Prison Magic
7 Capítulo 7
Então surge um vulto no horizonte, a cada passo que este dava começava a ser mais visível um ser de manto vermelho na cor sangue, o capuz da mesma cor encobria seu rosto, que apesar de estar se aproximando lentamente de seu alvo, ainda não era possível ser sua face, porem nada podia esconder a aura maligna e macabra que aquele emitia.
Seu alvo era um belíssimo ser, que estava deitado preso em um altar negro, porem já todo manchado com o sangue deste próprio. Os pulsos estavam presos separadamente assim como suas pernas. Seus cabelos brilhavam forte na cor prateada como se absorvessem a beleza da coloração da lua cheia que fazia o ar da sua graça naquele aterrorizante lugar.
Vários cortes estavam por todo o corpo do ser de luminosos cabelos longos na cor prata, que estava totalmente despido, desprotegido de qualquer proteção ao ser de manto que aproximava-se lentamente de si.
Parecia também estar meio inconsciente a tudo que se acontecia ao redor. Tentando em vão focalizar sua vista, olhando assustado o ser que chegava mais perto de si, notando visivelmente a aura insana que este emanava.
Mesmo agora a poucos passos de distancia ainda não era visível seu rosto, por estar muito bem oculto pela capa. Então este leva suas mãos ao capuz, empurrando-o para traz, soltando seus longos cabelos de um ébano tão profundo que até as trevas ao seu redor pareciam tão ínfimas quanto as chances de aquele belo ser preso livrar-se desse psicopata.
Este então olha para o ser deitado no altar, com um rosto tão belo quanto o que estava preso, porem tinha traços mais adultos, dando visivelmente um ar mais sensual e fascinante. Seus lábios eram róseos, cheios de volúpia, tornando-o desta forma uma criatura altamente sedutora, que expressava luxuria e exalava pecado.
Aproximou-se até ficar ao lado deste, seus olhos brilhavam em coloração vermelha carmesim, em seu rosto continha um sorriso lunático porem extremamente libertino, sua pele era branca e tão gélida quanto o mármore daquele assombrador cemitério.
“— N-ã-o.... ” — falou baixo o belo ser preso, tremendo de medo pelo olhar que vinha do outro.
“— Estais com medo de mim? ” — fala o outro, aproximando o rosto “— Tens medo de teu Mestre? ” — indagou, olhando maravilhado para os milhares de cortes que tinha naquele corpo e o como este estava belamente manchado em sangue.
“— Te...O-de-io... ” — tentou falar em tom raivoso, mas tudo que conseguira fora falar baixo, em meio a dor que sentia.
Não sabia o que era pior, se era sentir o olhar daquele ser que era seu mestre, que pareciam simplesmente devorar-lhe só com o olhar, de tão intensamente que era observado, ou se era a dor que apesar de não ter uma lembrança clara de como ficara naquele estado deplorável, sabia muito bem que aquilo fora obra do ser que o observava com um olhar febril, brilhando em uma pura e maliciosa luxuria.
“— Maravilhoso... Mesmo neste estado, teus olhos ainda brilham em um imaculado e belo esmeralda... ” — falou sorrindo maliciosamente, tocando na face andrógena do ser preso.
O que estava preso virou o rosto, tentando fugir daquela mão fria em sua face, porem tudo que recebera em troca fora um tapa nesta. Tentou encolher-se pela dor recebida, mas as correntes em seus braços e pernas não o deixavam mudar de posição. A única coisa que pode fazer foi olhar raivoso para o ser que o admirava a com aqueles ameaçadores olhos vermelhos, tal como um lobo a espreita de um coelho.
“— Tu ficaste lindo quando estais com raiva. ” — fala o ser de manto vermelho, portando um sorriso divertido nos belos lábios, ao ver como o outro estava.
“— Me mate logo... ” — pediu, não conseguindo conter as lagrimas que rolaram por seu rosto.
O de cabelos negros olhou atentamente para o ser à frente.
Tão frágil...
Tão belo...
Tão maravilhosamente tentador...
E sabia que aquele belo ser de cabelos prateados e olhos puramente verdes era somente seu.
Sua cria...
Seu escravo...
Seu brinquedo...
Inteiramente seu...
“— Tu és muito precioso para mim... ” — falou, tocando um dos cortes que possuía o peito desnudo do outro “— Só estou a lhe ensinar um pouco... Isto é por tu pensares naquela inútil garota humana quando estiveste comigo... És culpado pelo sofrimento dela também... ”
“— Te odeio... ” — repetiu a frase dita no começo, agora já tendo um pouco mais de força “— Não ouses fazer nada com ela. ” — pediu pairando uma ordem.
“— Quando trata-se daquela humana, tu perdes a calma... ” — comenta, para no instante seguinte aproximar extremamente seu rosto do ser preso no altar, com um olhar ameaçador “— Não ouses dar-me ordens! ”
O belo ser preso estremeceu de medo, diante do olhar que recebera de seu mestre, simplesmente começou a chorar de novo. Tentando inutilmente se soltar do altar no qual estava preso.
“— Não adiantas... Mesmo tu sendo um meio vampiro, com toda esta perda de sangue, não vais conseguir fazer nada. ” — provocou.
Sua mão passava deliberadamente pelo peito despido e coberto de sangue. Fazendo questão arranhá-lo levemente com suas unhas perfeitamente pintadas na cor negra, fazendo mais cortes naquele belo ser. A cada grito e gemido de dor, parecia que dava mais ímpeto de machucá-lo.
“— Mes-tre... Pare... ” — pediu, não agüentando mais a tortura que o outro lhe fazia.
“— Faltaste uma palavra... ” — falou melodiosamente, arranhando mais forte o dorso do outro.
“— Por...Aiiw! ” — tentou falar, mas seu mestre enfiara a unha em um dos cortes que já possuía “— \'Por favor\' Mestre... Pare... ” — pediu novamente.
“— Ficas mais lindo ainda, quando me obedeces assim... ” — comenta, retirando a mão de onde estava
Levou sua mão completamente suja de sangue aos lábios, lambendo-lhe toda, sorvendo o maravilhoso sangue. Saboreava lentamente, o gosto do outro ser, lambendo seus lábios como se querendo mais daquele gosto, apos ter limpado toda sua mão.
“— Hunm... ” — gemeu baixo, olhando luxuriosamente o ser preso “— Tu me daste tanta vontade de mordes-te... ” — falou o outro de modo erótico, mostrando seus longos caninos de vampiro.
“— Não... ” — pediu, chorando mais ainda.
“— Tens razão... Com todos estes ferimentos não poderei me alimentar... ” — lamentou-se, vendo o choro de sua cria “— Não deverias chorar... Pois sabes que pertences somente a mim, pela eternidade... ”
Então teve uma ideia, olhando para o peito completamente banhado com sangue, sorriu pecaminoso, abaixando-se lambendo com sofreguidão todo o sangue que possuía naquele corpo.
