriga, Hugo! Ela disse que não poderia sair comigo!
Quase gritei aquilo é Hugo me puxou pelo braço, rindo da situação de Una e por quase umas cinco pessoas agora saberem de seu probleminha.
— Fica shiu, Rose! Ela foi pra enfermaria, inclusive, causou um barraco lá porque Alvo quis entrar, alguma coisa do gênero! Só sei que Lily a carregou e não sei por que razão, agora se acalma e me conta longa, irmãzinha.
— Eu bem sei como Lily pode ser persuasiva. — reclamei, me recordando do trabalho de espanhol.
— Persuasiva é eufemismo, né? Ela é maluca! — Hugo passou as mãos pelos cabelos em um gesto desesperado.
— Você tem algo a me contar, Hugo? Por que parece tão estranho?
Franzi o cenho e meu irmão revirou os olhos.
— Deixa das suas ideias, Rose, parece a mamãe quando tenta adivinhar as coisas. Vai logo se limpar porque tá parecendo uma cenoura queimada.
— Credo, Hugo! Que tipo de irmão você é?
Corri para as escadas ao som das risadas de meu irmão.
(...)
— Não acredito que Scorpius agiu assim, Rosie — Hugo murmurou pra mim enquanto voltávamos do salão principal após jantarmos juntos, já que eu estava sozinha dada a ausência de Lily e Una, até mesmo de Alvo que não apareceu.
— Foi, assim exatamente do jeitinho que contei. O que tem demais, Hugo? — perguntei, capturando a figura do dito-cujo na outra mesa da Sonserina, ao lado da menina de cabelos azuis que sempre está ao lado dele. Eles riam de alguma bobeira que ele havia dito apontando para o caderno que ela segurava.
Do jeito que eu o conhecia, certamente estava fazendo piada até de um desenho perfeito só para irritá-la.
— Nada, é só que ele não é assim. Você sabe que conheço bem pouco, mas por conta de Alvo já convivemos em alguma situações e ele sempre aparenta ser muito fechado. Mesmo que brinque com tudo, parece ser fechado demais e do tipo que usa as meninas.
O olhar inquiridor de meu irmão pesou sobre mim. Desviei de Scorpius e sua amiga e voltei minha atenção ao ruivo ao meu lado.
— Eu sei que ele tem fama de mulherengo, de devasso, disso tudo, Hugo! Eu não disse que estamos nos pegando, pelo amor de Deus, só disse que ele é assim comigo, nos divertimos juntos. Ele até contou coisas, poucas sim, mas ainda assim contou coisas da família e do passado. Será que ele não pode me ter como amiga?
— Oh, não sei. — Hugo também olhou pra ele. — De mulher, todos sabemos que ele só tem a Kellen como amiga há bastante tempo.
— Justamente! E ele nunca ficou com ele, não é? Então por que está estranhando nossa amizade? É do mesmo gênero.
Tentei dar de ombros para minha justificativa e meu coração se apertou quando Hugo ficou encarando os dois e não me respondeu.
— Ele nunca ficou com ela, não foi? Hugo! Me responde, criatura!
Ele piscou os olhos e saiu do transe. Me lançou um sorriso de lado.
— Não, não que saibamos, é claro. Bom, você pode estar certa sobre a amizade. Só peço que tome cuidado, Rosie, porque não quero te ver machucada. Vai que só você é a amiga nessa relação.
Respirei fundo para espantar a estranha tristeza que se apoderou de mim.
— Eu sei que se preocupa... Tudo bem, acho que somos amigos mesmo, ele me trata como uma e eh gosto de tê-lo também porque sempre me faz rir, mesmo que com piadas ruins.
— Tudo certo, então. Tenho que agradecer a ele por salvar você hoje, inclusive.
Hugo me abraçou de lado.
— Eu teria me salvado de todo modo. — exclamei e nós rimos.
— Sei que sim, espertinha, mas ainda bem que ele estava lá pra não te deixar sozinha.
— É mesmo.
Fiquei pensando e reproduzindo mentalmente todos os momentos com Scorpius para que baseássem minha ideia de amizade com ele. Claro que éramos, uma pouco estranho, sim, mas éramos. Ele até disse que era meu amigo para a cabeleireira.
Eu andava com Hugo pelos corredores até uma menina nos interpelar com outra e nos cumprimentar, além de elogiar meu corte de cabelo e me deixar mais vermelha que eles.
— Fazendo sucesso, olha aí. — Hugo riu quando um amigo seu foi ao seu encontro para se falarem e me dirigir o mesmo elogio. — Está ficando de tons cada vez mais vermelhos, irmã.
— Deixa de brincadeira. — dei um soquinho em seu braço para desviar a vergonha.
Agora sem fuligens, tomada banho, as pessoas me olhavam por conta do corte de cabelo e fique admirada em como uma básica atitude muda o jeito de olharem pra você. Eu estava satisfeita em terem gostado, sim, mas principalmente por ter me agradado em primeiro lugar.
Chegamos ao salão comunal novamente e nos sentamos no sofá para esperar a ilustração presença de nossos amigos e primos.
— Olá, irmãos Weasley! — nos saudou Isaac, um amigo de Alvo. Ele se sentou ao nosso lado.
— Fala aí, Isaac.
