Prison of Love
9 Meu novo mundo - Charlie Brown Jr.
Notas iniciais
POV Thalia
Annabeth estava estranha. Depois que o Nico perguntou dos micos, ela saiu tecnicamente correndo. Depois eu preciso conversar com ela.
– Bom gente, preciso ir. A Bettina está me esperando no campus e tal – diz Luke. Olho para a Liz e percebo ela estreitando minimamente os olhos. Acho que ninguém percebeu, é só que eu sou muito detalhista mesmo.
Luke se levanta e beija a bochecha de Silena e vem beijar a minha. Puxo ele pela gola da camisa, fazendo o mesmo cair em meu colo e dou um cascudo nele.
Todos começam a rir, menos a Liz. Quantos ciúmes, hein? Ainda não entendo por que esses dois não admitem que se amam e tem filhinhos. Quem sabe uma menina de cabelos louros e olhos castanhos e um menino de cabelos castanhos escuros com olhos azuis, e eles me chamariam de tia enquanto eu reclamaria que estou muito nova para ser tia e...
– AI LIA! SUA VACA! – grita Luke do meu colo, me tirando de um futuro próximo (nem tão próximo assim) que ele e a Liz tinham filhinhos e me deixavam ser a madrinha.
– Também te amo, Lukinho – respondo, mandando a ele uma piscadela.
Liz está emburrada e com um bico enorme. Estou pensando seriamente em cortar aquele bico dela e fazer um churrasco, para alimentar os pobres que passam fome, por que o bico dela está realmente muito grande.
Luke se levanta do meu colo, se inclina e deposita um beijinho na minha bochecha esquerda.
Ele anda até a Liz e ela vira a cara. Luke beija a bochecha direita dela (o lado contrário que ela virou) e logo depois puxa o queixo dela com uma das mãos (a esquerda) e beija-lhe os lábios, roubando da Liz um selinho.
A morena fica tão vermelha que eu começo a me perguntar se ela está tentando fazer cosplay de tomate. Bem, acho que até um tomate teria inveja da cor dela aquele momento.
Silena começa a bater palmas, tendo um ataque de fangirl. Beckendorf passa um braço em torno dos ombros de Silena para que ela pare de dar saltinhos no chão (ainda sentada).
Eu e Nico gritamos, animados com o beijinho entre o casal.
Ok, acho que estou muito romântica. Mas, me digam, qual seria o nome “casal” deles?
Lizke? Luike? Luis?
AAAH! Luis, tá ai o nome do futuro filho deles. Lu tanto de Luke quanto de Luiza e o S de Luiza. Ok, não tem S em Luiza mas o Z tem som de S e tal, então deixa quieto. Ah, e o nome da garota pode ser Louise.
Como eu sou criativamente diva.
Voltando para a realidade, no mundo onde Luke e Liz ainda não admitiram que se amam e ainda não tiveram filhinhos lindos cujo quais vou ser madrinha.
Liz bate no ombro esquerdo do Luke. Ok, ela não bateu, ela espancou o pobre ombro do loiro, que ria.
Ele segurou as mãos dela.
– Fique quieta, Luiza Connor, sim? – Luke tem um ar divertido na voz.
Liz choraminga.
– Luiza até vai, mas Connor não. Não gosto desse sobrenome – reclama ela, entortando o nariz.
– Só vai ser Luiza Castellan quando nos casarmos, amore mio – retruca Luke, soltando as mão de Liz e já se afastando, tentando evitar outro espancamento. Não dá muito certo.
Liz se levanta e bate nele de novo.
– Cara, se eu ganhasse dinheiro cada vez que essa maníaca destroça meu ombro, eu estaria bilionário – reclama Luke, apertando o próprio ombro e fazendo caretas de dor. Não consigo conter a risada.
– Vai na policia e denuncia ela, espera, nós já estamos em um reformatório – digo, morrendo de rir da minha piada totalmente sem graça. Eles me olham como se fosse um ET. ET’s são legais, só espero que eles não tenham um plano de conspiração de dominar o mundo, sabe?
– Ok, para. Isso não teve Grace – diz Nico, abrindo um sorriso enorme. Luke quase se mata rindo e Silena deixa escapar um risinho, enquanto eu começo a ficar emburrada – Entendeu né? – pergunta ele virando para mim – Não teve Grace, seu nome, Thalia Grace – explica ele, morrendo de rir.
– Nico, imprime essa piada, enrola e fuma, por que ela é um droga, meu amigo – digo, colocando minha mão direita em seu ombro esquerdo, já que ele se encontra bem na minha frente.
Dessa vez todos riem, até mesmo eu e o Nico.
Quando acabamos de rir, nos despedimos e cada um segue um caminho, sendo que eu vou atrás da nossa linda morena que não admite o amor, mesmo quando ele bate em sua porta ou até mesmo quando está debaixo da ponta de seu nariz.
