Problemas
25 Enlouquecendo garotos em uma festa
Notas iniciais
Pov Cebola
Os dias estava se passando rapidamente. Agora que eu quase não tenho um tempo livre, tem sido difícil perceber com atenção o que acontece ao meu redor.
Por isso decidi que vou pedir para a minha chefe para mudar o meu horário de trabalho, não quero que o tempo passe rápido de mais e quando eu menos esperar Maria Cebolinha já esteja mais velha e querendo namorar. Agora que eu cuido dela, preciso olhar para o presente.
Também preciso estudar mais, a Mônica não pode ficar me dando aulas particulares para sempre (por mais que esta possibilidade seja ótima). Minhas notas andam decaindo, não muito, mas o suficiente para que os professores comecem a reparar.
Eu estava indo trabalhar e iria diretamente falar com a gerente o que eu queria. Ela é uma mulher legal, mas se ela não aceitasse a minha proposta eu iria ter que começar a procurar um outro emprego.
Eu trabalhava em uma loja de sapatos, era um lugar bem sossegado durante a semana, mas durante o fim de semana era realmente cansativo trabalhar. A todo momento as pessoas entravam, experimentavam vários pares de sapatos e acabavam não levando nenhum, principalmente as mulheres.
— Ângela — Eu digo assim que a encontro.
— Sim, Erick.
— Por favor, Ângela, não me chama de Erick.
— Você sabe que eu não posso chamá-lo por um apelido. Além disso esse é o nome que está no seu crachá. Agora fale logo o que quer.
— Bem... Eu posso mudar o meu horário de trabalho?
— Por quê?
Expliquei minha situação com meu pai e minha irmã, também sobre minha escola.
— Eu realmente preciso trabalhar, mas...
— Estudar também é importante. Eu sei. — Ela disse. — Que tal você trabalhar em horários mais fixos? Você trabalha quase todos os dias da semana. Você é o funcionário que trabalha mais horas por semana.
— Sério? Mas eu não trabalho em alguns fins de semana.
— Mas provavelmente é muito cansativo fazer isso. Você é um adolescente ainda. Você trabalha durante quatro horas por dia, certo? — Afirmo com a cabeça. — E se você trabalhar só segunda, terça e quanta, durante duas horas a mais?
— Por mim tudo bem. Mas meu salário vai diminuir por causa disso?
— Não, você vai continuar trabalhando um pouco menos, mas não vai prejudicar a loja. É só uma pena você não continuar trabalhando durante os fins de semana. Você tem atraído muita clientela.
— O quê? Como?
— As garotas muitas vezes só compram os sapatos porque você é o atendente. As meninas gostam de um garoto bonito. Não tinha percebido isso ainda? — Ela pergunta rindo.
— Não, mas percebi que elas pediam uns duzentos sapatos, mas não levavam nenhum.
— Não sabia que você era lento para essas coisas. — Ela fala rindo. — Agora volte ao trabalho, temos uma cliente. Seu novo horário vai se iniciar a partir da semana que vem. –- Ela diz e vai embora.
Eu vou até a garota que estava olhando os sapatos. E percebo que infelizmente a conheço. Vejo que todos os meus colegas também estão atendendo outras pessoas. Então sou obrigado a ajudar ela.
— Precisa de ajuda? — Pergunto.
— Cebola? — Irene pergunta surpresa. — Desde quando você trabalha aqui? E desde quando você precisa trabalhar, gatinho? — Ela pergunta enrolando uma mecha de seu cabelo em seu dedo indicador.
Eu aponto para o meu crachá e digo: — Me chame pelo nome que está escrito aqui.
— Pensei que odiasse ser chamado de Erick.
— E odeio, mas é preciso. Agora me diga... Qual deles você quer?
É o tempo vai se passando enquanto eu atendo aos pedidos de Irene. Ela pediu aproximadamente vinte sapatos e decidiu levar dez.
E a todo momento ela me mandava indiretas e arrumava seu cabelo. Eu realmente não consigo entender as mulheres, se ela quer me dizer alguma coisa porque não falar logo?
Antes de ir embora ela se vira para mim e fala: — Cebola, ou Erick, eu vou dar uma festa hoje à noite na minha casa e todo mundo foi convidado, você vai poder ir lá?
— Eu não sei. Talvez?