“— Pa-pare... Não-hunm-pare Mestre... ” — pediu, contorcendo-se, sentindo aquela língua serpentear por seu peito e abdômen.
“— Tão sublime... Pare de negar... Sei muito bem que adoras quando faço isto... ”
“— Ahnnw... ” — gemeu baixo, odiando a si mesmo por isso.
Aquilo era demais, era absurdamente assustador sentir aquela língua passear por seu peito, lambendo-lhe com fervor. Mordeu com força seus lábios, para não deixar nunca mais algum barulho estranho escapar de sua boca. Mordera com tanta força que até os fez sangrar.
“— Unicamente meu... Somente meu... Inteiramente meu... Todo este corpo, toda esta alma... És minha posse, meu servo, meu brinquedo. ” — murmurava baixinho, em quanto lambia-lhe o sangue do peito “— Minha amada cria. ”
Sorvia todo o sangue que tinha ali, tal qual o vampiro completo e puro que era, sentindo um prazer absurdo com seu ato, mas infelizmente o que é bom, dura pouco. Logo o sangue tinha sido todo tragado.
Endireitou-se ao lado de sua cria, vendo-o de olhos fechados e mordendo fortemente seus lábios. Olhando melhor para estes, notou a fileira de sangue que escorria. Seus olhos brilharam em um brilho lascivo, se aproximando do rosto do ser que estava preso.
Lambeu do pescoço ao canto da boca, absorvendo mais daquele sangue carnal de sua cria. Afastou-se sorridente, vendo que este estava realmente debilitado, adorava vê-lo assim, amava brincar e domar seu belo ser. Tudo tinha um propósito, ainda tinha que dar o ultimo passo da ‘domesticação’ de sua bela cria.
“— Pareces que estais com fome... ” — comentou, cortando com suas unas seu próprio pulso “— Sei que estais. ” — termina da falar colocando o pulso cortado e com sangue escorrendo próximo a boca de sua cria “— Tome. ”
“— Não quero este sangue sujo... ”
“— Pare de tentar fugir. Alimentar-se apenas com energias malignas, debilitará tua magia... Tome meu sangue, vire um ser completamente meu assim. ”
Apesar de relutar veemente, só em sentir o cheiro do sangue de seu mestre, que estava o oferecendo, parecia realmente tentador, todas as células de seu corpo imploravam para sacear sua fome.
Sentia correntes passarem por seu corpo, como se antecipassem o prazer de saborear o sangue daquele ser cruel descendo por sua garganta, umedecendo esta e fortalecendo seu debilitado ser.
Porem conteu-se ao máximo. Negando o que lhe era oferecido. Preferiria morrer a abandonar o resto de sanidade e humanidade que possuía. Humanidade esta que estava quase toda perdida, a única coisa que não o deixava sucumbir às torturas de seu mestre era lembrar-se da garota que amava, não poderia arriscar perder mais nada.
Iria negar com todas as suas forças a vermelhidão saborosa que possuía o sangue. Iria enterrar em algum lugar profundo em sua mente, o gosto do sangue e a sensação viciante de prazer que este proporcionava. Aquilo era uma droga.
“— Estais com tanta fome... Por que relutas tanto em tornastes um vampiro completo? ” — indagou intrigado, tirando seu pulso de onde estava.
“— Suma... Suma daqui... ” — falou raivoso.
“— Tu és minha posse, não ouses me dar ordens! ” — avisa friamente, cravando uma de suas unhas no peito do outro “— És meu brinquedo. ” — fala, cravando outra unha, fortemente “— Nunca esqueceste disso! ”
O ser de belos cabelos prateados contorcia-se pela dor, sentindo agora a terceira unha fincar-lhe forte em seu peito. Notando seu mestre sorrir de forma sinistra, para logo em seguida arranhá-lo com força, criando mais três enormes cortes em si
“— Aaaahhhhhhhh! ” — gritou, não conseguindo agüentar calado a dor que sentira.
“— Vês-te o quão ridículo és? ” — fala o outro, soltando uma gargalhada em seguida, olhando que com debilmente os ferimentos tentavam regenerar-se “— Até mesmo este poder de regeneração foste eu que lhe dei... ” — olhava agora feliz, vendo que por estar debilitado nenhum ferimento se fecharia tão cedo “— Saibas que posso tira-lo... ”
O ser preso, controlando sua dor, olha enfurecido para seu mestre. Aquele maldito que sempre brincava consigo. O odiava mais que tudo nesta morte que vivia.
“— Vós podes me furar, me arranhar, dilacerar minha carne, moer meus ossos, tirar meus poderes vampirescos... Mas mesmo assim... Mesmo assim nunca sereis teu! ”
“— Que assim sejas. ” — o outro da um suspiro alegre, pela ousadia de sua cria “— Tu sabes, algo que jamais faria era retiraste seus dons de vampiro dados por mim... Pois com esta maldição posso lhe torturar de formas inimagináveis para um mero ser humano normal. ”
“— Nunca... Nunca serei teu... ”— responde debilitado, cuspindo na face de seu mestre.
O ser de cabelos pretos leva sua mão ao rosto, limpando-lhe prontamente. Gargalha, vendo o quão idiota fora aquele ato, encarava agora o outro, mudando sua face completamente para um ser inteiramente diabólico, possuído pela loucura.
Com uma de suas mãos leva prontamente ao pescoço do outro preso, apertando vagarosamente. Aproximando sua face da orelha deste
“— Se queres se portar como um animal. Tratar-lhe-ei como um. ”
Com a sua outra mão, retira de sua cintura um chicote longo todo marrom, portando alguns espinhos. Conjurando uma magia rápida fez este transformar-se em um ferro de marcar gado.
Afastou-se sorrindo, vendo o olhar preocupado recair sobre si, aquilo lhe dava mais excitação pelo momento. Com a outra mão, a que não estava segurando a barra, fez criar uma chama negra.
“— És um ser tão belo... ” — sussurra o ser diabólico, colocando o ferro de marcar para esquentar “— Esses teus olhos verdes a olhar-me... Me deixam louco. ”
Assim que a barra estava extremamente aquecida, ela é encostada no peito do que estava acorrentado. Um grito alto fora ouvido, e isso só fez o outro sorrir mais.
“— Não preocupe-se, isto sairá em pouco tempo. Mas uma coisa tu não podes esquecer... ” — fala, voltando a aquecer mais ainda o ferro, vendo as lagrimas saírem fortes do outro “— Não importas o quanto tempo passe... Tu serás sempre meu. ”
“— Aaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhh!!! ” — outra vez fora marcado pelo ferro em brasa.
“— Meu! Meu! Serás sempre meu. ” — grita repetidamente, marcando-lhe o peito repedidas vezes.
Só parou quando notou que seu belo ser havia desmaiado. Não importava. Ainda teria a eternidade para usufruir de seu mais precioso e amado brinquedo. Recobrou seu juízo, fazendo a barra de marcar gado voltar a ser seu chicote, guardando-o assim em sua cintura.
