Proibida Pra Mim
48 47º Capítulo – “É ele.”
Notas iniciais
A missão era simples: entrar e matar. E foi justamente assim que aconteceu. É claro que assim como os anteriores, esse alvo também tinha uma boa segurança. Mas não tive nenhuma dificuldade para entrar na fazendo, e uma vez dentro, missão concluída. Entrei, localizei o alvo e o eliminei. Sem alarmes, lutas ou qualquer outro tipo de contratempo. Consegui sair de lá, mais ou menos, à meia noite e acabei gastando cerca de uma hora para chegar até o hotel, exatamente como eu tinha planejado.
Antes de sair para a missão, deixei todas as minhas coisas arrumadas e prontas, para que não precisasse demorar mais nenhum minuto sequer, além do necessário, para sair dessa cidade de uma vez. Passo a vista uma última vez no quarto, afim de tentar localizar qualquer possível objeto que tenha esquecido de guardar.
Não falta nada.
Saio do quarto e desço as escadas até chegar na recepção.
— Boa noite, senhor. __ a recepcionista loira e de olhos claro, se debruça no balcão. — Posso ajudar?
— Avisei a recepcionista do dia que não iria ficar até amanhecer. __ coloco a chave do quarto no balcão.
— O senhor tem certeza? __ ela me olha dos pés à cabeça. — Não acha melhor, hum.... dormir por aqui?
— Era só isso, obrigado.
Viro as costas e saio do hotel. Coloco tudo na moto e olho em volta, para as pessoas na praça. Para um momento, vejo uma garotinha correndo e me lembro da Pirralha, de quando ela chegou aqui. Ela era, simplesmente, a pentelha mais agitada e linda do mundo. Passava o dia correndo pela casa, gritando e enlouquecendo o Tio Ben. Mas na hora de dormir ela se transformava em uma criança assustada, que tinha medo de tudo. E pronto, lembrar da Paloma trás a imagem da Alice a minha mente. Fecho os olhos e consigo vê-la acordando no meio da noite, assustada e chorando. Abro olhos, afasto os pensamentos e subo na moto.
Resolvo dar uma volta pela cidade, já que a possibilidade de ver alguma das meninas a essa era é quase nula. Estaciono a moto algumas ruas depois da praça e caminho até lá. São quase duas da manhã agora e as pessoas que estavam nos barzinhos e na praça já foram quase por completo embora, deixando o lugar deserto. Subo a praça e caminho na direção das árvores, onde encontrei a Alice anos atrás.
Caminho durantes uns minutos, enquanto minha mente vagueia pelas lembranças. Quando me aproximo de lá levanto o rosto e a vejo, sentada em um dos bancos. Ela não está sozinha. No instante seguinte reconheço o cara que está com ela. Paro e observo enquanto aquele cara da boate se aproxima ainda mais e perco a noção de tudo quando vejo ele a beijando. Todas as minhas terminações nervosas parecem entrar em pane, impedindo que eu saia do lugar e uma raiva sobre humana toma conta de mim. Minha única vontade agora é correr até lá e arrancar esse filho da puta de perto dela. Mas eu não posso e preciso de todo o autocontrole que já tive um dia para não ir até lá e fazer exatamente isso.
Quero ir embora, fugir como um covarde e ir embora. Por que ver ela assim, nos braços de outro cara dói muito mais do que posso suportar. Mas não consigo. Não consigo me mover. Não consigo ir embora e também não consigo simplesmente aceitar a merda do fato de que ela não é mais minha. Nunca foi minha. E por mais que isso destrua tudo dentro de mim, preciso deixar que ela siga em frente. Não posso tirar dela o direito de seguir em frente, de me esquecer.
Como se sentisse que estou ali, ela se afasta dele e olha exatamente para onde estou. Mesmo longe, consigo notar a expressão de choque no rosto dela. Sei que preciso me mover e sair dali, mas é como se eu estivesse ligado a ela. O cara parece chamar e ela o olha, me dando tempo suficiente para sair dali.
ALICE
É ele. Eu não posso estar ficando louca. O Guilherme me convenceu de dar uma volta na praça e quando estávamos nos beijando, uma sensação estranha me fez interromper o beijo. Quando olhei na direção das árvores, o vi ali, parado. O Guilherme disse alguma coisa e eu desviei o olhar até ele por um segundo. Quando voltei a olhar para as árvores, ele não estava mais lá. Mas tenho certeza que era ele, que era o Gustavo.
— Alice, você tá se sentindo bem? __ não consigo parar de olhar para onde ele estava. — Alice?
— O que? __ olho para ele. — Eu....
— Você tá sentindo alguma coisa? __ ele segura meu rosto entre as mãos. — Você tá pálida.
— Guilherme, eu... __ me afasto dele e respiro fundo, preciso me acalmar. — Quero ir para casa.
— Tudo bem. __ levanto do banco. — Mas você tá sentindo alguma coisa?
— Não, eu só.... __ passo as mãos forte pelo rosto. — Estou cansada. Por favor, quero ir para casa.
Ele concorda e caminhamos até em casa, em silêncio. Parte por que não sei o que dizer a ele, mas principalmente porque minha mente não consegue sair daquele instante. Não consigo apagar a imagem dele lá, parado, nos olhando. Chegamos na porta de casa e me viro para olhá-lo.
— O que tá acontecendo, Alice? __ ele diz, depois de um tempo.
— Nada, Guilherme. __ tento disfarçar. — Eu só.... tô me sentindo um pouco mal.
— É só isso mesmo?
— É, só isso. __ me aproximo e deposito um selinho nos lábios dele. — Boa noite. __ me afasto e entro em casa.
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