— Vá. Eu gostaria muito de ficar com você. — Ela diz sorrindo e se vai de uma vez. E pela primeira vez eu percebo que a Irene é realmente bonita, mesmo que seja bem irritante.
[...]
Quando chego em casa percebo que Maria Cebolinha ainda não chegou. Provavelmente deve estar na casa da Mônica.
Olho no relógio e percebo que cheguei alguns minutos mais cedo, tinha algum tempo antes que a Mônica aparecesse. Então fui tomar um banho.
Eu me sinto mal às vezes que chego do trabalho, eu sempre quero tomar banho e ficar bonito, cheiroso e arrumado perto dela, mas também não é justo fazê-la esperar.
Assim que saio do banheiro, já vestido com a minha melhor roupa, ouço a campainha.
"É a minha garota. Quer dizer... a garota que eu estava esperando."
Eu abro a porta e seu perfume chega até a mim. Ela estava mais arrumada do que o normal, usava um shorts preto de cintura alta, estava com um salto da mesma cor, uma blusa azul e com um grande colar. Também, para completar, um chapéu.
Ela sorri: — Você também vai. Eu vim até aqui para combinarmos outro dia para estudar.
— O quê? Ir para aonde? — Eu pergunto confuso.
— Para a festa. — Então eu me lembro, Irene iria dar uma festa e convidou a todos. — Se você não vai, porque está tão arrumado?
— Eu vou. — Tentei disfarçar meu constrangimento. — Eu quis dizer outra coisa. Não posso sair, Mariazinha não está em casa. Eu pensei que ela estivesse na sua casa.
— E realmente está. Socorro está cuidando dela.
— Bem... Então vamos juntos? — Eu pergunto.
— Vamos. — Ela responde sorrindo novamente.
"Esse sorriso dela é realmente incrível, ela deveria sorrir mais vezes".
Vamos caminhando juntos até lá e eu percebo que estou realmente nervoso perto dela. Parece que eu fico parecendo um bobo perto dela o tempo todo.
Sinto minhas bochechas ficarem mais quentes quando lembro o que aconteceu a alguns dias. Eu estava acariciando a bochecha da Mônica e pretendia beijá-la, e então a Magali chegou e não aconteceu nada.
— O que é que eu tô fazendo?! — Eu pergunto para mim mesmo.
— Falando sozinho, Cebola? — Me sinto envergonhado novamente.
— Desculpa. Eu só tava... Pensando.
— Tudo bem, eu faço isso o tempo todo.
Andamos durante um tempo, até que começamos a ouvir uma música eletrônica muito, muito alta. Mônica parece se empolgar pois começa a caminhar com mais velocidade.
Sinto meu corpo vibrar com o som, já está escuro, e não sei como a polícia ainda não veio averiguar o que está acontecendo, mas provavelmente ninguém deve ter feito qualquer queixa. Todos devem estar lá.
Vejo a casa a qual está acontecendo a festa e Magali aparecer bem na frente. Mônica se vira para mim assim que a vê e diz: — Nos esbarramos por aí. — E sai correndo na direção da amiga.
Entro na casa e vejo todos os meus colegas no quintal. Fazia bastante tempo que eu não ia em uma festa. Mesmo que eu fosse o "mais popular da escola", eu nunca dava festas e nunca ia a nenhuma já que eu não tinha amigos.
Franja chega perto de mim e grita, por causa da música alta: — A quanto tempo, Cebola! Galera, ele voltou para a turma. — Um grito de comemoração é dado. Muito dos meus amigos vem me abraçar e me dar cascudos.
— Deixou de ser bundão e veio se misturar com a gentalha? — Perguntou Denise. — Se voltar a dar uma de bad boy de novo eu arranco seus testículos. — Ela sussurra em meu ouvido.
— Toma um ponche. — Titi me ofereceu um copo. — Está batizado.
— Não, obrigado. Prefiro um refrigerante mesmo.
Eu fico por lá bebendo e conversando com os meus amigos por um longo tempo. Até que do outro lado do quintal vejo Cascão acenando para mim.
— Vou ali ver o que o Cascão quer. — Aviso para o pessoal e ando até ele.
— Você viu a Magali por aí? — Percebo que ele está mais arrumando do que o normal e está com o perfume que só usa em ocasiões especiais que ele me mostrou a algumas semanas atrás.
