Procura-se um amor que tenha Olhos Cinzentos.
11 Explicações e salvamentos.
Notas iniciais
– Eu não fiz nada! – confirmei – Só queria que o Leo respondesse minhas perguntas, mas ele se estressou e começou a... Pegar fogo.
Aquilo que eu acabara da falar parecia tão estranho. Desde quando garotos indefesos de treze anos pegam fogo?
– Isso é verdade, Leo? – perguntou Luke.
Leo não respondeu, o que deixou o clima mais estranho.
– Querido, porque não vai para o seu quarto. – disse Thalia – Daqui a pouco, eu vou lá.
Leo correu e subiu os degraus da escada. Thalia e Luke me encararam.
– Olhem, eu não fiz nada, ok?
– Acreditamos em você. – disse Luke, surpreendendo-me.
– Como? – pronunciei, não acreditando.
– Sente-se. – falou Thalia.
– Não quero. – falei.
Ela estreitou o olhar. Senti uma força estranha e invisível me puxar para baixo, fazendo-me cair de bunda no sofá. O que estava acontecendo? Será que eu estava ficando maluco? Acho que sim.
– Que porra... – resmunguei.
– Percy – começou Luke – Você acredita em coisas sobrenaturais?
Ergui uma sobrancelha.
– O que quer dizer com isso? – perguntei.
– Ah, caralho! Não tente esticar a conversa. – Thalia bufou – Luke está falando de... Gnomos, sereias, animais híbridos... Bruxas.
Bruxas.
Aquele simples substantivo no plural me prendeu. Nem preciso comentar a palavra que invadiu a minha mente (Melanie).
– Bom... Acredito. – admiti.
Luke suspirou.
–Jackson, você está acreditando na verdade.
– Sabe todos esses troços que eu falei, essas criaturas estranhas? – começou Thalia – Bom, elas existem...
– Leo é uma criatura demoníaca? – interrompi.
– Claro que não! – exclamou Luke – Ele é um ser diferente, mas não é demoníaco ou maligno.
Acho que aquela conversa vai entrar para a lista de conversas mais estranhas da minha eternidade.
– E o que ele é? – perguntei.
– Um hefesteriano. – disse Thalia – São seres que conseguem “pegar fogo” – ela fez aspas com as mãos – sem se queimarem.
– Então... – comecei, mas não estava conseguindo terminar – Não pode ser...
– Sim, Percy. – disse Luke – Leo foi o culpado pelo incêndio na casa dele.
– Por quê?
– Ele não quer dizer.
Esfreguei minha mão no rosto. Então, de novo, eu estava convivendo com seres “sobrenaturais” e não percebia.
– O que mais vocês tem a me dizer? – falei – Que tem um monstro no refeitório da faculdade? Que essa casa é assombrada pelo espírito de algum ex-presidente? Por que nunca me contaram isso?
– Por que nunca nos contou a seu respeito? – rebateu Thalia.
Ergui uma sobrancelha.
– Contar o que?
– Nós sabemos que você não é um ser humano normal. – disse Luke – Sabemos que você já deveria estar morto há muito tempo.
– O que... Como sabem disso...
–Nico. – disse Thalia – Nico também tem poderes.
– Qual o poder dele? Super-revolta?
Ok, essa não era a melhor hora para fazer uma piadinha.
– Ele gosta de brincar com a morte. – disse Luke – Ele sabe o tempo exato que cada ser humano vive e ele disse para nós que você já deveria estar morto.
Engoli em seco.
– Eu sou amaldiçoado. – falei – Uma bruxa me amaldiçoou com a imortalidade como castigo.
– Por quê? – perguntou Thalia.
– Porque eu amava a filha dela. – falei desviando o olhar – A bruxa pensou que eu expus toda a família dela e o segredo, mas foi um mal entendido. Melanie morreu e eu vi tudo. É terrivelmente doloroso ter que aturar todos os infelizes dias da minha imortalidade daquela cena.
Flashback on
– Use magia para escapar! – gritei para Melanie, porém já era tarde.
Algum infeliz tinha enfiado uma espada nas costas dela. Aquele belo rosto, que eu tanto amava, virou-se para mim uma última vez. Seus olhos cinzentos choviam lágrimas de dor e tristeza. Sangue escorria por aqueles lábios carnudos que eu tenho beijei. Ela se ajoelhou e caiu de vez no chão. Sally encostou uma tocha perto dela, fazendo ser corpo incendiar.
