Procura-se um amor em Londres
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Notas iniciais
Piloto
28 de janeiro de 2005. Londres, Inglaterra. Hoje...
Só se podia ouvir o som do vento. Que parecia conversar com as folhas das árvores, enquanto as balançava desesperadamente... Naquela imensa e vazia estação de metrô, a situação não era diferente. Já passava das 3 horas da manhã, e lá estava Emilly, sentada no chão enquanto aguardava o dia clarear, pois ela havia perdido o último metrô para Liverpool. Ao seu lado uma enorme mala, que naquele caso, poderíamos dizer que simbolizava mudança de vida. Alguém que acabara de completar seus 18 anos de idade, que sonhava com aquela liberdade, a de finalmente poder conhecer o mundo como ele é. Era sua única chance de recomeçar, de se dar o seu melhor e provar para todos, que ela sobreviveria sozinha e, com suas próprias escolhas. Aquele momento era de expectativa, não poderia decepcionar a si própria.
Quando de repente um barulho estrondoso de sirenes estremeceu o local. A garota se levanta rapidamente e bem assustada, deixando sua mala no chão, ela resolve seguir o barulho e ver o que estava acontecendo naquele local, que em um segundo, mudara de deserto e silencioso para tumultuoso e barulhento. Escondendo-se atrás de pilastras, ela consegue enxergar através das brechas e ouvir tudo o que eles estavam dizendo em voz alta e clara.
— Polícia, Polícia!!!
— Mãos para cima, agora!!!
Ela observa tudo atentamente, tentando não ser vista por ninguém que estivesse ali. Além dos policiais que haviam chegado há uns 5 minutos atrás, havia também 8 rapazes, em linha reta como se fosse uma fila, um do lado do outro. Ela olha um por um, tentando não deixar escapar nenhum detalhe. Rapazes totalmente diferentes um do outro, desde o modo de se vestir ao jeito de se comportar. Cada um com personalidades específicas. Mas em especial, um lhe chamou a atenção, o oitavo da fila. Era um rapaz que tinha cabelos negros e sombrios como a noite, seus olhos azul piscina, naquela linda pele rosa, fazia qualquer pessoa se perder em um transe de segundos. Aparentemente aquele rapaz misterioso, que estava preste a ser preso pela polícia, havia despertado bem mais que a atenção da menina. Tanto que ela sentiu que deveria vê-lo mais de perto, e enquanto olhava ia se descuidando cada vez mais no seu plano de não ser vista. Ela acabou saindo de trás das pilastras, na tentativa de se aproximar, acabou pisando em um caneta que foi deixada caída no chão, na hora de toda confusão e “creck” foi o barulho feito pela caneta ao ser pisada pela garota. Emilly para e fica imóvel e o lindo rapaz se vira para trás ao ouvir aquele pequeno barulhinho da caneta.
— Oi amor!
Ela olha para ele e, percebe que ele não estava algemado como todos os outros. “Talvez tenha sido um descuido da polícia” pensou ela. Sem pensar duas vezes ela começa a correr, corre o mais rápido que pode. Até ver uma porta velha, talvez a entrada de um depósito, ao colocar a mão na maçaneta ela gira e abre a porta, e começa a procurar um interruptor que ligasse a luz ou uma lanterna. Lá estava totalmente escuro, a única luz que entrava era a da porta aberta.
— Procurando isto!? _diz ele com uma lanterna na mão.
A garota fica paralisada e nem se vira para ver quem estava atrás dela, enquanto isso a única luz, acabara quando a porta foi fechada e ela ouviu o barulho dela sendo trancada. Ele liga a lanterna, para que ele pudesse vê-la.
— Aqui não tem luz, como pode ver é um lugar velho e acabado, ninguém vem aqui há anos. Exceto “eu” que tenho até a chave da porta. Esse se tornou o meu melhor esconderijo de todos, e você... Bem, você o achou. O que eu deveria fazer com você? Você me viu sendo preso. Ou pelo menos quase sendo preso. Descobriu o meu melhor esconderijo e ainda estava me seguindo. O que você estava fazendo lá? Pensei que a estação estivesse vazia! _ Pergunta ele enquanto gira as chaves em seus dedos e a encara com a lanterna direcionada para ela.
— E está! _ diz ela se virando para o rapaz e ela continua. – A estação está vazia. Eu estou aqui porque perdi o ultimo metrô, como não tinha nada para fazer, resolvi ficar e esperar o próximo. Mas eu ouvi um barulho das sirenes dos carros de polícia e resolvi ver o que estava acontecendo. Só ia dar uma olhadinha rápida e sair, não queria ser vista. Mas quando tentei me aproximar... Bem, você já sabe o que aconteceu. Por que não estava algemado como todos os outros?
— Digamos que eu tenho os meus truques, e enganar a polícia é o meu forte. Estou fugindo há 10 anos e não ia ser hoje que seria pego.
