Proibida Pra Mim
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Notas iniciais
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Naquela madrugada eu quase não consegui dormir. Na verdade, desde o incidente que eu dormia muito pouco, tendo a consciência ocupada boa parte do tempo pensando na última conversa com Scott Hayes.
Sim, aquele babaca estava me tirando o sono. Não ele, obviamente, mas a situação imatura em que me meti com ele, aquela aposta ridícula que me torturava, me castigava quase como se gritasse a todo momento que era errada, porém o que eu poderia fazer?!
Depois do barraco entre Rose e ele, eu me sentia numa prisão psíquica!
Eu sabia que a decisão mais sábia seria me aproximar daquele ser imundo e voltar atrás na aposta, mesmo que eu soubesse que meu orgulho teria que perder. O que pesa mais ainda era a intolerância de Scott. Eu sabia que ele não ia aceitar aquele não.
Eu estava ferrado, porém ia levar mais um tempo para pensar naquilo.
A Weasley se mostrava, a cada tarde em que conversávamos na estufa, uma pessoa diferente da que eu achava que era. Falando naquele furacão ruivo, eu havia pensado em formas de ajudá-la a se desvencilhar da ideia que seu ex-namorado tinha criado para atormentá-la, mesmo que ela não tivesse me dito detalhadamente ainda. E eu poderia usar para se livrar das amarras de santinha que todos haviam posto nela.
A sexta-feira amanheceu chuvosa e foi um dia entediante. Nem fui ver o jogo de rugby do dia, mesmo sabendo que a chuva ia colar a roupa em todas as gatas, porque eu iria ajudar o resto dos caras a arrumarmos o local da festa nas masmorras.
Depois eu fiquei sabendo que a Grifinória havia ganho o jogo e as apostas renderam bolões para os caras.
Continuei a arrumação com todos, escolhíamos o lugar mais afastado para que nenhum risco de som alto pudesse nos dedurar. Porém alguns professores sabiam das festas e colaboravam em troca de alguns favores. Eu não sabia nada sobre isso, eu juro!
O lugar estava limpo, com o equipamento de som e o bar, todos arrumados, somente esperando para que bombasse a primeira festa do ano!
No sábado, todo mundo estava eufórico, secretamente, claro.
Eu estava voltando de minha corrida matinal quando, no salão comunal da Sonserina, vi Kellen debruçada em um livro.
Minha adorável amiga de cabelos azuis estava desenhando. Como sempre.
— Fala aí, esquisita! – tirei meus fones de ouvido para cumprimentá-la.
— Ah, oi, Scorpiuszinho – ela respondeu com o apelido para me provocar. – Não acredito que ainda sai pra correr sábado de manhã, que coisa de velho, Scorpius!
— Velha vai ficar você se ficar apodrecendo nessa cadeira sem se exercitar! Alguém precisa manter o abdome malhado, minha filha! – eu brinquei e baguncei seus fios azuis. – Aí, vai pra festa hoje?
— Estou pensando seriamente. Se algum livro me entreter mais que algumas doses de tequila, ficarei reclusa essa noite.
— Você é uma velhinha, Kellen! Vou subir pra tomar banho.
— Ei, Malfoy, tem correspondência pra você! – Kellen me avisou quando eu já estava subindo. – Passei lá em cima hoje e trouxe pra você.
— Você é um amor, obrigado!
Rapidamente tomei meu banho e depois saí à procura da carta.
É claro que raramente eu recebia alguma coisa importante de casa, já que meu pai não gastava seu tempo para me escrever qualquer coisa, porém a curiosidade estava em mim.
Para minha surpresa, havia dois papéis. O primeiro era de meus avós informando que, caso eu tivesse planos de vê-los no feriado de Ação de Graças, eles sairiam de férias para outro país e não sabiam quando voltariam, então eu deveria permanecer no colégio.
Bufei, irritado. Que família mais amorosa!
O outro papel era do cemitério de meu bairro, me notificando que o mausoléu da família Malfoy passaria por alguma reforma.
Que ótimo. Tudo que eu precisava era me lembrar de minha mãe.
Amassei os dois e os soquei dentro de alguma gaveta para sair daquele quarto que tinha ficado abafado repentinamente.
(...)
A noite chegou e, em meu quarto, terminei de me arrumar. Passei a mão pelo cabelo molhado, puxando-o para trás, abri o primeiro botão da camisa preta com mangas e procurei o perfume para colocá-lo no pescoço.
