Prison Magic
25 Capítulo 25
Autora: Toynako
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Prison Magic
Capitulo 24 (ou 25, se for no Nyah!)
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Meses já haviam se passado naquele inverno permanente de Even, dias estes que eram infernais para uns e deleitosos para outros.
Veck andava lento pelos corredores do castelo de seu Mestre, seu corpo todo doía e implorava por descanso. Há apenas alguns minutos fora liberto do ‘breve’ castigo do louco que o conseguira de volta.
E agora, lembrava-se com mais perfeição dos atos insanos daquele Puro Sangue. Eram torturas além do aceitável. Dores que fariam qualquer um morrer, até mesmo vampiros de baixo nível.
E o seu caso estava quase para ser aquele, havia decaído de nível há alguns meses. Sabia que sua regeneração não seria mais como antigamente, mas, pelo menos seu poder mágico estava intacto.
Pelo menos fome, não teria, já que o castelo era tão rodeado de energias malignas que só o fato de estar nele já o fazia ficar cheio. Era a mesma coisa com a mansão que morava antes.
Entretanto resistira a tudo que seu Mestre impôs a si neste tempo com a promessa de poder rever a Lucy quando tudo acabasse. Ela estava sendo seu amparo, e, estranhamente vez ou outra, lembrava-lhe Cain.
Sorriu triste, deveria esquecer de vez o amigo, de fato, deveria nem se lembrar que teve um amigo. Nunca mais iria sair daquele lugar, e mesmo se tentasse, levariam anos. E anos para um humano não são nada em comparação a vida de um vampiro.
Era melhor esquecê-lo, definitivamente iria esquecê-lo. Um príncipe como ele não se deslocaria quase para o fim do mundo, atrás de um ser como era. Absolutamente não iria, e se viesse se perderia facilmente na floresta que rodeia o castelo.
Respirou fundo, sentindo suas pernas tremerem, andou mais lento em direção a parede mais próxima, apoiando-se nela. Não choraria, não fraquejaria, aquela era sua vida e cabia a apenas ele viver com a cabeça erguida.
Levou lentamente uma mão ao seu corpo dolorido, ignorando a todo custo o fato de não estar vestindo absolutamente nada. Não possuía forças nem para fazer uma magia simples de cura.
A verdade era que seus poderes estavam selados, esta fora a primeira coisa que seu Mestre fez depois que pisou da morada deste. A segunda, bem, pelo estado que seu corpo estava, isso era visível para qualquer um.
“— Vo-Você está bem?” – Ecoou uma voz preocupada pelo corredor.
Forçou a sua vista, mas nem esta funcionava direito, guiava-se apenas por instintos, era esse o seu segredo para nunca se perder naquele lugar, mesmo que as coisas mudassem, achava logo o que queria como se soubesse onde estava.
“— Quem...?” – Respirou fundo, sua boca estava seca e a garganta dolorida pelos gritos que dera.
“— Sou Oroi...” – Se aproximou mais do outro.
Até o moreninho, que estava acostumado com os castigos de Shisue, ficou realmente chocado com o que vira. O outro estava em um estado deplorável, sangrava em demasia por quase todo o corpo.
Os cortes fundos e as queimaduras eram os de menos ali. Podia ver até um pedaço do osso aparecendo no braço, onde não sabia se fora arrancado com algum instrumento ou se foram mordidas.
Suspeitava mais da última opção.
Olhava espantado para Vectorius vendo cortes e mais cortes, sangue e mais sangue. E ao chegar um pouco mais perto, congelou ao ver sangue descendo de uma forma abundante entre suas pernas misturado a algo branco.
Seu olhar jade focou-se no corredor, vendo um rasto destas duas cores pelo chão, uma mancha extremamente visível, que sabia muito bem sair de uma das salas de tortura de seu Mestre.
Mestre este que não vira desde que o ‘belo’ dele havia reaparecido.
Respirou fundo, pegando um braço deste e passando pelo ombro, apoiando-o para pelo menos ajudá-lo um pouco. Sabia o quão insano seu Mestre fora, todos os servos ali sabiam.
Os gritos desesperados ecoavam por todos os lugares de forma ininterrupta.
“— Me... Solte...”
“— Estou aqui para te ajudar...” – Falou calmo, trazendo o outro consigo. “— É bom você ir descansar e tomar um banho...” – Aconselhou.
Veck não se recordava quem era aquele vampiro, a voz e a imagem não passava de algo disforme. Mas pelo menos sabia que não era Vitor. Deixou-se ser ajudado, primeiro porque no nível que estava realmente não tinha como negar ajuda em nada e segundo que queria em demasia descansar, dormir alguns dias até.
Andou lento, com passos incertos, estava doendo tanto, em tudo que era lugar, que nem sabia mais onde que estava dolorido, parecia que tudo se juntara para formar uma única e grande agonia.
Apontava fracamente para o caminho, onde o outro devia o levar. Notou logo que este estava perdido ao parar em uma bifurcação e olhar aflito para os lados. Não o culpava, todos se perdiam naquele lugar, até seu Mestre.
Não soube se sorria ou aborrecia-se ao entrar novamente, depois de tantos anos, em seu quarto. Não queria saber o estado que este se encontrava também, devia estar cheio de poeira.
Apenas continuou até sentir a cama, não demorando em soltar-se e jogar-se de qualquer jeito nela, fechando os olhos, podendo ter enfim seu tão clamado descanso. Precisaria descasar muito, sabia que o que sentira nestes meses se repetiria por toda sua vida.
“— Precisa de algo...?” – Indagou Oroi. “— Vectorius...?” – Chamou-o após um tempo sem ouvir respostas.
Não precisou muito para notar que o outro dormira, ou desmaiou para ser mais exato. Olhou então pelo lugar, admirando o enorme quarto, que mais parecia uma biblioteca pela quantidade de litvos nas prateleiras.