“— Tu... Tu ainda serás meu... ” — comentou, afastando-se do lugar, voltando a colocar o capuz avermelhado para encobrir seu rosto “— Serás inteiramente meu, Vectorius. ”
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Acordou-se aturdido, gemendo baixo sem nem entender o motivo. Levou rapidamente sua mão a boca, constatando com seus dedos que seus dente caninos estavam estranhamente grandes, como se quisessem desesperadamente serem cravadas em carne macia.
Olhou para o lado, na esperança de alimentar-se de seu amigo. Porem tudo o que presenciou foi uma cama vazia, lembrando-se em seguida que Cain estava dormindo em outro quarto, por causa daquele garoto loiro e impertinente.
Suspirou agradecido por este também não estar no quarto consigo nesta ocasião, pois estava com ímpetos estranhos nesse momento.
Sentou-se finalmente na cama, olhando tudo em volta, notando que logo o sol raiaria, dissipando as trevas da noite. Levantou-se depressa, indo em direção a um criado mudo, situado próximo a porta daquele belo quarto. Assim que chegou a este, colocou a água da jarra, situada em cima deste, dentro de um copo transparente, belamente trabalhado.
Levou rapidamente esta a seus lábios, tentando sacear uma crescente sede em seu interior, em seu ser. Após beber quase três copos de água, parou na metade do ultimo, olhando intensamente a transparência da água naquele copo, desejando como nunca desejou antes que aquele liquido não fosse a transparência sem gosto, e sim, a vermelhidão prazerosa do sangue.
Assustou-se com seus próprios instintos e pensamentos, nunca tinha os tido, mesmo quando por causa de seu mestre, mordera Luna retirando-lhe tanto sangue da garota que tivera até pensado na hora que a havia matado. Naquele momento ficara tão aturdido em como tinha deixada a ruiva, que na época até desaparecera da vida desta, só sabendo anos mais tarde que a garota estava bem.
Lembrou-se do gosto maravilhoso de Cain. Não entendendo como aquele ser exercia uma viciosidade em si. Aquele sorriso bobo que ainda tinha, apesar de já possuir dezoito anos, era visível a infantilidade e ingenuidade naquela face e naqueles olhos de coloração tão rara e magnífica, pareciam duas ametistas brilhando em um roxo inocente.
Sorriu fraco, conseguindo controlar-se, lembrando-se do amigo, apesar de ainda sentir que sua garganta estava seca e seus dentes vampirescos ainda um pouco grandes. Olhou para a janela vendo que ainda não tinha raiado o sol completamente. Seu rosto portou rapidamente um sorriso meio maroto, pois talvez ainda desse tempo de ter uma deleitosa refeição de seu adorável, para não dizer suculento, amigo.
Abriu a porta ao lado, rumando para o quarto que sabia que Cain estava a dormir. Entrou furtivamente neste como um gatuno, vendo prontamente que o amigo dormia angelicalmente, todo coberto com um delicado lençol branco, em uma grande cama que continha naquele belo quarto.
Sorriu novamente de modo matoro, levando prontamente sua mão aos labioss, contornando seu dedo por eles, lambendo-o lentamente. Já antecipando o prazer do gosto de Cain.
Aproximou-se mais, fechando a porta, sempre observando a face serena do seu delicioso alvo, quando chegou perto o suficiente, sentou-se na cama, voltado para este.
Começou lentamente a retirar a coberta, mas parou um pouco surpreso, ao ver que este dormia desprotegidamente sem camisa alguma, teve ímpetos de morde-lhe todo, mas logo se recompôs, achando estranho seus próprios pensamentos em relação ao seu amigo.
Quando ia começar a conjurar uma silenciosa magia para remover as algemas deste, nota que Cain se remexia um pouco e rapidamente viu seus orbes fascinantemente na cor ametista lhe olhando meio sonolento de modo curioso.
“— Bom dia Veck... ” — falou, sorrindo fraco, ainda com sono.
Veck olhava meio espantado, já que Cain nunca tinha acordado em uma hora tão critica, pois se remove as algema com este já acordado, era capaz do outro descobrir sobre seu pequeno segredo.
Rapidamente fez um esforço pra deixar seus dentes normais, agradecendo internamente por Cain estar sonolento e não os ter notado o tamanho elevado que estes estavam, tudo por casa daquele maldito pesadelo.
“— Que horas...? ” — pergunta Cain, esfregando seus olhos manhosamente, ainda deitado na cama.
“— Bem... Ainda é cedo... ” — responde, vendo um olhar de duvida nos olhos do amigo “— É que eu não consegui dormir direito esta noite... ” — comenta em seguida.
“— O Guille ainda está dormindo? ”
“— ... Aquilo deve ter saído para comemorar a ‘liberdade’... ”
“— Mas ele podia ter nos chamado também. ” — fala Cain, sentando-se em fim na cama.
“— ... ” — Veck dá um longo suspiro “ Essa ingenuidade ainda vai te matar... ” — pensou Veck.
Cain já estava levando suas mãos para retirar suas algemas, quando Veck nota algo estranho e sem avisos prévios puxa Cain por estas em sua direção. Levou prontamente esta para mais perto de sua vista, para abalizá-las melhor, escutando um pequeno gemido de dor por parte do outro, pelo ato inesperado. Veck apenas observava atentamente, notando que os grilhões possuíam pequenas rachaduras.
“— Cain... É impressão minha, ou esses trincados não existiam antes...? ” — pergunta, de modo preocupado.
“— Não, não existiam. ” — responde “— Mas já estão assim a uns três ou quatro dias. ”
Veck olhava mais insistentemente, não entendendo em como não tinha visto tal fato antes. Mas logo percebeu que era por causa da pouca luminosidade do local, já que sempre o mordia de noite.
“— ... ” — da um suspiro pesado “— Cain... Se isto se quebrar, acho que você estará em perigo... ” — avisa serio e calmo, tentando não assustar o amigo.
Porem apensar de ter tentado falar brandamente, fora extremamente visível no olhar de Cain o brilho do medo que sentiu no momento em que escutou sua frase.
“— Calma... ” — pediu Veck, notando pequenas lagrimas se formarem nos olhos de Cain “— Não faça essa cara... ” — não conseguia ver o amigo naquele estado, tentando conter o choro.
Suspirou, vendo o esforço que o amigo fazia para ao derramar nenhuma lágrima. Mas não sabia o que fazer, vendo-o com aquela carinha meio chorosa, segurando fortemente a ponta de sua camisa, como se querendo ajuda.
Tentou remover manualmente os grilhões do amigo, já que no estado que este se encontrava parecia difícil até olhar para estas. Porem mesmo usando quase toda sua força não as conseguiu remover, lembrou-se que talvez só quem tivesse sangue dos Radiance poderia remove-la deste jeito.
Sorriu fraco, conjurando uma magia para remove-las, como sempre fazia. Só assim as algemas se abriram, como mágica. Cain apenas olhou Veck fazer tudo, deixando o outro o guiar, pois realmente não tinha condições para nada.
