Prisão Dreamland - Interativa
3 Julgamento
Notas iniciais
Charlie andava pelos corredores, sempre atento e cautelosamente. Não ligava que a circulação era proibida naquele horário, as câmeras o seguiam, e ele tinha plena consciência de que logo seria pego e arremessado novamente em sua cela. Mas só havia aquele horário e aquele dia para encontrar uma pessoa.
– Ho, o que um garoto tão novinho faz nos corredores a essa hora da noite? — Um jovem ruivo, que estava sentado em um banco interrompeu a caminhada de Charlie. Ele parecia bastante interessado.
– Eu preciso de uma coisa. — Charlie não se apresentou e não perdeu tempo. — Soube que posso conseguir com você.
– Wow, uma coisa de cada vez, amiguinho. — O jovem se levantou. — Primeiramente, você tem dinheiro?
Charlie colocou no banco várias notas, que juntas provavelmente valiam muito, visto que o jovem ruivo se animou rapidamente. Ele olhou para as câmeras e para o corredor.
– Bela quantia! Roubou, não foi?
– Não exatamente... Eu encontrei uns cadáveres, e peguei o dinheiro deles. — Charlie respondeu, sem mentir. — Mas voltando ao assunto, eu preciso de... de...
– Ei moleque, lembra logo. Se os cachorros verem você comigo, algum de nós vai apanhar.
– Desculpe. — Charlie se desculpou educadamente. — Ah, é. São G-2 e F-4.
– Nem quero saber o que uma criança quer fazer com isso, mas quem liga não é? Me siga.
Seguindo com cautela, o jovem ruivo levou Charlie até um pequeno depósito, e pediu para ficar de olho no perímetro, então remexia os materiais, procurando o que Charlie havia comprado. Até que encontrou com um sorriso no rosto.
– Mais alguma coisa? — O jovem perguntou, interessado em Charlie.
– Qual o campo que tem menos guardas agora, sul ou leste?
– A moleque! O que você quer fazer lá? — Ele se assustou mas voltou a compostura.
– Nada demais.
– Escuta, moleque. Aquela ala tem gente braba, e não são só eles. — O jovem encarou Charlie, com uma face psicopata. — Também tem xará meu lá, por isso cuidado com o que você faz, porque eu sei que foi você. E faz tempo que eu não mato ninguém, isso é chato, sabia? — O jovem deu as costas e foi seguir seu caminho. — Ala Leste é vazia agora por não ter portões.
...
– Dá próxima vez tome mais cuidado. — Joe conversava com Morgana. — Caramba, enfrentar seis gigantes de uma vez não dá, né? Você teve sorte que aquele veterano apareceu, ele salvou a tua pele.
– Aquele filho da puta me fez passar a maior vergonha da minha vida! — Morgana estava com muita raiva, dava para perceber em sua voz. — Joe! Você é um sabe-de-tudo aqui dessa prisão, não é? Quem são os veteranos que se destacam mais?!
– Tu tá realmente achando que eu vou falar para você sobre um veterano, que você obviamente quer peitar? Me poupe! Eu posso tá parecendo o seu pai com esse discurssinho, mas pelo menos espera seu joelho melhorar!
– Hunf. — Morgana, que estava deitada, se virou. — Cadê o Charlie? Já passou do toque de recolher?
– É mesmo... Ele ainda não apareceu. Mas deve estar bem, afinal mesmo sendo criança, ainda é um condenado a morte.
Depois daquele desconfortável conversa, os dois foram dormir.
...
Joe e Morgana foram acordados com sons de tiros. A garota caiu da cama debaixo do beliche, Joe "caiu" em cima dela e a protegeu com o corpo. Tudo isso em questão de segundos, como se tivessem treinado para fazer aquilo. Joe também estava de olhos fechados, foi trazido devolta a realidade por uma voz feminina.
– Ei, vocês! Rápido! — Era uma mulher do lado de fora, Joe se levantou e ajudou Morgana, que ainda estava mal de andar por conta de seu joelho.
– Ok. — Joe prontamente respondeu, e começou a correr carregando Morgana nas costas.
– Porra! Eu consigo andar sozinha! — Morgana reclamou e tentou sair, Joe não deixou.
– Cabelo preto, esse corpo... — Joe falou baixinho, ignorando Morgana. — Você é Eva, uma veterana, não é?
– Parece que você me conhece. Mas sem tempo para conversar. — Eva respondeu, estava bem-humorada.
– Hum... Por que você só acordou a gente? — Joe perguntou, aguentando os murros de Morgana em sua cabeça.
– Desculpe, bebês. — Antes de perceberem, Morgana e Joe foram arremessados em uma cela solitária e trancados lá dentro. — Mas é melhor ficarem aí, pela vida de vocês!
– Ei! Ei! — Os dois gritaram, mas não obtiverem resposta.
– Joe, seu jumento! — Morgana estava com muita raiva. — Foi confiar em veteranos, olha o que deu! E que porra foi aquela de pular em cima de mim? Se explique!
Morgana sentiu um murro. Um forte soco vindo do jovem aparentemente fraco que havia apanhado feito um cãozinho na ida para a prisão. Um soco forte o suficiente para nocautear Morgana. Joe a encostou no canto da parede.
– É melhor eu cuidar disto sozinho.
...
– Não! Não! Eu não fiz nada! — A voz era fina, de um garotinho. Ele corria de uma horda de policiais e de cães. Ao menos, conseguia ser ágil o suficiente. Quando conseguiu uma chance, se pendurou em uma árvore.
– Seu merda! Desce se não nós atiramos! — Os policiais apontaram os fuzis para o menino, enquanto os cachorros tentavam subir na árvore.
– Socorro! Socorro!! — Ele gritava desesperado, enquanto se agarrava a árvore.
– Desce logo! É melhor para você! Ou prefere levar um tiro? — Um dos guardas, um pouco mais delicado, abaixou o fuzil.
– Calma... Estar apreensivo não vai adiantar em nada. — O menino continuava abraçado na árvore, respirou fundo e relaxou os músculos.
Nesse mesmo momento, algum nos guardas deve ter ficado impaciente, pois apertou o gatilho e alvejou a árvore de tiros, entre eles um tiro que acertou em cheio o pulso esquerdo daquele menino. Um urro de dor, e ele caiu da árvore, sendo cercando pelos cães bravos enquanto esperneava, e logo ficou em silêncio.
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– Ah, então os novatinhos querem brigar com os veteranos? Bom saber. Eu gosto de sangue derramando, sabiam disso? Me conhecem como aquele que trás a desgraça, belo apelido, não? E eu amo isso. Agora, se não recuarem, vão conhecer a minha linda faca.
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