Apesar de estar mal cuidado, com cheiro de bolor e mofo, não seria tão trabalhoso arrumar o cômodo. Soltou um muxoxo vendo os lençóis amarelados se sujarem com aquela mistura profana.
Ele se recuperaria tão rápido se aceitasse tomar o sangue de Shisue, algumas gotas daquele sangue puro faziam realmente milagres. Sabia por experiência própria. Mas, sabia mais ainda que todos tinham seus motivos.
Respirou fundo, era melhor deixar tudo do jeito que estava, e voltar só quando o dono do quarto acordasse, suspeitava que iria demorar alguns dias. Mas, pelo menos, já tinha noticias do outro para dar a Lucy.
Claro, ocultaria tudo, diria apenas que fora algo leve, e torceria para a garota ignorar o fato dos dias e noites que ouvira gritos desesperados do amado dela. Olhou para então suas roupas, engolindo em seco ao ver tanto sangue manchando elas.
Estremeceu, olhando de si para o outro, sentindo fome daquele plasma sanguíneo. Acabou por sair às pressas do quarto, fechando a porta atrás de si e soltando um suspiro aliviado.
Não comia desde a noite na floresta élfica. Entretanto sabia se controlar muito bem, poderia relevar sua fome facilmente, apesar de alguns pequenos surtos como o que tivera a pouco.
Seu Mestre havia lhe explicado que era por ser um ‘Nobre’, gerado por um Puro Sangue. O último antes da linhagem se acabar. O último de uma família quase tão antiga quanto os Abyssinian.
Shisue tinha mandado ocultar este fato de todos, mandando-o alegar que era apenas um vampiro Classe ‘A’.
“— Naitan...” – Sussurrou baixinho o nome de, tecnicamente, seu real Mestre.
Desencostou-se da porta, teria que mudar de roupa, possivelmente até tomar banho para tirar o sangue do outro que ficara em si. Era loucura ir deste modo falar com a loira, ela iria chorar mais do que chorara nos últimos tempos.
Não a culpava por ter se desesperado tanto nos últimos tempos.
Primeiro fora a volta completa da consciência, assim que voltou para sua cela fria de vidro. A dor de ter dito tantas coisas para seu amado, sem que estas fossem realmente o que desejava falar.
Segundo, ela sentia o gosto de carne viva em sua boca, o cheiro de algum elfo qualquer que deve ter matado junto com outros zumbis.
“— Pobre da senhorita Lucy...” – Soltou um suspiro pesaroso, andando pelos corredores do castelo, procurando pelo seu quarto.
“— Ora... Se não é o servo inútil e já descartado...”
Tão envolto em seus pensamentos, não percebera o louro se aproximando de si, com um sorriso até vitorioso nos lábios.
“— E se não é o vampiro de nível ‘B’...” – Alfinetou-o, sabendo que este odiava tal fato. “— O simples e irrelevante escravo.”
“— Seu trançado desgraçado...” – Bufou, se aproximando. “— O que faz aqui ainda? Não percebeu que já perdeu tua utilidade?” – Sorriu-lhe cínico, olhando-o de cima a baixo.
“— Meu Mestre não me disse tal cois-”
“— Claro que não diria.” – Cortou a frase dele, ficando bem perto, olhando para baixo, para seu rosto, já que o outro era menor. “— Ele esteve ocupado demais, para te expulsar deste lugar.”
“— Sua língua está afiada hoje Vitor...” – De fato, gostava de alfinetar ele. “— O que foi? Tuas fêmeas te abandonaram? Está sem sexo e alimentos há meses, é?” – Sorriu mais, de modo medonho, quase uma característica de Shisue.
Talvez a convivência com o Puro Sangue estivesse influenciando um pouco o menor.
“— Não...” – Apenas relevou, estava até de bom humor. “— Faço isso sim... Toda hora que eu quiser...” – Se aproximou, sussurrando em seus ouvidos. “— As duas coisas... Diferente de tu, que deves estar faminto... E deve estar até se ‘aliviando’ sozinho...”
“— Saia de perto de mim.” – Empurrou-o.
“— O que te salvava eram teus olhos...” – Fitou-o frio, com um verde parecido em seus próprios orbes. “— Mas, acho que isso não te salvará mais, afinal, és cria de um inimigo natural dos Abyssinian, deve ter algum bom motivo para ele ter te deixado vivo aquela vez...”
“— Ainda tenho utilidades, se não a primeira coisa que meu Mestre faria era me matar.”
“— Boa sorte trançado, vais precisar...” – Ironizou, rindo deste e voltando a fazer seu curso.
“— ...”
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Mais uma manhã gélida em uma dos vilarejos mais ricos do Reino de Even, o casal Takada esperavam se mudar para um lugar mais tranquilo que aquele.
De dentro da carruagem, o pequenino menino olhava para as enormes árvores que ladeavam a estrada. Seus pais estavam orgulhosos de Oroi, ele era um dos garotos mais espertos do vilarejo em que viviam.
Os jovens pais tinham muitas economias, e bem guardadas, eram pessoas de boa índole, porém, tinham mistérios que rondavam suas vidas, o que não vinha a ser novidade, pois num reino como aquele, em que haviam seres sobrenaturais e os mais bizarros tipos de pessoas, minoria eram aqueles que não tinham segredos.
Mudaram-se para outro vilarejo, este com muito menos pessoas e muito mais árvores, além disso, o número de crianças era alto, o que agradava aos pais do menino.
Não demorou para este fazer amigos, brincava com todos os garotos e garotas do vilarejo, no entanto, ao passo de que ia crescendo, seu círculo de amigos ia diminuindo, focando-se apenas em um garoto especial.
Este, tinha longos cabelos brancos, levemente lilases, ao passo de que seus olhos eram acinzentados. Sua pele era também alva, e suas roupas não fugiam destes tons.
Seu nome era Naitan, e a visão de seu ser, era algo simplesmente divino.
