Prisão de Gelo
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Depois de um tempinho sem postar, cá estamos! Espero que apreciem a leitura, beijinhos ❤
O quarto onde as irmãs macabras me mandaram eram tenebroso, pois havia vários crânios espalhados pelo quarto e todos tinham um furo no meio da testa. Sentei-me na cama, onde é que as coisas ficaram tão malucas? Eu não conseguia sentir confiança nesse povo cego e que sabem mais do que nós.
Anastácia desde que pôs o pé aqui notei um peso saindo das costas delas, mas eu realmente não sentia aquilo, algo no lugar me “apertava”.Desde que a criada chamada Lany veio até mim correndo e falando apressadamente sobre o que estavam fazendo com Anastácia e o que deveríamos fazer depois, eu não pensei duas vezes e entramos no castelo e foi uma tremenda confusão pra tirar ela de lá. Ela estava desacordada e fria eu realmente... realmente....A única coisa que notei ao chegar no lugar percebi um grande estrago, como uma explosão no momento não entendi o que era aquilo, mas agora eu sei. Foi ela!Houve uma batida na porta e Anastácia entrou, lembrei daquele dia ainda no começo dela entrando sorreitaramente no meu quarto, afastei logo.— Lany falou que vou ter que cortar meu cabelo pra não ser reconhecida – disse ela segurando seu próprio cabelo – além de talvez ter que mudar a tonalidade.— e por quê?— parece que umas dessas garotas cegas “viu” que estou sendo procurada por todo reino, e panfletos com meu rosto estão sendo espalhados pelas ruas. E ela “viu” outra coisa também... — o que?— Victor assumiu o trono de Tripólis.— mas e o rei?— assassinado com uma garganta cortada, mas as histórias que estão contando são diferentes – disse enquanto examinava um dos crânios na estante – dizem que “morreu durante o sono”, mas não ta sendo bem aceita já que no dia anterior que estava muito bem, ouvindo reclamações e pedidos de seu povo na Assembléia.Ela estava diferente, a aura que transpaçava era energética.— Anastácia... – ela se virou -... aquela destruição toda, foi você?— eu não sei, não lembro de nada – respondeu sentando-se ao meu lado.— quando ficou esse tal ritual? – perguntei depois de um tempo.— hoje pelas seis horas.Seguiu-se um silêncio, ela examinava com a cabeça baixa seus próprios pés e eu não sabia bem o que falar.— resista Anastácia, seja lá o que essa deusa fizer você é mais forte... – disse colocando minha mão sobre a sua – não deixe ninguém lhe persuadir, você é a dona do seu próprio caminho.Ela me olhou, lá no fundo seus olhos demonstravam o medo que ela estava sentindo e a confusão daquela situação toda. Eles começaram a marejar e uma pequena lágrima caiu.— Roz... – sua voz estava embargada.Sequei cada lágrima que caia e a puxei para meu peito, senti aquele choro sufocado que estava preso a muito tempo nela. Ela se abraçou mais forte em mim, como se estivesse com medo que eu desaparecesse.Acariciei seu cabelo.— Anastácia você não está sozinha... – disse fitando aqueles grandes olhos molhados – eu sempre serei seus pilares, seu humilde servo.Arrumei uma mecha de seu cabelo para atrás da orelha e dei um beijo em sua testa. Ficamos um bom tempo assim, abraçados, até ela colocar tudo aquilo pra fora.......................................................................................................A decoração realmente era péssima, mas não era de todo ruim. Finalmente desde que cheguei ali, pude trocar o vestido esfarrapado de criada por uma boa e confortável calça e botas. Desde muito nova eu não me sentia “bem”, usando todo aquele aparato que minha mão obrigava minha irmã e eu a usar, claro ela ficava belíssima naqueles trajes, parecia uma princesa de verdade. Já eu era sempre uma luta para usá-los.A minha rebeldia foi cortar meus lindos cachos dourados, minha mãe fez um escândalo dizendo que aquilo era uma blasfêmia que eu era uma doce jovem mulher e que deveria me portar como tal.Nunca senti atração por nenhum dos rapazes da vila que vivíamos, eles eram uns completos idiotas e mais ainda pelo que faziam com as outras garotas.Então minha irmã com sua beleza, foi designada para ser a esposa do príncipe tamanha honra que caiu em nossa família, mas meses depois chegou uma carta real dizendo que “Lady Samirela pegou uma doença grave que acarretou em sua morte”, minha mãe chorou horrores e aceitou o que foi dito naquela carta, as mentiras.Eu nunca aceitei, não havia como minha irmã morrer por alguma doença já que estava com a saúde perfeita e não havia casos de epidemia no reino desde a peste.Então decidi trabalhar no palácio, alterei meu nome e logo fui chamada e designada aos trabalhos da cozinha, no caso sempre servir a família real.Logo nos primeiros meses percebi a variedade de moças no castelo, futuras rainhas eram o que diziam. Porém todas pegavam a mesma “doença” que matou minha irmã. Fui descobrir a verdade ao levar o café para a velha ama do príncipe, ela estava caída no chão e vários frascos quebrados ao seu redor. Ela havia tomado veneno e antes de morrer me contou com voz fraca toda verdade.Então quando vi Anastácia chegando, percebi que era a mais nova tentativa de Sawuell só que ela era diferente das outras, portava-se e não tinha os olhos apaixonados de boba.