Hoje eu caçaria alguém.
Meu colega de quarto Thomas já tinha saído porque fazia parte do mercado negro de bebidas que eram trazidas, então fui sozinho pelos corredores.
O segredo de parar uma festa era chegar fora de hora. Se começava tal hora, você chega duas horas depois, meus queridos, porque todos já estariam lá, parariam para ver sua entrada triunfalmente e você ainda aproveitaria a melhor a festa.
Consegui driblar qualquer pessoa indesejada e cheguei às masmorras até entrar naquele ambiente escuro.
O cheiro de bebida era forte, bem como uma fumaça branca de gelo seco. Luzes estroboscópicas vermelhas e azuis zanzavam pelo ambiente, tornando tudo mais instigante.
À medida que eu passava pelos grupinhos formados, eu sentia os olhares de todos, principalmente das meninas, que não disfarçavam e me tiravam a roupa com os olhos.
Esse é o efeito Scorpius Malfoy, senhoras e senhores.
Eu sabia também que elas olhavam para a pequena corrente de prata pura que reluzia em meu pescoço com o pingente de escorpião. Mas só a última garota poderia ver com exatidão aquela corrente porque dormiria comigo.
Sorri comigo mesmo. Hoje tinha mais opções porque estava lotado.
A batida soava muito alta, impedindo de me comunicar com qualquer pessoa, por isso aproveitei para ir ao bar e começar a rodada da noite.
— Boa noite, Scorpius – a sedutora loira do bar me sorriu bem próxima, me dando uma privilegiada posição para admirar seu decote com seios fartos.
— Boa noite, senhorita – galanteie. – Pode me trazer uma dose bem forte? Pra começar a noite.
— Pra começar a noite, uma especial pra você, gato. – a loira começou a preparar uma bebida azul que tive o prazer de desfrutar e comprovar que era maravilhosa.
Forte e maravilhosa.
Passeei com os olhos pelo lugar à procura de conhecidos até que vi Alvo dançando com uma garota morena, porém quando ele se aproximou demais, ela o empurrou e se afastou.
Eu ri enquanto terminava meu drinque e Alvo veio em minha direção.
Meu amigo roubava olhares famintos por onde passava, mas nem se importava.
— E aí, cara, chegando tarde como sempre. — Alvo pediu uma bebida no bar atrás de mim.
— Eu já te falei das regras de sedução, meu caro amigo. — respondi. — Mas... Foi dispensado por uma garota? Eu estava só de olho.
Alvo bufou, e eu ri.
— Estava só dançando com uma amiga da Rose, ok? Ela é um pouco louca e saiu sem motivo.
— Coitada em perdê-lo, hum? Você é um partidaço, Alvo Potter.
— Para de viadagem, Scorzinho.
— Fala, meus queridos! — Thomas apareceu entre Alvo e eu. Ele gritava e já aparentava estar bêbado. — Meus putos preferidos! Eu amo vocês, gente, melhores amigos do mundo todo!
— Esse doente já bebeu várias! — Alvo gritou pra mim.
— Não se aproxime mais o bar, ouviu, Thomas? Não quero limpar vômito de ninguém! — eu ri de meu amigo cambaleante.
— Vocês nem retribuem meu amor! — ele falou trocando algumas sílabas. Cambaleou para o lado e se aproximou de uma menina que caiu no papo de bêbado dele.
— Como ele consegue convencer a menina assim?
— Eu também não sei, Alvito. — passei meus olhos pela festa novamente. Estava lotado. — Mas tudo ocorreu bem até agora?
— Tudo certo. Além do mais, — Alvo disse e se sentou no banco ao meu lado. — Muitas pessoas vieram pela primeira vez, por isso estamos tão abarrotados como nunca antes.
— Eu percebi. Muita gata por metro quadrado, hein.
Alvo riu de meu comentário e aproveitei para observar as meninas gostosas que passaram e acenaram.
— Até minha prima veio, eu nem acreditei. Contanto que ela não beba muito pra nenhum cara se aproveitar, por mim tá ótimo. Hugo quem não gostou da ideia, mas foda-se.
— Sua prima quem? Rose? — indaguei disfarçando a surpresa.
Aquela ruiva me surpreendendo mais ainda.