Para quem não reconheceu a descrição, eu estou falando da Liz, ok?
– Hey morena, me espera ai – chamo, tentando – em vão – fazer com que ela vá mais devagar – Apressada.
– O que que você quer? – pergunta ela, quando eu dou uma corridinha, conseguindo alcançar ela e parar ao seu lado.
– Companhia, conversar. Sei lá, Liz.
Ela arqueia as sobrancelhas, nos olhos estampados um ponto de exclamação. Ok, eu não sou muito de conversar.
– Tá, ok. A verdade é que eu vim saber se você gosta do Luke – confesso.
– O que? – então, ela começa a rir – Mas é claro que não, Grace. De onde tiraste essa ideia absurdamente boba? – pergunta ela, mas noto em sua voz um certo nervosismo, esse que ela tenta esconder com a ironia.
– Ah Liz! Não estregue meus sonhos de um futuro próximo, mas nem tão próximo assim, que você e o Luke irão se casar, ter uma filha com cabelos louros como ouro e olhos castanhos como as árvores iluminadas a luz do pôr-do-sol chamada Louise e um menino com cabelos castanhos e olhos azuis cristalinos como a água em um dia de calmaria chamado Luis! – exclamo, fazendo-me de indignada.
– Hãn, Lia? – pergunta ela delicadamente – Que droga você fumou? – questiona ela, me olhando com falsa preocupação.
– HAHAHAHA, não fumei nada. NA-DA! N-A-D-A! Nadinha! – contesto, levantando as mãos e as abrindo em sinal de rendição.
– Tá, que seja – responde ela, indiferente – Vem Lia, vamos voltar pro pátio. Ou tem alguma sugestão melhor?
– Nenhuma. Isso aqui é um tédio, cara.
Juntas, andamos de volta ao pátio. Chegando lá, há uma confusão.
Uma multidão se forma perto da entrada. Não identifico ninguém conhecido.
Quando as pessoas veem que eu estou me aproximando, se afastam, me dando passagem. É galera, essas são as vantagens de ser respeitada.
Chegando bem perto da entrada, vejo uma confusão com os carros do FBI chegando.
Na verdade, são vans pretas com o nome FBI branco.
Saem do carro, acompanhados por policiais uma menina morena, com os cabelos até a metade de suas costas e pele branca. Usa uma regata roxa e um short jeans.
Logo depois, vem um menino magrelo com uma calça jeans rasgada e uma blusa branca com umas manchas marrons.
Vem andando atrás dele uma garota com pele cor de chocolate e cabelos no mesmo tom. Os olhos dourados que possui aquela garota chegam a ser hipnotizantes. Ao seu lado, vem um cara com o dobro de seu tamanho e musculoso. Ele tem o rosto de um bebe panda fofo.
Então eu vejo ele.
Escoltado por uma mulher com as vestes pretas com o mesmo nome branco (FBI) e os cabelos castanhos clarinhos (ou loiro escuro) presos em uma trança de lado e com a pele branquinha dando contraste em seus olhos, que parecem mudar de cor toda hora.
Azul, roxo, violeta, castanho, azul de novo, verde claro, verde escuro e por assim vai.
Pois bem, escoltado por ela, encontra-se quem eu julgo conhecer.
Cabelos loiros tão claros que parecem creme, olhos azuis impactantes e marcantes, idênticos aos meus.
Tirando isso, não somos parecidos em nada.
Os olhos deles percorrem, inquietantes, todos os rostos, até que me encontram.
Ao me ver, seu olhar se fixa no meu e eu não tenho dúvidas de que o conheço.
Ele se solta da mulher e vem andando até mim. Sinto meus joelhos cederem, e desabo. Minhas pernas parecem gelatina, não aguentando o peso do meu corpo.
Ele está aqui. Ele está aqui!
Meu irmão, depois de tanto tempo separados, aqui está ele, me abraçando para que eu não caia no chão.
Aqui está ele, que evitou que eu fosse levada embora aquele dia.
Aqui está ele, a pessoa que eu mais amo no mundo.
– Oi, Lia – diz ele, e não posso deixar de notar o tom grave de sua voz. Tão diferente do menininho que me chamava de mana – Oi, mana.
Suas feições mudaram muito, nem parece que o conheci um dia. Ele ainda tem no lábio inferior, no canto direito, uma pequena cicatriz. A cicatriz de quando ele tentou comer um grampeador, aos dois anos. Tanto tempo passado, tantos anos perdidos longe um do outro. Não acompanhei seu crescimento, não pude cuidar dele.
Mas agora ele está aqui. Agora eu vou cuidar dele.
Porque ele está aqui, comigo.
Jason Grace tinha voltado para mim, assim como eu sempre esperei por ele.
– Oi, Jason – forço as palavras a saírem da minha boca – Oi, maninho.
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