Prison of Love
13 De Janeiro á Janeiro
Notas iniciais
POV Annabeth
Saí do refeitório e fui direto procurar um tal de Connor Stoll.
Quando o encontrei, em um lado escondido do pátio, ele tinha em mãos um pacote grande, embalado naquelas típicas embalagens de Correios, com papel amarronzado, dando o aspecto de velho.
– Conseguiu? – pergunto ao me aproximar.
– Acha que isso na minha mão é o que, boneca? – retruca ele.
Tiro do meu bolso cinco notas de $100,00 e jogo para ele, que me entrega o pacote.
– Qualquer coisa, defeito ou sei lá, você sabe onde me encontrar – diz ele e pisca para mim.
– Mas eu não sei onde te encontrar – respondo confusa.
– Exatamente, boneca — então, ele se vai, adentrando em umas portas que eu não conhecia.
Hãn, só tenho um problema. Ninguém pode me ver com esse pacote.
Coloco o pacote por dentro do moletom que estou usando e sigo andando o mais naturalmente que consigo. Não consigo deixar de lado a sensação de estar sendo observada.
Todo hora me martela a dúvida de quem pegara meu desenho e por que.
Não consigo parar quieta, minhas mãos ficam brincando com a barra do moletom. Péssimo sinal, isso demonstra que estou nervosa. Merda.
Suspiro e tento me acalmar.
Depois de dois longos minutos que pareceram uma eternidade, consigo chegar ao meu quarto. Ou dormitório, como preferir.
Me jogo na minha cama e abro o pacote rasgando. Ouço o barulho na porta e me desespero.
Jogo o travesseiro por cima do pacote, mas quem atravessa a porta é só a Lia.
– Por Deus, você me assustou!
– Desculpa! – diz ela, levantando as mãos para o alto como quem se rende – O que é isso? – pergunta, apontando para o travesseiro.
Tiro o travesseiro de cima e dou um espaço para que ela possa sentar ao meu lado. Ela fecha a porta e passa a chave, depois se senta ao meu lado, prestando bastante atenção no pacote.
Termino de rasgar a embalagem, revelando um notebook preto.
Thalia arqueja ao meu lado, surpresa.
Abro ele e ligo.
Os minutos se arrastam para que ele ligue. Sinto a ansiedade percorrer o meu corpo quando ele termina de ligar.
Pego o papel misterioso que sabe-se lá como surgiu no meu quarto e releio o que está escrito.
Nome: RoteandoAdmReformatório
Senha: 93947914024
Entre no seu e-mail, princesinha.
Achei estranho o fato de me chamarem de princesinha, considerando que o único que me chamava assim era meu pai.
Clico no Wifi que se chama RoteandoAdmReformatório. Começo a me perguntar por que diabos alguém coloca um nome assim em um Wifi.
Balanço a cabeça e quando digito a senha. 93997914024.
Espero. Espero. Espero.
Conectado. Thalia parece segurar o riso ao meu lado.
– Quem te mandou esse papel, Annie?
– Não sei Lia. Estava aqui quando eu cheguei no quarto – respondo, dando de ombros.
Abro uma guia e digito www.gmail.com.br
Carregando página.
Digito meu e-mail e minha senha, esses que você realmente não precisa saber.
Quando abre, vejo que tenho um novo e-mail. Clico nele.
De: Anônimo
Para: Annabeth Chase
A hora do lanche, minha princesinha.
A hora do lanche.
Não conte a ninguém. Estamos sendo observados.
Sinto um arrepio correr minha espinha.
A hora do lanche.
– O que é “a hora do lanche”, Annie? – pergunta Thalia.
Balanço a cabeça antes de responder.
– Era um negócio meu e do meu pai, Lia. Bem, quando eu era pequena sofria bulling na escola, e então, sempre que eu chegava, nós tínhamos a hora do lanche. Era sempre as 15:46. Nós colocamos as 15:46 para parecer original. Estranho não é? Mas bem, nessa hora do lanche, nós íamos ao Central Park e comíamos de tudo. Bolo, chocolate, sorvete, sanduiche, qualquer coisa.
– Então, eu acho que quem ter que mandou esse e-mail, quer que você entre nesse site ai na “hora do lanche”
– Mas só quem sabia da existência da hora do lanche era o meu pai, Lia.
– Ele não contou a ninguém?
– Nunca.
– Então, amanhã as 15:46 vamos entrar nesse site e vamos ver do que se trata.
– Vai ter que ser.
– Ótimo.
Ficamos um bom tempo em silencio. Mas não aquele silencio incomodo, mas sim aquele silencio acolhedor. Cada uma com suas próprias dúvidas.
Então, eu tive uma certeza. Até amanhã ás 15:46, seria o tempo mais longo da minha vida.
Não sei quanto tempo passou comigo pensando, mas quando olhei para o lado, Thalia havia dormido. Suspirei, passei a mão pelo cabelo da morena, puxando delicadamente sua mecha azul, para analisa-la. Ela estava perdendo a cor, ficando meio loira.
Soltei sua mecha e me levantei. Lia se encolheu na cama quando um vento forte passou pelo quarto. Puxei meu cobertor para cima dela.
Eu tinha que me distrair com alguma coisa.
Eu estava hiperativa. Não conseguia parar quieta, mas teria que esperar até amanhã. Peguei o computador, me sentei no chão mesmo e abri a página.
Esperei, esperei, esperei. Acho que cinco minutos nunca foram tão longos em toda a minha vida.
Erro. A página que você solicita não pode ser acessada.
Saiba mais – verifique sua conexão com a Internet. Está com problemas? Ligue para a nossa central de ajuda: 23023.
Digite 3 e uma atendente irá ajuda-lo.
Suspirei e fechei a página. Tentei de novo.
A mesma mensagem. E de novo, e de novo.
Sempre a mesma mensagem.
Comecei a me irritar. E se fosse uma pegadinha? Uma brincadeira de mau gosto?
Bem, eu teria que esperar até amanhã para descobrir.
...
Acordei com dor no pescoço e nas costas. Não me lembro de ter dormido.
Ainda estou no chão e Lia na minha cama. Olho o relógio e reprimo um gemido de desgosto ao notar que já são 12:47.
Chamo Thalia e ela se levanta resmungando.
Vamos ao refeitório e explicamos ao “nosso” grupo que acordamos atrasadas.
Comemos e retornamos juntas para o quarto.
Percebo que ela está tão ansiosa quanto eu para o e-mail.
Olhamos as horas, já são 15:42
Ligamos o computador e acessamos meu e-mail.
Clicamos no link.
Erro. A página que você solicita não pode ser acessada.
Saiba mais – verifique sua conexão com a Internet. Está com problemas? Ligue para a nossa central de ajuda: 23023.
Digite 3 e uma atendente irá ajuda-lo.
Suspiramos e olhamos o relógio novamente.
15:45
Um minuto. Só mais um minutinho....
Então, finalmente, 15:46.
Eu e Thalia nos entreolhamos, em expectativa. Clico novamente no link.
Bem vinda ao BootFot, Annabeth Chase. Você tem uma nova mensagem.
Thalia quase grita em comemoração.
Eu estou ainda meio atordoada, perguntando-me que merda é essa.
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