Mesmo com o passar dos anos, Oroi nunca tivera notícia dos pais do outro garoto, apenas sabia que quem cuidava dele, era sua mestra, uma mulher bonita e demasiadamente bondosa, gentil e jovem, que sempre acolhia Oroi em suas visitas a casa do amigo.
O primeiro beijo aconteceu quando o moreninho tinha só onze anos, a mesma idade que Naitan. Os garotos beijaram-se durante um de seus passeios diários e matinais, onde trocavam segredos e brincavam das mais variadas coisas.
O namoro demorou um pouco a vir, mas crescia com uma pureza e paixão ímpar, e apesar destes dois serem sentimentos ou estados opostos, caminhavam juntos para o bem-estar dos garotos.
Yuki, a Mestra de Naitan, ficara sabendo do namoro dos meninos, que crescera firme e completamente forte, ela não era contra, até apoiava, pois via que não existia maliciosidade ou maldade na relação das crianças.
Ao completar treze anos, Oroi ficou sabendo de um segredo, Naitan era um vampiro Puro Sangue, o último da linhagem dos Murasaki, que perderam e morreram numa guerra há alguns anos e deixaram seu único herdeiro, o pequeno Naitan.
Na verdade, isso em nada influiu na relação dos dois, Oroi não sentiu-se traído nem nada do gênero, pois apesar de ser completamente transparente e tudo dizer ao seu amado, sabia que as pessoas tinham segredos.
Seu presente de quinze anos foi o declínio de sua vida e mal sabia o moreninho, que no ano seguinte, conheceria sua morte.
Inicialmente, no dia de seu décimo quinto aniversário, Oroi levantou-se radiante, pronto para comemorar com seu namorado numa festa que haveria na casa dele.
Penteou os cabelos negros como breu e que a essa altura já chegavam em seus joelhos e trançou-os, correndo e descendo as escadas de sua casa que mais se assemelhava a um palacete.
Achou estranho, o sol já estava alto, as flores que anunciavam a primavera e que abriam as dez da manhã estavam desabrochando. Mesmo em Even, algumas datas, as flores locais eram mais resistentes e davam o ar de sua graça.
No entanto, nenhum som podia ser ouvido. Oh, e até podia, um discreto ‘ping, ping, ping’ poderia ser ouvido da cozinha e a porta deste cômodo estava fechada.
Correu até lá e estranhou sentir algo molhado em seus pés enquanto encostava o ouvido na porta, pensando poder ouvir seus pais cochichando algo sobre a festa, que já deveria estar pronta.
As meias brancas e as barras da calça do pijama estavam molhados, mas Oroi nem deu atenção a isto, achava ele, que poderia ser apenas água, que vazara da torneira e escorria pelo piso da casa. Triste engano o do menino.
Não conseguiu ouvir nada, por este motivo começou a bater na porta, continuando sem resposta. Irritou-se e começou a socá-la, esmurrá-la, tentando abrir a pesada porta de mogno.
Nada.
Olhou em volta, vendo numa mesinha não muito longe dali uma chave, a chave da cozinha. Sobre ela, havia um bilhete escrito com a caligrafia caprichada de sua mãe, num papel azulado, do tipo que seu pai usava para deixar-lhe recados importantes.
Sorriu ao sentir o suave perfume de lavanda que emanava do bilhetinho, era o perfume de sua doce mãe, correu até lá, pegando a chave enquanto lia o bilhete. Poucas palavras que estamparam no peito do menino uma falsa e incrivelmente curta felicidade.
“Meu anjinho, sabemos do seu namoro e o apoiamos completamente. Feliz aniversário de quinze anos, nos desculpe a ausência.
Sua surpresa está na cozinha.
Com amor,
Mamãe.
Miaka Takada”
Seu coração acalentou-se, foi até a cozinha envolto numa felicidade que não deveria existir, colocou a chave no trinco, o coraçãozinho batendo a mil, girou-a, duas vezes, um sorriso belíssimo estampado não só em sua boca fina e bem desenhada, mas também em seus olhos grandes e verdes.
Abriu a porta e sua vida nunca mais foi a mesma.
Diante de seus orbes atônitos e esverdeados, estava um espetáculo que não deveria ser visto por nenhum ser humano, por mais vil que ele pudesse ser.
Em um dos cantos da cozinha, o corpo de seu pai jazia pendurado por uma corda, pelo pescoço, num laço firme, mortal, atado ao teto. Seu rosto antes pálido estava agora roxo, o pescoço estava quebrado, os fluidos cerebrais desciam-lhe pelo nariz. Os óculos estavam no chão, envoltos num sangue seco, provavelmente causado pelo corte que havia na perna do jovem pai.
O espetáculo macabro não terminava aí, quase no centro da cozinha, onde havia a grande e bela mesa de jantar, estava a mãe do menino, sentada na cadeira de honra, com a face serena e mais pálida do que deveria estar. Claro que sim, afinal, em seus pulsos haviam cortes muito profundos, de onde mais cedo haviam escapado generosos jatos de sangue, mas de onde atualmente caiam ocasionais gotas do mesmo líquido maldito.
Esta na verdade era a origem do ‘ping, ping, ping’ anterior.
Oroi levou seus olhos para baixo, como se tentasse fugir da visão maligna daquela cozinha, infelizmente, deu de cara com apenas mais sangue…
Sangue em suas meias que outrora eram tão brancas.
Sangue na barra de seu pijama favorito.
Sangue tingindo o chão daquela cozinha e escorrendo para pintar o piso do resto da casa.
Sangue, sangue, sangue e mais daquele maldito sangue que também corria em suas veias.
Levantou novamente os olhos, que agora deixavam escapar grandes lágrimas transparentes. Fitou o rosto de sua mãe, os belos olhos verdes ainda abertos, os cabelos negros e longos escovados, penteados perfeitamente como em todos os dias.
Os lábios pintados de carmim, aquele mesmo vermelho que coloria o chão do palacete.
Como que hipnotizado, Oroi caminhou até ela, tomando uma de suas mãos frias numa vaga esperança de que seu pulso ainda pulsasse. Em vão.
