Probably Love
2 2°Capítulo: Mesmo Ônibus, Mesmo Ponto, Mesmo Préd
Após o grande choque que Marcos teve com relação à Luan, não dirigiu mais a palavra a ele durante o resto do dia, o que abriu espaço, de certa forma, para que as garotinhas viessem falar com o novo aluno.
— Como é seu nome? Quantos anos você tem? Tá namorando?
Luan respondeu a todas, em meio aos risinhos das meninas loucas pra conhecer o bonitão da escola. Mas ele não estava nem ai com isso. De tempos em tempos, olhava de rabo de olho para Marcos, que quando percebia que estava sendo visto, virava a cara. Isso fazia com que Luan risse loucamente, não da cara do pobre rapaz, mas da sua reação, que chegava a ser, por vezes atrapalhada.
Deu o sinal anunciando o fim daquele dia letivo, um alivio para muitos. Luan notou que Marcos arrumava suas coisas da forma mais lenta possível, talvez não quisesse ficar sozinho com ele, o que aguçou mais ainda sua curiosidade a respeito do garoto. Luan então arrumou suas coisas e foi para o corredor, na curva para que levava a escada.
Marcos, se vendo sozinho relaxou, não sabia por que, mas Luan causava-lhe um certo desconforto. Terminou de arrumar suas coisas em pouco tempo, pegou a mochila e saiu em direção a escada.
— Por que você ficava me olhando? – Perguntou Luan repentinamente quando notou a presença do outro garoto.
Marcos deu um pulo assustado, seu coração veio parar na garganta e do nada começou a tremer. Se viu nervoso diante da situação, e o desconforto só aumentou. Tentou se esquivar, mas o corredor era estreito e Luan tampava todas as possibilidades de ele sair dali.
-Fala, não dói nada! E pode parar, juro que não mordo!
— Não sei, pessoas como você fazem esse tipo de coisa...
— Como assim “pessoas como eu”?
— Você sabe...que gostam de meninos
— Meninas? Não elas não mordem, embora as daqui pareçam que vão fazer isso. Dá pra você parar, por favor, eu to ficando tonto!
— Você sabe que eu não to falando de meninas, e eu paro se você me deixar passar.
— Eu sei que você não está falando de meninas, acha que eu sou idiota? Está bem, eu deixo você passar, mas com uma condição: me explique por que ficava me olhando o tempo todo?
Marcos parou finalmente, parecia cansado, ou realmente fora convencido por aquele par de olhos acinzentados.
— Eu não olhava pra você, eu tava olhando as meninas!
— Ah, sim, claro! Agora que você me respondeu com toda sua sinceridade, eu deixo você passar! – Disse Luan ironicamente abrindo caminho para que o outro passase.
Os dois saíram do prédio da escola, um atrás do outro, Marcos de cara fechada e passo apressado e Luan o seguindo.
— Da pra você parar de me seguir?
— Eu não tenho culpa de você ir na mesma direção que eu.
Os dois chegaram no ponto, Marcos se continha para não olhar para o lado, onde se encontrava Luan, que, por sua vez, o encarava claramente.
Quando o ônibus chegou, os dois deram sinal, Marcos, sem tirar o olho do horizonte, e Luan sem parar de olhar o outro.
-Agora já é demais! – disse Marcos entrando no ônibus.
— Olha como são as conhecidencias, não é? Eu pego o mesmo ônibus que você.
-Você nem deve saber qual é este ônibus, não tava nem olhando pra rua, não tirava os olhos de mim!
-Claro que eu sei que ônibus é este, é o...! Como você sabe que eu estava Olhando pra você?
— Por que...por que...Ah! não importa!
Luan soltou uma gargalhada enquanto se sentava ao lado de Marcos no ônibus, que não se opôs a isso. De certo modo até gostou, e Luan por sua vez, adorou.
Depois de uma viagem sem trocarem uma palavra, os dois desceram no mesmo ponto e entraram no mesmo condomínio.
“Espero que ele não more no mesmo prédio que eu, pensando bem, não seria má
idéia...”
“Seria engraçado de a gente morasse no mesmo prédio”.
Logo após estes pensamentos simultâneos, os dois entraram no mesmo Hall, mesmo elevador e na hora de apertarem o andar, as mãos se esbarraram no botão equivalente ao oitavo piso. Este toque durou apenas alguns poucos segundo, mas pareceram um longo tempo. A mão de Marcos por cima da de Luan. As mãos só saíram uma de cima da outra depois da porta fechada, que foi quando Marcos se encolheu num canto do elevador. Resumidamente, Os dois moravam um do lado do outro, bastava colocar a cabeça para fora da varanda ou da janela do quarto de qualquer um dos dois, que poderiam se ver.
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