— É, idiota. Quem é a única irmã do Hugo? Você é um doente, Scorpius, mas agora eu preciso voltar a falar com as meninas que me chamam. Aproveite a festa e não pegue uma DST!
Fiquei rindo de seus conselhos à medida que o via se aproximando do círculo de outras meninas e decidi me deslocar daquele bar porque quatro copos no começo da festa não funcionava. Tem que ir devagar, minha gente.
Tentei andar mais um pouco até avistar um sofá que, por graça divina com certeza, estava vazio. Minhas pernas estavam doloridas pelo esforço da corrida de hoje então me sentei tendo a plena consciência de que as minhas presas viriam até o predador.
Contei até cinco minutos até duas aparecerem muito bêbadas, com conversa fiada, mas eu não queria nenhuma das duas. Logo depois uma morena apareceu com um copo na mão e sorrindo.
— Scorpius Malfoy! Desacompanhado? Impossível.
— Até você chegar, gata. — pisquei um olho e tentei me lembrar de onde aquela garota me parecia familiar.
— Sou Una Stark, amiga da....
— UNA! Nao acredito que você me deixou sozinha com aquele menino! — A figura de Rose Weasley interrompeu o cumprimentos de sua amiga, e quando notou com quem ela falava, logo parou de falar. — Ah, oi, Malfoy, que estranho você estar em um sofá sozinho numa festa que com certeza você faz parte da organização.
— Você está afiada hoje, Weasley. — respondi jocoso. — Voltando... Prazer Una, eu sabia que conhecia seu rosto bonito de algum lugar.
A menina se derreteu e sentou ao meu lado sem ser convidada. Só abri um sorriso maior ao ver a cara chocada de Rose.
— Una, o que você está fazendo?
— Companhia para o senhor Malfoy, Rose, não vê que ele tá sozinho? — a amiga respondeu, com um sorriso muito aberto me mostrando que já havia bebido algumas doses.
— Ele não precisa de companhia, sua louca, ele vai se pegar com alguma menina daqui a pouco e provavelmente terá uma DST até o fim do ano! Vamos logo, você me prometeu! — Rose gritou e tentou puxar a amiga pela mão.
— Ei! Que mania mais audaciosa de sua família em agourar minha vida sexual, oras! Deixe sua amiga se divertir comigo, Weasley.
— Você só pode estar louco. — a ruiva disse a mim e depois voltou para a amiga ao meu lado. — Una, pelo amor de Deus, eu preciso falar com você!
— Rose minha rainha, a gente pode conversar nesse sofázinho sem problema nenhum, não é Malfoy? — Una falava não me perguntando qual era minha opinião, ela só estava me comunicando sua decisão. — Ele não se importa e deve estar com boas doses o sangue, amiga, então senta aqui porque 'tá difícil achar um lugar pra sentar nessa festa!
Rose Weasley parecia confusa. Eu deduziria que ela já havia bebido alguma coisa, embora não fizesse o perfil dela, mas a cara da amiga também mostrava que era ela quem convencia a ruiva que, por algum motivo, estava aceitando beber.
— Eu não sei por que estou fazendo isso, Deus — Furacão murmurou, mas se jogou ao lado da amiga e ficamos os três apertados naquele móvel. Por que mesmo eu não pastava e deixava aquelas loucas conversarem sobre sei lá o quê?
— Vai, Rose, descarrega tudo, rainha! — Una bebericou seu copo e depois o ofereceu para Rose. — Bebe um pouquinho também porque estamos merecendo uma folga do babaca do Henry.
— Ninguém merece — Rose pareceu lamentosa ao responder e igualmente raivosa à menção do nome do sujeito que Una havia falado. Ela bebeu todo o conteúdo do copo de uma vez só.
Senhoras e senhores, em que planeta eu estava para assistir embasbacado à CDF da geração se embebedando na minha frente?
Chocado.
— Eu estou com tanto ódio, Una, você não faz ideia! E pior! Você me abandonou na conversa fiada de algum idiota, sua amiga mau caráter!
— Ai, me perdoa, amiga, mas ele estava te olhando tanto que achei que você se renderia! — Una respondeu e voltou a olhar pra mim. — Obrigada por dividir seu espaço, Malfoy.
— O-oh, não é nada. — só fui capaz de responder isso porque na mesma hora Rose Weasley pegou a bebida azul que estava no centro a nossa frente e bebeu um gole. Minha nossa, ela roubava bebida também!