“— Não me olhe com essa cara... ” — pediu Veck, porem o que conseguiu com esse pedido, fora fazer Cain realmente chorar “— Cain... ”
Sem saber mais o que fazer, Veck puxou Cain para seu colo, fazendo-o sentar-se em suas pernas. Não tardou em abraçar o amigo, confortando-o assim um pouco.
“— Veck... ” — sussurrou Cain, acomodando sua cabeça no ombro amigo, abraçando-o delicadamente, sentindo as mãos do outro, vagaram por suas costas em um suave afago “— Desculpe por este corpo amaldiçoado... ”
“— Calma Cain... Pode chorar, lave todo esse medo de seu coração. ” — consolou, levando suas mãos ao cabelo negro do outro, fazendo uma terna caricia “— Eu te protegerei... ”
“— Acho que você está me mimando muito. ” — falou, para chorar compulsivamente no ombro oferecido.
Veck arrepiou-se um pouco, ao notar a proximidade do pescoço à frente. Lembrou-se que o motivo de estar naquele lugar era simplesmente se alimentar. Suspirou em quase um gemido, abraçando-o mais forte, sentido o calor do corpo do outro.
Sua mente vagou para longe dali, imaginava mordendo aquele belo pescoço à frente, com gosto e volúpia. Já imaginando os possíveis sons que Cain faria ao sentir suas prezas fundo em si.
Com um remexer deste em seu colo, fazendo seus corpos colarem ainda mais e este sentar mais confortavelmente em suas pernas, engoliu sego, sentindo seus caninos crescendo, querendo realmente serem fincados no pescoço tão desprotegido a frente.
Porem ao escutar próximo ao seu ouvido o choco baixo e contido do outro, envergonhou-se de seus pensamentos e de seu instinto que o fazia querer se alimentar. Cain estava tão indefeso em seus braços, e a única coisa que estava fazendo era desejar a energia deste.
Ficaram bom tempo assim, Cain a chorar mais brandamente, e Veck a afagar-lhe as costas, passando suas mãos por toda ela de modo carinhoso. Após algum tempo, Veck sorri, lembrando-se de algo que Luna havia lhe falado sobre aqueles grilhões, algo que neste momento poderia dar esperanças para o moreno.
“— Cain... Eu tenho um plano... ” — avisa calmamente “— Acho que essas algemas podem ser concertadas. ”
Cain afasta-se rapidamente, olhando a cumplicidade nos olhos esverdeados do amigo. Já Veck, estava derretido, com a umidade das lagrimas fazendo brilhar os olhos do outro, pode rapidamente ver que estes brilhavam estes em pura esperança.
Sorriu, notando o quanto este era realmente forte, pois bastava uma fagulha de esperança para Cain se animar.
“— Luna me falou, quando estávamos a sós, sobre estas escrituras... ” — começou a falar, apontando para as algemas em cima da cama “— Ela, por ser nova, ainda não possuía os ensinamentos para ler élfico antigo... Mas nos podemos ir na vila dela, lá tem muitas elfas anciães que adorariam me ajudar... ” — as ultimas palavras era possível notar a luxuria nela, exceto para Cain
“— Onde fica? ” — indagou sorridente.
“— Bem... É para o caminho oposto ao que íamos, e demorará uns seis dias para chegar lá. ”
“— Sabes o caminho? ”
“— Sim, conheço. Fiquei alguns anos com a Luna, na vila dela... Mas faz anos que não apareço lá. ”
“— Que bom! Podemos ir lá então? ”
“— Claro. Estou com saudadas daquelas elfas mesmo... ” — fala maliciosamente.
“— Saudades? ” — pergunta curioso.
“— Meu caro Cain... És muito inocente ainda... ” — comenta rindo descontraidamente.
“— Não sou não. ” — responde fingindo estar aborrecido.
“— Tudo bem. Eu gosto desse seu jeito. ” — fala, levando suas mãos ao cabelo do outro, bagunçando-o todo.
“— Hei! ” — reclamou Cain, tentando tirar as mãos de sua cabeça.
“— Fique parado... ” — pediu Veck, em tom serio, fazendo prontamente o outro parar de se mexer.
Cain ficou parado, sentindo as mãos de seu amigo limpar-lhe as bochechas dos restante de lagrimas que ainda tinham. Sorriu, vendo o olhar do outro fixo em si. Engoliu seco, vendo-o aproximar-se de seu rosto, e prontamente fixou seus olhos nos lábios, que sabia serem macios.
Corou-se de imediato, fechando seus olhos, aguardando extremamente preocupado o que seu amigo faria. Sentiu o outro se aproximar mais, e instintivamente levou suas mãos ao ombro, segurando-os. Arrepiou-se quando sentiu em sua bochecha um suave e demorado beijo.
“— Você fazia isso com a sua irmã quando ela se machucava ou estava triste, não é? ” — indagou Veck, notando o estranho estremecer do corpo do outro em seu colo.
Sorriu maroto, mordendo levemente a bochecha deste, o suficiente para escutar um gemido de seu amigo, e este apertar-lhe desesperadamente seus ombros. Veck engoliu seco, essa ultima parte era apenas uma brincadeira que tinha feito, mas o gemido baixo e rouco que escutara parecia tão pecaminoso aos seus ouvidos. Afastou-se rápido, vendo seu amigo extremamente vermelho, suspeitava até que também estava vermelho deste modo.
“— Já não está na hora de sair do meu colo...? ” — perguntou Veck, meio envergonhado.
Cain abre seus olhos de imediato, levantando-se em seguida, ficando de costas para o outro. Levou rapidamente sua mão a bochecha mordida. Ficando mudo por um tempo.
“— Eu... Vou tomar banho... ” — avisou, andando depressa para a porta do banheiro, entrando nesta assim que pode.
“— Cain...? ” — Veck olhou confuso.
Cain nada disse, apenas entrou na porta no qual dava ao banheiro, fechando-se lá dentro. Do lado de fora, Veck não podia fazer nada elem de esperar seu amigo tomar banho. Ficou lá sentado no mesmo lugar, olhando para o chão. Notando que já estava bem claro o dia, estranhou a demora do outro no banho.
“— A-ainda estava ai Veck? ” — perguntou Cain, meio vermelho, saindo de dentro do banheiro, já todo vestido com roupas de sempre.
“— Sim. ” — respondeu “— Estava te esperando para tomarmos o desjejum café. ”
“— Veck... ” — Cain aproximou-se mais, parecendo estar meio aborrecido, ou confuso “— Eu nunca mordi minha irmã...”
Um divertido sorriso se formou nos lábios de Veck, que logo se transformou em uma pequena risada. Aproximou mais do amigo, levantando-se de onde estava. Tocando, assim que chegou perto o suficiente, a face de mordida de modo leve e suave.
“— Eu não sou você. ” — comentou “— Sou um vampirinho que adora morder. ” — falou em seguida, dando uma piscada safada para o amigo.