– MELANIE! – gritei com todas as forças que restavam no meu corpo.
Flashback off
– Melanie? Sua ex-namorada que parece a Annabeth? – perguntou Luke.
– Exatamente. – levantei-me do sofá e gostei da “força estranha e invisível” não ter ficado contra mim de novo – Podemos termina essa conversa em outra hora? Eu não estou bem.
Sem eles responderem, eu saí.
[...]
Já havia passado mais de vinte e quatro horas desde aquela conversa estranha com os Castellan. Confesso que eu estava morrendo de curiosidade para saber mais sobre os poderes do Nico e do Leo, principalmente do Nico.
Passei o dia inteiro no meu quarto. Não comi e nem bebi nada. Nem se quer dormi.
– Deseja mais uma xícara de café? – perguntou a garçonete.
Parei de encarar as minhas mãos e olhei para a garçonete. Perecia ter no máximo vinte e cinco anos. O cabelo castanho parecia chocolate e estava preso em um coque alto e formal, deixando a franja dela solta para o lado. A pele leitosa possuía um bronzeado natural. O rosto dela era fino, assim como os lábios e o nariz.
– Sim. – falei.
Eu não costumava tomar café à noite, mas eu decidi fazer uma coisa diferente, só para quebrar um pouco a rotina. Ela encheu a xícara que estava sobre a mesa de granito branca e redonda e saiu.
Fiquei observando o rebolado dela. Não era vulgar e nem desajeitado. Era normal. Pensei em chamá-la para sair, quem sabe uma transa fazia com que os meus problemas parecessem minimizados... Ou não!
Continuei observando o bumbum da garçonete sob a saia branca apertada. Ela foi até outra mesa. Nessa mesa... Puta que pariu!
Annabeth estava lá. Ela estava focada em uma espécie de diário que ela escrevia, enquanto tomava chá. Os lábios formavam um bico, como se ela estivesse questionando a si mesma. O que será que ela escrevia? A garçonete entregou a conta dela, Annabeth pagou e se levantou. Pegou o diário, as canetas e um livro e enfiou tudo dentro de uma mochila lateral.
Abaixei-me, querendo que ela não me visse. Ela saiu do estabelecimento. Joguei dinheiro em cima da mesa, mais dinheiro do que o realmente necessário, e saí também.
Por sorte, eu estava de casaco, porque estava fazendo um frio da porra. Avistei a “ex-senhora Di Ângelo” e entrei no meu carro. Annabeth andava a passos rápidos, com os braços cruzados e olhava para o chão. Nico tinha razão: Ela não gosta de ser observada. Um mendigo esticou uma mão para ela e ela parou, encarou o e lhe entregou uma nota de um dólar. O sem-teto agradeceu.
– Bondosa. – falei para mim mesmo.
Annabeth continuou caminhando e virou a esquina. Liguei o carro e, lentamente, fui atrás dela. Alguns postes de energia estavam danificados, deixando a rua levemente escura. Teve um cara que assoviou para Annabeth e a chamou de “gata”. Ela fez de conta que não o viu e acelerou o passo. O “assoviador” deu um último gole na bebida dele e começou a percorrer o mesmo caminho que a Annabeth. Agora, eu estava seguindo os dois.
O cara que estava seguindo a Annabeth era careca, branquelo e parecia ser encrenqueiro. Ele conseguiu ficar na frente dela, fazendo a parar de caminhar.
– Ei, calminha loirinha. – disse ele, amigavelmente. Ela nada disse e desviou dele. O cara segurou o braço dela com força e fez com que ela olhasse para ele – Não vai me deixar no vácuo, não é?
– Com licença. – disse ela tentando sair, mas sem êxito.
– Espera, vamos conversar. Como é seu nome? Quantos anos você tem? Gosta de sexo ao ar livre?
Ele falou mais uma coisa que foi horrível. Tão horrível que nem consigo comentar e ninguém merecia ouvir aquilo, nem a pior das pessoas. Annabeth exigiu que ele a soltasse, mas o mesmo riu da cara dela.
