Proibida Pra Mim
28 “Não posso trazer você pra esse inferno.”
Notas iniciais
Eu realmente não consigo entender por que ela me escolheu, mas não vou questionar.
Já faz algumas horas que ela está dormindo aninhada no meu peito e eu não consigo parar de olhá-la. A sensação de ter ela nos meus braços é indescritível e saber que fui o primeiro homem a tocá-la me deixa em êxtase. Passamos a manhã inteira na cama, nos amando e logo depois ela pegou no sono, deitada no meu peito.
Um sono leve tomou conta de Gustavo e ele cochilou durante alguns minutos. A sensação de estar sendo observado despertou todos os sentidos dele, o fazendo acordar. A imagem de Pilar, parada em frente da cama, com um leve sorriso no rosto, fez os reflexos de Gustavo o deixarem em alerta.
— Tisc, tisc, tisc Gustavo. Acho que você está quebrando as regras. __ Pilar cruzou os braços sobre o peito.
— O que você tá fazendo aqui? __ Gustavo olhou pra Alice.
Ela ainda está dormindo.
— Acho que a pergunta certa é: O que você está fazendo aqui? __ Ela se aproximou mais da cama.
— Vai embora. __ Ele tirou Alice do seu peito e colocou sua cabeça no travesseiro. — Agora.
— Você está apaixonado por ela. __ A surpresa tomou conta da expressão da ruiva.
— Isso não é da sua conta. __ Ele rosnou, se levantando. — Como você entrou aqui?
— Qual é Gustavo? __ A ruiva sorriu e o olhou de forma desafiadora. — Você sabe tão bem quanto eu que não foi nada difícil entrar aqui.
— Não importa. Você vai sair daqui agora. __ Gustavo pegou forte no braço dela.
— Ou o que? __ Ela puxou o braço, o fazendo soltá-la. — Você sabe que nós não podemos ter vínculos. É contra as regras.
— Se você não sair daqui agora, eu vou esquecer que também não posso matar qualquer agente e acabo com você aqui mesmo. __ A voz de Gustavo saiu baixa e firme, despertando medo em Pilar.
— Você tá protegendo ela. __ A voz de Pilar falhou.
— Como entrou aqui? __ Ele perguntou firme.
— Pela varanda. __ Ela disse baixo.
Gustavo pegou no braço dela e a conduziu até a varanda.
— Vai embora. __disse, soltando o braço dela. — E não ouse chegar perto dessa casa de novo e muito menos da Alice.
— Espero você no seu apartamento as 22H. __ falou firme.
Gustavo entrou e fechou a porta de vidro que dá pra varanda, fechando a cortina logo em seguida.
Assim que se aproximou da cama a raiva dele se dissipou, dando lugar a um medo irracional.
— Como eu vou proteger você? __ Ele sentou ao lado dela, afastando o cabelo do seu rosto.
— Não posso fazer isso. __ Gustavo levantou da cama e pegou a calça no chão. —Não posso trazer você pra esse inferno.
Tive um trabalho infernal pra manter a Paloma na linha a noite toda. Chegamos em casa de manhã e quando vi a porta do quarto da Alice fechada, imaginei que o Gustavo estava com ela. Acordei agora a pouco e estou na cozinha, procurando alguma coisa pra comer. O barulho de passos na escada chamam minha atenção e fecho a geladeira. Espero alguns segundos e vejo o Gustavo, com a camisa e os sapatos na mão.
— Gustavo? __ Ele se vira e me olha.
— Que susto cara. __ Ele responde.
— Aconteceu alguma coisa? __Caminhei até a sala e me aproximei dele.
Ele respirou fundo, sentou no braço do sofá e largou os sapatos no chão.
— Você vai me matar se eu disser que dormi com a sua irmã? __ Ele disse rápido.
Levei um momento pra assimilar o que ele disse e fiquei sem reação.
— É nesse momento que você me bate. __ Ele me olhou firme.
— Eu não vou bater em você, idiota. __ Passei a mão pelo cabelo, tentando ganhar tempo. — A não ser que você a magoe de novo.
— Então acho que você já pode começar. __ Ele baixou a cabeça e passou as mãos pelo rosto.
— Do que você tá falando? __ Me sentei na poltrona de frente pra ele.
— Eu não devia ter deixado isso acontecer. __ Ele respirou fundo. — Mas eu não consegui ficar longe dela.
— Você tá falando da Citros. __ Afirmei.
— Eu não posso ter vínculos, Felipe. __ Ele diz, com a cabeça baixa. — E isso inclui me apaixonar.
Ele levanta a cabeça e me olha.
— E você se apaixonou. __ Digo o óbvio.
— É, a uns 6 anos atrás. __ Ele sorriu triste.
— Cara, você só precisa largar isso tudo.
— Você sabe que não funciona assim. __ Ele levanta e anda de um lado pro outro. — Eu sou um dos melhores assassinos que eles tem. Você acha mesmo que eles vão me deixar sair assim?
Ele de costas pra mim e socou a parede.
— E o que você vai fazer? __ Me levantei. — Você acabou de passar a noite com ela, não pode sair assim, sem dizer nada.
— Eu sei. __ Ele se encostou na parede e deslizou até o chão. — Eu a amo, Felipe. Mas do que a mim mesmo.
Conheço o Gustavo desde que nascemos e nunca o vi desse jeito. Ele está dividido entre seguir com tudo o que conquistou até hoje na Citros e ficar com a Alice, já que não pode ficar com ela se continuar trabalhando pra eles. Quando ele foi embora, me lembro de ter pego ele chorando dias antes, por ter que deixar ela aqui.
— Gustavo. __ Ele me olhou. — Não sou a melhor pessoa pra te dá conselhos sobre amor. __ Me sentei ao lado dele. — Mas eu te conheço o suficiente pra ser sincero com você. Se você de fato a ama, fique com ela. Minha irmã é dura na queda, mas quando ela cai, você é a única pessoa que consegue trazer ela de volta. E eu acho que isso quer dizer que ela também te ama.
— É perigoso demais, Felipe.
— Eu sei. __ digo sério. — E se você não a proteger, juro por Deus que eu mesmo te mato.
Depois de conversar com o Felipe decidi voltar ao quarto dela, não posso ir embora assim. Assim que entrei a vi na cama, ainda dormindo. Coloquei os sapatos no chão, larguei a camisa e tirei a calça, ficando de cueca. Me deitei ao seu lado e a puxei para os meus braços de novo, sentindo o cheiro dela me acalmar. A abracei mais forte, trazendo-a o mais perto possível de mim. Ela respirou fundo e se mexeu, passando a mão no me abdômen.
— Oi Ogro. __ Ele me olhou e eu sorri.
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