Proibida Pra Mim

75 73º Capítulo – “não vamos conseguir tirá-las do Barão.”


Notas iniciais
Olá chuchus! Desejo a todos uma ótima leitura!

— Não é o bastante, Gustavo. __ o tom do David é baixo.

Ele tem razão. Deixo meu corpo encostar na cadeira e sinto minhas costas deslizarem pelo encosto enquanto a sensação de impotência me domina.

Eu e o Felipe contamos a eles tudo o que descobrimos sobre o Barão desde que fomos pegos, o que com certeza não chega nem perto do que seria suficiente. Fecho meus olhos e massageio a têmpora enquanto tento lembrar de qualquer detalhe, por menor que seja, que nos ajude a chegar até eles.

— Não consigo definir se vocês são loucos ou só burros mesmo. __ o deboche na voz da Pilar é quase palpável.

— Ninguém aqui pediu sua ajuda. __ ouço o Felipe rebater.

— Mas deveriam. E sabe porquê? __ a voz dela aumenta alguns decibéis. — Por que só dois idiotas achariam possível localizar e roubar o próprio Barão em pessoa, sozinhos.

— Nós não queremos roubar nada dele, só...

— Só querem tirar dele as filhas que ele passou anos procurando. __ ouço a Pilar interrompê-lo. — Qual é, Felipe? Não aja como se não soubesse a forma como as coisas funcionam nesse ramo. __ ouço-a levantar. — O Barão criou e chefiou a maior rede de narcotráfico dentro e fora do Brasil, foi dado como morto e passou anos desaparecido sem sequer uma única alma viva tenha desconfiado. __ ela ri amarga. — E baseado no que vocês contaram, ainda existe uma imensa possibilidade de ele ter armado uma emboscada para a própria família.

Silêncio.

Ninguém diz nada por longos segundos e mesmo tendo pensado antes em grande parte do que ela disse, deixo minha mente quebrar e absorver cada detalhe do que ela acabou de falar. A verdade é que nesse momento, minha experiência está jogando contra mim, por que por mais que eu esteja desesperadamente focado em trazê-las de volta, não tenho nada. Nenhuma pista, informação, rastro ou qualquer outra merda que possa nos colocar direto na trilha do Barão.

— Ela tem razão, Felipe. __ minha voz não tarda em mostrar minha impotência e chego a sentir o gosto amargo do medo na boca.

— E ainda tem outra coisa. __ abro meus olhos e vejo o David me olhando. — Mesmo que soubéssemos exatamente onde eles estão.... pelo o que vocês disseram, nós não...

— Nós não vamos conseguir trazê-las de volta.

***

Eles não concordaram, mas não tem outro jeito.

Ouvir tudo o que a Pilar e o David disseram, só me fez perceber o incontestável: não vamos conseguir tirá-las do Barão, não sozinhos. Mas essa certeza me fez ter uma ideia, e por mais louco e arriscado que pareça, é nossa única chance.

Fiz com que o David nos levasse até a casa do tio Ben e expliquei ao Felipe tudo o que ele precisa fazer até que eu volte. Mesmo com a Pilar falando o tempo inteiro que o plano é uma loucura, consegui convencê-la a ficar com o David e continuar procurando qualquer pista que nos leve até as meninas. Disse a eles que entraria em contato nas próximas horas, para dizer se consegui o que precisamos e para saber se eles também conseguiram cumprir suas partes.

Assim que sai da casa, dei a volta no quarteirão para procurar minha moto e quase fiquei surpreso ao encontra-la exatamente onde a deixei. Não tive muitos problemas para liga-la sem a chave e logo já estava na estrada.

Durante todo longo percurso até a Citros, mantive minha atenção presa na pista. Estou desesperado e essa é a verdade. Quando ela foi sequestrada da primeira vez, fiquei sem norte. Deixei que meu medo assumisse o controle e naquele momento me dei conta de que nem mil anos na Citros vão me ajudar quando o assunto for ela. Mas agora... a coisa é bem pior e maior do que antes.

Exatamente por que sei quem a levou e do que ele é capaz. O Barão é citado como lenda para todos os recrutas da Citros e seu nome é dado em uma simulação que tem como base uma missão malsucedida que tinha ele como alvo. Ele era e é usado em um exercício em particular, como um fictício alvo a ser eliminado. Lembro com clareza quando foi a vez da minha equipe completar o exercício. Eles me entregaram a pasta com todos os dados do alvo e minha equipe precisou analisar as informações e montar uma pequena operação para abatê-lo. E é claro que não conseguimos.

Segundo o instrutor que nos coordenou, agimos exatamente como a equipe que pegou a missão no passado e seria a melhor estratégia a se seguir para derrubar qualquer alvo, menos o Barão. E por fim ele nos disse que talvez nenhum agente já formado na Citros teria sido capaz de mata-lo. Por que além de viver quase 100% do tempo cercado por seus homens, ele sempre estava um passo à frente e que se ainda estivesse vivo, seria loucura tentar novamente.

Agora, parado na frente da Citros, quase me sinto como o garoto que enfrentou aquela simulação. A diferença vital é que agora o Barão é um alvo real e a vida das pessoas que amo está em jogo.

Quando chego na recepção, impeço qualquer tentativa fútil de Marina, a recepcionista, de puxar assunto. Enquanto espero o elevador chegar, me concentro em transparecer a mesma indiferença e segurança de sempre. Quando as portas se abrem, entro no elevador e fecho os olhos. Mais uma vez sinto o metal negro do pingente marcar minha pele como fogo e isso desperta em mim a força de uma decisão incontestável: não vou sair daqui sem o que preciso para trazê-las de volta.

Notas finais
Beijos da tia e até a próxima!