“— Morder? ” — perguntou assuntado.
“— Calma... ” — fala Veck, sorrindo “— Nunca vou te morder de verdade. ” — mentiu.
“— Mas você acabou de me morder. ” — fez beicinho, fingindo birra.
“— Certo... Então da próxima vez eu te dou uma lambida. ” — provocou.
“— Lamber!? ” — exaltou-se Cain, ficando extremamente vermelho “— Pare de brincar comigo. ”
“— Certo... Eu paro ”
“— Vamos antes de tomar café, passar no quarto no qual você dormiu, acho que eu esqueci algo lá. ” — comenta Cain.
“— Claro. ”
Foram ambos andando em calmamente para o outro quarto. Logo que entraram neste viram Guille deitado de bruços, na cama, lendo um livro qualquer. Assim que este notou que os outros haviam chegado, largou o que estava lendo e correu em direção a Cain, abraçando-o pelo pescoço.
Rapidamente Veck, arranja um jeito de afastar aquele loiro do amigo, olhando depois de modo raivoso para o garoto enxerido.
“— Cainzinho! Bom dia! ” — falou Guille, apenas para o Cain “— Gostou da minha nova roupa? ” — indaga, exibindo-se um pouco.
Só agora que o loiro havia falado, fora que Veck e Cain notaram que Guille estava com uma belíssima roupa. Quem olhasse agora nunca suspeitaria que algum dia o loiro fora um escravo.
Estava com o cabelo belamente amarrado por uma fita vermelha, que lhe caia pelos ombros. Sua roupa belamente trabalhada com pequenas flores carmesins, dando um ar mais refinado e feminino.
Mas o que chamava a atenção naquela roupa era um enorme laço vermelho em seu peito, segurando um manto branco. Belo e afeminado, uma beleza andrógena. Só quem realmente conhecesse o loiro, saberia que aquilo será um homem.
“— Gostou do que vê, Cainzinho? ” — indaga sorrindo.
“— Onde arranjou essas roupas? ” — perguntou Cain, curioso.
“— Eu... ” — Guille da uma pausa, parando um pouco para pensar “— Acredita que pessoas muito bondosas me deram? ”
“— Pessoas bondosas...? ” — Cain olha confuso “— Que bom que ainda existem pessoas assim. ”
“— Só você mesmo Cain... ” — desabafa Veck “— Bem... O jeito que ele conseguiu isso não importa. Vamos logo tomar café, temos uma mais longa viagem para irmos. ”
“— Weeee! ” — gritou Guille, alegremente.
“— Você não vai! ” — reclamou Veck.
“— Vou sim! Devo a minha vida ao Cainzinho. ”
“— Vá tentar dar para outra pessoa, tire seus olhos dele! ” — exasperou Veck, não suportando aquela coisa loira.
“— Dar? ” — Cain indagou, ficando vermelho em seguida.
“— Desculpe Cain, esqueça o que eu disse... ” — falou Veck “— Apenas vamos tomar o café que tenho certeza que ele sabe se virar... ”
“— Você de cabelo prata! Eu vou junto! Você não é o dono do Cainzinho! ” — reclamou Guille, abraçando Cain.
“— Eu... ”
“— Você é só um amigo dele! Pare de tentar implicar comigo. ”
Veck já estava a ponto de conjurar uma labareda para pulverizar completamente aquele impertinente, mas conteu-se vendo o olhar confuso, de que não está entendendo nada, de Cain.
Sorriu. Desistindo de queimar aquela coisa loira, pois sabia que Cain não faria nada com este... E mesmo se fizesse, isso não seria de sua conta.
“— Se quer mesmo seguir agente como um cachorrinho, que siga. ” — respondeu ríspido para o loiro “— Vamos Cain, vamos tomar café ” — sua voz mudará para algo mais brando.
“— Sim, vamos. ” — responde Cain animado “— Você também vem Guille, mas me larga antes... ” — pediu.
“— Vou sim! ” — respondeu, soltando o outro.
“ Duvido que consiga ‘sentar’, a mesa... ” — pensou Veck, rindo baixo.
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No mesmo local onde Veck e Cain tomaram se desjejum no dia anterior. Agora estavam os três apreciando de um delicioso café da manha. Porem Veck mal tocara na comida, seus pensamentos estavam longe dali.
Em sua mente vinham-lhe imagens de seu Mestre, a voz ferina e possessiva de seu deste parecia-lhe torturar os ouvidos. Mal escutara o que seu amigo e o loiro conversavam alegremente, em quanto comiam.
Aquele maldito pesadelo que tivera fora apenas uma das varias torturas que recebera de seu Mestre, cada vez pioravam, cada vez mais cruel e pervertido. Chegava a tortura-o de formas que desejava imensamente nunca mais se lembrar.
Nunca conseguiu entender a luxuria que seu Mestre tinha para consigo. Parecia simplesmente que o maior prazer no mundo para ele, era torturá-lo. Sentia-se mal apenas em recordar
“— Veck... Estais bem...? ” — perguntou Cain, preocupado.
“— Não. ” — respondeu rápido sem pensar “— Quero dizer... Estou sim. ” — concertou-se.
“— Pare de mentir... ” — pediu Cain.
Veck apenas olhou, não sabia o que fazer. As imagens de seu Mestre apareciam em sua mente tão claras que estava sentindo medo destas. Podia até sentir o perigo esgueirando-se atrás de si, a sua procura, na sua cola.
Nunca tivera tido um sonho, ou pesadelo, tão real quanto aquele. Algo estava errado, e era isso o que o estava preocupando.
Levantou-se da mesa, sobre olhares curiosos. Não se atreveu a falar mais nada, sabia que não importava o que disse-se sua voz sairia tremula, denunciando seu estado.
Sorriu do modo mais normal que conseguiu, e se retirou do lugar. Não adiantaria ficar ali, só iria preocupar Cain, e este já estava cheio de problemas. Nesse momento tudo o que queria era ficar sozinho.
“— O que aconteceu com ele, Cainzinho? ” — indaga o loiro, olhando Veck se afastar.
“— Não sei... Mas acho melhor deixarmos ele sozinho, algo me diz que ele quer isso... ” — responde, meio desanimado.
“— Vocês são amigos há muito tempo? ”
“— Na verdade, nos conhecemos há um mês, acho. ” — responde.
“— Só há esse tempo e já são tão amigos assim? ”
“— Eu nunca tive amigos antes... Ninguém conversava comigo, se não fosse necessário. ” — explicou, não mostrando tristeza em sua voz.
“— De que reino veio? ”
“— Radiance. ”
“— Aquele reino que todos dizem ser lindo? ” — pergunta animado.
“— Sim, ele é. ”
“— E por que saiu de lá? ” — indaga, não escutando uma resposta do outro “— Pode confiar em mim Cainzinho, serei seu a vida toda. ” — comenta feliz.
