Professores Sempre Gostam Mais de Alunos Dedo-duro

1 Só Assista Novela Após Terminar o Dever de Casa


Eu caminhava pelas ruas do distrito Kabuki para espairecer e afastar, pelo menos por aquele momento, todos os diversos problemas do trabalho que assolavam minha mente me causando a bela de uma enxaqueca. Pouco a pouco todas minhas preocupações iam desaparecendo junto da fumaça do meu cigarro, que tragava durante a caminhada, de fato o efeito do tabaco era relaxante, embora eu soubesse que aquele vício só trazia mal para meu organismo, era algo que já não podia mais me livrar, era tarde demais.

Enquanto me encontrava perdido naquele momento de tranquilidade e paz, tive certeza que este cessaria naquele mesmo instante ao avistar meu maior problema trajado em um uniforme. Aquele pirralho estava de costas, não havia me notado ainda, e mesmo de longe, aquela cabeleira castanha era inconfundível.

Estava no horário da patrulha de Sougo, o que será que ele estaria fazendo naquele momento parado em frente a uma barraca de uma velha senhora, a curiosidade surgiu em minha mente. Interrogando talvez. Eu pensei, mas logo retruquei em meu próprio pensamento que isso era impossível, Sougo mal trabalhava direito e não levava seu serviço a sério, com certeza só estava de papo furado ou atormentando a senhora. Me aproximei, sem deixar que o garoto me notasse, e quando estava perto o suficiente para ver o que Sougo fazia, a velha entregou uma sacola abarrotada de doces nos braços do sadista:

“Tsc, ele desperdiça o próprio salário nessas porcarias” – Pensei em desaprovação, quando então escutei sair da boca do bastardo:

— Coloque na conta de Hijikata Toushirou.

Não pensei duas vezes e acertei meu punho em cheio na cabeça do garoto:

— Oe, use seu próprio salário, pirralho maldito!

O pequeno bastardo a minha frente levou sua mão livre da sacola até a própria cabeça e esfregou o local que eu atingi, mas sem deixar escapar qualquer gemido de dor:

— Hijikata-san... Meu salário não é tão grande quanto o do vice-comandante. – Ele disse, em seguida, abraçando a sacola de doces enquanto voltava àqueles olhos vermelhos frios e indiferentes para mim, como o habitual.

— E por causa disso você quer me levar à falência? – Retirei a minha carteira do bolso e paguei a velha senhora da barraca de doces. – Dessa vez deixarei passar, Sougo. Você está me devendo uma.

Dei as costas para a senhora e a Okita, dando alguns passos adiante. Parei a frente, bufei e olhei para trás:

— Vamos, Sougo. Está quase na hora da novela. Você vai assistir hoje, não vai?

— Vou, eu não perco nenhum capítulo. – Sougo apertou o passo e me alcançou.

— É bom que não perca mesmo, agora a novela está chegando ao clímax, a máscara do desgraçado do Koizumi finalmente caiu. – Enfiei as mãos nos meus bolsos e voltei a caminhar, agora acompanhado do pirralho.

— É uma pena, eu estava torcendo por ele.

— Qual é a do seu favoritismo por vilão? Ah, os sádicos idiotas se identificam com sádicos idiotas. – Eu disse em um tom carregado de ironia.

— Idiotas comedores de merda se identificam com mocinhos idiotas.

— Ei, você quer levar mais um soco? – Tirei uma das minhas mãos do meu bolso e cerrei meu punho mostrando-o a ele.

Dessa vez, Sougo não retrucou, ele estava com o olhar fixo no caminho que seguíamos. Voltei meu olhar para frente, porém, em seguida, olhei-o novamente de relance e na sua cabeça havia um galo imenso do soco que lhe dei mais cedo. Inconscientemente esbocei um sorriso, até que ele estava fofinho com aquele galo.

— O que está olhando? – a voz de Okita me tirou do transe em que me encontrava e até mesmo me assustou me fazendo saltar:

— N-Nada...

— Hijikata-san, você estava fazendo uma cara assustadora agora mesmo enquanto olhava para mim, não faça isso novamente, é perturbador. – Ele continuou andando um pouco adiante e eu permaneci parado logo atrás:

— Maldito... – Esbravejei e logo após cobri meu rosto com a mão.

