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Rose Weasley

Eu estava arrumando meus materiais em uma sexta-feira quando o professor Emanuel, de espanhol, me abordou no fim da aula.

— Rose, posso ter uma palavrinha com você?

— Ahn... Tudo bem, professor, o que houve?

— É o seguinte, Rose: eu e os outros professores de línguas junto do professor de música estávamos pensando em uma apresentação antes do feriado do dias das bruxas em celebração ao aniversário de nossa diretora. — professor Emanuel, em seu sotaque espanhol arrojado com o inglês, me comunicou e aparentava estar nervoso. — Então como ficou decidido que cada turma de línguas iria fazer uma apresentação, foi bom porque o professor de música entrou no processo e foi acordado que seria um trabalho pra salvar vocês nesse primeiro bimestre. Sei que você não precisa disso, mas é que pensei que pudesse liderar esse trabalho.

— Como assim, professor?

— Lembra no terceiro ano em que você cantou uma música em espanhol? Gostamos de sua voz, Rose, então que tal você assumir o trabalho do vocal em nossa apresentação?

Fiquei gelada. Aquele trabalho em que quase desmaiei de nervoso torrou meu psicológico, e embora eu adorasse cantar, não sabia se conseguiria na frente de todos, novamente.

— Professor... É que faz muito tempo em que cantei e não é do meu jeito, sou muito tímida...

— Eu sei, Rose, mas você ainda tem muitos dias! Vai ser desafiador pra você, pode ter certeza, vai mudar sua vida se superar esse obstáculo.

Mordi o lábio, pensativa. Eu não queria dizer um não, porém estava receosa pelo sim e pelo comprometimento.

— Posso pensar? É que é difícil e...

— PROFESSOR EMANUEL! MEU DEUS, EU FIQUEI SABENDO DO TRABALHO QUE VAI SALVAR MINHA CARREIRA ESCOLAR! — a voz de minha prima, Lily Luna, nos atrapalhou. Ela apareceu quase derrapando pelo corredor. — Oi, Rose! Tudo bem? E então, professor Emanuel, que babado é esse?

— Olá, Lily, é verdade o que ouviu, mas onde foi? Achei que era segredo ainda. Estamos vendo se temos condição.

— Não há nada nesse colégio que eu não saiba, professor, se liga! — Lily deu batidinhas no ombro do homem. — Mas o quê é que está faltando pra gente fazer essa budega e eu passar com louvor em todas as matérias?

— Eu estava mesmo falando isso com sua prima. Rose foi a pessoa a qual escolhi pra liderar minha turma, então... Convença a ela. — o professor deu um sorriso maroto, sendo conhecedor de que Lily era implacável na persuasão.

— Tá brincando?! Rose, tá esperando o quê, minha gata? Ela vai querer sim, professor, tá louca, mulher? Vai me ajudar, né? Diz que sim, diz que sim, DIZ QUE SIM!

— Ai que ótimo, meninas! Então conversamos depois! — diante dos pulsos e Palmas de Lily Luna, o professor Emanuel abriu um grande sorriso e nos deu as costas.

— Mas, professor! — tentei reclamar, porém Lily me sacudiu em seus braços.

— Fumou, mulher?! Não ouse em recusar minha chance de passar! Rose, eu preciso disso, me ajuda! E o negócio é de música, eu canto se você quiser!

Dei de ombros, resignada. Ele já tinha ido embora, Lily ia me azucrinar até a morte, e afinal ela precisa de pontos... Não ia custar nada, né? E era meu último ano ali, se pagasse mico não teria outro ano...

— Tá bom, Lily, agora para de me chacoalhar!

— Eba! Eu te amo, mulher! — ela me deu um beijo estalado na bochecha. — Vamos matar tempo no campo? Queria treinar com você.

— Ai, Lily, agora eu tinha que verificar meu trabalho de Botânica. Podemos depois?

— Eu, hein, vou correndo então porque Hugo tá me esperando! Beijos, minha linda! Não esquece de me procurar pra falarmos da apresentação, viu?

— Não se preocupa, Lily. Mande o Hugo escrever pra nossa mãe!

Quando vi, Lily já tinha saído correndo e fiquei pra trás.

Arrumei minha bolsa no ombro e puxei o elástico pra prender meu furioso cabelo em um rabo de cavalo. Desde que eu me entendo por gente, meu cabelo era rebelde daquele jeito, porém nunca movi um dedo pra mudar porque não havia tido tempo e oportunidade pra mudar. E indecisão também, não saberia para o quê mudaria.

