“Pessoas morrem todos os dias... Nessa cidade de cinzas... Já não tem tantos brinquedos interessantes... Parece que terei que ir a outro lugar em breve... Mas sei que ainda posso ver algo que pode dar-me um gostinho nos lábios...”Mortais... Por que vocês tem a maldita mania de não acreditar em nós? Somos nós que causamos suas perturbações, que observamos vocês de longe ou de perto, somos nós que que tocamos seus rostos de forma tão fria em meio a madrugada quando acordam se perguntando o por quê de acordarem tão cedo... E eu sou aquele... Que valida seu ticked para o trem que leva ao inferno... E se eu achar-te digno... Não valido seu ticket... O que você vai achar maravilhoso, pois irá reencarnar... E com isso, eu marco-te como minha marionete!Ah... Uma carta ao lado de um cadáver... Que bela jovem... Ao seu lado uma carta e atrás de si, dois imbecis que achavam que iriam resolver algo... O bilhete de um perturbado escrito em tinta preta... Por que se fosse com sangue seria tão clichê que diriam “Esse desgraçado tem um pacto com um demônio”... Quando na verdade, ele está sendo controlado por um demônio! O corpo mutilado... Foi quando eu entrei... Estava quase todo de branco, um jaleco grande pois os humanos sentiam frio com aquela estação, um terno escuro e uma gravata preta com mínimos detalhes dourados por baixo da camisa social branca... Estava munido de uma máquina de fotografia da atualidade, com uma imensa tecnologia apesar de não ter tanto tamanho assim, trajava uma calça e sapatos escuros... Caminhei devagar até o corpo... E bati algumas fotografias, até então... Aqueles dois “policiais” fumavam e pensavam em sua análises... Não podia negar que... O cheiro pútrido não só do cadáver, mas como da nicotina era de fato inconveniente... Então voltei minha atenção ao resto do local batendo outras fotos e podia ouvi-los conversar sobre os detalhes... Os corteis hábeis feitos em seu estomago... Eles diziam ser coisa de profissional... Quando na verdade eram só cortes feitos em pontos, intensidade e com a lâmina bem afiada... Eu pude ver seus olhos ainda abertos, assim como na noite anterior... Tomados pelo terror e o desespero de perder a vida... Bem... Foi divertido de assistir tal...O sol nascia... E sua luz infelizmente dava um tom ameno ao cenário... Um casebre no meio do alto matagal... Destelhada... Com as paredes já em ruínas... Perfeito para um crime não? O dois imbecis... Um o mais velho era Thiago... Já na casa da meia idade... Lobo solitário, sem contar que... Huhuhu... Parece ser daqueles que... Não se abalar, com nada... O outro, era um rapaz... Rafael... Jovem, sagaz... Parecia ser um bon vivant... Mas ambos eram apenas dois imbecis que estudavam um cadáver mutilado... Fazendo-os lembrar naquela manhã... Como o ser humano é uma mente fácil de se manipular... Ou seja... Como pode ser uma criatura monstruosa... Ouvia o jovem dizer que não entendia ou compreendia como aquilo podia acontecer com uma jovem... Perguntavam-se do estupro... Antes ou depois da mutilação... Enquanto o outro o indagava sobre a idade... Era a mesma jovem que estava desaparecida... Com sua morte... Deixou para trás a faculdade que amava, um companheiro ainda mais tolo que aqueles dois, uma mãe mal agradecida e descontente e falsas amizades... Puff! Acabei dando paz a uma alma que eu poderia assistir sofrendo... Desocupados disseram aos policiais que a jovem dormia mal, ia estudar com aparência de ressaca... Além de sempre ser vista com os riquinhos metidos a fora da lei... Que entorpeciam-se de drogas e álcool... Cometer um crime... É simplesmente usar um filho de Deus batizado em seu templo para fazerem horrores como aqueles que os dois paspalhos