Programados

1 [OneShot] Programados - Sem Você


O vitorioso sacrificou o derrotado para os céus...
Quatro sinos dobraram.
Quatro tochas foram acesas.
E o mundo seguiu por milhares de anos...
Seguiu?



Ali, na sala rodeada de computadores, ambos estavam parados.
Seus olhares, tão vivos quanto de um humano real... Seus circuitos internos disparavam...

O que seria isso?

Por que estar estar assim pelo seu próprio mestre...? pelo seu próprio criador?
Demi não entendia aqueles sentimentos mas percebia a face gélida de Wren corresponder aos seus sistemas totalmente alarmados por dentro.
Ele se aproxima e toma Demi em seus braços cybernéticos... — O que!? — Demi conseguiu sentir as mãos de seu querido mestre...

— Agora você deve retornar... Não é mesmo? — Diz Wren olhando fixamente para os olhos da pequena Androide.
— Eu quero que estejas comigo!... Não quero que fiques em Zelan para sempre... Podemos revezar, eu tentarei..! — Demi começa a se exaltar quando Wren coloca as mãos em sua linda boca metálica.
— Eu serei a fonte de vida dos Planetas do Sistema Algol... É o meu dever... E eu também criei você com esse propósito, em Nurvus. — Solta Demi. — Vá, encontre Chaz e Rika em Motávia... Encontre nossos amigos... Eu devo ficar aqui. Você deve reerguer Nurvus...

Ele não estava correspondendo meus... Meus... Não sei se posso chamar isso de "sentimentos", é algo humano... Mas ele não estava...?
Por que está tão frio agora... Como um... Verdadeiro Androide... - Demi pensa, sentindo-se arrazada... Prestes a chorar como um humano de verdade.

— Wren... — Antes que ela pudesse dizer algo, ele pega Demi novamente pelos braços e a coloca dentro de uma cápsula.
— O que está fazendo Mestre!? Wren?!? — Demi.
— Na grande explosão, depois do retorno de todos de Rykros... Você ficou por 40 dias dezorianos desacordada... O que você sente agora... É real. — Wren diz com uma voz trêmula e abaixa sua cabeça, soltando óleo de sua face robótica... — O sistema estará completo em 4 horas Dezorianas.
— Wren!?! Do que falas?? Será que...?!?!?!!!! — Demi antes de pensar firme nas palavras de Wren, ele lança a capsula para o planeta Palma novamente...
Aos segundos em que a capsula era desprendida da nave/planeta/sistema Zelan... Demi observa Wren chorar e dizer palavras sem voz... O vidro da capsula não deixara ouvir.

O que ele disse???...

...



Ao chegar em Palma... Demi pega uma pequena chave de fenda de suas pochetes, que usava nas aventuras para consertar as Naves e sistemas de Nurvus.
Procurou a mais pontiaguda de sua bolsa...
Ao encontrar um pequeno bisturi na procura... Ela pega e olha fixamente para a lâmina e olha para sua pele. Sua pele então que era similar de um Palmano.
Ao pressionar o bisturi contra seu dedão da mão esquerda, sente como um pequeno choque de sistema...
Não... Não era um choque de sistema. Algo saiu. Vermelho... Tanto quanto as rosas que um dia plantou ao lado de Wren.
Se tinha cheiro? Era parecido com ferro... Se tinha gosto... Gosto? O que é isto perante um Androide que nunca tivera provado nada...?
Demi sente que vai derramar óleo de sua face... Óleo...?
Água saem de seus olhos e logo a pequena Demi não entende o que há com seu corpo...

...



Wren?

...



Ao olhar pro céu escuro, sente uma pressão em seu peito e vê um grande brilho, vindo da direção de Zelan...

Será ele...? Por que tem que ser assim..?

— Sinto por você nunca poder ouvir essas palavras de minha boca, mas você um dia me perdoará...? — Sorrindo, Wren caminha até o sistema central de Zelan.
Ativando seus cabos internos, conecta ao computador mestre, dominador de climas, e então... Completa o último passo.
Wren é assimilado por Zelan para ter total acesso aos sistemas e manter os mundos em seu clima original.
Ao seu corpo cybernético, já se desfazendo, seus lábios se mexem e uma frase ecua no salão...

Eu... Te...

E então o computador alarma:
SISTEMA ATUALIZADO.

Com isso, uma nova vida nasce e outra é tomada...
Outra vida? Um outro ser. Mesmo que não esteja de fato vivo, ele havia sentimentos...

O vitorioso sacrificou a si mesmo pelo próximo.
Quatro sinos dobraram novamente.
Quatro tochas foram apagadas.
E um novo mundo surge... Porém... Sem você.
E nunca mais...

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