Notas iniciais
Hey pessoal! Como vão? Primeira fanfic que escrevo sobre Fairy Tail, espero que gostem e não esqueçam de dizer o que acharam nos reviews. Ah, só lembrando, os personagens vão aparecendo aos poucos. Então você que espera por algum personagem, acalme-se, ele irá aparecer. Sou bem troll (entrei para o clube da J.K e do tio Rick rsrs...), vocês irão se surpreender. De resto, divirtam-se amores ;)

Havia um barulho ensurdecedor naquele lugar, não importava para onde olhasse. O barulho vinha dos mais diversos cantos, o que era estranho de se pensar comparado ao lugar de onde veio. Além disso, os moradores estavam sempre em festa: uma festa que nunca tinha hora para acabar. O barulho restante vinha de outros lugares como manufatureiras, minas de ouro, banheiros públicos, carroças de camponeses vindas do campo e mulheres que lavavam roupas nas calçadas conversando animadamente. Ora, por mais estranho que parecesse, eles era felizes demais.

Lucy Heartfilia não conhecia essa felicidade, pois seu reino era o total oposto daquilo. Magos, ou melhor, bruxas como ela não tinham direito a nada, uma vez que poderiam ser mortos ao menor dos suspiros. Além disso, havia vários cartazes de “procurada” com o seu nome em sua antiga cidade; magos eram considerados bruxos por lá. O próprio rei mandou decepar-lhes a cabeça. Tudo isto porque uma das bruxas feriu seu coração e ao descobrir que havia outros magos, chamou o conselho e lhes enviou uma ordem como regra para todo o reino.

No entanto, ela não era a única a fugir, outros também correram para as cidades mais próximas, porém graças a um naufrágio em que ela teve que se esconder em um navio de piratas, chegou a um reino desconhecido com sua amiga, Levy.

— Lucy, venha! — chamou Levy arrastando a loira pelo braço ao longo da rua.

A loira obedeceu, mas acabou tropeçando na própria capa fazendo um barulho alto.

— Shh! — ralhou a azulada tentando disfarçar a trapalhada da amiga. — Não faça barulho!

— Desculpe Levy-chan! Estamos parecendo suspeitas? — perguntou a loira olhando para os lados ao passo que diversas pessoas se viravam para olhá-las.

— Bem, somos duas figuras encapuzadas, provavelmente devemos estar parecendo suspeitas. — falou a outra.

— Oba! Adoro atenção! — ironizou Lucy com uma cara preocupada.

Carroças, crianças e cavalos lhe atrapalhavam o caminho. A rua de ladrilhos estava realmente cheia fazendo com que se tornasse difícil transitar por ali. As pessoas, assim como elas haviam visto, sorriam o tempo todo, o que era estranho para as magas; havia também bêbados jogados nas calçadas e crianças correndo ao redor de animais e carroças. Elas esperavam passar por aquilo despercebidas e estavam quase conseguindo quando notaram alguns olhares desconfiados.

Que maravilha! pensou Lucy. Estamos em um reino de dragões e mesmo assim chamamos à atenção. Talvez não seja tão difícil para pessoas com uma visão sobrenatural nos descobrir facilmente!

Levy também ponderava sobre isso, mas preferiu manter a cabeça vazia e se concentrar no que estava fazendo. Andaram o mais rápido que puderam e dobraram a esquina, chegando a uma praça. Lá, havia uma grande fogueira no centro, casas enfileiradas à direita e a esquerda e uma roda de pessoas que dançavam ao redor da fogueira. As magas se entreolharam, aquilo não era bom.

Levy e Lucy estavam andando há duas horas pelas ruas daquele lugar atrás de uma pousada ou um quarto para ficarem, mas toda essa agitação as impediam de completar sua missão. Quanto mais perambulavam, mais perto ficavam de serem descobertas. Na praça, viram pessoas conversando nas calçadas de suas casas enquanto assavam churrascos, casais dançando ao som de harpas e tambores e homens rindo e bebendo escandalosamente ao passo que observavam as mulheres. Suspirando exaustas, as duas garotas se entreolharam outra vez. Mas o que havia com as pessoas daquela cidade?

Lucy foi a primeira a falar.

— Não aguento mais Levy, será que não há uma pousada para nós aqui?

— Acalme-se Lucy! — respondeu a azulada. — Esse lugar só é diferente do que estamos habituadas. Vamos fingir que estamos dançando com eles e passar pela multidão para que possamos chegar ao outro lado. — disse, apontando para uma rua estreita no final da praça.

