Privity
5 A luta
Notas iniciais
Naquele momento fiz a coisa mais sensata que pude imaginar. Fugir. Assim que o monstro avançou na minha direção, fui correndo para o fundo da sala, queria ficar o mais longe possível dele. Ele poderia ser bem pavoroso, mas não era muito ágil, pois andava bem devagar, o que me deu alguns segundos para pensar.
Tinha que pensar em algo o mais rápido possível. Deveria haver alguma forme de conseguir vencer essa prova, mesmo que eu não fizesse a mínima ideia de como despertar um poder ou de como matar esse monstro, desistir naquele momento não era uma opção.
A medida que o monstro se aproximava eu ia recuando, até que bati na parede, isso fez com que algumas armas que estavam penduradas nela caíssem no chão. Armas! Se eu queria ter ao menos uma chance de vencer, eu tinha que ataca-lo com alguma dessas armas!
Olhei apressada para o chão procurando alguma arma fácil de usar. Tinha uma espada de lâmina estreita com uma ponta afiada, uma pistola de cano curto, uma besta* e por último um ioiô. Isso mesmo um ioiô! Não sabia se aquilo era ou não uma brincadeira de mau gosto, preferi não pensar muito nisso, já tinha coisas demais para me preocupar. Basicamente escolhi a arma por eliminação, eu não tinha mira boa para usar a pistola, não sabia como usar uma besta, acho que não preciso explicar porque eu não escolhi o ioiô, então tudo o que restou foi a espada.
Peguei-a e a apontei para o monstro, ele pareceu nem se importar, pois continuava se aproximando cada vez mais. Foi a partir daí que as coisas começaram a ficar estranhas, minha visão estava ficando meio ofuscada e estava começando a ter um tipo de flash de memória, era como se eu já tivesse vivido isso tudo, a angústia, adrenalina, o terrível medo de morrer.
Enquanto eu tentava ao máximo relembrar aonde eu havia sentido isso tudo vi um vulto preto se jogando em minha direção, só tive tempo de desviar. Agora não era hora de ficar pensando besteiras, tinha que me concentrar inteiramente na luta se não quisesse morrer.
A criatura avançou até mim e me atacou com as suas garras. Primeiramente eu não tinha sentido nada, mas depois vi que um líquido vermelho pingando do meu rosto, eu tinha sido atingida. Não tive tempo de pensar em nada, pois a criatura continuava a desferir golpes freneticamente em mim. Eu desviava do máximo de golpes possíveis, e ao mesmo tempo tentava golpeá-la com a espada. Então ela cravou as suas garras na minha barriga e me jogou para o outro lado da sala.
Eu estava caída no chão, tonta, com a visão embaçada, sentindo uma dor sem igual e com a minha espada jogada no outro canto da sala. Bem, acho que isso significa que eu perdi não é? Com certeza eu não seria capaz de derrotar aquele monstro com essas condições e muito menos seria capaz de despertar algum poder. Porém mesmo estando ciente de tudo isso eu ainda não queria desistir, ainda queria tentar lutar. Por maior que fosse o meu medo e a dor que estava sentindo naquele momento eu não ia desistir ainda, não ia voltar para o meu mundo antigo. Então de repente lembrei, lembrei em que lugar eu já tinha sentido todas aquelas emoções, onde tinha ficado cara a cara com a morte.
Fui usando a parede como apoio para conseguir ficar de pé ,pisquei os olhos algumas vezes para poder olhar a criatura melhor, que estava parada no outro canto da sala apenas me observando. Como tinha sido burra! Ela era praticamente igual aos monstros que eu sempre sonhava, por isso eu estava achando tudo àquilo tão familiar, eu já tinha enfrentado ela antes, mesmo que não fosse bem na vida real. Mas como foi mesmo que eu tinha derrotado elas?
Nos meus sonhos sempre que enfrentava alguma dessas criaturas, eu imaginava uma espada ou lâmina e logo em seguida fazia com que o meu sangue de certo modo ficasse sólido e se transformasse alguma dessas armas. Será que se eu tentasse fazer isso agora daria certo? Bem eu não tinha nada a perder, que mal faria se eu tentasse, afinal esse poderia ser o meu "poder". Então levantei a minha mão, fiquei encarando a possa de sangue que tinha se formado no chão, por causa do meu ferimento, e fiquei imaginando o meu sangue se transformar em uma espada igual a que eu estava usando.
O sangue começou a se juntar e a tomar a forma da espada, eu a segurei disse abismada:
–D-Deu certo! – agora podia sentir um fiozinho de esperança sendo criado dentro de mim, a luta ainda não estava acabada, eu ainda tinha chances de vencê-la.
Encarei a criatura, que ainda estava parada me encarando, não perdi nenhum segundo pensando, fui com tudo em sua direção, apunhalando a espada na mão direita transferi um golpe bem em seu coração.
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