viam... Isso sim, é um crime! Eu perseguia-a pelas noites enquanto também perturbava seu assassino... Ambos ouviam meus risos... Minhas garras a passarem pelas paredes... Sussurros variados entre ameaças e destruir seus sonhos com a mais brutal e infernal realidade que poderia ser possível... Além de claro, deixar bem claro que a observava... E ninguém estranhava... Já que a jovem tinha a fama de ser uma drogada e alcoólica...Noite... Por volta das 23 horas ou mais... Alto da noite... Quando a luz se torna o sol em plena escuridão... Eis que vamos ao nosso primeiro contato direto... Vamos usar nossa marionete para fazer uma ligação... A ele... Sim, Thiago... Vamos a nossa brincadeira... Eu observava-o... E ouvia o telefone tocar e sorria... Perfeitamente escuro e apenas com o brilho do aparelho televisor ligado em qualquer canal... Ele se ergueu e caminhava cruzando a sala com o copo de uisque em mão... O perturbado daria meu recado... Quer dizer... Minhas palavras iam a mente deste que iria proferi-las sem nenhum pudor e com a voz preenchida de maldade... Quando Thiago atendia e saudava com o tradicional “Alô”, ele podeia ouvir perfeitamente o que era um choro e uns leves gritos abafados de desespero enquanto a mensagem era repassada... “Pessoas estão morrendo na cidade, eu sou o responsável... Hehe! Purifico-as e lavo suas almas com seu próprio sangue... Sangue tem gosto de vida, a vida é irmã da morte, elas caminham de mãos dadas... Meu sorriso brilha através da escuridão envolvente da noite, o acaso esconde meu rosto... Eu sou a luz... Eu sou o terror mortal!”... Ele então assustava-se, arregalava os olhos e eu levei a mão ao queixo quando o ouvi... Irritado e furioso... “Caralho que porra é essa?!”... Como é desbocado... a jovem ainda chorava e gritava ao fundo desesperada pela sua vida... E o perturbado apenas terminava o recado com uma afronta... “Eu estou te esperando... Hehe!”... Então a ligação foi encerrada... Atordoado e já grogue pelo cansaço e a bebida... O imbecil e bêbado policial caía com o corpo na poltrona... Pensativo, ele logo desabava em sono... Ah mortais... Como são tão fracos... Minutos depois... O telefone mais uma vez tocava... Thiago então acordou, surpreso... Ergueu-se e com coragem atendia o aparelho já em um tom agressivo e nervoso... “Escute aqui seu merda, eu...!!”... Que pena... Não era quem ele esperava... Não... Era só o outro jovem... Rafael... Que dera-lhe a noticia... “Thiago, você precisa vir aqui, a colega de quarto da jovem que encontramos hoje, ela foi assassinada da mesma forma!”... Ele reconhecia a voz de seu companheiro de trabalho, porém, ainda confuso ele tentou se desculpar... Enquanto eu continuava a assistir de braços cruzados... “Oi Rafa, me desculpe, eu acabei de acordar. E...”... Thiago sentiu seu coração gelar e bater com certa dor... Até por que... Ele tinha sido avisado, e não atendeu o chamado e agora... Haha... Sim... Exatamente... Seu imbecil... Eu via-o perplexo e sabia que as coordenadas do paradeiro do corpo da jovem estava e ainda ouvi que a perícia estava para chegar, então... Era a minha deixa... Antes que eu pudesse sumir... Ouvia ele responder com peso na voz... “Eu já estou indo Rafa.”... Ah... Eu sei que pedi para ser algo horrível... Não sujo... Assim que adentrei a residência... O chão estava inundado com o sangue da garota... Ajeitei meus óculos... A casa escura, iluminada pelas luzes da viatura... O corpo mais uma vez mutilado... Dessa vez... Os órgãos foram espalhados pela casa... Quanta sujeira... Parece que outros demônios disputaram os órgãos da jovem... Os olhos perfurados... A língua pendurada na parede com um prego... Os cantos da boca formavam um sorriso macabro... Sorri de forma disfarçada, enquanto estava agaichado tirando fotos mais próximas e detalhadas... Ao erguer meu olhar na parede... Havia uma mensagem... Ele misturou tinta vermelha, água e sangue como havia ordenado... Com a seguinte mensagem... “SORRIA VAGABUNDA!!! VOCÊ IRÁ DORMIR COM AQUELE DE SETE BOCAS NAS PROFUNDEZAS DO INFERNO NESTA NOITE!!”