Prison of Love
50 The Only Exception
Notas iniciais
POV Annabeth
(Uma semana depois)
Me apoiei na beirada da cama do hospital, e Percy me olhou preocupado.
– Tem certeza que não vai cair? – perguntou pela milésima vez meu namorado e eu revirei os olhos.
– Tenho, Percy.
Então eu levantei, sentindo minhas pernas meio fracas, mas consegui ficar em pé sem ajuda. Sorri um pouco em comemoração, afinal, já fazia mais de uma semana que eu estava dependendo de outras pessoas para comer, beber, ir ao banheiro e até mesmo tomar banho.
Segurei a mão do Percy e fui andando até o banheiro (apoiando-me um pouco nele, confesso) e entrei, fechando a porta com ele do lado de fora.
Lentamente tirei aquela roupa horrível de hospital e lentamente coloquei a calça jeans que tinha na minha bolsa, e ama regata branca. Calcei umas sapatilhas pretas e joguei uma água no rosto, minhas olheiras fundas me incomodando. Passei uma escova no cabelo lentamente, sentindo uma pontada leve de dor nos braços.
Respiro fundo e encaro meu reflexo fantasmagórico no espelho, e então dou de ombros. Para que me importar com minha aparência? Nós, eu e meus amigos, estamos livres mesmo.
Abro a porta do banheiro e saio, colocando a bolsa sobre o ombro. Passei meu braço pelo de Percy quando ele o ofereceu, sorrindo por finalmente poder sair do hospital.
Notei um pequeno pedaço de papel na ponta do travesseiro, talvez não fosse nada, mas eu o peguei mesmo assim e coloquei no bolso da calça, veria o que é depois. Bem, depois de tudo que eu já vi, seria até estranho ser uma simples coincidência, pois eu não acreditava mais nisso.
Saindo do quarto, logo vi Nico e Thalia nos esperando ali, sorrindo.
– A cavalaria chegou! – grita Nico e eu começo a rir feito uma retardada, enquanto uma enfermeira nos manda fazer silêncio. Ele vem até mim e para de costas, e eu rio entendendo.
Dou dois passos para trás e um pequeno impulso, pulando nas costas de Nico, que segura minhas pernas ao redor de sua cintura enquanto eu agarro seu pescoço para não cair.
– Tá precisando fazer dieta viu amiga? – diz ele rindo, me segurando e começando a andar para fora do hospital.
– Cale a boca, Di Ângelo – respondo sorrindo de orelha a orelha, com Thalia nos acompanhando de um lado e Percy do outro.
(...)
Liz, Luke, Amanda e Gabriel nos esperam perto do reformatório, vamos buscar nossas coisas.
Caminhamos até lá em silêncio, cada um com seus pensamentos, mas todos com a mesma sensação de liberdade.
Sorrio e olho para meus amigos, sem parar de andar, e penso em tudo que já vivemos juntos... Tanta coisa, tantas aventuras... O melhor disso foi poder ter o prazer de conhecer essas pessoas maravilhosas, que eu daria a vida por eles e sei que eles fariam o mesmo por mim sem hesitar.
Amigos de verdade, pessoas que eu posso contar sempre, não importando a grandeza da coisa, e eles suportariam e me apoiariam. E eu faria isso por ele, sempre.
Entramos naquela prisão que ficamos por tanto tempo (um ano e pouco) e arrumo meu cabelo sorrindo, sentindo algumas lágrimas queimarem no fundo dos meus olhos.
Não me entendam mal, mas eu sentiria falta desse lugar. Assim como senti falta de casa quando pequena.
Apesar de ambos os lugares me trazerem memórias ruins, eu tinha passado bons bocados em ambos, e sempre lembraria deles.
Afinal, esse reformatório me fez fazer amizades, me fez conhecer o amor, o amor de verdade... Bem, ele me ensinou a amar, por mais irônico que isso possa parecer. Não me importo se acredita em mim ou não, me importo com o que sinto e com as experiências que vivi.
Acho que posso caracterizar esse reformatório como uma prisão do amor para mim, onde eu aprendi a libertar todos esses sentimentos.
Pegamos nossas coisas, nos despedindo de todos sorridentes. Eu poderia até fazer uma comparação com um colegial, se me esforçasse...
Os veterano populares do colégio indo embora, e todos, mesmo os novatos que não os conhecem, sorrindo e desejando boa sorte na faculdade.
Era exatamente o que acontecia. Em certo momento, Thalia parou e foi abraçar seu irmão. Se abraçaram com força, e minha melhor amiga deu um beijo estralado na bochecha dele.
– Ano que vem eu estarei do lado de fora te esperando, maninho, e tente não pegar muitas garotas bonitão, não quero ser tia tão cedo! – gritou ela sorrindo, e Jason corou um pouco acenando para a irmã.
Saímos de lá e nos entreolhamos. Paramos em uma rua, experimentando a sensação de estar fora daquele lugar. Respirei fundo, e até mesmo o ar parecia ter um “sabor” diferente agora.
Estranho não é?
Mas eu estava livre da prisão do amor que criei em mim, e agora eu me sentia perfeitamente bem.
– E agora? – perguntou Thalia do nada.
– Vamos para faculdade, nos formar, ter um futuro – começou Liz sorrindo para a estrada.
– Não Liz, isso eu sei, claro! Mas... Agora agora mesmo! – responde Thalia.
– Como assim? – pergunta Amanda, e eu não me contenho ao ir até o lado dela e abraçar ela de lado delicadamente. Ela sorri para mim.
– Agora gente! – exclama Thalia bufando. Um poço de paciência essa garota, nossa – Não temos casa, carro, dinheiro... Nada!
– Bom, eu tenho uns trocados na bolsa – diz Liz, pegando um pouco de dinheiro.
– Eu também – digo pegando minha carteira.
Os meninos pegam a quantia que tem também, e contamos o dinheiro.
– Temos cem dólares – diz Thalia no final, e nos entreolhamos – Nunca que vamos conseguir um hotel para oito pessoas com essa quantia! – exclama ela.
– Então... – diz Amanda.
– Então... – repete Gabriel e eu me estico sobre Mandy para apertar delicadamente a bochecha dele e ele ri de leve dando um beliscão fraco no meu braço de volta.
– Não sei – diz Luke.
– Não faço a mínima ideia – diz Percy.
– Dormimos na rua? – sugere Nico, sorrindo zombeteiro.
– Bom, só tenho a declarar que fodeu legal galera – digo sorrindo.
Estamos realmente fodidos? Sem dúvida que sim. Não temos para onde ir, não temos dinheiro, não temos família, não temos outros amigos que possam nos ajudar.
Mas eu estou com meus amigos, com aqueles que confio. E não importando nossa situação, estando com eles, eu sei que ficarei sempre bem.
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