— O que você está querendo com ela? — Pergunto desconfiado.
— Eu preciso perguntar uma coisa. Você viu ou não? Fiquei sabendo que ela estaria aqui hoje, mas a procurei por toda a casa e ainda não a encontrei.
— Ela está sim. Quando cheguei ela estava aqui fora.
— Me ajuda a procurar? — Afirmo com a cabeça e faço um sinal para meus amigos mostrando que vou ali.
Sinto meu corpo vibrar ainda mais por causa do som. Sinto vontade de dançar e meu coração se acelera.
— Fez as pazes com a galera? — Cascão grita no meu ouvido.
— Sim. — Respondo da mesma forma. — O que você precisa falar com a Magali é mesmo importante? Não dá para deixar para depois?
— Dá, mas a gente só se vê na escola, mesmo que sejamos vizinhos. E eu quero um lugar onde ninguém fique nos interrompendo.
Continuamos andando e perto da piscina (tem uma piscina aqui!), vejo Mônica dançando como uma louca. Se ela não parar ela vai cair, e eu não sei se ela sabe nadar.
— Cascão, eu vou ver o que a Mônica está fazendo você pode continuar sem mim? — Ele assente com a cabeça.
Me separo do Cascão e ando na direção daquela garota, percebo que ela segura um copo, é provável que seja do ponche batizado.
"Droga! Será que ela está bêbada?"
Antes de eu chegar onde ela estava alguém puxa meu braço e me faz recuar alguns passos. Vejo Irene me fitando com seus incríveis olhos verdes, logo após sorri e me abraça.
— Você veio. — Ela diz depois de encerrar o abraço.
— É...
— Está gostando da festa? — Assenti. — Que ótimo. Sabe, eu pensei que você não viesse por causa dos seus antigos amigos.
— A gente tá de boa agora. Eu nem precisei pedir desculpas, foi só aparecer aqui. Então eu te agradeço.
Ela me olha confusa e pergunta: — Agradece por…?
— Se não fosse essa festa, eu não teria conversado com eles e talvez eu iria continuar achando que eles me odeiam, quando na verdade eu sou um babaca que se afastou.
— Você não é um babaca, Cê. Na verdade você é incrível!
— Sério?!
— Para falar a verdade eu sempre gostei de você. — Ela diz e começa a se aproximar.
Ela coloca a mão na minha nuca o que faz o meu rosto se aproximar um pouco mais do seu. Sinto o seu perfume sensual e seu hálito quente em meu rosto.
— Irene, você é uma garota linda, mas…
— Quer conhecer meu quarto? — Ela sussurra no meu ouvido.
Eu fico sem palavras, confesso que a proposta é tentadora, mas eu não quero, não posso.
"Por que não? Você não a odeia como odiava a Carmen, e a Irene é linda e ela está propondo isso!" — Parte da minha cabeça pensou. — "Mônica" — Eu pensei antes de ouvir um estrondo na água.
Me viro de forma abrupta e percebo que meu propósito era ver se ela estava bem, mas comecei a conversar com a Irene e esqueci. Mônica estava na piscina, e ria como uma louca.
Quando ela tentou sair, não conseguiu. Seus braços pareciam fracos e suas mãos estavam molhadas. Por isso, casa vez que ela tentava se levantar suas mãos escorregavam.
— Cadê a escada desta piscina? — Eu grito depois de sair correndo na direção dela. — Me dê as suas mãos. — Eu peço a Mônica.
Ela me dá suas mãos e eu a ajudo a sair da piscina.
— Eu estou toda molhada. — Mônica fala rindo.
— Você está bem? — Eu pergunto preocupado.
— Eu só quero dançar e esquecer da vida. — Ela fala com tristeza na voz, mesmo que estivesse sorrindo.
— Ela está bem, Cê. Deixa isso para lá e vem comigo. — Irene fala assim que se aproxima novamente.
— Desculpa, eu não posso. Vou levar ela de volta para casa.
— Não, fica! Por favor. — Ela pede segurando com delicadeza no meu braço.
— Mônica, sobe nas minhas costas. — Peço ignorando a Irene. Pego um dos braços da Mônica e enlaço em meus ombros, logo depois pego suas pernas e tiro-as do chão. — Droga! Você está me molhando.
— Ninguém quer ir para casa. — Mônica fala com uma voz esquisita.