Com raiva, ela cuspiu na cara dele. Ele apertou o braço dela, estapeou a e a jogou no chão, empurrando para dentro de um beco. Saí do carro e bati a porta com força. Entrei no beco. Vi Annabeth no chão, tentando se espremer contra a parede para se manter longe daquele imbecil.
– Deixe a em paz! – falei em um tom alto.
O careca me encarou e bufou.
– E se eu não quiser? Vai fazer o que, playboy?
– Vou ter que acabar com a sua raça.
Ele andou até mim, quase correndo. Tentou socar meu rosto, mas eu fui bem mais rápido que ele e desviei. Dei uma joelhada na barriga dele e uma cotovelada na coluna. Ele se desequilibrou e caiu no chão. Abaixei-me e soquei o olho dele, fazendo minha mão doer. Puxei o pela gola da camisa e o joguei no chão.
Saí de perto dele e fui até Annabeth. A mão dela acariciava a bochecha que foi estapeada.
– Percy, cuidado...
Ela tentou me avisar, mas não foi rápido o suficiente. O vagabundo me puxou para trás e eu bati as costas no muro. Ele me socou. Senti o gosto de sangue dentro da minha boca e isso me motivou a dar ainda mais na cara daquele filho da puta. Chutei a barriga dele e parti para o ataque. Depois de alguns chutes, socos e joelhadas, o idiota implorou para que eu parasse.
– Vá embora e nunca mais mexa com ela, entendeu?
Soltei o e ele se foi. Ajoelhei-me e fiquei ao lado da gótica.
– Percy, você está sangrando. – disse ela analisando a minha boca.
– Como você está? – perguntei.
– Não muito bem.
Os olhos dela estavam marejados e aquilo acabou com a maquiagem dela. Tratei de enxugar as lágrimas dela, melando meus dedos com sombra preta. Levantei a e fomos para o carro.
[...]
– Isso arde! – falei.
Annabeth revirou o olhar e veio para perto de mim com um algodão cheio de remédio, para passar no meu ferimento que ficava no canto da minha boca.
– Anda, você precisa disso.
Ela começou a passa o ferimento no meu corte, que já estava quase cicatrizado, já que eu não sou de ficar ferido por muito tempo, por causa da minha maldição. Isso quer dizer, Percy, que se você levar um tiro na testa, não é necessário fazer nada? Tudo sara sozinho e sem ajuda médica? Exatamente!
– Foi um corte leve. – comentou – Quase não cortou.
Estávamos em uma farmácia. Annabeth já tinha agradecido bem umas trinta vezes pelo o que eu fiz. Ela conseguiu dar um jeito na maquiagem e já estava bem melhor, eu acho.
Voltamos para o meu carro e eu dei uma carona para ela. Pouco falávamos um com o outro. Ela preferia ficar encarando a janela. Deixei a em frente a casa da tia dela. Era uma casa de três andares, azul bebê com detalhes esverdeados. A grama precisava ser aparada e tinha alguns brinquedos disperso sobre ela. Descemos do carro e nos encaramos.
– De novo, muito obrigada...
– Annabeth, já falei que não precisa agradecer.
Ela sorriu de lado, sem mostrar os dentes. Ela quase nunca sorria. Ambos estávamos com as mãos dentro dos bolsos frontais dos nossos casacos.
– Então, tchau. – disse ela.
– Tchau. – falei.
Encarei os lábios dela. Eram pequenos e rosados, mas muito atrativos. Rapidamente, dei um selinho nela. Droga! Ela vai acabar me expulsando e me xingando? Vai chamar a família dela para dar uma surra em mim?
– Desculpa...
Antes que eu pudesse terminar a frase, ela me calou com outro selinho, surpreendendo-me. Voltei a aproximar nossos rostos e encaixei nossas bocas. Ah, os lábios dela são perfeitos! Ela abraçou o meu pescoço, enquanto uma das minhas mãos ia para cintura dela e a outra, para a nuca da loira. O cabelo dela era tão macio e fino. Quando nossas línguas se encontraram, senti meu corpo estremecer. Faz tempo que eu não recebo um beijo tão bom quanto esse!
Tivemos que nos separar por falta de ar.
– Annabeth.
– Sim. – os lábios dela estavam mais avermelhados e brilhantes.
– Esse sim deveria ter sido o nosso primeiro beijo. – afirmei.
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