Prisão de Almas.
1 Capitulo Único – Os sons da Guerra.
Notas iniciais
Silencio, à hora perfeita de parar e refletir. Palavras semelhantes a medo, pânico, angústia e dor. O ambiente escuro, úmido e assimétrico, composto de quatro paredes de concreto, com apenas uma porta e nenhuma janela ou móveis que formara aquele cenário inerte e vazio. De olhos vendados e as mãos atadas, entrelaçada por correntes de ferro. Não pudera fazer nada, além de esperar.
Lembrava do dia, com o nascer do sol, aquela esfera de tons tropicais que queimava a pele em dias de verão incessante. O céu azulado com poucas nuvens, seguido de uma leve brisa refrescante, a maior sensação de algo chamado liberdade, como se eu pudesse abrir asas e voar além dos limites do infinito. Num piscar de olhos parece que todas essas oportunidades desapareceram.
Infelizmente tive minha linha do tempo interrompida por intermédio de algo considerado destino. Desde um ano atrás, tento esquecer-me de todas as formas e apagar da memória tudo aquilo que fez com que eu ficasse enclausurada para o resto da minha vida. O passado não me importava mais, eu era como um ser inexistente. Meu único desejo era retornar a vida.
Uma noite de tempestade, ruas e becos alagados, a cidade se tornara solitária. Acreditava ser a única alma naquele lugar. Corria apressada pela calçada passando por diversos estabelecimentos de portas fechadas. Vestia um sobretudo carmesim e calça preta colada, andando sobre um enorme salto agulha.
Anteriormente estava em uma festa em um dos bairros nobres de Mishiton, entretanto um reboliço de intrigas começou no meio da multidão, então tratei logo de sair dali. Pouco a pouco alguns dos meus amigos se voltaram para fora da enorme boate. Todavia estes moravam do outro lado da cidade, pensei então em seguir sozinha, contudo acho não ter sido uma boa escolha.
Estava apenas a algumas esquinas de chegar em casa, quando um automóvel escuro estacionou a alguns metros de mim e homens encapuzados saíram do veículo e corriam agora em minha direção, quando tomei conta da situação já era tarde demais.
Não lembro em detalhes o que houvera acontecido, só me lembro de ser imobilizada e jogada, como um objeto para dentro do carro. Logo que recobrei os sentidos já havia perdido a noção sobre espaço, lugar ou tempo. Recordei-me após alguns minutos de vagas ocorrências que poderiam ser esquecidas e meu semblante foi tomado de pavor.
Achei que as coisas a partir dali estariam perdidas e que já houvera chego ao auge da dramaticidade. Na verdade eu estava muito enganada, o meu inferno estava apenas se iniciando. Os mesmo homens de antes abriram a porta do cômodo e através de murmúrios entre eles conversavam ao meu respeito. Então chegaram a uma conclusão, todos retiraram suas vestes e consequentemente a minha em seguida.
Estuprada, sim eu fui, não a outra maneira de descrever a não ser por esta palavra esdrúxula, acompanhada de uma série de coisas ruins. O ciclo de horrores já havia se completado. Tinha nojo de mim mesma. Chorava todas as noites tentando entender a situação, pensando em meus familiares e o porquê deles não virem me salvar.
Tiros, meus pensamentos foram interrompidos por balas bélicas barulhentas bem próximas de onde me encontrara. Logo veio a mente o sangue escorrendo sobre o chão, seguido da morte. Depois disso uma sequência de sons estrondeantes de armamentos começara a ficar mais intenso e audível. Afinal o que estava acontecendo? Me recolhi sobre um canto pondo os joelhos próximo ao queixo e de certo modo tentando tapar as orelhas com os ombros. Com movimentos repetitivos com a cabeça, consegui retirar a venda dos olhos e tentar observar alguma coisa, mas lembrei-me que estava trancafiada em um cubo cinzento.
Uma bomba explodiu parte do galpão onde eu estava e de certo modo criou-se um pequeno buraco na parede que me permitia observar milímetros do ambiente ao lado. Os gritos estonteantes de dor estavam cada vez maiores e eu estava perdida nesta guerra. Um buraco se formou logo abaixo do anterior permitindo que eu pudesse visualizar melhor a situação. Através dele não conseguira ver nenhum movimento e isso deixava-me ainda mais aflita. Um cheiro estranho começou a permear pelo o local, quando fui à procura dele minha perna estava baleada e pela adrenalina não houvera percebido.
A dor começou sucedendo rapidamente, até que a visão cada vez mais embaçada não me permitia ver nítido, antes que eles se fechassem vi na brecha da parede passos em direção a minha jaula. Era o meu fim, alguma coisa acontecia lá fora e mesmo que eles perdessem a luta eles não deixariam uma prova viva fugir. Estava pronta para morrer ao ficar sofrendo ali. A porta se abriu levemente e a única coisa que dera para fitar era uma pistola em posição de ataque. Que fim trágico não. Um homem alto entrou no local, ele vestia um uniforme,Quando finalmente de relance ele passou a me observar, seu semblante mudara, dizendo:
– Ei Garota, Está ferida? Viemos lhe salvar. –Disse o sorrindo pelo canto dos lábios.
Não sei se conseguiria chegar a tempo a um hospital, mas um surto de felicidade surgiu antes que meus olhos se fechassem de vez.
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