Proibida Pra Mim
22 22º Capítulo – “Dançar até amanhecer.”
Notas iniciais
lice estava andando pela cidade sem saber para onde ia. E se deu conta de que não tinha para onde ir, já que hoje é sábado e não tem aula na faculdade. Entrou em uma lanchonete no centro e sentou em uma das mesas.
Cruzou os braços sobre a mesa e deitou o rosto em cima, respirando fundo. Foi então que se surpreendeu com alguém a chamando.
— Alice? __ A garota se assustou e levantou o rosto, dando de cara com Clara vindo em sua direção.
Alice forçou um sorriso e levantou para abraça-la.
— Oi Clarinha. __ Disse quando saíram do abraço.
— Parabéns. __ A garota a abraçou novamente, surpreendendo Alice.
— Pelo o que? __ Perguntou Alice, quando se sentaram.
— Pelo seu aniversário. __ Alice se surpreendeu com aquilo. — Quer dizer, foi o facebook quem me mandou uma notificação hoje, avisando.
— Que dia é hoje? __ Alice pegou o celular para conferir a data.
29 de Outubro.
ALICE
Não é que hoje é mesmo meu aniversário, não estou tão surpresa. Nunca comemoro.
— Alice, você tá bem? __ Clara está me olhando como se eu tivesse louca.
— Tô sim, Clarinha. E sim, hoje é meu aniversário. __ Forcei outro sorriso.
— Você não está bem. __ Ela apertou minha mão em cima da mesa. — O que você acha de comemorar seu aniversário, só para se divertir um pouco.
— Não. __ Digo baixo. — Não estou no clima. __Ela me olha e sorri.
— Brigou com o namorado? __ Não sabia que eu era tão transparente assim.
— Ele não é meu namorado. __ Desisto de esconder. — E eu só... __ suspiro. — Tô cansada de tudo isso.
— Então... __ Ela abre um sorriso maior. — Mais um motivo pra sairmos hoje, pra nos divertirmos.
— Olha, eu até iria. __ Digo, tentando fazer ela mudar de ideia. — Mas sai de casa sem nada e não pretendo voltar lá tão cedo. E não trouxe nada, muito menos roupa.
— Não seja por isso. __ Ela pede a conta da sua outra mesa a garçonete. — Passamos o dia na minha casa, te empresto uma roupa linda e saímos hoje à noite.
Penso um pouco e me dô conta de que não pode ser tão ruim assim. Quer dizer, deve ser bem melhor do que ficar em casa chorando sentindo pena de mim mesma.
— Ótimo. __ Sorrio sincera. — Mas, tem que ter muita bebida. __ Ela me olha por um tempo e depois bate palminhas.
— Isso, vamos.
—--
FELIPE
Já são quase 3 horas da tarde e nada da Alice. Estamos nos três aqui, preocupados com ela.
— Ela não costuma sumir por tanto tempo. __ Digo, fazendo Paloma me olhar.
— Ela só está com raiva. __ Ela me responde. — É sempre assim que ela age quando não tem o que quer.
Nunca ouvi a Paloma falar assim da Alice, aconteceu alguma coisa que eles não estão me contando.
— Eu quero saber o que aconteceu pra ela sair daqui assim e quero saber agora. __ cruzei meus braços sobre o peito e esperei ela ou Gustavo me dizer o que aconteceu.
— Paloma, não é bem assim. __ Gustavo disse, levantando do sofá.
— Como não é? __ Ela olhou firme pra ele e depois se voltou pra mim. __ O que aconteceu é que eu disse a ela que não ia deixa-la mandar o Gustavo embora.
— Claro. __ Sorri irritado e passei a mão nos cabelos. — Ai você aproveitou e disse que quem deveria ir embora era ela. Adivinhei?
— O que? __Ela me olhou surpresa. — Claro que não! Você acha que eu mandaria ela embora?
— Não interessa o que eu acho. __ Caminhei até o pé da escada e olhei pra eles. — Eu vou subir e tomar um banho, depois vou sair e procurar pela irmã de novo.
Subi sem olhar pra trás e deixou os dois lá, pensando no que fizeram.
—---
Faz alguns minutos que estou olhando meu reflexo no espelho e não sei o que dizer. Clara me aperrou a tarde toda até eu dizer que deixaria ela me produzir e ela simplesmente operou um milagre em mim.
Estou vestindo um macaquinho na parte do tórax preto e azul na parte de baixo, com uma faixa de renda na minha cintura e mangas também de renda. Um Scarpin preto aveludada, com reatas que estão amarradas aos meus tornozelos. Por fim, minha maquiagem consiste em uma mistura entre um contorne de sombra azul preenchida pela prata — destacando a cor dos meus olhos, e um batom discreto.

— Clara, você me deixou linda. __ Digo, ainda olhando nosso reflexo no espelho.
— Não Alice. Você é linda, eu só te produzi um pouco. __ Ela dá uma última mexida nos meus cabelos que estão soltos, com pequenas ondulações.
— Obrigada. __ Me viro e a abraço.
— Já chega. __ Ela diz sorrindo. — Nem pense em chorar e estragar minha obra de arte. __ Nós duas sorrimos.
— Vamos lá, que a noite hoje é nossa. __ Ela diz e me puxa até a porta.
Quando chegamos em frente à boate nos deparamos com uma pequena fila do lado de fora.
— Vamos pra fila. __ Clara me puxa até o fim da fila. — Agora vamos tirar uma foto pra postar.
Quando Clara pega o celular, lembro que não mandei nenhuma mensagem pro Felipe e se bem o conheço, ele deve tá surtando. Espanto o pensamento e fico ao lado da Clara e sorriu, para a Self.
— Tem algum problema se eu postar agora? __ Ela me pergunta, parecendo ansiosa.
— Claro que não. __ Sorrio, sincera. — Só vou mandar uma mensagem pro meu irmão, ele deve tá surtando.
— Certo.
Depois de alguns minutos esperando nós entramos.
Eu sabia que exista uma boate aqui na cidade, mas nunca tinha tido vontade de vir. O lugar é simplesmente magnífico. Tem um balcão no canto e atrás dele prateleiras enormes com dezenas de garrafas de whisky. Algumas mesas redondas estão distribuídas, próximas ao bar o que deixava a pista completamente liberada e estava cheia. Depois da pista um lugar mais alto foi reservado para o Dj, que está tocando Crazy in love da Beyoncé, fazendo as pessoas dançarem ao ritmo da música.
— Você nunca tinha vindo aqui? __ Clara grita, perto do meu ouvido.
— Não. __ Digo olhando em volta.
— Certo, então vamos pegar uma bebida e dançar até amanhecer.
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