— Bem... E então!? O que você vai fazer comigo? Não vai me matar, só pra mim não contar tudo o que vi, vai?
— Não, eu não vou te matar!
— Ok, tá. _ela respira fundo. – Ufa, isso é bom. É que eu pensei..._ Ela sorri aliviada. – E então!? O que vai fazer?
— Nada!
— Nada?
— Ninguém iria acreditar em você mesmo, vão pensar que você está ficando louca, ou inventando, só para chamar atenção. Olhe para você... Uma garota mimadinha, toda indefesa. Ninguém iria acreditar que você ia ter me visto, conversado e vivido para contar essa história. Então, seria perda de tempo mesmo fazer alguma coisa... _Ele se vira, destranca a porta e abre, em seguida vai até ela, para a mais ou menos um passo de distância. – Vai!! _ Eles se olham olhos nos olhos, durante alguns segundos. A expressão do rosto da garota não parecia muito satisfeita com a resposta. Ela sai rapidamente sem se despedir.
5 minutos depois...
Ela volta correndo, entra e fecha a porta.
— Espera, o que você está fazendo aqui!? _ Pergunta ele com um tom de voz surpreso.
— A polícia! Ela está vindo para cá. Escutei quando eles disseram._ afirmou ela assustada.
— Você não estava espionando de novo, estava?
— Mais ou menos isso. Mas isso não importa agora, o que importa é que você tem que sair daqui, e agora.
— Abra! Polícia! _ Dizem os policias do lado de fora.
— Tarde demais. Não dá tempo! Essa porta é a única saída. _ele se senta no chão.
— Você está falando sério? Vai desistir agora? Nem parece que foi você, que me disse agorinha a pouco TODO CONFIANTE. “Estou fugindo a 10 anos, e não vai ser hoje que vou ser pego.” _ A menina pronuncia suas palavras pausadamente, mais como uma crítica, do que como um incentivo. Mas, se bem que serviu como os dois. Ela sorri.
— Ok, ok, pode rir. E então, tem alguma ideia espertinha? Porque eu não estou vendo nenhuma saída por aqui. _ Diz ele sério olhando para ela após dar uma boa examinada no local.
A garota fica seria para disfarçar a sua vontade de rir. – Então. Talvez nenhuma visível. _diz ela com uma expressão meio pensativa. — Meu tio é arquiteto, e depois de presenciar muitos projetos dele sendo construídos quando eu era criança, aprendi algumas coisas. _ Ela começa a verificar as paredes batendo as mãos sobre elas.
— Mas, como isso pode ajudar a gente a sair daqui? Você está ficando doida, é?!
— Ainda não! _ Ela para e sorri. – Isso!
— Isso o que? Achou alguma coisa? _ Ele se aproxima.
— Sim, achei! Nossa saída.
Ele olha bem e diz:
— O quê? Isso é uma parede! O que você pretende? Atravessar a parede? _ Ele diz isso rindo da cara dela.
— Não, não é uma parede. _ Ela fala, e logo depois chuta e ela desaba. – Bem, não está parte, na verdade é uma divisória!
— Uau! Como você sabia que ela ia desabar? _ Ele olha para ela surpreso.
– Não sabia! _ ela olha para a divisória ao chão. — Mas desabou, acho que meu tio me ensinou bem... _ Em seguida retorna seu olhar para o rapaz misterioso. — Agora vamos!
Eles passaram e foram para fora da estação. O dia já havia clareado, devia ser mais ou menos por volta das 6h 28min da manhã. Lá tinha uma moto vermelha que ele logo subiu e montou.
— Ela não é sua, não é? _ pergunta ela em pé do lado da moto, enquanto abraçava seu próprio corpo tentado amenizar o frio daquela manhã congelante.
— Bom, agora é! _ Ele sorri.
— Vai! Agora vai, se não, não vai dar tempo!
— É, obrigado...
— Emilly! Meu nome é Emilly. _ Informa ela sorrindo enquanto o vento balançava seus cabelos, longos, lisos e loiros, e aqueles olhos azuis naquela pele branca, e bochechas rosadas que o deixavam desconcertado.
Ele ainda não tinha a visto direito como agora. Já havia a visto antes, mas no escuro ou correndo, nada como agora.
— Emilly, foi um prazer conhecê-la. É... Eu estava pensando, se um dia desses, você não gostaria de tomar um café comigo.
— Talvez um dia. _ Ela sorriu. Em seguida, veio a polícia correndo. E a garota continuou. – Vai! Eu distraio eles...
Ele sai o mais rápido que pode com a moto. Emilly vai andando em direção aos policiais, se aproxima deles e diz:
— Eu acho que não estou muito bem! _ Ao dizer essas palavras, ela cai. Um deles a segura para ela não cair no chão.
— Socorro! Precisamos de uma ambulância aqui e rápido!
— Ela já está a caminho senhor.
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