“— Você não é um escavo, para ser meu, eres agora um homem livre. Podes fazer o que quiser. ” — fala Cain, tomando um cole de café em uma bela xícara.
“— Eu sei. E por isso mesmo decidi te seguir! ”
“— Tudo bem, quanto mais gente, mais animado pode ficar. ” — responde Cain, ingenuamente.
“— Agora... Conte-me mais sobre você... ” — pediu o loiro, de forma manhosa.
Cain suspira, vendo nos olhos do loiro que este não iria desistir de perguntar até saber de tudo. Então calmamente, em quanto os dois tomavam seu desjejum, Cain contava-lhe alguns fatos de sua vida, e o que o levou a sair de seu reino.
Quando terminaram seu de saborear todo o café, Guille já sabia de tudo o que tinha acontecido, tudo o que Cain sabia.
“— Nossa. ” — falou o loiro, melodiosamente “— Quanta confusão... Parece mais um livro antigo, feito por algum autor maluco. ” — comenta.
“— Concordo. ” — responde Cain, rindo um pouco do jeito do loiro.
“— Bem... Então é melhor sairmos logo dessa cidade. ”
“— Sim, é bom sairmos antes que notem sua falta na mansão. ”
Cain levantou-se sendo seguido pelo loiro o caminho todo. Indo até o quarto em que Veck neste momento deveria estar. Chegaram lá e bateram a porta, esperando alguma resposta. Nada, nenhum som. Bateram novamente a porta, desconfiados que não tivesse ninguém dentro.
“ Será que ele não está aqui...? ” — perguntou-se Cain em mente.
Entrou, já que não recebera nenhum ruído de resposta. Estranhou que não havia ninguém ali, nem mesmo no banheiro. Guille e Cain se olharam curiosos, tentando imaginar aonde Veck poderia ter ido.
Cain então teve uma ideia, rumou, sendo seguido pelo loiro, para o quarto no qual tinha passado a noite. Dessa vez entrou sem bater, vendo assim que entrou Veck dormir em sua cama.
“— Veck...? ” — chamou Cain, chegando mais próximo a cama.
“— ...Cain...? ” — Veck acordara, sentando-se em seguida manhosamente em na cama.
“— Por que veio dormir aqui? ” — indagou.
“— Não sei... Eu queria apenas um lugar calmo para ficar... ” — desabafou.
“ ‘Calmo’? ” — pensou Cain, não dando muita importância “— Você está bem? Se quiser você pode descansar mais... ”
“— Não, eu estou bem. Podemos ir ” — fala levantando-se, olhando ao longe parado na porta Guille olhando a cena com uma cara meio marota “— Que cara é essa? ” — pergunta ao loiro, já de pé.
“— Só estou achando a cena um pouco... ‘Estranha’. ” — fala este.
“— Não a nada de estranho nisso. ” — rebate.
“— Sei... ”
“— De qualquer forma. Vão os dois arrumar suas coisas, vamos partir agora. ” — fala Veck.
“— Certo. ” — respondem Cain e Guille juntos.
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Os dias foram passando, e os três rumavam para o novo destino. A vila élfica. Tudo parecia tranqüilo, exceto para Veck que não entendia o porquê de agora toda noite ter pesadelos tão reais com seu mestre que já estava até desistindo de dormir. Preferindo ficar a observar lua no céu ou apenas a velar o sono do amigo.
Mas fingia muito bem, não queria realmente envolver Cain nisto, que este mesmo tinha coisas muito importantes a resolver. Decidira também não se alimentar do amigo, por causa do estado das algemas deste.
Não queria arriscar nada. Não ria mais arriscar nada. Distraía-se com as conversas animadas de Cain e Guille, tentando achar estas algum conforto. Vivia brigando com aquele loiro, pela impertinência dele, e Cain toda vez tentava apartar a briga de alguma forma.
Já no sexto dia de viajem, cavalgavam agora por uma densa floresta. Dessa vez, antes de entrar nesta Veck explicara muito bem que não era para Cain se afastar hipótese alguma dele. Pois a floresta tinha um encantamento pare repelir intrusos, e só as pessoas que realmente sabiam o caminho conseguiam chegar à vila.
Anoitecendo neste dia, Cain e Guille seguiam Veck sem tirar os olhos desse, pois a floresta se mostrava extremamente escura a sua volta.
“— Quem está ai!? ” — indaga uma voz feminina de algum lugar da floresta.
Veck parou seu cavalo, sendo imitado pelos outros que lhe seguiam. Olhou em volta, tentando reconhecer de onde vinha a voz, sorriu, vendo uma elfa bem escondida entre as arvores.
“— Me chamo Vectorius Razard! ” — exclama Veck, em alto e bom som.
“— Vectorius!? ” — repete a voz feminina, parecendo alvoroçada
“— Sim, este é meu nome. ” — fala, meio altivo.
Um longo silencio se sucedeu. Lentamente no chão aparece entre as arvores, uma figura de uma mulher, usando uma capa branca. A elfa com cabelos vermelhos aproximou-se um pouco mais, portando um sorriso nos lábios, olhando sensualmente para Veck, olhando em seguida para Cain logo atrás desse.
“— Os três, podem me seguir. ” — avisou a mulher, dando as costas e caminhando meio rápido.
“— Quem é essa senhorita, Veck? ” — indaga Cain, chegando com seu cavalo por um lado mais perto do amigo.
“— Uma elfa. Ela nos levará até a vila ” — explica.
“— Ela parecia muito contente em te ver... ” — comenta Guille, aproximando-se de Veck, em seu cavalo, pelo outro lado.
“— Meu caro Guille. ” — falou, com uma clara zombaria “— Aqui, não terá ninguém para você brincar. ” — avisou para este, com um sorriso macabro em seus lábios.
“— QUEEEE!?? ” — alarmou-se o loirinho.
“— O que houve, Guille? ” — perguntou Cain, não entendendo do se tratava.
“— Ignore-o, Cain, apenas ignore-o. ” — fala Veck para Cain, rindo baixo.
“— QUE? Seu morcego indeciso! ” — reclama Guille.
“— Quieto. Seu cachorrinho tarado! ” — rebate Veck.
“— Parem de brigar vocês dois. ” — pede Cain, apartando a milésima briga que os dois tinham.
“— Hunf! ” — suspira Veck, acalmando-se “— Foi ele quem começou. ”
“— Vocês não poderiam parar de discutir, não entendo por que fazem tanto isso. ”
“— Não gosto dele! ” — falaram Veck e Guille, exatamente ao mesmo tempo, um apontando para o outro.
Cain riu baixo, achando graça da cena. E logo os outros acabaram por ir também. Mas logo pararam ao ver a elfa parada em frente a um enorme portão, cheio de plantas esgueirando-se por este.
“— Podem entrar. Irei avisar a líder. ” — avisou a elfa, entrando em seguida no portão.
Veck sorriu, descendo de seu cavalo, levando-o para perto daquele portão, deixando em seguida este virar apenas uma pilha de ossos. Empurrou-os cuidadosamente para um canto e os deixou lá. Virando-se então para os outros dois, que viam seu ato com rostos meio confusos.