A verdade é que certamente puxei a mamãe, embora os fios dela com o tempo, diz ela, tenham se acalmado e nem deem tanto trabalho assim.
Eu esperava que os meus seguissem o mesmo destino.

Seguindo pelos corredores, notei que precisava pegar um casaco, pois a noite esfriaria e, na estufa, eu ficaria congelada!

— Rose, minha diva! — foi a voz de Una que me cumprimentou ao colocar os pés no salão comunal da Grifinória. — Por onde esteve?

— Na aula de espanhol, Una, você também não tinha de português?!

— Ah! Isso, eu faltei hoje... — Una abanou o ar com uma mão e se aproximou. — Ando me sentindo indigesta, se você quer saber.

Pelo cochicho seguido por uma careta, notei o assunto de que Una falava.

— Nossa! Não, não quero saber das suas idas ao banheiro, minha flor! — tratei de calá-la e ela deu uma gargalhada.

— Mas do quê essas moças estão rindo? — Alvo apareceu de repente atrás de nós, e Una logo fechou a cara.

Hm... Muito estranho. Tenho que me lembrar de averiguar depois!

— Bom, Rose, eu tenho que dar uma olhadinha lá em cima, até logo. — minha amiga se despediu e saiu correndo. Tive que rir porque imaginava que olhadinha era iria dar.

— O quê que deu nela, hein?

— Eu quem pergunto, né, Alvo Severo Potter? Eu já te falei pra não te meter com minhas amigas porque você sempre as deixa depois, Alvo, e não é legal! Vá quebrar corações de outras pessoas! — tive que ralhar com ele, pois desconfiava de algo.

— Ei, não é nada disso! Nunca fiquei com sua amiga, você sabe, não por falta de tentativa, é verdade. — o moreno bufou. — Mas enfim... Por que você tá aqui, Rose? Scorpius disse que ia te encontrar na estufa. Aquele idiota até expulsou a mim e ao Thomas do quarto dele.

— Aí, é verdade! Eu estava indo, mas você e dona Una me atrapalharam! Depois acerto minhas contas com você, Alvo!

Meu primo me chamou de maluca e segui meu caminho atrás do casaco e depois para a estufa.

(...)

— Olá, minha adorada dupla. Veja como nossa plantinha está dando sinal de vida!

Sentei-me na banqueta e observei o vaso que despontava algo pequeno.

— Mas que lindo... Impressionante como vida brota de apenas água e terra.

— É bem mais química do que isso que você disse aí. — Scorpius me corrigiu e botou água em nosso trabalho. — Já anotei algumas coisas no livro, você pode dar uma olhada.

— Okay..

Eu estava anotando e corrigindo algumas especificidades de nosso relatório quando Malfoy pigarreou.

— O que foi? — levantei meu olhar para o rosto belamente esculpido do Malfoy. O maxilar estava trincado, realçando as maçãs de seu rosto, tornando-o muito parecido com uma escultura grega.

— Seu ex mandou alguma coisa essa semana?

— Bleeg. — torci os lábios em desgosto. — Não, por quê? Você acha que ele deveria continuar com a palhaçada de me denegrir com um oceano entre nós?

— Eu já disse o que acho, Hurricane. Perguntei por curiosidade. — os largos e grandes ombros de Scorpius subiram e desceram com seu movimento.

— Não respondi as cartas dele. Embora meus dedos tivessem coçando muito para respondê-lo em cada ofensa.

— Vocês ficaram muito tempo juntos? — Scorpius arqueou uma sobrancelha loira e começou a batucar o vidro da mesa com os dedos, quase como se tocasse uma canção sem letra para se entreter.

— Alguns anos. — preferi divagar com minha resposta porque nem eu queria pensar o quanto de tempo perdido. — Bom, tempo suficiente pra ele me conhecer e me taxar como a pior mulher do mundo, né? Tempo demais pra eu querer furar aqueles olhos azuis!

— Ei, calma! — Scorpius riu e foi quando percebi que vai fincado a ponta do lápis no papel e a quebrado. — Você ainda está pensando naquele lance de mudar?

— Acho que eu estava muito melancólica quando pensei que quisesse mudar só pra mostrá-lo que estava diferente.

— Estava? Não está mais?