— Oi, Isaac — cumprimentei. — Hugo, mais cuidado na massagem! — ralhei com meu irmão já que meus pés estavam em seu colo para massageá-los.
— Se acha a rainha Antonieta você, né? Ingrata!
— Você está linda, Rose — Isaac ficou levemente corado.
— Muito obrigada!
— Está dizendo que minha irmã era feia, Isaac?
— Não, Hugo! Já era linda, agora está mais ainda.
Assenti, rindo, com o constrangimento do pobre coitado. Até Hugo ria dele.
Ficamos os três no salão por um bom tempo conversando.
— O professor de espanhol anunciou o trabalho, Rose. Vai mesmo cantar?
Eu não sabia como Isaac tinha conhecimento, mas nem era relevante.
— Sim, estou bastante nervosa, inclusive. Você vai tocar ou cantar?
— Vou cantar. Acho que vamos fazer uma apresentação em grupo, dividindo o vocal, Lily fez questão de nos mostrar uma música de grupo.
— Essa é a Lily — Hugo gargalhou.
— Cuidado com o aperto, Hugo! Ai meus dedos! — reclamei. — Sim, ainda bem então que não estarei sozinha no palco. Vamos arrasar, Isaac, a turma de português vai ficar no chinelo.
Hugo e Una faziam parte da turma de línguas de português, e eu adoraria ativar o modo competidor de meu irmão mesmo que nem fosse competição.
— Quero só ver se vão ser capazes mesmo! Você tá ferrada, Rose, vou até dizer pra Una.
— O que é que vão dizer pra mim? — a figura da minha melhor amiga louca apareceu. Ela carregava várias sacolas ao lado de Lily que estava do mesmo jeito. — Oi, Rose minha rainha! Que história é essa que a senhorita chegou ao colégio chamuscada?! Ficou presa em uma casa em chamas?!
— Nossa, os boatos correm por aqui. — reclamei.
— Não acontece nada aqui que eu não saiba! Fiquei sabendo também! Ainda bem que não fomos com você! Ah, oi, meninos.
— Oi, Lily — Hugo respondeu à prima e logo levantou, jogando meus pés no chão para acudi-la com as sacolas. — Deixa eu te ajudar. Tudo bem, Una?
— Tudo ótimo, meu querido, você não gostaria de me ajudar também, não? Toma aqui essas sacolas, por favor, e vamos subindo as escadas, tá? Rose, minha diva, vamos? Você precisa contar o babado de hoje! Te comprei tanta roupa bonita pra combinar com visual! Desculpa aí, Isaac, eu estar roubando sua atenção da minha amiga, mas meu assunto é importante. Vamos, bonitinha!
Só pude rir do jeito espivitado de minha amiga e acenei para Isaac que acabava de ficar sozinho. Hugo nos ajudou até o quarto e então saiu. Lily trancou a porta e se sentou ao lado de Una e o mar de sacolas.
— Agora desembucha tudo que aconteceu com você e o Malfoy, Rose sua prima descabida! Tão se pegando?!
Una gargalhou e eu revirei meus olhos. Passaríamos um bom tempo trancadas naquele quarto...
(...)
Scorpius Malfoy
Em mais um fatídico dia no colégio, eu estava com minha turma no treino de rugby quando o campo foi invadido por um grupo de pessoas.
— Quer dizer que está aproveitando seus últimos dias no campo do rugby, Malfoy?
A odiosa voz de Scott Hayes me chegou aos ouvidos, obrigando-me a encará-lo com aquela cara deformada em um riso zombeteiro.
— Deixa de idiotice, Scott. Vaza daqui que sua Casa só tem treino amanhã.
— Não vou sair coisa nenhuma, meu amigo. Você viu como a Puritana tá? Parece mudada, sim, tá uma gostosinha, mas ainda estou ganhando, não é? Você não ficou com mais ninguém.
Tive que encará-lo com um repentino ódio, me aproximando para falar bem na sua cara.
— Não fala dessa assim. Aliás, não fale assim de nenhuma garota, seu babaca, só por que não tem capacidade de ficar com ninguém não precisa sair coisificando elas!
Ele riu com escárnio, sendo acompanhado por seus amigos, me deixando mais puto. Eu não estava mais ponderando se seria péssimo quebrar minha mão ao dar um soo naquela cara ridícula.
— Ora, ora quem está bancando o defensor das oprimidas! Vai mesmo querer sair na briga comigo, Malfoy? Não somos mais aquelas criancinhas do quarto ano, pode ver que faço um bom estrago.
— Eu também faço, seu idiota. Sai agora de perto de mim, Scott, vai se fuder.
— Cuidado que ele já colocou um em coma! — um idiota exclamou.
— Não me importo. Cai fora, Scott.
Continuei encarando sua figura odiosa se aproximar de mim e me preparei para sairmos nos finalmentes. Eu tinha certeza que quebraria algumas costelas assim que ele caísse em cima de mim, mas não podia admitir que ele ficasse falando o que quisesse.
— O que está acontecendo aqui?! Senhor Hayes, sinto lhe informar uma pessoa notícia! — a voz da diretora Minerva quebrou o contato que estávamos fazendo para observar sua figura se locomover quase correndo para nós e parecia furiosa.
— Pode me dizer que história é essa?!
Minerva McGonagall perguntou e naquele momento meu destino mudou.
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