— Então vamos, ninguém.
[...]
Pov Narradora
No outro lado da casa, Cascão procurava a Magali como louco. A música o deixava surdo e ele mal podia ouvir a própria voz. O andar de baixo na casa tremia, exatamente como Cascão por causa de seu nervosismo.
Ele já tinha a procurado por toda a casa, exceto no andar de cima. Por isso, era onde o garoto pretendia procurá-la.
Ele subiu as escadas e encontrou-se em um corredor escuro. Mas ele viu uma luz, vinha de um dos quartos e ele decidiu verificar. E lá era exatamente onde ela estava.
Aquele provavelmente era o quarto dos pais da Irene, e a garota que ele procurava estava em uma porta que ia para uma varanda. Cascão não sabia o que ela estava fazendo ali sozinha quando uma enorme festa estava acontecendo lá em baixo.
Ele começou a reparar na beleza dela, quando foi que o coração dele começou a acelerar tanto quando ele a via?
Ela se virou de supetão e percebeu que ele a fitava encostado no batente da porta.
— O que você está fazendo aqui? — Ela perguntou com a sobrancelha arqueada.
— Eu vi a luz acesa e vim ver quem estava aqui.
— Você viu a Mônica? Depois que ela bebeu aquele ponche ela começou a falar coisas estranhas e dançar como uma louca. E depois sumiu.
— O Cebola foi ficar com ela. E eu precisava falar com você.
— Precisa ser agora? A Mônica…
A interrompi: — Está em boas mãos. Agora você pode me escutar?
Escutamos um barulho de passos na escada. Eu queria conversar a sós com a Magali, em consequência disso, fui até onde ela estava, pequei seu pulso e a levei até um banheiro que ficava no fim do corredor.
— Eu sei que não é o lugar mais apropriado para conversar, mas… eu não quero que ninguém nos interrompa.
Magali lembrou-se do conselho que Mônica deu a ela alguns dias atrás: Fazer dele um cachorrinho, com coleira.
— Tudo bem, fala logo. — Ela disse com ar de superioridade.
— Sobre o beijo… o que ele significou para você? Você gostou?
— Minha memória está falhando, não me lembro muito bem disso.
— Magali, você está se fazendo de besta? Porque é…
— Não. — Ela a interrompe. — Estou sugerindo outra amostra grátis.
Ela o empurra na parede e o beija novamente. O garoto inicialmente ficou com os olhos abertos e com os braços pendendo ao seu lado, mas quando Magali pediu passagem com sua língua, Cascão os fechou e enlaçou seus braços na cintura da garota, a trazendo para ainda mais perto.
As mãos dela, que antes estavam no rosto do garoto, passaram para a nuca e lá puxaram um pouco dos cabelos cacheados dele.
Quando ambos perderam o fôlego, Mága decidiu provocar um pouco mais. Beijou o pescoço do garoto e mordeu o seu queixo, deu um leve beijo em sua orelha o que o fez se arrepiar e buscar novamente os lábios dela.
Quando um novo beijo se iniciou ele estava a ponto de perder sua sanidade. Cascão não conhecia esse lado selvagem da Magali, ela sabia onde tocá-lo e seu beijo era intenso e calmo ao mesmo tempo.
Ele ergueu as pernas da garota e a colocou em cima da pia do banheiro, ficando entre suas pernas.
Desta vez, quando o beijo acabou, ele beijou o pescoço dela e passou uma mão em sua nuca. Ela quis gemer, mas segurou.
Ela pegou o queixo dele com brutalidade, fazendo com que o rosto de Cascão se virasse para ela, para que eles pudessem se beijar novamente. Magali o beijou de uma forma mais rápida e desejosa. Para logo depois soltar o rosto do garoto, abrir os olhos e separar seus lábios.
Cascão ainda com os olhos fechados buscou a boca dela mais uma vez, mas o que ele não esperava era que Magali o empurrasse e saísse do banheiro.
— Magali, espera. — Ele pediu ofegante enquanto andava atrás dela.
— Não quero. — Ela disse com indiferença quando ele pegou em sua mão a fazendo parar de andar.
— Tudo o que aconteceu ali… Não significou nada para você?
— O que aconteceu ali? — Ela pergunta.