Percebi que ela era diferente após o Ritual de Purificação ela se recuperou numa velocidade rápida do que as outras antes dela que ficaram acamadas por dias. E foi por essa essência e também pelas regras rígidas que Loreis nos dizia que resolvi soltar informações para ela, já sentia que era a única que conseguia bater de frente com Sawuell e eu não iria deixar ela sofrer o mesmo destino que minha irmã.Quando eu vi o poder sendo expelido do corpo dela, quando eu vi a explosão que destruiu metade do salão de Sawuell eu me toquei que Anastácia era muito mais do que eu poderia sequer imaginar. E entendi o medo de Sawuell.Os dias de inverno estavam contados..........................................................................................................O ritual estava marcado para as seis da tarde no salão subterrâneo do templo, disseram que ali o contado com a Grande Mãe era mais fácil. Segui as garotas pelas escadarias que levavam cada vez pra baixo, olhei para trás e vi Lany e Roz juntos com tochas para iluminar o caminho, Roz sentiu meu olhar e me encarou eu corei as palavras que me disse no quarto rodavam minha cabeça.Logo chegamos e passamos por uma porta de ferro, o lugar era enorme e espaçoso muitas velas estavam acesas nos cantos e no centro vários símbolos brancos estavam desenhados.A Matriarca estava no centro e me chamou, Roz e Lany foram para um canto separado.— aproxime-se jovem Anastácia – disse me chamando.Ela colocou uma vasilha com um liquido branco em minhas mãos.— beba e feche seus olhos.O liquido tinha um gosto rançoso que quase me fez vomitar de volta, desceu contra vontade pela minha garganta. A Monarca colocou seu polegar na minha testa e apertou:— abra seu terceiro olho e veja o que sempre ignorou – proclamou sua voz ecoando por todo local.Senti algo quente por todo meu corpo, abri meus olhos e percebi que não enxergava nada, estava tudo escuro.— ora, ora – ecoou uma voz feminina pela escuridão – achei que fosse mais uma jovem, mas veio algo mais interessante....— quem está ai? – griteiUma luz surgiu a frente, segui e então encontrei a dona da voz.Ela estava de costas para mim só podia ver seu cabelo curto acima dos ombros e um vestido de alças escuro que deixava suas costas totalmente nuas, em sua cintura saía , sobre o vestido,um longo tecido fino que cintilava como se milhares de estrelas tivessem sido bordadas. Ela se virou, tinha grandes olhos negros e mais um no meio da sua testa e ele piscava, era medonho. Visnasau sorria, seus dentes brancos eram ameaçadores. Sua expressão era psicótica.— bem vinda ao meu júbilo Anastácia – disse rindo e quando percebi, ela estava ao meu lado.Acariciava meu rosto, suas unhas eram grandes e provavelmente estavam a arranhar minha pele... então ela tocou onde a Monarca apertará e então se incendiou uma dor tremenda. Visnasau cortou usando suas unhas e começou a forçar uma abertura, a dor era tremenda eu já não conseguia ficar em pé, tamanha fraqueza.— feche seus olhos e enxergue só com ele... – sussurrou em meu ouvido.Ao abrir meus olhos novamente à sensação era outra, não havia mais a dor e o que antes era escuridão agora era outra coisa totalmente diferente. Toquei meu rosto e senti meus olhos fechados, então tateei até minha testa e senti um liquido escorrendo,percebi que meu “terceiro olho” chorava sangue.— não se assuste isso é normal para a primeira vez – disse a mulher a minha frente.O que antes que ela parecia um “demônio”, agora parecia uma garota qualquer ela estava com os “olhos mortais” fechados e seu terceiro olho sempre mudava a cor da íris, era hipnotizante. Usava o mesmo vestido, mas suas unhas não eram tão compridas como eu havia visto.— aquela mulher que você viu antes, era eu mesma... – disse acenando com a mão fazendo aparecer um banco para sentarmos -.... era o que seus olhos mortais imaginavam de mim, lá no fundo. Você achava que eu era um monstro?— eu estava com medo, não lido bem com rituais....— entendo. Sinto o cheiro de Khartyw em você. Você foi vendida a ele. — como assim cheiro?— de morte, pútrido, porém sinto cheiro de flores, vida e consigo ainda sentir o vento do inverno. Tudo isso exala de você— não foi algo que eu realmente queria, não sabia de nada.— bom e o que lhe trousse ao meu templo? Possível ato de desespero?— sim e não. Eu quero saber como terminar com isso, colocar um ponto final nesses planos maquiavélicos – disse focando minha visão nela.— e não considerou que eu pudesse estar do lado de Khartyw? Somos “irmãos” não é mesmo?Gelei. Que burrada ter vindo no terreno do inimigo.— estou brincando, realmente não estou de nenhum lado. Mas posso te apresentar o caminho que desejas e ai você o desbravará da sua maneiraEla se levantou, ficou em minha frete e colocou sua palma da mão em cima da minha cabeça. Fechei o terceiro olho e então uma enxurrada de imagens passou pela minha mente. Sawuell encontrando Khartyw, eu e Sawuell duelando, meu irmão com a coroa de nosso pai e seu sorriso sarcástico, meus amigos presos com espetos de gelo...... era uma confusão, de sangue e frio podia ouvir de longe os gritos de todos. Das batalhas, das torturas, da morte....Então tudo parou e mais outra sucessão de imagens vieram, diferente das outras essas exalavam paz.... me vi usando uma coroa, vi os reinos de Tripólis e Ghropol unidos e eu sendo a que os governava. Um reino próspero era aquilo que eu mais queria.— essas imagens são só vislumbres dependendo que caminho escolher, ambas estão interligadas – disse Visnasau baixinho – não existe o caminho “certo”.Os vislumbres dançavam em minha mente eu sabia já que independente de qual caminho escolher minhas mão não iriam estar totalmente limpas.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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