Sentou-se no chão chorando como nunca chorara em toda a sua vida, olhar para a face angelical e com um sorriso sereno de sua mãe praticamente esmagou seu peito.
E foi aí que sentiu novamente o cheiro de lavanda, agora entrando arrebatador em suas narinas, causando-lhe náuseas, deixando-o num torpor macabro e maldito. Olhou para os olhos vazios de sua mãe e reparou que o cheiro não vinha dali.
Levantou-se e viu sobre a mesa um bolo, do tipo que sua mãe fazia, aparentemente delicioso, coberto de doces e guloseimas. Sobre ele, estava espetado mais um cartão azul, um bilhete como o que tinha ao lado de fora da cozinha.
Pegou-o e leu, as mesmas letras bonitas de antes, só que agora um pouco mais trêmulas, haviam algumas marcas de lágrimas no papel, o cheiro lilás deixou-o tonto, mas Oroi não poderia se entregar, não desmaiaria sem antes ler o que estava ali escrito.
“ E então, meu anjinho. O que achou de seu presente?
O bolo está delicioso, é seu predileto. Saiba que você envergonhou muito papai e mamãe, nós tínhamos seu futuro planejado e você nos jogou na lama.
Amaldiçoamos você pelo resto de sua -esperamos que seja- medíocre e curta vida, guardaremos para você um lugar aqui no inferno. A propósito, tem mais um bolo guardado para você, é o do seu próximo aniversário, temos certeza de que vai ser o último.
Com amor,
Mamãe.
Miaka Takada.”
Largou o bilhete no chão, suas mãos estavam trêmulas, seu corpo paralisado, seus olhos se voltaram para a face de sua mãe e fitaram o sorriso mais maníaco e assassino que o garoto havia visto.
Claro que era tudo fruto de sua mente que estava muito perturbada, mas mesmo assim, era uma visão aterradora.
Fora capaz até de ouvir em sua cabeça cada palavra como se a jovem mãe estivesse falando, o tom de voz, o sotaque um pouco estranho, o perfume de lavanda…
Virou-se e começou a correr da cozinha, escorregando e caindo por causa de suas meias encharcadas de sangue. Levantou-se e foi até a lareira, que milagrosamente estava acesa.
Pegou uma das maiores toras de madeira fumegantes dali e levou-a até a cozinha, deixando-a sob a mesa, não se preocupou com suas mãos que neste momento estavam completamente queimadas, só queria ver aquela casa toda incendiada.
Abriu um sorriso vendo os corpos de seu pai e de sua mãe sendo consumidos pelo fogo. Deu as costas e saiu de sua casa, que minutos depois estava sendo completamente destruída pelo fogo devastador.
Não olhou uma vez sequer para trás, chorava muito, corria pela floresta desesperado buscando apenas uma coisa, a casa de Naitan. Sabia que lá era o único lugar onde poderia encontrar abrigo.
Oroi apenas não soube de uma coisa, coisa que ele nunca saberia.
Apesar de tudo, o que aconteceu com seus pais, não foi suicídio, e sim um plano feito pela Mestra de Naitan, que sabia que o primeiro lugar para onde o moreninho correria, seria para lá. Ela queria Oroi para si, como um objeto para saciar seus desejos.
O tempo foi passando e o relacionamento de Oroi e Naitan foi ficando mais ardente, eles atreviam-se a trocar carícias discretas, mas nada avançado demais, afinal, Yuki, a Mestra do menor ficava sempre de olho nos dois.
Apesar do trauma inicial, o ano que se passou foi calmo, até bastante tranquilo.
No seu aniversário de dezesseis anos, Oroi teve sua última surpresa desagradável em vida, mal acordou, e viu Naitan ao seu lado, segurando uma espada de prata.
“—O que está fazendo, Naitan?” – Continuava sem expressão, fitando o menor que se afastava de si com os olhos vertendo lágrimas.
“—Me perdoa, Oroi…” – Falou com sua voz doce, tendo certeza de que sua Mestra estava atrás da porta, vendo tudo o que fazia. Começou a chorar compulsivamente, apontando a espada para o moreninho, que ficara de pé em sua cama.
O corpo crescera esguio, quase feminino, a trança já chegava a seus pés, e os olhos que eram de um verde vivo, haviam morrido, adquirindo uma cor mais escura, mas estranhamente mais bela.
“—O que está esperando!? Se quer me matar faça-o logo, não fique olhando assim para mim como se sentisse pena.” – Bradou, sentindo a ponta da espada tocar sua barriga.
“—Sim, eu sinto pena…” – Naitan falou, atravessando o corpo maior com a espada, vendo-o cair ainda com vida sobre si. “—Mas sinto pena de mim, Oroi. Eu, que sei que não vou conseguir viver sem você.” – Falou, chorando ainda mais do que antes.
Yuki havia ordenado a Naitan que matasse Oroi, alegando que este estava impedindo o vampiro de cabelos claríssimos de evoluir, de ficar mais forte.
O último dia do prazo para matá-lo era em seu aniversário de dezesseis anos.
Naitan ainda ponderou por alguns segundos, vendo seu amado em seu braços, semi-morto com aquela espada em si.
Arrancou-lhe o metal e o jogou longe, inclinando-se sobre o pescoço de Oroi e mordendo-o pela primeira e última vez. Arrancou quase todo o sangue de seu corpo, e depois que o fez, cortou seu pulso e entregou sua vida, para o moreninho, obrigando-o a sorver de seu sangue puro, transformando-o em um vampiro Classe ‘B’, ao passo de que Oroi acordava em segundos.
Antes de ser morto por sua Mestra, Naitan ofereceu seu sangue para que o outro bebesse e fosse um vampiro livre da classe ‘Nobre’, logo envidando-o para o lugar mais longe que sua magia permitia, uma floresta gelada, densa, ainda dentro do reino de Even.
O vampiro Sangue Puro foi completamente massacrado pela mulher, e Oroi podia sentir pelo elo que mantinha com ele, a última chama de sua vida se apagando.