Ela lhe lança um sorriso malicioso e dá um selinho rápido. Depois disso, a garota sai andando rapidamente e volta para a festa que acontecia lá em baixo, deixando Cascão sozinho e confuso.
— Ela me deixa louco! — Ele disse para si mesmo.
[…]
Pov Cebola
— Mônica, chegamos. — Eu disse para a garota que ainda estava suspensa em minhas costas.
— Onde?
— Na sua casa. — A coloquei no chão o que a fez se desequilibrar um pouco. Para que ela não caísse, eu segurei em sua cintura.
— Acho que a porta está trancada. — Ela falou e tirou uma chave de seu bolso. — Abre, por favor.
Abri a porta e percebi que tudo estava escuro. Não estava muito tarde, era só 21hs e aparentemente a casa estava vazia.
— Onde estão os seus pais? — Eu interroguei curioso.
— Foram viajar se a sua "filhinha amada"
— E a empregada.
— A Socorro? Foi visitar a mãe dela, parece que ela está doente. Então eu vou ficar sozinha durante uns dias.
— Mas ela não estava aqui com a Maria Cebolinha?
— Sim, mas ela avisou que iria sair e a Mariazinha disse que iria ir embora quando a Socorro fosse também.
— Entendi. Vamos entrar.
Assim que entramos juntos, quase caímos. Ela não conseguia se aguentar em pé sozinha e isso estava me deixando nervoso.
— Droga, Mônica! Você nem tem idade para beber, porra. — Murmurei estressado.
Eu a ajudei a subir as escadas e a levei para o seu quarto. Pedi que ela tomasse um banho o que a fez negar com a cabeça. Ela estava agindo como uma criança é aquilo estava me estressando.
A empurrei para o banheiro, eu estava envergonhado, mas eu precisava cuidar dela. Liguei o chuveiro e a empurrei para embaixo dele. Avisei que iria esperar ela fora do quarto.
Desci para a cozinha e peguei uma bolacha recheada que estava no armário, eu iria dar para ela quando ela terminasse, e enquanto isso não acontecia eu fiquei esperando na sala.
Cerca de dez minutos depois ouço um barulho de passos no andar de cima. Após alguns minutos ela desce e fala: — Você ainda está aqui?
— Estou. Come isso, eu ouvi falar que é bom comer doces depois de beber, parece que faz o efeito do álcool passar mais rápido.
— Deixa de ser chato, careca. — Ela diz rindo.
— Eu não sou careca! — Falo mais alto que o normal. — Você está passando muito tempo com o Cascão.
— Mas é sério! — Ela disse rindo. — Esse corte de cabelo não combina com você.
— É sério? — Ela assentiu enquanto comia uma bolacha. — Acho que você só está falando porque bebeu. — Ela nega com a cabeça.
— Provavelmente não. Vamos nos sentar no sofá.
— Desde quando você bebe? — Eu pergunto assim que nos sentamos.
— Desde umas quatro horas atrás quando eu fui abandonada… de novo. — Sinto tristeza na sua voz.
— O seu quarto é bem legal. Eu nunca tinha visto um abajur de balas.
— Meus pais tentaram me subornar com ele. Acham que um quarto legal iria me deixar mais feliz.
— O que está acontecendo? — Ela começa a chorar. — Não precisa me contar só…
— Meus pais me tratam como lixo. Eles foram para a Europa e nem tiveram a dignidade de esperar pelas minhas férias.
— Durante quanto tempo?
— Um mês e meio.
— Vamos conversar. — Eu peço. — Eu sei o que é ter uma relação ruim com os pais. — Seco suas lágrimas com meus polegares.
Ela me olha com seu olhos brilhantes e sorri melancólica.
— Eu só quero alguém que se importe.
— Eu me importo. — Sussurro.
Ela se inclina para mais perto do meu rosto e acaricia meu queixo. Mônica põe uma de suas mão em minha nuca o que faz com que eu me aproxime ainda mais. Encosto minha testa na dela e sinto seu hálito quente em meu rosto.
— Não posso. — Eu falo. — Você está bêbada. — Me levanto com velocidade, eu queria sair de lá o mais rápido possível ou acabaria fazendo algo ruim. — Não quero me aproveitar de você. Tchau, Mônica. E não durma tarde. — Essa foi a última coisa que eu disse antes de praticamente sair correndo da casa dela.
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