“— Meu cavalo não pode passar por esse portão, então eu o deixo aqui fora... ” — explica
“— Vocês podem ficar nos seus, principalmente você Cain. ” — avisou.
Cain apenas balançou a cabeça, concordando com o amigo. Entraram então no grande portão, que se fechou em seguida. Olharam admirados as belas construções em meio as árvores, e a estonteante beleza do lugar.
Andaram mais um pouco, e logo se encheu de elfas, olhando meio de longe para eles. Havia um alvoroço entre elas, uma alegria estranha em cada uma daquelas mulheres de orelhas pontudas.
“— Olá meninas... ” — falou Veck, me modo provocante.
Logo um monde de elfas gritou em completo êxtase correndo em direção a Veck. Abraçando-o pulando alegremente em sua volta. Era notável a extrema felicidade no rosto dessas ao vê-lo na vila.
“— Calma meninas, assim vão me deixar com falta de ar. ” — tentava falar Veck, sendo rodeado por mais de oito elfas.
Cain e Guille olhavam aquilo realmente espantados. Mal conseguiam ver Veck em meio a tanta mulher. Não sabiam se iam lá salva-lo ou se o deixavam daquele jeito.
Guille desistiu de ver aquele bando de mulher e começou a olhar em volta, procurando algum elfo. Mas tudo o que viu foram mais elfas, que pareciam tímidas em se juntar as que estavam se agarrando a Veck.
“ Isso aqui é o inferno? ” — pensou Guille, desistindo de procurar algum homem naquela vila.
“— Veck... Estais bem...? ” — perguntou Cain, não sabendo se ajudava ou não o amigo.
Então os olhares das elfas se voltaram no Cain, olharam, olharam, ate que se afastam de Veck cercando seu cavalo. Veck apenas começou a rir, vendo que Cain ficara todo vermelho pelas garotas em volta de si.
“— És amigo de Vectorius? ” — uma das elfas se atreveu a falar.
“— Si-Sim... ” — falou, meio envergonhado.
As garotas apenas ficam mais histerias pela vermelhidão na face de Cain. Veck incomodou-se com aquilo. E logo veio intervir a ajuda do amigo.
“— Hei meninas, ele não está aqui para diversão. Estamos ocupados agora, depois eu vou falar com vocês. ”
“— Só se você prometer nos morder... ” — pediu, a mesma garota que fez a pergunta antes a Cain.
“— Claro... Eu estou faminto. ” — respondeu Veck, o que não era mentira.
As garotas logo saíram de perto dos três, voltando a seus afazeres antigos. Os três esperaram mais um pouco e a elfa vestira de manto branco apareceu novamente a eles.
“— Vectorius, a Anciã já os está aguardando. ” — falou esta.
“— Obrigado Lune. Iremos agora mesmo. ”
Veck começou a andar indicando o caminho que conhecia muito bem, sendo seguido pelos outros dois, logo Cain chegou para mais perto do amigo.
“— Aquela elfa me lembra à senhorita Luna. ” — fala Cain.
“— Ela é a irmã mais velha dela. ” — explica Veck.
“— E quem estamos indo ver agora? ”
“— A Anciã, que por coincidência é mãe da Luna e Lune. ”
“— Qual o nome dela? ”
“— Jiyha ” — responde Veck.
“— Essas elfas gostam da ‘lua’ mesmo. ” — comenta Guille, sabendo que ambos os três nomes tinham a mesma tradução.
Pararam em frente de uma enorme construção, no qual uma arvore parecia passar por dentro, fazendo pétalas de flores caírem pelo telhado e em volta, dando um ar mais divino aquele lugar. Os que faltavam, desceram dos cavalos, amarrando-os perto dali. Entrando assim que fizeram isso.
“— Vectorius... Até mesmo eu, fiquei espantada com sua presença em nossa vila. ” — fala uma bela mulher, de cabelos curtos e vermelhos, aparentando ter trinta anos.
Esta estava belamente vestindo um longo e justo vestido azul claro, demarcando suas belas curvas, sentada em uma poltrona de aparência macia. Com belos olhos azuis, olhava atentamente os três jovens rapazes sentarem-se um espaçoso sofá a sua frente.
“— Desculpe senhora... Sei que só apareço para causar problemas. ” — fala Veck, já sentado no sofá, assim como Cain e Guille.
“— Deixe essas formalidades de lado... Já se acertou com minha filha? ” — perguntou, sendo uma boa mãe que era.
“— Sim. Apesar de não estar com ela, acho que Luna está mais feliz. ”
“— Está sim. Recebi mensagens de Falon, o falcão dela. As noticias eram bem alegres. ” — comenta alegre a bela elfa, só agora desviando seu olhar para o Cain, sentado ao lado de Veck “— E este belo rapaz? Como se chama? ”
“— Desculpe meus maus modos. Chamo-me Cain Eucaristia Radiance. ” — falou Cain, educadamente.
“— O príncipe herdeiro dos Radiance? ” — a mulher perguntou, vendo a confirmação no balançar concordante da cabeça de Cain “— Bem... Estou honrada em recebê-lo em nossa vila. ”
“— Obrigado. ” — responde cordialmente.
“— Mas agora me conte Vectorius, o que realmente queres de mim? ” — indagou a bela elfa.
Começaram a conversar explicando a real situação, enquanto Guille apenas ficava mudo, olhando ao redor, admirando a beleza do lugar. Olhava com seus olhos dourados cada canto daquela dela sala, vendo como a natureza estava tão vivida no local.
“— Conheço muito bem a maldição dos Radiance... ” — comenta a mulher, prendendo a atenção de todos “— Uma bela garota, veio a este mesmo local muito tempo. Se não me engano seu nome era Yume. ”
“— Yume? Sim, ela era a antiga dona desta maldição. ” — responde Cain “— E o que aconteceu com ela? ” — perguntou em seguida.
“— A garota estava desesperada em busca de ajuda... Como eu não sabia onde poderia estar Vectorius para quem sabe ajudá-la... Não tive escolha... ” — falava a mulher, parando no final, parecendo meia na duvida se continuava ou não aquela conversa.
“— O que aconteceu? ” — perguntou novamente Cain, extremamente curioso.
“— O único mago poderoso que eu conhecia... Era o Mestre de Vectorius. ” — respondeu após um tempo.
“— Meu Mestre!? ” — falou aflito, Veck, levantando-se do sofá “— Meu Mestre nunca iria ajudar uma garota, principalmente sendo humana! ” — exasperou-se, tomando a atenção de todos.
Veck nota o olhar de todos em si e apenas fica mudo, fechando suas mãos com força, tentando conter-se. Sentou-se novamente, pensando seriamente no que Jiyha havia falado. Logo que parou para refletir melhor, uma nuvem de confusão se apoderou de sua cabeça.