Não tinha mais nada.
Não tinha família, não tinha amigos, não tinha mais amor… E agora não tinha mais vida.
Sua vida chegara ao fim, e agora era o começo de uma nova existência, não era mais Oroi Takada, era simplesmente Oroi, um vampiro.
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O menor acordou assustadíssimo em sua cama, sentando-se às pressas nela. Respirava fundo, já praguejando mentalmente pelo pesadelo que tinha tido. Talvez fosse a carência, ou até mesmo o ciúme.
Já haviam se passado mais meses ainda, estranhamente o tempo parecia fluir rápido, e de certa forma, traiçoeiro.
Respirou fundo, jogando seus cabelos negros para trás, vendo-os espalhados pela cama de cor clara. Era até um bonito contraste. Olhou para suas mãos, ainda meio tremulas por ter lembrado-se de tudo que ocorreu.
Não iria chorar, chorar para que afinal. Fazer tal ato não mudaria o fato de seu primeiro amor estar morto, de seus pais estarem mortos, e é claro, de si próprio estar morto.
Chorou verdadeiramente apenas uma vez, o tempo de quase um ano que vagou perdido pela floresta de Even, acabando por achar o castelo que agora estava, e também o dono deste.
Dono este, que realmente não via há tempos, isso sim, doía o coração. Imaginara que, mesmo recuperando o ‘belo’ dele, poderia pelo menos ver o Puro Sangue andando pelo castelo, e vez ou outra até poder ser tacado em uma parede pela vontade dele.
Mas nada disso.
Continuara encarregado de Lucy bem, achava isso, já que ordem contraria não recebera. Continuava a dar algumas instruções para os outros servos, mas estes notavam que não era mais o ‘favorito’ e alguns não o respeitavam.
Vitor era o pior de todos. Se tivesse uma pequena chance deste falar o quanto estava sendo inútil, com toda certeza ele o faria. Outro que via algumas vezes era Vectorius, mas sempre que se encontrava com ele, parecia que este já estava morto.
Já o vira se arrastando pelo castelo. Até ai, está aceitável, se não tivesse visto a perna do mesmo, largada um pouco mais a frente. Descobrira que o que seu Mestre fazia consigo, definitivamente não chegava aos pés do que devia fazer com o outro.
Estranho isso, pois sabia que a até o loiro sofria mais que si algumas vezes. Mas, de fato, nada disso era relevante. Afinal, era só mais um dia que vivia, na eternidade que se seguia.
E agora, mesmo só com dezessete anos, já se via entediado com esta vida. Parou por um instante, imaginando a idade do Puro Sangue e imaginando o grau que este devia estar. Não o culpava por ficar fazendo planos.
Espreguiçou-se na cama, tinha trabalho a fazer, cuidar de algumas coisas e ir ver como a sua amiga estava.
Levantou-se, andando lento pelo lugar, indo para um grande armário para procurar uma roupa para vestir. Em tempos atrás, pegaria algo bem chamativo aos olhos do Shisue, mas agora… Isso não importava.
Pegou qualquer uma, a que se sentia mais a vontade, alem de uma fita longa na cor verde, rumando logo para a porta que dava acesso ao seu banheiro. Não tardou em tirar as roupas e entrar de baixo do jato de água.
“— Será que também não sou mais bem vindo aqui...?” – Murmurou baixinho, lavando seus cabelos.
Terminou tudo rápido, secando seus cabelos e trançando-os, amarrando com a fita que tinha trazido. Por fim, vestiu-se, com uma camisa de manga comprida na cor vinho escuro de gola alta e uma calça folgada de cor escura.
Apesar de estar simples, estava bonito, talvez pelo cabelo tão perfeitamente trançado. Arrumou tudo que tinha tirado do lugar ou bagunçado e saiu de seu quarto. Tinha que averiguar como a loira estava.
Não demorou muito até dar-se com a porta grande da sala dela, batendo algumas vezes e já entrando.
“— Bom dia Oroi...” – Falou esta, sorridente por ver ele.
“— Bom dia...” – Se aproximou. “— Como se sente?”
“— Bem. Você... Sabe algo sobre o Vectorius?”
“— A ultima vez que eu o vi, deixei-o como todas as vezes em seu quarto...” – Respondeu cabisbaixo.
“— Tão perto, e não posso nem sair deste lugar para ir cuidar de suas feridas...”
“— Te enten-” – Calou-se ao estranhar a porta se abrir.
Ambos fitaram curiosos para saber quem poderia ser, já que só quem tinha permissão para entrar ali agora era o moreninho. E para este sua alegria não podia ser maior ao ver entrar pela porta seu Mestre.
Seus olhos cor jade buscaram cada centímetro daquele corpo, fitando-o com saudades e até mesmo desejo. Estava há tanto tempo sem ver esse, que até avermelhou-se quando os negrumes que eram os orbes dele focaram-se em si.
“— B-Bom dia Mestre...” – Aproximou-se dele, abaixando a cabeça de modo educado.
“— ...” – Ignorou este, passando sem nem trocar alguma palavra, indo para onde a garota estava. “— Lucy, você irá manter sua boca fechada...”
“— Claro senhor Shisue... Mas... Posso saber o motivo?”
“— Vectorius virá em breve aqui.”
“— Vectorius!?” – Ela arregalou os olhos, assim como um sorriso amplo se formou em seus delicados lábios.
“— Se ousar falar alguma coisa, não importando o que seja, ficará sob minha magia como daquela vez.” – Falou frio.
“— Por que... Está fazendo isso?” – Indagou-lhe, ainda temerosa.
“— Não te interessa...” – Desviou-se dela, olhando agora o moreninho ali. “— Você ficará também, para garantir que ela não abrirá a boca ou... ”
“— Sim Mestre... Cuidarei de tudo.”
Olhando frio para o menor uma última vez, o mais velho removeu o vidro que a rodeava, e se afastou dali, pouco dando importância para aqueles dois ali.