Alguma coisa estava errada.
Ela e a amiga estavam dividindo o copo e se lamentando. Eu aproveitei para beber a minha pra conseguir expulsar o torpor de meu corpo.
— Ele foi tão estúpido! Estou a ponto de ir contar ao meu pai só para que possamos caçá-lo e arrancar todos os dentes de sua boca! — Rose cuspia as palavras para a amiga.
— Foi mesmo! Onde já se viu mandar outra carta sem noção? Esse garoto quer audiência, eu te falei, amiga! Por que você foi responder toda polida? Recebeu mais um monte de baboseira!
— Nem me fala!
— Tá tudo bem com vocês? — tive que perguntar para Una, que estava mais próxima a mim, mas meus olhos não desviam da Weasley que estava à procura de um outro copo para entornar com Una.
— Meu querido, não estamos não! Rose teve um dedo pobre pra namorado e agora estamos chorando as pitangas! Ele é tão babaca que escreveu pra Rose se dizendo superior a ela, e mais um monte de merda! E sabe o quê mais? Sabe o quê mais, Scorpius Malfoy?!
Una gritou comigo e eu me assustei. Era pra eu responder?! Ela estava monologando comigo sem minha permissão, então que continuasse!
— Não sei não. — terminei minha bebida.
— Ele disse que vem nas festas de fim de ano só pra procurar por Rose e admitir que ela é apaixonada por ele, dá pra acreditar? É um cretino!
Franzi o cenho enquanto estudava Rose Weasley tão aérea que era estranho de sua natureza. Ela procurava por algo, com os olhos e mãos inquietos, somente a amiga quando sussurrava algo capturava sua atenção.
Então o ex-namorado estava causando essa revolução em Rose? Eu poderia ajudá-la nesse processo de mudança...
— Cara, você está aí! — Alvo apareceu em meu campo de visão e colocou os olhos sobre as duas meninas ao meu lado.
— Nem me pergunte como isso aconteceu. Só ficaram aqui e estão fingindo que eu não existo — respondi ao olhar questionador de meu melhor amigo.
— Rose, pega leve com a bebida, tudo bem? Seria péssimo lidar com sua ressaca — Alvo murmurou para a prima que deu de ombros. — Por que fugiu de mim, Una?! Estava te procurando, sua louca!
— Me erra, Potter! Vai ficar com suas amiguinhas! — a amiga de Rose estava alterada e se levantou de supetão, quase tombando o corpo no chão, mas Alvo conseguiu segurá-la. — Me solta, seu maluco!! Sai da minha vida, Alvo!
Observei Alvo fazer uma careta como quem se pergunta como se envolveu com uma maluca e a tal saiu empurrando as pessoas até se afastar, e ele segui-la.
— Parece que alguém te abandonou novamente, Weasley.
Rose piscou os olhos e os estreitou para me olhar.
— Não acredito nisso. Eu a odeio.
Ri de seu comentário e ficamos calados.
A festa estava muito louca, a cada minuto parecia se amontoar cada vez mais gente e uma preguiça sobre-humana se apossava de meu corpo, o que impedia de me fazer levantar por ora. Mas eu ainda iria procurar alguma garota.
— Sabe, Malfoy... Será que você tem mais drinques desses?
— Você quer mesmo mais? Parece querer morrer com essa cara. — e era verdade. Rose estava com a cabeça encostada no sofá e com uma careta no rosto.
— Preciso esquecer, pelo menos uma vez na vida, algumas merdas. Você deveria compreender, vocês que bebem não o fazem por isso?
— Não necessariamente. Às vezes sim, mas também é um bom ânimo, principalmente em festas.
— Entendo por que agora. Sinto como se minhas veias fossem estourar a qualquer segundo, mas minha consciência está se perdendo.
— Bom... Você está provando empiricamente o que suas aulas de química já disseram, né.
Rose abriu os olhos, sem mover a cabeça, e me fitou surpresa.
— Ora, parece que alguém presta atenção às aulas de química.
— Você não sabe de nada.
Rose sorriu de meu tom brincalhão, mas fez uma careta em seguida.
— Vai, Scorpius, será que você não tem nenhuma bebida aí?
— Uau, nunca achei que estaria vivo para ser o cara a quem Rose Weasley pediria uma bebida!
