Privity
2 Portais
Notas iniciais
Quando abri os olhos eu estava caída em cima de uma mesa, tinha várias pessoas me olhando com curiosidade. Bem não as culpo, nem eu sei onde estou e muito menos como cheguei aqui. Minha cabeça estava a mil, mal podia ouvir meus próprios pensamentos, eu estava me sentindo enjoada, tonta.
Uma mulher alta, que devia ter por volta de uns vinte e cinco anos, foi se aproximando de mim. Ela usava óculos e tinha uma pele muito branca, com cabelos cor de vinho e olhos cor esmeralda, bem acho que poderia descrever ela com uma beleza hum... diferente. Quando ela chegou do meu lado não consegui entender uma palavra do que falava, minha cabeça estava latejando e meus ouvidos zunindo. As pessoas daquela sala foram abrindo espaço a medida que um senhor ia se aproximando. Era um homem bem velho (não sei destingir quantos anos ele deveria ter) com barba e cabelos brancos que estavam amarrados em um rabo de cavalo, tinha olhos cor chocolate.
Ele parou ao lado da moça, que parecia estar totalmente desesperada e não parava de falar alguma coisa para o senhor, já ele apenas levantou uma das suas mãos, o que fez com que ela se calasse, em seguida ele se virou e sorriu para mim. Como se isso não fosse o suficiente estranho, ele fez um gesto para que eu o seguisse. Bem as coisas já estavam uma merda mesmo, então o que poderia fazer, a não ser segui-lo? Desci da mesa, mas na mesma hora minhas pernas acabaram cedendo, a mulher de olhos esmeralda me segurou impedindo que eu caísse. Ela e aquele senhor foram praticamente me carregando até uma sala, nela se encontrava uma mesa de vidro, um frigobar, dois sofás com uma estampa toda quadriculada e uma TV grudada na parede.
Eles me ajudaram a sentar em um dos sofás. Eu ainda estava um pouco tonta, mas meus ouvidos já tinham parado de zunir. A mulher pegou um copo d’água, (pelo menos eu achava que o líquido era água) estendeu para mim e disse:
–Tome um pouco, isso deve fazer com que a sua tontura passe mais rápido.
–O-Obrigada!- Bebi um gole daquilo- Olha não quero ser rude nem nada, mas onde eu estou? E como exatamente eu cheguei aqui?
–Você está em Arcanum. E você provavelmente chegou aqui por causa de um portal que foi aberto, já como esse portal foi aberto ainda não sabemos.- falou o senhor.
–Hum... – não entendi uma só palavra, mas não falei nada.
–Presidente! Você deve explicar melhor as coisas para a garota, ela provavelmente não deve ter entendido nada!- disse a mulher e depois ela se virou para mim- Alias meu nome é Amy e esse é o Presidente Ryota.
–Ah! Eu me chamo Akane.
–Hum... “Vermelha Brilhante” (esse é o significado do nome dela) , um nome bem estranho não acha?- falou o tal presidente, sabe acho que um cara com o nome Ryota não deveria falar do meu nome, mas achei melhor eu não comentar nada.
–Bem voltando ao assunto... Akane eu tentarei explicar a situação em que você se encontra agora da maneira mais simples possível, ok? – disse Amy.
–Ok.
–Existem coisas que nós denominamos de portais, quando um portal é aberto ele pode conectar um mundo a outro. Por mais raro que seja os portais vem se abrindo em todos os mundos. A milhares de anos as pessoas descobriram como usar a magia para abrir um portal, porém essa magia foi banida apenas governo e as pessoas que tivessem a sua aprovação poderiam utilizar esse tipo de magia, o que fez com que o número de pessoas que tinham acesso a ela diminuísse drasticamente . Mas isso não impediu com que houvesse várias pessoas que utilizassem ela ilegalmente, essas pessoas foram chamadas de ”renegade”. Está entendendo tudo até aqui?
–Sim...
–Muito bem, eu acredito que você provavelmente tenha testemunhado a abertura natural de um portal e acabou sendo sugada por ele e transportada para o nosso mundo.
–Hum... acho que não foi bem assim –quando eu falei isso Amy e o presidente olharam para mim curiosos– Eu estava voltando para a minha casa ai um cara que usava um máscara e uma capa toda vermelha apontou para um tipo de beco escuro como se quisesse que eu fosse até lá e em seguida ele sumiu, como eu não sabia o que estava acontecendo acabei indo até esse beco e no final dele tinha um tipo de portal, eu não me lembro muito bem do que aconteceu depois, mas provavelmente eu devo ter entrado nele e sendo transportada para cá.
–Você esta dizendo que esse homem de vermelho é um renegade que abriu um portal para você?! – perguntou Amy com um leve tom de desespero na voz.
–Não tenho certeza, só sei que mesmo nunca tendo visto esse homem na vida ele me pareceu de certo modo muito familiar por isso eu atravessei o portal, eu quero saber quem era ele e por que ele quis que eu passasse pelo portal.
–Hum... parece que algo interessante aconteceu. – falou o tal presidente com um ar de diversão.
–Como você pode dizer isso Presidente?! –falou Amy praticamente gritando – Isso é sério, muito sério! Se tem algum renegade por ai nós temos que tomar medidas o mais rápido possível, antes que ele possa causar algum estrago!! Ai meus Deuses, temos que avisar logo para os outros!!! – Pronto ela definitivamente pirou, essa era a única coisa que eu conseguia pensar naquele momento.
–Fique calma Srta.Amy, nem sabemos se ele é realmente um renegade. – o presidente falou isso com a maior calma do mundo – Agora respire fundo, se acalme e fique calada para que eu possa falar com a Akane. – esse foi o jeito de pedir para que uma pessoa calar a boca mais gentil que eu já vi.
–Querida, eu irei te dar duas opções — falou isso virando para mim- nós podemos te mandar de volta para o seu mundo e lá você poderá viver como se nada tivesse acontecido, como se isso tudo não tivesse passado de um mero sonho, ou.... você pode ficar aqui, se adaptar com o nosso mundo e tentar descobrir quem é esse tal de Homem de Vermelho, porém se fizer isso será esquecida por todos do seu mundo. Só irei te avisar uma coisa, quando tomar a sua decisão você não poderá voltar atrás. – quando o presidente acabou de falar isso Amy estava com os olhos arregalados, mas não falou uma só palavra.
Uma pessoa normal teria escolhido ,sem dúvida ,voltar para o seu mundo e seguir a vida como se nada tivesse acontecido, mas essa foi simplesmente a aventura que eu sempre sonhei que acontecesse, já estava cansada de ter apenas sonhos era hora de eu torna-los realidade. Queria saber mais sobre os portais, sobre aquele mundo, sobre o Homem de Vermelho e até sobre mim mesma. Então falei com uma voz firme:
–Eu vou ficar.
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