Regulus

Faz poucos dias que me consagrei como cavaleiro de ouro, treinei por apenas três anos enquanto todos passam por um treinamento durante seis a sete anos, já acostumei a viver no santuário mas as vezes sinto falta da liberdade que tinha quando estava sozinho na floresta, lá me sentia muito sozinho mas era livre para fazer o que desejasse e quando sentisse vontade, aqui tenho que seguir várias regras e acho muitas chatas.
Sinto muita falta de andar descalço, ter contato direto com a terra, poder dormir perto dos bichos, nunca tive medo de ficar perto de um leão ou de outros animais selvagens, ao contrário do que as pessoas aqui falam não acho nenhum animal perigoso, jamais fui atacado por eles, até mesmo as cobras eram as minhas companheiras na floresta, ficava muito tempo admirando o canto dos pássaros e como os animais grandes faziam para se alimentarem e se protegerem de seus predadores.
Levanto da cama sem ânimo para encarar mais um dia junto de pessoas que me olham de modo estranho porque todos aqui conhecem a minha história, já ouvi conversas alheias sem querer onde falam que sou esquisito por ter vivido tanto tempo no meio de animais selvagens, dizem que não tenho direito de ocupar o posto mais alto entre os cavaleiros por ser apenas uma criança.
Ignoro todos esses comentários, a verdade é que se pudesse ficaria longe desse lugar, não sinto que aqui é o meu lar embora não tenha outro lugar para viver, não posso negar que gosto de saborear a culinária do santuário, aqui possui alimentos que eram desconhecidos para mim, nos primeiros dias senti que o meu organismo acostumado a consumir apenas frutas e peixes teve uma imensa dificuldade com a mudança drástica da minha alimentação, senti um pouco de mal estar por causa disso mas com o passar dos dias percebi que me sentia mais forte.
Após me arrumar para o treinamento diário, tomo um café da manhã e vou em direção a área de treinos, observo alguns aprendizes a cavaleiros que chegaram aqui antes de mim e ainda não receberam suas armaduras, sinto que alguns não gostam de mim porque apesar de ser muito novo uso a armadura de leão, não entendo porque esse tipo de sentimento já que nunca fiz nada contra ninguém, vou até um lugar vazio e começo a treinar sozinho.
Hoje acordei sentindo um grande vazio dentro do meu peito, é exatamente o dia que o meu querido pai morreu praticamente na minha frente sem que pudesse fazer nada para evitar isso, sei que na época era apenas uma criança de cinco anos, não podia fazer nada além de me esconder para sobreviver, até hoje sinto uma imensa falta dele, sinto que através da natureza e do vento posso sentir a sua presença do meu lado, mas isso não é o suficiente para tirar essas tristeza do meu coração e sem querer derramo algumas lágrimas.
Sento no chão e observo o vazio a minha volta, ele resume o que é a minha vida após a morte do meu pai, mesmo agora estando perto de muitas pessoas e recebendo carinho do meu tio, nada muda o fato que não tenho mais ninguém e a única coisa que me resta é treinar o máximo possível para que fique muito forte pois o meu único desejo é vingar a morte da minha única família.