Problem

1 Único


Notas iniciais
Bem, esse é mais um surto meu, espero que curtam.

Véspera do jogo”

Na mesa da Sonserina, Lucca Zabini bufou irritado pela terceira vez. Apoiou o cotovelo na mesa e descansou o rosto na mão.

— Qual o problema, Zabini? — Alvo Potter perguntou. Ele e Scorpius Malfoy encaravam sua careta descontente.

— O problema? O meu problema é Rose Weasley! – boquejou.

— O que a minha prima fez agora? – Lucca o olhou como se ele fosse demente.

— Ela me fez acordar às seis horas da manhã! – a indignação já estava presente em sua fala exasperada. Contudo, eles permaneceram o olhando como se ele fosse idiota.

— Fala sério, normalmente ela já é o terror, mas agora, com esse jogo contra a Grifinória... ela quer nos matar!

— É a final né, Lucca?! Primeiro ano da Rose como capitã, é normal que ela esteja empenhada. – Scorpius ponderou. Sempre costumava ser o cara mais sensato do grupo, além de ser parte do time como batedor junto com Lucca.

O menino Zabini arregalou os olhos e bufou.

— Ela nos fez dar dez voltas no campo e quando eu reclamei, ELA ME MANDOU PAGAR FLEXÃO!

Gesticulava, mexendo os braços de maneira exasperada. Não notou que Alvo estava com os olhos verdes arregalados e balançava a cabeça de um lado para o outro sinalizando algo que Lucca não percebeu.

— E suas flexões estão péssima para um batedor, Zabini – a voz vibrante de Rose Weasley chegou aos ouvidos do garoto que amuou no lugar.

— Que droga, hein – Criticou os amigos antes de virar em direção a ruiva. Olhando a garota de baixo, ele sentiu alguma coisa esquisita no estômago. Ela vestia o uniforme de Quadribol da Sonserina que moldava as curvas bem feitas da menina mulher. Alguma coisa se iluminou dentro do batedor, “Rose Weasley era linda”. Uma constatação tão óbvia, que ele quase sorriu. Bem, ”quase” pois a menina ainda o olhava com os olhos chispados e um sorrido ladino, que sempre o impressionava.

— Se você se empenhasse para treinar o tanto que se empenha em reclamar, seríamos campeões todos os anos! – Alvo e Scorpius soltaram risinhos.

— Se eu sobreviver aos treinos...- ele encarou a menina com um sorriso desenhando seu rosto anguloso. – temos um carrasco como capitã!

— Preguiçoso — ela revirou os olhos.

— Tirana.

— Filhote de hipogrifo.

— Megera.

Ela revirou os olhos e balançou a mão, indicando um deixa para lá. Empurrou Lucca para o lado e sentou-se com os amigos, largando a discussão infantil e iniciando outra sobre táticas de Quadribol que leu em um livro ganhado de seu padrinho Harry.

“O dia do jogo”

Hogwarts amanheceu polvorosa. Apostas rolando pelo salão, verde e vermelho cobrindo os estudantes dos pés a cabeça. A mesa da Corvinal, quase toda vestida com peças em verde, demonstrando seu apoio à casa de Salazar Sonserina e os lufanos encorpavam o coro dos torcedores da Grifinória.

Da mesa da Sonserina, Rose Weasley estava sentada no meio dos seus jogadores e tinha a face ansiosa.

— Nós estamos preparados. Vocês se esforçaram e com certeza essa vitória é nossa! – A menina incentivou os jogadores do time que responderam com gritos entusiasmados. A mesa da Grifinória, ouvindo os gritos, responderam entoando o grito da casa. Os sonserinos, querendo o direito a resposta, tentavam gritar mais alto.

— Já está na hora – Zabini escutou Rose cochichar para Alvo Potter, e seu rosto se contorceu em curiosidade. Antes que pudesse perguntar, uma gritaria foi ouvida da mesa da Grifinória e em pouco tempo, a mesa estava vazia. Lucca viu os grifinórios correndo de um lado para o outro. O motivo ele viu logo depois: Várias serpentes rastejando sobre a mesa vermelha e dourada. O pandemônio estava instaurado em Hogwarts. Os alunos que antes ocupavam a mesa, gritavam, alguns correndo e outros mais corajosos tentando feitiços para acabar com a praga que se fixava no Salão Principal.

Lucca Zabini olhou para o par de primos e não pode deixar de sentir-se admirado ao notar o sorriso ladino e o olhar travesso que encontrou na face de Rose Weasley. No momento, o fato da capitã do time da Sonserina ser uma ditadora sem igual e achar que comandava um exercício, se apagou da mente de Zabini. No lugar, aquela sensação de comichão na altura do umbigo, mesclado com uma crescente admiração.