Eu não acredito que estava pensando em algo tão idiota, fofo é a última coisa que Sougo é. Voltei a caminhar não demorando a alcançar o pivete, que também não demorou a voltar a falar:

— Sobre a novela, parece que finalmente a Pinko-san se declarará ao Seiji-san. A falta de atitude dela estava me dando nos nervos.

— Ela perdeu tempo demais com pensamentos desnecessários e inseguranças, finalmente se deu conta que não pode mais adiar seus sentimentos. – Mais uma vez, eu parei de caminhar e meus olhos se arregalaram, fixando meu olhar, agora, ao chão de terra. De alguma forma aquilo que eu mesmo havia dito estava me irritando muito, isso parecia tão estranho, parecia até que eu havia falado de mim mesmo.

Bobagem, isso é irrelevante. Eu pensei. Olhei para frente e Sougo estava parado de frente pra um beco a frente, olhando logo adentro. Corri e parei ao lado dele olhando também para o beco para saber do que se tratava.

— O que foi, Sougo? Algo erra... – o bastardo me chutou, antes que eu pudesse terminar minha frase, para dentro do beco, mas apesar disso, eu não cai, apenas me desequilibrei e continuei de pé. – O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO, SOUGO?

— Hijikata-san... – ele adentrou o beco, deixando a sacola de doces no chão, em seu rosto uma expressão fria e até um tanto assustadora. No momento até pensei que ele fosse tentar me matar ou algo do tipo, já que estava sempre tentando fazer coisas assim.

Para a minha surpresa, ele não o tentou. Muito pelo contrário, agarrou a gola do meu uniforme e me empurrou contra a parede do beco, não me dando sequer tempo de resistência, pois minha mente naquele momento estava muito confusa e sem condição nenhuma de reagir, a única coisa que eu soube é que Sougo encostou seus lábios contra os meus e me beijou repentinamente.

— Hijikata-san... – ele disse após se afastar, eu continuava sem reação, o olhando perplexo. – Por que está fugindo disso ultimamente? – Aqueles olhos vermelhos fitaram os meus, me fazendo suar frio.

— F-Fugindo? Eu não estou fugindo. Eu só...

— Você quer me dizer algo, não quer? Acho que terei que arrancar de você já que vai se fazer de difícil.

Sougo, mais uma vez, avançou nos meus lábios, agora colocando sua coxa entre minhas pernas. Eu empurrei o seu rosto para trás, interrompendo o beijo e disse aflito:

— Pare com isso, Sougo! Agora não, alguém pode nos ver aqui...

— Ninguém vai nos ver aqui, Hijikata-san, e não tente me parar agora, já faz muito tempo que não fazemos isso.

— Maldito... – resmunguei, não podendo mais responder porque, novamente, Okita me beijou e dessa vez não houve resistência da minha parte.

Meus olhos se fecharam e eu me deixei levar por aquele idiota, aliás, nem acreditava que eu, Hijikata Toushirou, estava naquela situação, totalmente entregue a um pirralho e a culpa disso era totalmente minha, por atender os caprichos de Sougo, e quando mal me dei conta estava nesse tipo de relação com ele já havia um tempo.

Pelo menos ninguém, além de nós dois, sabia disso e isso me acalmava um pouco, não quero nem imaginar no que os outros pensariam ao saber dessa relação:

— E-ei... Que tipo de relação vocês tem?

Meu coração disparou ao ouvir aquela voz, cessei o beijo naquele mesmo instante e olhei para o lado de onde vinha aquela voz, Sougo fez o mesmo, e para nossa infelicidade nos deparamos com a pior pessoa que poderia aparecer naquele momento, este que estava com uma expressão mais perplexa do que a nossa e em cada mão carregava um fardo de várias revistas JUMP.

— E-e-eu já sabia que o Shinsengumi são um bando de caras com tendências gays, mas não imaginava que fosse verdade e... – O idiota de cabelo enrolado largou os fardos de JUMP e saiu correndo para o lado oposto:

— E-EI! – Eu gritei, estendendo a mão, inutilmente, na direção do idiota que corria e afastando Sougo de mim.

— Deixe comigo, Hijikata-san! – Eu ouvi Sougo dizer e uma bazuca surgiu de repente nas mãos dele.

— O que diabos está pensando em.... – Mais uma vez, antes de terminar minha frase e tentar impedi-lo, Sougo atirou, acertando o samurai que corria e que gritou histericamente.

Notas finais
Continua, quem sabe.