— Cala a boca. — ela choramingou e pôs os dedos nas têmporas. — Acho que sou fraca com bebidas. Droga! Eu sou fraca com tudo na minha vida!
Eu percebi que ela estava somatizando todos os eventos de sua vida e externando em uma mera dor de cabeça.
— Não é bem assim. — respondi depois de um tempo em que pareceu que eu devia responder algo um pouco menos melancólico como sua frase.
— Claro que é. Meu Deus, eu sou tão burra, como posso ser uma aluna nota 10 no colégio e me ferrar completamente nisso? Eu o odeio muito por me fazer passar por isso, e agora eu estou bêbada na minha primeira festa do ano. Eu estou alta!
— Vamos com calma. — tive que falar quando Rose tentou se deitar no sofá e moveu as mãos para me expulsar. — Não precisa dormir no sofá da festa, Weasley, assim não vai se recuperar, tampouco a dor de cabeça vai embora.
— Eu quero que você vá embora, Malfoy — a voz saiu emburrada e abafada por Rose estar com a cara no sofá. — Quero que esse colégio exploda, que todos sumam!
Ai meu Deus, Rose estava mesmo bêbada? Como eu poderia me livrar daquela garota melancólica no sofá de uma festa que tinha inúmeras pessoas, ainda mais a dita-cuja sendo a prima de meu melhor amigo?
Eu precisava deixar Rose sob os cuidados de alguém ou empurrá-la para seu dormitório o mais rápido possível.
— Furacão, está na hora de você voltar pro quarto, o que acha? Alvo vai ficar imensamente feliz em não lidar com sua ressaca e você vai agradecer pelo conselho depois.
— Não quero ir — ela choramingou ainda com a cara entalada no sofá e tive que me abaixar perto de sua cabeça pra ouvir. — Vou ficar naquele quarto pensando em tudo e em nada ao mesmo tempo, querendo arrancar a cabeça de alguém e dormir será a última coisa que conseguirei fazer. Preciso de mais bebida, Malfoy!
Revirei os olhos diante de tanta teimosia.
— Ora, vamos logo. Será que chamo seu irmão? Com certeza seu primo já deve estar com alguma garota. — e eu pensei que eu também estaria se não fossem as atuais circunstâncias. Tentei procurar por Hugo Weasley, mas era difícil em meio à escuridão.
— Mais bebida! Bebida!
— Eu devia gravar isso para a posteridade, mas eu seria comido vivo. — murmurei sozinho e decidi que iria levá-la já que nenhum ser humano amigo estava aparentemente desocupado.
Por que eu tinha que me meter nessas coisas?
Puxei o corpo pequeno de Rose pelo braço enquanto essa protestava. Ela usava uma calça jeans apertada em que, pela primeira vez, notei que realçava seu corpo como ele merecia, afinal eu tinha visto um pouco no treino de rugby. A camisa que usava subiu um pouco quando ela fez birra para se soltar e voltar a pedir por bebida.
Santo Deus.
— Controle-se, mulher! Olha só isso! — tive que recriminá-la e puxar sua blusa para baixo. — Precisamos logo sair daqui.
— Rose Weasley, você me deve muito depois dessa.
Rose balbuciava algumas coisas, mas eu a mantinha presa fortemente. Precisei ultrapassar um emaranhado de pessoas para finalmente vislumbrar a porta.
— Não me faça tropeçar nos meus próprios pés, Weasley — murmurei mais pra mim mesmo do que pra criatura em meus braços, que parecia que ora ria e ora chorava.
— Minha música! Meu Deus, eu amo essa música! Me solta, Malfoy!
— Até parece que você vai conseguir se manter de pé sozinha — eu tive que rir porque a ruiva não tinha consciência do próprio estado. Puxei Rose com mais força no intuito de não perdê-la já que alguém estava afim de "dançar a música favorita".
— Me soltaaa, seu maluco! — ela falou embolado enquanto se remexia e eu percebi que havia sido uma péssima ideia deixá-la muito colada ao meu corpo.
Certas agitações em alguns lugares não são legais, senhoras e senhores!
— Fica quieta — ordenei num tom mais grosso para fazê-la parar de se mexer e sermos capazes de sair, e eu me afastar de seu corpo.
— Fala direito comigo, Malfoy. — Rose resmungou, parecendo mais contida e se resignou.