Quando a algazarra terminou, em decorrência dos professores terem contido os alunos e desfeito o encantamento com as serpentes, do alto do salão, estandartes representando a casa das cobras desceram enfileirados e uma chuva de papel brilhante picado verde e prata caiu sobre os alunos. A voz de Lucca se juntou as colegas que gritavam orgulhosos o nome da casa de Salazar Sonserina.

— Vamos honrar nossa casa! – alguém bradou e os outros responderam com urros entusiasmados.

— Para uma tirana, você é uma ótima pregadora de peças — ele tocou o braço da Rose Weasley, chamando sua atenção.

— Eu não sei do que você está falando- ela cantarolou, mostrando um sorriso maroto. Ele não pode evitar sorrir de volta.

— Eu tô falando sério, Rose. Eu nunca vi o time tão motivado, nem mesmo quando Alfie era o capitão. — Alfie Daves foi o capitão antecessor de Rose e tinha a simpatia de todos da casa.

Ela pareceu ficar tímida. Em nada combinava com a Weasley que Lucca conhecia, então ele optou por descontrair.

— Nada mal, pequena ditadora! — A face dela voltou a ter aquele brilho de diversão característico. E ele percebeu que gostava de observar as sutis mudanças.

— Não fale besteira, Zabini! Eu, como sua capitã, estou mandando; vai lá e acaba com eles!

Lucca deu risada com gosto e concordou com a cabeça, acompanhando a Wesley até o campo de Quadribol.

Ele não soube se foram os treinos intensos comandados pela enérgica Rose Weasley, a motivação no café da manhã ou a súbita energia dos jogadores, mas a Sonserina fez o melhor jogo da temporada. Todos desempenharam seu papel com tanta maestria que nem tiveram ciência do outro time em campo.

Foi um dia de glória para o casa verde e prata. No salão comunal, uma festa foi organizada por Alvo Potter. De um jeito maluco, ele convenceu os elfos domésticos a fornecerem a comida. Pela comunal, vários copos de cerveja amanteigada e uísque de fogo que se enchiam sozinhos.

Dançando pelo salão, com seus cabelos ruivos balançando pelo ar, estava Rose Weasley. E, como um inseto atraído pela luz, Lucca aproximou-se. Perto, ele pode sentir o cheiro de banho recém tomado e um perfume levemente doce que ele tinha certeza ser trouxa. Percebendo sua presença, ela lhe lançou um sorriso brilhante que refletia toda a satisfação que aquele dia atípico lhe rendeu.

— E o prêmio desse humilde batedor?- se sentiu idiota ao dizer aquilo. Ela umedeceu os lábios, o fitando com diversão.

— Que tal a glória eterna? – ela nunca deixava o clima ruim.

— Isso me livra da minha terrível capitã?

— Você nunca vai se livrar de mim, Zabini- ela corou ao perceber o que disse e atrapalhada tratou de tentar remediar – sabe, somos da mesma casa, do mesmo time...

Ela corou e colocou uma mecha do cabelo vermelho atrás da orelha direita. Vendo o embaraço dela, ele tocou seu ombro com a mão.

— Eu não quero me livrar de você. – o rapaz deu mais um passo ficando a um palmo de distância da Wesley. Sem nem perceber, desviou o olhar para aquelas lábios rosados que nos últimos dias se pegou admirando. Ela não sabia o que responder, mas Zabini percebeu que seu olhar era correspondido.

— Que tal um beijo por seus pensamentos? – Ele sempre teve jeito com as mulheres, era bonito e galanteador, mas frente a mulher incrível que era Rose Weasley, ele se sentia sem prática e propenso a dizer besteiras.

— Meus pensamentos são particulares, Zabini — ela gargalhou dando um gole na caneca de cerveja. Uma pontada de decepção lhe atingiu, mas ela completou. – Por isso, eu prefiro o beijo.

Então, a garota esguia aproximou-se do forte batedor da Sonserina e colou seus lábios em um beijo rápido. A parte disso, aquele rápido tocar de lábios deixou o rapaz sedento por mais. Ela soltou um risinho contido e seguiu como se flutuasse pelo salão, deixando o rapaz sem rumo para trás.

Se antes o problema de Lucca Zabini era fugir do treino insano de Rose, agora, seu problema era manter suas mãos longe da Weasley. E, a julgar pela arritmia que lhe acometia naquele momento, isso não seria uma tarefa nada fácil.

Notas finais
Posso pedir para comentarem?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!