Não estava mais nem escutando o que Cain e a elfa conversavam. Estava apenas recordando acontecimentos de um passado recente. Lembrava-se da primeira vez em que Yami havia falado algo, e lhe explicando um pouco sobre a condição no qual se encontrava.
Lembrara que este tinha dito que tinha sido morto por um vampiro muito poderoso, que fingia claramente para ele, porem conseguia enganar o frágil coração de mulher, alegando que a amava.
Tudo parecia estar interligado, fazendo uma conexão novamente entre seu Mestre. Suspirou, imaginando quão horríveis coisas, seu Mestre teria feito com Yami. Já que nesta época já não estava mais sobre domínio deste.
Porem um ser tão maléfico e sensualmente perigoso, não poderia ficar apenas esperando sua adorada cria voltar. Acharia algo para passar seu tempo e seu desejo mórbido.
Veck sabia que Yami era um ser por demais complexamente fascinador, um ser que exercia uma certa viciosidade a quem o provasse. Mas sabia muito bem que seu Mestre tinha o costume de enjoar das coisas rápido demais.
A única coisa que infelizmente não o fazia perder o fascínio, a tentação, a luxúria, era brincar consigo. Saber que seu corpo era o melhor dos prazeres para aquele ser sádico e maléfico, faziam Veck sentir nojo dessa verdade. Uma verdade que desistira de achar alguma lógica a muito tempo atrás.
“— Vectorius, estais bem? ” — perguntou Jiyha, notando que o mago apenas ficava envolto em pensamentos, não participando da conversa.
“— Desculpe-me, estava apenas consumido em pensamentos. ” — fala Veck, dando um pequeno sorriso “— Sobre o que estavam conversando? ” — pergunta, olhando para Cain em seguida, estranhando uma alegria estampada na face deste “— Alguma boa noticia? ” — indaga para este.
“— Sim. ” — responde um animado e sorridente Cain “— A senhora Jiyha disse que pode consertar essas rachaduras. E ainda pode melhorar minhas algemas. ”
“— Melhorar...? ” — pergunta Veck, olhando a elfa de modo curioso “ O que essa elfa está tramando... ” — pensou em seguida.
“— É algo muito incomoda dormir acorrentado a elas... ” — começa a falar a elfa “— Então transformarei isto em algo mais pratico, precisará mais ser removido, assim evitaria imprevistos. ”
“— ‘Não precisara ser removido...’? ” — indagou Veck, já pensando em Yami.
“— Removido poderá ser, pelo dono, alguém com a mesma linhagem sangüínea ou perante uma magia forte. ”
“— Quão forte precisará ser? ” — perguntou novamente Veck.
“— Hum... Caso ocorra algum imprevisto, sua magia, Vectorius, poderá remover. ” — explicou.
“— Com isso, não terei que me algemar toda noite. E não corre o risco de não fazer tal ato. ” — comenta Cain animado.
“ Yami... ” — pensou Veck “— Tudo bem... ” — deu um suspiro “— Quanto tempo levará para fazer isto? ”
“— Certa de um mês. ” — avisa.
“— Tudo isso. ” — alarma-se Cain, porem sem perder sua educação.
“— Desculpe meu caro príncipe, mas rituais élficos necessitam de certos preparos, e de elfas capazes. ” — explica para Cain.
“— Mas neste meio tempo, como poderei dormir? ”
“— Colocarei você e Vectorius no mesmo quarto, pare que ele possa te... ” — começa a falar a elfa mas é interrompida pelo Veck
“— Possa te ajudar com alguma magia. ” — responde Veck rápido, sabendo que se a elfa continuasse a falar, iria acabar tudo em uma grande confusão.
“— Você tem magias desse tipo Veck? ” — indaga Cain, estupefato por descobrir mais isto do amigo.
“— Claro. ” — respondeu o que era verdade “— Pode dormir tranqüilo que qualquer coisa usarei uma dessas magias ” — mentiu dessa vez.
“— Obrigado. ” — agradeceu Cain.
“— Agora... Por favor Príncipe, poderia deixar suas algemas mais tarde neste local? ” — pede a elfa.
“— Claro senhora. ”
“— Perfeito. Minha filha os levará até uma casa, no qual ficarão hospedados. ” — avisa a elfa, levantando-se e chamando pela filha em seguida.
“— Sim? ” — Lune aparece na sala, portando a mesma capa branca.
“— Querida, por favor leve-os até uma boa casa, eles precisam repousar... Cuide também de providenciar tudo o que eles precisam para sua estadia nesta vila. ” — avisou para a filha.
“— Entendi. ” — responde educadamente “— Poderiam me seguir por favor? ” — pede a elfa, aos três ainda sentados no sofá.
Despediram-se de Líder elfa, e saíram, seguindo Lune pelo caminho até a casa que temporariamente estariam vivendo. Andaram passando por varias elfas que olhavam histerias para os garotos, com olhos brilhando em expectativa.
Mas Veck, no momento, não estava ligando para elas, pois poderia livremente alimentar-se de Yami o quanto quisesse, o quanto desejasse por esse mês que teriam que aguardar as novas algemas, ou seja lá o que Jiyha quisesse transformar aquilo, estarem prontas.
O sorriso no rosto de Veck estava tão visivelmente libidinoso que Guille já estava estranhando o morcego. Iria ficar bem em guarda para este não fazer nada com seu Cainzinho...
Cain era o único que não estava notando nada, ingenuidade talvez. Não notava os olhares das elfas quase devorando seu corpo com os olhos, assim como os de Veck. Estava feliz demais em saber que tudo aquilo poderia ser resolvido em um mês, apesar de não ser a real cura para seus problemas, pelo menos não teria que viver com medo de perder o controle e sair matando todo mundo, como fizera em seu reino.
“ Vai ser um mês delicioso... ” — pensou Veck, olhando discretamente para Cain.
“ Vai ser um mês dos infernos ” — pensou Guille, olhando só mulheres a sua volta.
“ Parece que será um mês tranqüilo. ” — pensava Cain
Porem este mês poderia ser tudo menos tranqüilo.
CONTINUA...
24/04/09
Nota da autora:
E então, o que acharam do Guille? Levante a mão quem também achou que era o inferno, aquele bando de elfas amontoadas em cima do Veck? *Toy levantando a mão*
Ah... No comecinho acham que deram para notar como é a personalidade do terrível Mestre do Veck (huhuh). As razoes por tanta fixação no vampirinho ainda é um mistério... (Mas eu sei XD) Talvez eu explique no próximo CAP
Aguardem, pois haverá lutas... Elfas morrendo (aleluia)... Um Veck cheio de tanto morder Yami a noite toda... E a aparição do vilão, aquele quem aterroriza os piores pesadelos de Veck, sim seu Mestre aparecerá pessoalmente (será?) no próximo CAP.
Agradecimentos:
Agradeço aqueles que aturam essa loucura que é essa estória. Comentem, digam seus desejos, quem sabe eu poderei concedê-los aqui.
By: Toynako
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