Proibida Pra Mim

61 61º Capítulo – “ Você, realmente, é um profissional. ”


Notas iniciais
Hello People. Boa leitura a todos!

Isso só pode ser um pesadelo. Precisa ser um pesadelo. Por que eu não posso estar vivendo tudo isso de novo.

Os dois estão caídos na nossa frente e não consigo segurar o grito quando um deles chuta o Gustavo. Ouço os soluços descontrolados da Paloma e os homens ao nosso redor parecem não se importar com nosso desespero. Vejo um deles se aproximar ainda mais do Gustavo e mirar o fuzil na cabeça dele. Ele avalia durante um tempo e olha de soslaio para um homem que parece ser o líder. O homem me olha e sem esboçar qualquer reação faz um movimento afirmativo com a cabeça.

Me exaspero quando entendo o que está prestes a acontecer e me ajoelho ao lado do Gustavo.

— Por favor __ levanto as mãos espalmadas para cima. — Por favor não.

As lágrimas caem do meu rosto e os soluços ameaçam me sufocar.

— Eu não sei o que vocês querem. __ olho de um para o outro. — Mas por favor não.

— Nosso dever é levar vocês __ a voz dele é grave e sem emoção. — Eles não são importantes.

— Eles são sim __ vejo a Paloma se ajoelhar ao lado do Felipe. — Eu não sei o que vocês querem. E não me importo com o que vai acontecer comigo, mas por favor.... Por favor... não mate eles.

Ele não diz nada. Durante longos segundos ele parece avaliar o que eu disse e não tira os olhos dos meus. As lágrimas caem sem controle do meu queixo e um silêncio angustiante alimenta meu desespero. E nesse momento eu tenho certeza de que ele vai nos matar.

— Amarrem os dois e levem até o carro. __ ele diz e meu peito relaxa quando solto o ar. — Lá, o patrão decide.

Eles também nos vendaram, a mim e a Paloma. Fomos colocadas uma ao lado da outra e durante todo percurso ficamos de mãos dadas, mesmo com elas amarradas. O carro balançou durante um tempo, mas logo depois pareceu pegar uma via asfaltada. Nada foi dito dentro do carro desde que saímos de lá e aos poucos o medo trouxe de volta aquela garotinha assustada. E pela primeira vez na vida, quis estar dentro de um pesadelo.

Me forço a um pseudo controle para tentar acalmar minha prima e sinto as mãos dela tremerem desde que saímos da fazenda. Mas quando lembro do Gustavo e o Felipe caídos no chão minhas lágrimas se recusam a parar.

Não sei a quanto tempo estamos dentro desse carro e nem o quanto distante da fazenda estamos agora, mas aos poucos sinto o carro reduzir a velocidade e pegar a primeira entrada em muito tempo. O carro volta a balançar e imagino que estejamos em uma rua de barro. Conto mais alguns minutos e o carro faz uma nova curva. Paloma aperta ainda mais minha mão e eu retribuo o aperto. Pouco tempo depois o carro volta a reduzir a velocidade e para.

Prendo minha respiração quando sinto o carro reagir a descida de alguém e a porta do meu lado é aberta. Sou puxada para fora e minha prima grita meu nome quando nossas mãos se perdem. Sou levada por um caminho desregular e ouço uma porta se abrir a minha frente. A pessoa que está segurando meu braço me guia até entrarmos em um ambiente silencioso e não para em nenhum momento. Fazemos algumas curvas e paramos de repente. Ouço uma chave ser encaixada em uma fechadura e uma nova porta range ao abrir. Sou forçada para dentro e em seguida a porta bate atrás de mim.

O silêncio cai sobre meus ouvidos e o medo ressurge forte. Tudo que consigo ouvir é minha respiração forte e seguro o choro para tentar ouvir mais alguma coisa. Alguns minutos se passam e lentamente ergo minhas mãos. Espero mais um pouco e as levo até a venda nos meus olhos. Tiro o pano de cima dos meus olhos, mas não vejo ninguém. Estou sozinha.

GUSTAVO

Respiro fundo e uma dor absurda faz minha cabeça latejar. Tento levar a mão até têmpora, mas não consigo. Um flash cruza minha mente e me lembro de tudo. Abro os olhos abruptamente e tenho dificuldade de ajustar a visão ao ambiente escuro. Olho para minhas mãos e as vejo presas em uma grade por uma espécie de algema. Baixo meus olhos e vejo também uma espécie de cinta prendendo meu abdômen a grade.

Olho ao lado e vejo o Felipe apagado e preso a outra grade, exatamente como eu. Passo a vista ao redor e vejo alguns caixotes espalhados aleatoriamente pela sala. Finco meus pés no chão e meus pulsos agradecem o alívio da pressão.

Testo a mobilidade reduzida das minhas mãos e avalio as algemas mais uma vez. Elas parecem feitas de um metal resistente, mas ainda assim com uma única e pequena tranca.

São algemas comuns.

Examino o chão a procura de qualquer coisa que possa me ajudar a destrancá-las e avisto um gancho pequeno e retorcido perto do Felipe. Tiro o sapato e estico meu pé para tentar alcança-lo, mas não consigo.

Só mais um pouco....

Forço um pouco mais meu corpo para o lado e meu pulso lateja forte. Com a ponta do dedo consigo puxar o gancho para mais perto. O prendo entro os dedos do pé e seguro firme nas algemas para pegar o impulso necessário. Ergo minhas pernas até conseguir alcançar as mãos e pego o gancho. Respiro fundo enquanto meus dedos trabalham rápido para desentortar o metal e tento deixá-lo o mais reto possível. Quando termino, o seguro entre o polegar e o indicador e o testo para saber o quão resistente é.

Ele não cede e eu o insiro na pequena fechadura. Fecho meus olhos e me concentro. Sinto as pequenas engrenagens rangerem e movo o aço devagar. Lembro das muitas vezes que já fiz isso e sei que a tranca está prestes a ceder.

— Você, realmente, é um profissional.

Notas finais
Gostaria de me desculpar pela demora na atualização, estive sem computador. Justamente por esse motivo não consegui responder a alguns comentários. Até a próxima, beijos da tia!