... O celular da garota? Estava sobre o sofá... Ensaguentado... Com luvas, um outro perito abriu o mesmo e via um número... Sim... Era o de Thiago... Confirmando que a ultima ligação foi para este... Assim como a carta ao lado do aparelho celular... Parecia que um dos imbecis estava estudando... Encontrou registros de mais assassinados passados... Com o mesmo Modus Operandi... Porém... Deve ter sido outro camarada que divertiu-se... Rafael relatava a Thiago que descobriu nos registros que havia um serial killer pelo país que se intitulava como o “Profeta”... Então... Estamos com uma alma que é uma marionete do inferno... E os policiais... Estavam mais que desesperados para encontrar o assassino... Enquanto eu apenas ouvia a conversa e tirava o jaleco branco já fora da residência que estava com as pontas tomadas pelo sangue...Alguns dias depois... Eu ainda cuidava daquela marionete... Iria brincar... Uma última vez... Não fazia frio naquela noite... Mas em uma específica residência sim... Observava nas sombras, Thiago despertar com frio no meio da madrugada... Ele olhou para os lados... Procurando por algo... Via-o exausto relaxar com a cabeça no travesseiro... Quando ouvíamos uma risadinha maliciosa no quarto... Abri um largo sorriso... Queria ver a reação dele e a marionete em ação contra ele... Sentia e via nitidamente seu arrepio de medo com aquilo... Aquilo sim chegava a arrepiar-me de prazer... De impulso erguia o tronco... Ele podia ver claramente a sombra que estava a frente de sua cama... A marionete estava de jaqueta preta com o capuz que encobria sua cabeça... A luz de iluminação na rua... Iluminava parcialmente... Em vão... no lugar de seu rosto... Sim... Uma máscara branca com expressão neutra... Olhos e bocas era tomados de tinta preta se esticar em um sorriso macabro... Riscos em tinta preta saindo de seus olhos como se chorasse... E um símbolo antigo em sua testa... Thiago não conseguiu reagir... Perfeito! Porém... Era a minha vez de dar o recado... Aproximei-me e parei alguns centímetros da cama... Estiquei levemente um de meus braços e toquei seu rosto com a ponta do indicador e disse... Da forma mais perversa e fria que sempre fiz... “E eu sou o demônio...”... Ele não sabia traçar um perfil pela voz... Mas sabia que mesmo que soasse suave... Tinha um deboche claro... E afastei-me... Para assistir o espetáculo que logo começou... Com um machete enferrujado... A marionete atacava o policial que não reagiu... Que triste... Apenas... Aceitou que iria morrer... Ele não gritou... Nada... Apenas assistia evitando que o sangue espirrasse em meu ser... Eram golpes duros e intensos... Ele demorou a morrer... Que ao ocorrer... Foi um alívio... O perturbado logo espalhava os órgãos de Thiago pelo quarto... Eu apenas caminhei em volta... Isso fez com que respingasse sangue em meus sapatos com meus próprios passos... Ah... Estava uma bela obra... E agora... A marionete preparava mais uma carta e a deixava ao lado do corpo do policial na cama... Ele saia... E eu fiquei... Admirando tudo em volta... Queria ver mais sofrimento... Mas não fora dessa vez... Logo eu me retirei e caminhava pela rua escura... Sumindo em meio as sombras....“Os seres humanos são tolos e arrogantes... Que se tornam brinquedos fáceis...”
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