— Ah, tá bom, estou ainda, é claro! Estive ligada emocionalmente por ele, mas está passando até rápido demais, graças a Deus, as intoxicações hormonais em meu cérebro estão despencando. — respondi e preferi não fitar os olhos cinzas de Malfoy. — Estive pensando que... Eu queria mudar por mim mesma, sabe? Pra descobrir mais de mim, ir além do que tô agora, ter opções e viver isso porque não sei quando vai ter uma oportunidade. Acho que já perdi tempo demais.

— Acho que agora você pensa certo. — Malfoy disse. — Mude pra satisfazer a você, do modo que você acha que vai ser melhor lidar com a sua vida.

— Você já fez isso? — tive que perguntar e observar curiosa as nuances que perpassaram pelo rosto anguloso de Scorpius. Seus lábios se contraíram e os olhos, tão cinzas quanto um céu nublado, endureceram. Eu sabia que havia mais naquela história. Muito mais.

— Já. Tenho certeza de que não foi melhor para os outros, mas foi pra mim e é isso que importa. Só a sua opinião sobre si mesmo importa e aí, minha amiga, você não vai ligar para o quê dizem.

— Simples assim? Acho que rótulos vão além disso. — acrescentei "infelizmente" na minha cabeça. Desde criança que aquilo era algo que me perseguia, tanto pelas histórias da minha família quanto a imagem que eu mesma transmitia.

— Podem colocar quantos quiserem, Rose, mas se o problema estiver em como você se vê, mesmo se eles desaparecessem, algo em você estaria fora do lugar.

Fiquei pensativa com suas palavras, mas concordei.

— Estava pensando em mudar meu cabelo. — as palavras voaram de minha boca após ficarmos em silêncio e eu não entender por que as havia dito.

— O quê?! — ele respondeu alarmado. — Quer mudar de cor?!

— Não! Não, Scorpius, eu não quero mudar a cor! De onde tirou isso?

— Porra, achei que fosse sua ideia. Sua cor é muito bonita, não precisa tirá-la.

Senti meu pescoço arder mesmo sem razão.

— Puxa, obrigada... Mas eu estava falando de corte e em domá-lo com algum procedimento.

— Ahhh, sim. Entendo, e por que não muda? Você mesma falou em ser a dona das escolhas da sua vida, então por que não sai agora da prisão desse colégio, pega um trem para Hogsmeade aqui do lado e vai no shopping?!

— Tá louco, Scorpius?! Sair agora? E eu tenho que pensar mais sobre isso e...

— Não, Rose! Você não percebe que é isso que falta na sua vida? Ímpeto! Faça agora se você quer! Por que perder tempo se depois com certeza você não fará? — Scorpius tinha pulado de seu banco e falava animado. Correu para o meu lado e me puxou pela mão. — Sai agora desse castelo, Hurricane, e satisfaça essa vontade. Saboreie o poder que você vai sentir.

Subitamente meu ânimo se acendeu e meu coração acelerou. Certo! Eu poderia ser dona de mim mesma!

Exceto que eu teria que ter permissão pra sair na cidade e não teria com quem ir já que Una estava com probleminhas.

Disse a Scorpius, mas seu sorriso não se apagou, só se alargou mais.

— Não tem problema, é só você ligar rápido e seus pais falam com a Minerva. E eu vou com você, eu nem preciso de autorização mesmo.

Eu ia até perguntá-lo por que ele não precisava, mas a animação tomou conta de mim junto de uma coragem e um novo desejo que ardia por toda minha pele.

— Aí meu Deus! Certo! Nós podemos mesmo ir hoje?

Scorpius virou os olhos para o céu e viu que a tarde já estava caindo.

— Bom... Acho que amanhã cedinho, que acha?

— Tudo bem, eu faço!

Scorpius olhou pra mim e não tive como espelhar seu sorriso em meu rosto. Eu via minha própria animação no cinzento de seus olhos e um prazer se alastrou. Eu teria uma companhia que ainda estava tão feliz quanto eu em fazer aquilo.

Era mesmo uma surpresa.

— Mas olha que nós vamos amanhã, ouviu, Weasley? Nem que eu tenha que te arrastar pelos pés logo quando o sol nascer!

— Não vou furar com você. — tive que rir de sua careta. — Eu irei amanhã. E estou muito ansiosa.

— Pode apostar que eu também.

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Notas finais
Quero comentárioooooooos!!!