Oroi respirou fundo, já tinha imaginado que tal coisa aconteceria, mas pelo menos, pode ver o Puro Sangue. Ajudou a garota a sair dali, segurando gentilmente em suas mãos para que esta se acostumasse a ficar em pé no chão.
“— Desculpe senhorita Lucy...”
“— Eu entendo, não falarei nada, para mim basta ver ele, pelo menos.”
“— Igual a mim...” – Murmurou baixinho.
“— Desculpe Oroi, ando te trazendo tantas preocupações...” – Sua voz doce saiu triste.
“— Não se importe...” – Abraçou-a de forma terna, como se faz a um amigo de longa data.
“— O que significa isso!?”
Afastaram-se às pressas, olhando para quem tinha chegado agora. Desta vez, fora a garota que sorriu, observando Vectorius a aparecer no cômodo. Entretanto, nada falou, apenas ficou a sorrir extremamente alegre.
“— Não vão me responder!?” – Olhou frio para o trançado, como se estivesse visto uma espécie de flagra. “— O que fez a ela!?”
“— Que?” – Olhou sem entender, só depois ligando os pontos. “— Calma, só a abracei.”
“— Saia daqui!” – Gritou, estava realmente alterado por tudo.
“— Não posso, são ordens de meu Mestre.” – Estranhou agressividade dele.
Apesar de não terem trocado muitas palavras, era ele que ajudava-o sempre. Mas agora, não sabia se ele se lembrava deste fato, já que o estado em que sempre o encontrava era dos males o pior.
“— Mestre?” – Olhou bem para o moreno, notando que de fato não era uma cria de Shisue. “— Você é louco ou o que? Não têm nada na tua cabeça para seguir ordens de um velho louco e senil? O cara é o mais louco Puro Sangue que existe!”
“— Não chame o senhor Shisue assim!” – Bufou, afastando-se de Lucy e fora para perto dele, ficando de frente. “— Não tem o direito de falar assim de seu próprio Mestre, não sem ao menos tomar seu sangue.”
“— Tome você o sangue sujo dele!” – Estreitou o olhar.
“— Eu faço isso!” – Chegou bem perto olhando aqueles olhos que realmente pareciam esmeraldas brilhando, agora, em fúria. “— Mas agora que você voltou não faço mais isso.”
“— Deve ser tão louco quanto ele!” – Arregalou os olhos. “— Iria se alimentar da Lucy!?” – Segurou-o pela camisa, olhando-o com ódio. “— Se morder ela, eu te mato seu louco.”
“— Me largue!” – Empurrou-o. “— O que você tem na cabeça, eu que pergunto!”
“— Do que você está falando, seu maldito!? Você que estava abraçando a minha Lucy!”
“— Somo amigos! ‘Senhor mente suja’!” – Reclamou, alterando sua voz como a do outro já estava. “— Não sabe o quer é ter um amigo!?”
“— Não, não sei.” – Avisou-o frio, sem emoções em sua face. “— Não sou um vampirinho novato, que fede a inocência falsa como tu.” – Olhou-o altivo, jogando os cabelos prateados para trás.
“— O que você tem? Quando tá com o corpo todo quebrado você não reclama quando te ajudo!”
“— Nunca pedi tal ajuda. Seja lá quem é você...” – Estreitou o olhar, tentando se lembrar do trançado. “— Você é o filho da mãe que dançou com a Lucy na festa!”
“— Não me cha-.”
O menor nem conseguiu terminar sua frase, pois levou um murro forte no rosto, e de tão desprevenido que estava acabou caindo. Olhou para o outro, levando à mão a face atingida, acabando por rir de modo debochante.
“— Sério, minha vontade agora é te bater...” – Murmurou Oroi, tirando a mão de onde estava e se levantando. “— Mas eu não sou besta a ponto de fazer isso em frente da senhorita Lucy!”
“— Pouco me importa o que-.” – Calou-se, ligando os pontos. “—Lucy?” – Só agora lembrara dela, olhando de imediato para esta, notando que ela chorava baixinho. “— O que você fez a ela, seu idiota?”
“— Quer parar de ficar implicando comigo!!!?” – Gritou bem alto desta vez. “— Quer ir lá e consolá-la!?” – Apontou para esta.
“— Não recebo ordens de ti!” – Gritou também.
Oroi bateu na própria testa, estava realmente com vontade de bater naquele desgraçado até que este lembra-se que a garota estava ali. Mas não iria fazer isso na frente dela, que já chorava pelo que via.
Respirou fundo, contendo sua raiva. Era fome, abandono, histeria, tudo junto, já estava de paciência esgotada. E ainda irritava-se pelo outro ter feito sua amiga chorar.
“— Pare um pouco de fazer pirraça e me escute...” – Falou com a voz a mais calma possível. “— Lucy, a sua Lucy, está ali... Vá, por favor, falar com ela...”
“— Já disse que não recebo ordens... Nem de você, nem daquele louco!”
“— Pare de chamá-lo assim! Tenha mais respeito por quem te ama!” – Gritou de volta.
“— AMA!?” – Vectorius riu histericamente.
“— Qual o motivo da graça? Ninguém faria planos por anos só para ter uma pessoa de volta se não a amasse.” – Dizer isso doeu mais em si do que tudo.
“— Você sabe o que ele é?” – Ainda ria, como se a piada do século fosse dita “— Ele é um Puro Sangue. ‘Amor’ é um sentimento humano! Vampiros primordiais não amam! Sentem desejo por sexo, por usar as pessoas, por transformar os humanos em algo mais resistente para ser usado por mais tempo.”
Aquela frase o deixou com mais raiva ainda, lembrando-se do sonho que teve neste dia. Lembrando-se de seu passado com Naitan, ele poderia ser um Puro Sangue, mas não duvidava do amor que este tinha por si.
“— Não fale isso!” – Gritou Oroi, indo para perto e, sendo sua vez agora, de segurá-lo pela camisa.