Finalmente chegamos à porta e pude soltá-la quando estávamos do outro lado.
— Por que fez isso, Maalfoy? Quero voltaar.
Rose já estava tão prá-lá que certamente não estava percebendo que fazia um bico de teimosia.
— Não dá, minha querida dupla. Eu adoraria voltar agora, mas você tem que ir dormir.
— O que estão fazendo aqui? — a voz anunciou a presença do tal amigo de Alvo, Isaac, que observou o estado de Rose (que estava se apoiando na parede e balbuciando alguma coisa) e me fitou com uma raiva contida. — O que fez com ela?! Rose, está tudo bem?
— Não fiz nada. Eu estava era salvando essa maluca pra poder voltar.
— Eu tô ótimaa... Quem é Henry na minha vidaaa?!
— Não acredito que iria se aproveitar dela nesse estado, Malfoy.
— Eu não ia me aproveitar de ninguém, meu camarada! Não preciso embebedar meninas pra ficarem comigo, agora me dá licença que você está se intrometendo onde não foi chamado!
Com raiva do babaca intrometido, fiz questão de empurrá-lo para o lado e pegar Weasley pelos braços novamente. Eu seria a babá de qualquer forma.
— Deixa que eu a levo, Malfoy, não precisa se preocupar porque somos da mesma Casa. — Isaac me interpelou novamente.
— Eu não estou preocupado, se quer saber. — respondi e ponderei se não era bom deixá-lo levá-la, assim eu poderia voltar para a festa. Se ele era amigo de Alvo, devia merecer alguma confiança, não?
— Certo, é mais fácil você levá-la, de qualquer jeito. Rose Weasley, ei, olhe pra mim, o amiguinho do seu primo vai levá-la pra dormir e então você vai nos agradecer amanhã, tudo bem?
Rose franziu o cenho e tentou ficar em pé sozinha. Soltei-a para saber o grau de sua embriaguez e, mesmo tonta, ela ficou em pé.
— Ahn... Você me deve uma bebida, Malfoy, não vou sair antes disso!
— Não precisa beber coisa nenhuma — respondi e me direcionei para Isaac. — Olha só, cara, espero que faça tudo do jeito certo porque Alvo parece gostar de você e não iria gostar nadinha do que a prima falasse de você, entendeu?
— Entendi. — Isaac respondeu e colocou as mãos no ombro de Rose. — Vamos indo, Rose.
— Não queero! — ela protestou novamente, batendo em Isaac do jeito que podia. — Malfoy, você me deve!
— Não te devo nada, Furacão — eu ri. — Leva ela antes que consiga alguma bebida e fique tudo pior.
— Eu não tô me sentindo bem. — Rose se lamuriou.
— É verdade. — Isaac concordou comigo e já ia sair com a ruiva quando esta voltou e se aproximou de mim.
— Malfoy, você...
Rose não pôde terminar sua frase, porque arqueou bruscamente o corpo e vomitou.
Rose Weasley vomitou sua bebida nos meus pés.
Essa, definitivamente, não era a forma com a qual imaginei passar minha noite.
— Oh, oh — Isaac parecia querer conter o riso.
— Ai meu Deus do céu, que dor de cabeça — Rose murmurou. — Vomitei em uma pessoa! Vomitei no Malfoy, meu Deuuus! Malfoy, me desculpa, eu não sabia que isso ia ocorrer e...
— Não precisa se desculpar, Weasley — eu a interrompi. — Você tem a chance de ser principiante nisso. Da próxima vez em que estivermos numa festa, serei eu a vomitar em você.
Rose riu de meu comentário, mas eu imaginava que ela nem entendesse direito.
— Me desculpa.
Balancei a cabeça.
— Vão logo antes que você fique pior, Weasley. Melhoras.
Rose crispou os lábios e vi que estava com culpa naqueles olhos imensamente azuis. Bom, quem devia se sentir mal era eu.
— Vamos. — Isaac concordou e a puxou pelo ombro para saírem.
Suspirei quando os vi desaparecendo pela escuridão. Era só o que me faltava.
Com a calça e os tênis sujos, decidi voltar para meu dormitório e finalmente dormir. A noite não me renderia mais nada, de toda forma, e no outro dia eu teria jogo.
Era melhor esquecer o fiasco da primeira festa do ano.
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