Casas se enfileiravam por lá também e Lucy apressou o passo após a fala da amiga. Começou a bater palmas e a sapatear com os pés enquanto mexia o vestido ao redor do corpo. Ora, naquela época, as danças eram mais discretas, apesar de alguns corpos estarem tão colados que Lucy ficou com vergonha de olhar. Casais giravam e cantavam ao redor delas e as duas garotas sorrindo foram andando sorrateiramente até o fim da multidão. Pouco tempo depois, as bochechas de Levy estavam cansadas de sorrir e ela notou quando um jovem de aspecto maltratado e longo cabelo negro a observou passar perto da calçada. Seus olhos eram nublados e diferente de todos, ele não sorria.

Lucy também viu umas figuras estranhas, os homens que comiam e bebiam possuíam grandes dentes afiados e a loira podia vê-los claramente enquanto riam. Arrepiando-se, ajeitou a capa próxima ao corpo, chegando ao final da multidão. Procurou Levy; desesperou-se quando não a viu.

Maravilha! pensou.

Sua amiga baixinha havia sumido e a única coisa que ela possuía era um molho de chaves celestiais que não podia usar. Olhando para um lado e para o outro começou a chamá-la, mas os sons da multidão eram mais altos que sua voz. Tentou empurrar então, mas acabou caindo no chão deixando sua capa descoberta por um segundo. Com um sobressalto, levantou-se rápido e ajeitou a capa, infelizmente não adiantou, pois outra pessoa havia caído em cima dela a derrubando.

— Levy! — exclamou a loira segurando a amiga pelos ombros. — Onde você estava?

— Estava atrás de você Lucy! — respondeu a azulada ofegante ajudando a amiga.

— Você não estava vindo por aqui? — perguntou Lucy sendo puxada para cima.

— Sim, mas me perdi.

— Se perdeu? — estranhou Lucy.

— Sim — disse novamente, o que fez Lucy parar com as perguntas. Estava claro que ela não queria conversar sobre isso.

Lucy não disse mais nada e dando de ombros, arrastou Levy para longe da multidão. Ao chegarem à rua de ladrilhos, se apoiaram na parede, cansadas, estavam exaustas do longo dia. Por sorte a rua parecia silenciosa, diferente das outras, o que era de se esperar considerando que já era noite. No entanto, o restante do reino não parecia pensar assim.

— Escuta, o que acha daquela casa? — perguntou a loira apontando para uma casa em ruínas no final da rua.

— Não acha que é perigoso? E se tiver alguém morando lá? — respondeu relutante a azulada.

— Bem, quem iria morar em uma casa em ruínas?

— Alguém como nós?

— Até onde sei é um reino de dragões.

— Mas nós não estamos aqui? Quem garante que não tem outros lá?

— Talvez porque... — Lucy deu uma risadinha. — A casa não tenha telhado?

Levy arregalou os olhos. Olhou novamente para a casa e depois para Lucy, e depois para a casa de novo. Ok, aquilo era estranho. Fez então o que uma pessoa faria na situação delas, riu, riu tanto que sua barriga chegou a doer. Lucy entrou na brincadeira e logo as duas estavam rindo de se acabar no chão. Ainda rindo, foram se arrastando até o final da rua. Chegando no portão, Lucy o tocou levemente fazendo este vir ao chão. Com o barulho, a loira tomou um susto tão grande que levou a mão ao coração enquanto arregalava os olhos para a amiga. Levy tentava conter o riso, mas ignorou a loira e entrou na casa.

O local estava incrivelmente abafado e apesar do que Lucy disse, havia resto de telhas na frente da casa, mas o restante dela era coberto apenas por caibros e pedaços de madeiras pendurados. Pelo que parecia, metade da casa havia sido destruída, ficando apenas seu esqueleto. Lucy pensou duas vezes antes de entrar, mas infelizmente Levy já estava lá dentro.

A azulada observava o lugar, vendo uma mesa a um canto, armários com potes, uma escada para o segundo e terceiro andar, colchões jogados em um lado da casa e cadeiras por toda parte. Havia também um sofá próximo ao que devia ter sido uma janela e as garotas logo trataram de jogar suas bolsas lá. Depois Levy arrastou um dos colchões para perto do sofá e se deitou, enrolando-se com a capa.

— Boa noite Lu-chan. — disse baixinho para a loira. — Vamos criar energia para amanhã.

— Sim! — concordou. — Boa noite baixinha. — disse Lucy se deitando no sofá, fechando os olhos em seguida.

Sua mochila era seu travesseiro naquela noite e sua capa, assim como a da amiga, se tornou seu lençol. Não que ela se importasse, estava com tanto sono que podia dormir até na rua. Com um sorriso, sentiu o sono chegando.

~~xx~~

No dia seguinte, Lucy acordou com algo próximo a seu rosto. Pensou que estivesse sonhando, mas como adorava doces, levantou os braços que nem uma sonâmbula para agarrar o enorme morango que vinha na sua direção em seu sonho. Levy dizia que ela precisava parar com aquilo porque senão ia adquirir uma doença nova chamada... como era mesmo o nome? Dibetes? Dietes? Ela não lembrava muito bem. Só lembrava de ter agarrado algo macio e ao abrir os olhos de relance, constatou feliz que era algo rosa. Ora, só podia ser seu morango! Sorrindo de olhos fechados, mordeu o que devia ser a fruta rosada e ouviu um “Ai”. Arregalou os olhos.