“— O que um garotinho como você sabe dos Puro Sangues? Dos Abyssinian? Do mundo? ” – Falou frio, parando de rir ao sentir-se ser segurado.
“— Sei muito mais do que você.”
“— Por quê? Só porque era o que estava em meu lugar antes? Por morder meu Mestre? Por achar que tem algum direito só por ter provado aquele sangue sujo?”
“— Porque eu o amo.”
“— Piedade...” – Deu-lhe outro soco, afastando-o de si. “— Você é o que? Um masoquista?”
“— Sou sim!” – Levantou-se rapidamente, desta vez dando um soco também no rosto dele, vendo-o cair.
“— Seu desgraçado!” – Levantou-se rápido.
“— Sou masoquista e sádico também!” – Sorriu afiado, segurando-o pelos cabelos prateados. “— E minha vontade agora é te chicotear até desmaiar, seu vampiro inútil!” – Vociferou.
“— Com quem você pensa que está falando!?”
“— Com um reles Classe ‘C’!” – Puxou-o mais pelo cabelo, o olhar jade de seus olhos tornando-se malignos. “— Tenha mais respeito perante um Nobre!”
“— Perante um Nobre é o ca-” – Calou-se ao ouvir sons de aplauso.
Oroi largou o outro rapidamente, focando-se em Shisue, que não sabia a quanto tempo estava ali, encostado ao lado da porta, agora, a aplaudir o que estavam fazendo. Engoliu em seco, quando notou que revelara que era um Nobre.
“— Vectorius, Oroi... Sigam-me...” – Mandou frio, olhando de um para o outro.
“— Mas... Mestre, e a senhorita Lucy...?” – Indagou o moreninho, culpando-se pelo andamento do que aquilo tinha levado.
“— Ela?” – Shisue levou seu olhar para ela, sorrindo de canto ao vê-la chorando abandonada ali. “— Deixe-a ai, se ela sair deste cômodo, sem minha magia, ela morre.” – Deu de ombros, virando-se. “— Sigam-me.”
“— Sim Mestre...” – Respirou fundo, olhando para os olhos dourados dela meio vermelhos pelo choro. “— Desculpe-me pelo que fiz...” – Disse bem baixinho.
“— ...” – Vectorius nada disse, apenas adiantou-se a ir perto de seu Mestre.
“— Oroi, venha.”
“— Claro...” – Abaixou a cabeça e seguiu-o.
—-X--
Os dois olhos verdes se entreolharam nada amistosos, ainda mais ao se verem diante de uma das salas de torturas que o Mestre de ambos possuía naquele castelo. Mas logo foram coagidos a entrar.
Ambos já estavam acostumados a isso, por esse fato não se importaram com o sangue seco manchando as paredes, do ambiente mórbido do lugar. Apenas entraram, sendo seguidos pelo Puro Sangue que trancou a porta com sua magia.
“— Vectorius, para a parede.” – Ordenou de modo frio.
Este olhou com ódio para aquele ser, indo para onde sabia que este queria, ficando próximo a duas correntes que saiam da parede, já de costas para aquele louco.
“— Oroi, acorrente-o.” – Mandou para o outro.
O menor olhou de encontro aquele lugar, gostava tanto de levar chicotadas de seu Mestre naquele lugar, mas pelo que notara, não teria mais essa chance com o de cabelo prateado ali.
Concordou com a cabeça, aproximando-se do outro e prendendo bem firme ele de encontro à parede. Pelo menos, agora ele estava calado em vez de reclamando asneiras. Estreitou o olhar, lembrando-se da dor que possivelmente esse deveria ter causado a garota por sua infantilidade.
Apertou mais ainda as correntes, escutando uma reclamação por parte dele, mas não se importou nem um pingo com esta. Terminado de fazer aquilo, virou-se apara o Puro Sangue, aguardando alguma ordem, ou que fosse dispensado.
“— Pegue um chicote, o que mais gostar...” – Disse Shisue, puxando uma cadeira ali e sentando-se em um lugar que pudesse vê-los muito bem.
“— Certo...”
Andou alguns passos, para uma prateleira de madeira com vários instrumentos de tortura, ao seu ver, um melhor que o outro. Demorou-se um pouco entre dois tipos que mais tinha ‘afinidade’, mas acabou pegando o mais dolorido.
Pegou este, já se cortando por este simples fato. Em seu cabo haviam espinhos finos, mas que causavam dor a quem segurasse aquilo. Era de um fio único, longo onde quase na ponta se dividiam em mais cinco, estes mais finos e com pequenos ganchos na ponta.
Segurou bem firme, sorrindo com a dor que sentiu, nem esta tinha sentido ultimamente. Respirou fundo, andando de volta a seu Mestre, estendendo a mão que segurava a arma.
“— Para que quero isso?” – A pergunta veio cínica, afiada como navalha, junto de um arquear de uma sobrancelha.
“— O... O senhor pediu...” – Estranhou, ainda mais pelo sorrisinho voyeur que viu no rosto deste.
“— Mandei que escolhesse um, mas nada disse que quem usaria isto, seria a minha pessoa...” – Lambeu os lábios, levantando-se.
Sem avisos pegou-o pelos cabelos, puxando-o para um beijo selvagem, onde impôs suas ordens, subjugando aqueles lábios a seguir seu ritmo frenético, satisfeito per este gemer baixinho ao fazer isso.
Suas mãos ousadas, desceram pelas costas dele, arranhando por cima do fino tecido daquela camisa avermelhada, indo direto para as nádegas dele, apertando-as com gosto e sentindo seu estremecer por fazer isso.
Sorriu sádico, quebrando de modo brusco o contato entre eles ao o empurrar de si. Sabia que aquele garoto estava necessitado. Perfeito, assim se divertiria mais.
“— Torture Vectorius...” – Avisou, voltando a sentar-se. “— Que te darei o que quer...” – Desceu uma das mãos por seu peito, parando entre suas pernas. “— Sei que quer... Sua fome de mim está alta.”
