Proibida Pra Mim
56 56º Capítulo – “Lembra do Barão?”
Vejo o Felipe abraçar minha prima e a levar pelo corredor até o quarto. Tento a todo custo organizar tudo o que acabei de ouvir, mas muita coisa parece não fazer sentindo algum. Minha mente repassar segundo a segundo tudo o que aconteceu e para exatamente na cena em que o Gustavo atira naquele homem. Um calafrio percorre meu corpo quando lembro da expressão estampada no rosto dele. Alguma sombria parecia exalar pelos poros de seu corpo e os olhos estavam tão negros, que nem pareciam ter pupila.
— Proteger? __ ouço minha voz sair involuntariamente.
Ele está de frente a uma das janelas e se vira até me olhar. Ele parece confuso com minha pergunta.
— Aquilo que você fez, não é proteção.
Não consigo evitar. Não consigo evitar ter medo disso tudo. E dele também.
— O que?
— Aquilo não é proteção. __ levanto da poltrona. — Você matou aquele homem e não exitou um pouco sequer.
— Se eu não o tivesse matado ele mataria o Felipe. __ ele me olha firme e eu consigo ter certeza agora.
— Não foi a primeira vez. __ dô alguns passos a frente. — Você já fez isso antes.
— Já. __ ele respira fundo.
— Você é como eles, não é? Você, você...
— Acredite em mim, você não quer falar sobre isso agora.
— O que eu quero é que você fique longe de mim e da minha prima. __ ele parece levar um soco e recua.
— Tudo bem. __ ele sorri fraco. — Depois que isso tudo acabar, eu vou embora. Não se preocupe.
Ele sai pela porta sem olhar para trás e eu sinto meu peito apertar. Me pergunto mentalmente como pude me enganar desse jeito. Esse homem, que voltou depois de tanto tempo, não é o Gustavo que eu conheci. E deixar tudo aquilo acontecer entre a gente foi um erro. Por que eu não posso e não quero me envolver com alguém como ele.
GUSTAVO
Não consigo mais ouvir ela falando daquele jeito. Assim que saio pela porta as minhas forças parecem sumir e tenho vontade de deitar e dormir por anos. Desço a escada e caminho até não poder mais ver a casa atrás de mim. Quando me dô conta estou de frente a uma árvore onde costumava brincar. O balança ainda está pendurado nela e o vento o faz balançar de leve. Me encosto no tronco da árvore e obervo o balanço. Lembro exatamente da última vez que brinquei aqui e de como eu amava tudo isso.
Reprimo as lembranças e quando fecho meus olhos vejo a Alice, me olhando exatamente como agora pouco. Antes que possa pensar em mais alguma coisa meu telefone toca.
— Tenho novidades.
— Estou ouvindo.
— A chacina que aconteceu na família delas foi abafada e quase não saiu em jornal nenhum.
— O Tio Ben cuidou disso, David. __ estou impaciente. — Qual a novidade?
— A novidade, é que talvez você não saiba, mas a adoção delas foi questionada. Em juri, Gustavo.
— Do que você está falando? __ desenvosto da árvore.
— Estou te dizendo, cara. Teve uma batalha judicial pela guarda delas. O nome da outra pessoa foi apagado do processo, mas seu tio por pouco não perdeu a guarda das duas.
— Não me lembro de nada disso. __ estou mais surpreso do que posso dizer.
— Nem poderia. __ ouço o barulho de teclas de computador do outro lado da linha. — O processo correu em segredo judicial, por que segundo o juiz, a vida delas estava em perigo.
— Perigo por que? __ levanto e começo a ir em direção a casa.
— Há cara, você não vai acreditar. __ ele para e fica em silêncio. — Lembra do Barão?
— Que Barão? __ a lembrança me atinge forte. — O chefe do Narcotráfico dos anos 90?
— Ele mesmo.
— O que tem ele? __ ele fica em silêncio. — Fala David.
— É o pai da Alice.
BARÃO
— Não sobrou ninguém, senhor.
— Alguém tem que saber me explicar o que aconteceu lá. __ minha voz é alta e o idiota na minha frente se encolhe.
— Quando estávamos monitorando nosso homem pela câmera na roupa, a última imagem que vimos foi daquele assassino.
— Gustavo Guimarães. __ digo entre dentes.
— Ele matou nossos homens antes que as meninas fossem tiradas de lá.
— Ele está as protegendo. __ é isso.
— Acreditamos que sim, senhor. __ o idiota para e volta a falar. — Nossa fonte na Citros nos diz que mão existe missão contra o senhor. E que o Gustavo está sem dar notícias há quase dois dias.
— Quero saber qual a relação dele com as duas.
— Sim senhor.
— E mais uma coisa. __ ando e paro na frente dele. — Rastrei os quarto e não importa o que aconteça. Quero as duas de volta.
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