— Ei! Por que está mordendo minha cabeça? — perguntou um garoto de joelhos com o corpo sobre o dela.

Ele estava com o rosto sobre seu busto, uma vez que ela havia agarrado sua cabeça e a estava mordendo, além disso, ele não vestia blusa, só um cachecol e seus pés estavam descalços. A única coisa que possuía era uma calça longa até as canelas. Sobre sua cabeça, um gato voador os olhava com as patas sobre a boca. Lucy escutou quando ele disse:

— Mas o que é isso Natsu?!

Não teve resposta. A loira logo tratou de empurrar o garoto que caiu sobre Levy a assustando. A azulada gritou, depois conjurou uma magia de aço que caiu sobre a cabeça do rosado. O garoto gritou outro “Ai” e foi para longe das magas. Lucy colocou a mão no coração.

— O que é você?! — gritou esbaforida para o rosado a sua frente.

— Eu quem devia fazer essa pergunta. — respondeu de volta mostrando os dentes para a loira.

Com um arrepio, a garota lembrou das pessoas que havia visto na festa e horrorizada apontou novamente para o rosado.

— Um dragão! Ele é um dragão Levy!

Levy boquiabriu-se. Olhando da amiga para o garoto, procurou entender o que estava acontecendo, mas quanto mais pensava, mais em branco sua mente ficava. Resolveu então dar um basta naquela confusão. Tentou falar com o rosado.

— Er... Oi. Escuta, não é por nada, mas não temos nada para lhe dar caso tenha vindo aqui para nos roubar, além de que você provavelmente quase matou minha amiga do coração. Então se puder sair, nós agradecer...

— Sair? — respondeu outra voz, interrompendo-a. — Mas assim não seria tão interessante baixinha.

Levy virou-se para trás com tamanha rapidez que deu um jeito no pescoço, logo descobrindo o dono da voz. Era o mesmo garoto que havia visto na noite anterior, sendo que agora ele estava atrás dela com uma expressão nada amigável. Congelada como um iceberg, Levy viu quando esse arreganhou os dentes em um sorriso e quase caiu para trás quando ele se aproximou.

— Q-quem é você? — perguntou Lucy no lugar dela, já que a azulada não podia se mover.

— Não lhe interessa esquisita!

— O quê?! — perguntou a loira indignada com o apelido.

— Olha, só queremos que vá embora. — respondeu Levy enfim recuperando os movimentos. — Não queremos confusão.

— Primeiro, confusão é meu segundo nome baixinha — disse o garoto se dirigindo a azulada. — e segundo, essa casa é nossa.

— O quê? — Lucy perguntou novamente. — Não, não, não, deve ter havido algum engano cantor de meia tigela. Achamos essa casa primeiro, vocês apareceram depois. Você é quem deveria ir embora.

O garoto a ignorou. Seus dentes cada vez mais a amostra e Levy mal podia esperar para se mandar dali. Engoliu a respiração quando o dragão de metal voltou a falar.

— Vamos fazer o seguinte então, vocês podem ficar, mas com uma condição. — disse apontando o dedo para as duas.

A azulada engoliu em seco. Só o que conseguia pensar era em correr dali.

— Nos digam quem são e o que fazem aqui — sentenciou.

As magas se entreolharam e podiam jurar que estavam pensando a mesma coisa. Era melhor ser expulsa do que fazer aquilo. Se descobrissem quem elas eram e da recompensa que estavam dando por suas cabeças iriam entregá-las sem a menor cerimônia.

— Pensando melhor — respondeu Lucy com seu melhor sorriso. —, acho que já está na hora de irmos, certo Levy? Podem ficar com a casa!

— Er... Claro. Vamos! — disse a azulada tratando de correr até a porta.

Os dragões franziram as sobrancelhas. Não fazia sentido a atitude das duas.

Não eram elas que estavam brigando há poucos minutos pela casa? pensou o dragão de metal observando as duas correrem em direção a porta.

O rosado por outro lado não gostou da atitude da loira e farejando algo estranho no ar foi até as duas garotas que já estavam quase saindo pela porta e as jogou sobre os ombros como saco de batatas. As magas gritaram, espernearam e procuraram chutar seu amiguinho, mas o garoto era mais rápido. Jogou a azulada no sofá em frente ao dragão de metal e levou a loira consigo para um dos andares. Lucy gritou, porém Levy estava indefesa demais para fazer algo. Com o barulho abafado de uma porta, a azulada viu quando os dois desapareceram restando apenas o silêncio.