Oroi tremulou, em outra situação, poderia até ter negado, mas queria demais aquele mais velho, em todos os sentidos, de todas às formas. Mordeu os lábios, fechando sua mão com tanta força que sentiu sangue pingar no chão.
“— Esperando o que? A poucos ouvi você vociferando sobre querer chicoteá-lo até desmaiar...” – Riu cruel. “— Vamos, tente, verá que fará maravilhas ao seu sadismo, minha criança.”
“— Eu...”
Seu sadismo não era tanto assim, bem, não com outras pessoas. Gostava de machucar um pouco seu Mestre, e fazia isso sempre que percebia que este deixava. Era excitante, demasiadamente excitante.
Só, que agora, com Vectorius não sabia ao certo o que fazer.
“— Vejo que precisa de um incentivo inicial...” – Voltou a se levantar.
Aproximou-se do menor, puxando-o de qualquer forma para as costas de sua cria. Virou o menor de frente para este, abraçando-o por trás, colando seu corpo maior nele. Suas mãos logo foram para os quadris apertando-os provocantemente.
“— Quer me sentir, não? Em suas veias, em seu corpo...”
Uma das mãos burlou a calça deste, tocando o membro, apertando-o de maneira instigante, movendo suas mãos ali. Ao que a outra, subiu pelo peito deste, pousando um dedo em sua boca.
“— Pode morder...” – Deu-lhe a permissão.
O menor não chegou nem a pensar, mal deu tempo de o mais velho terminar sua frase. Seus caninos furaram a ponta do dedo, gemendo baixinho pelo simples fato de sentir aquele gosto depois de tanto tempo.
Como amava ele.
Logo sua boca começou a sugar com ganância aquele dedo, excitando-se com aquelas duas mãos a lhe provocar. Ansiava demais, por sentir este. Cada vez tragava mais e mais aquele gosto, movendo de leve seus quadris de encontro aquela mão.
“— Isso, minha criança. Tenha desejos por mim, somente a mim.” – Sussurrou baixo em seus ouvidos, mordendo de leve o lóbulo.
Riu baixinho, remexendo-se de encontro a ele, notando que este já estava desejando bem mais que só aquilo. Fora então que se afastou, deixando-o lá, ofegante já, com os jades brilhando em luxúria.
“— Faça Vectorius sofrer...” – Lambeu os lábios, voltando a cadeira e sentando-se.
“— Sim, Mestre.”
Desta vez, apenas sorriu sádico, olhando para seu Mestre, seu dono, ali, observando cada ato, animando-se mais ainda por esse fato. Talvez fosse exibicionista e só havia descoberto agora.
Lambeu os lábios, deliciando-se com o restante do gosto daquele ser puro, focando sua visão em frente agora. Deu uns passos em direção ao outro vampiro, ficando bem em suas costas.
“— Isso vai ser por ter ignorado a senhorita Lucy...” – Murmurou baixo em seus ouvidos.
“— Cale tua boca, seu sádico em miniatura...” – Vociferou Vectorius, com a cabeça baixa, apena aguardando a tudo. “— Você não sabe de nada.”
“— Posso até não saber...” – Pegou os cabelos dele e jogou sobre os ombros. “— Mas não sou insensível ao ponto de ficar discutindo em vez de ir falar com a pessoa amada.”
“— Não se meta na minha vida, afaste-se de mim...”
“— Ordens são ordens...” – Riu baixinho, afastando-se dele dois passos para trás. “— E...” – Segurou firme o chicote. “— Desta fez cumprirei com gosto...”
.
.
.
CONTINUA...
27/07/10
Nota da autora:
Como eu adoooro parar o CAP em uma parte assim. *Sorriso sádico*
Eu consigo até escutar vocês me xingando até a morte algo como “Cadê a *****do ***** e ***** da ***** do Dark Lemon, sua mentirosa!” ((nossa quando palavrão))
Bem, está ai, olhem a ultima parte, é o inicio, preparem-se para a continuação no outro CAP. *assoviando*
Neste CAP, como puderam notar, quis dar mais ênfase ao Oroi, tanto que até o passado dele fora revelado.
Bem, meses passando e... Cadê o Cain? Mistérios, isso talvez mostrarei no outro CAP. Ou, não. *clima de mistério*
Bem, uma coisa devo avisar, essa faze no PM será mais ‘quente’, digo, ‘Shisue WINS!’
E, que talvez próximo CAP demore mais a sair, volta às aulas...
É isso, agora PM focado no lado dos vilões. Não espere coisas românticas por um bom tempo. Exceto o amor do Oroi e o da Lucy.
Comentário da beta:
5… 4… 3… 2… 1… *Combustão instantânea*
Primeiro eu vou fazer um momento merchan aqui(nem pedi para a mestra, peraí), pronto, posso… Gentheeen(ai que Niele) eu quero divulgar minha nova fic, aquela cujo segundo capítulo consegui escrever ♥ *Nunca consegue fazer segundo capítulo de fic nenhuma* Tem vampiros! Então OLHEM ONEGAAAAAAAAI
http://fanfiction.nyah.com.br/historia/84590/Pra_Que_Decidir
Pronto… Agora posso surtar. AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH ONDE ESTÁ MEU DARK LEMON SHIXVECKXORO?!?!!?!? *Entra em desespero* Eu queriiiiiiia TT
Eu queriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa *Pense numa pessoa que está morrendo.*
*Chama todos os palavrões do universo e explode*
Especial de imagens:
Bem, novamente com algumas feitas por leitores, muito obrigada mesmo a todos *extremamente feliz* Se alguém tiver um desenho deles, e quiser-los postados aqui, é só me avisar XD
Guille Abyssinian —Mari Sathie-
Cain Radiance —Mari Sathie-
Guille Abyssinian —Okami-
Vectorius Razard —Sabrina-
Shisue Abyssinian —Bakinha-
Vectorius Razard -Vickk-
Bjus♥
Toy
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