Prison Magic
11 Capítulo 11
Parte 11
Meus olhos pareciam pesar, sentia meu corpo todo dolorido. Com esforço abri lentamente os olhos, estranhando de prontidão em estar em pé no meio de um iluminado corredor.
Olhei de um lado para o outro, tentando a todo custo reconhecer aquele lugar, notei enormes janelas iluminado toda a extensão daquele corredor que parecia não possuir fim. Admirei-os de imediato pelo belo vitral que as enfeitava, possuindo um magnífico desenho multicolorido de um sol dourado.
Realmente, nunca havia estado naquele lugar.
Aproximei-me de uma dessas janelas, ainda encantado pela beleza que me rodeava. Abri esta, sentindo um vendo forte passar por meus cabelos. Sorri, atrevendo-me a inclinar nesta, para ver melhor onde estava.
Observei, de bem alto, uma bela cidade, com campos verdes, varias árvores e mais ao longo uma imponente muralha protegendo toda esta calma que via.
“— Onde estou...?” – indaguei mais para mim, me inclinando mais para frente na janela.
Uma rajada forte de vento quase me fez cair para trás, afastei-me prontamente da janela, fechando-a em seguida. Passei uma mão pelo seu longo cabelo, tentando arrumá-los.
O vento o fez bagunçar todo, demorou até que conseguiu deixar quase do jeito que queria. Após um tempo, dei-me por vencido no final, levando minha mão ao bolso da túnica esverdeada, na qual estava usando, tirando de dentro desta uma fita da mesma cor de seda.
Sorri novamente, em quanto amarrava todo meu volumoso cabelo, deixando-o cair agora amarrado para frente passando sobre seu ombro.
De repente escuto sons apresados de passos ecoam por todo o corredor, parecia uma única pessoa a correr desenfreadamente.Olhei atentamente, na direção de onde o som vinha, ao poucos percebi um garotinho de cabelos preto correndo por este, e de tão apressado que este estava acabou por tropeçar e cair.
“— Você está bem?” – perguntei, aproximando-me do garoto, ajoelhando-me na sua frente, ajudando-o a se levantar.
“— Quem é você?” – questionou de forma extremamente doce, passando a mão por sua roupa azul escuro com detalhes em dourado, para retirar a poeira “— Nunca te vi aqui, senhorita.” – falou de modo delicado com uma voz infantil, olhando-me fixamente nos olhos.
Olhei espantado para a pureza daquela criança, que reluziam naqueles grandes e angelicais olhos que emanavam uma única e fascinante cor ametista, o sorrisinho doce e inocente. Logo veio me alguém em minha cabeça com as mesmas características, todavia, parecia que o nome deste fugia de seus pensamentos.
“— Eu não sou uma garota, sou um garoto.” – desfiz o mal entendido do menor, sorrindo alegre para este “— Vectorius Razard, este é meu nome.”
“— Sou Cain Radiance, prazer.” – fez uma leve e polida reverencia “— Desculpe a ofensa.” – sorriu, dando um passinho para frente “— É que nunca tinha visto um cabelo tão bonito quanto o teu.” – segurou-o levando um pouco mais em sua direção “— Tão belo esse prata...” – sorriu mais.
Aquele nome, aquele jeito inocente e doce...
Minha memória, de certa forma, voltou um pouco. Apesar de parecer impossível, aquele a minha frente era Cain, meu amigo, agora possuindo cerca de seis anos. Então pela lógica, o lugar onde estava era o reino de Cain, o reino Radiance.
Mas ainda não fazia a mínima ideia de como fui parar neste lugar.
“— Veck.” – chamou-me, pelo meu apelido, mesmo sem ter avisado este “— Pode me acompanhar? Estou com medo...” – olhou meio desolado para o chão, soltando o cabelo que segurava.
Como ele era fofo nesta idade...
“— Medo? De que Cain?”
“— De ‘mim’.”
“— Você?” – fiquei com mais duvidas, ficando comovido pela carinha triste da criança a minha frente.
“— Vem...” – segurou minha mão, fazendo-me levantar “— Por aqui.” – falou, guiando-me pelo corredor.
“ Cain...?” – pensei, olhando com encanto para o garotinho que me guiava.
À medida que andávamos quase apressados pelo corredor, eu podia sentir uma energia maligna forte, vindo de mais a diante. E de repente, de uma hora para outra, misteriosamente já estavam diante de uma porta grande, e de dentro podia notar algo perverso se ocultava.
Instintivamente trouxe Cain para mim, querendo protegê-lo do que quer que fosse que estivesse lá dentro.
“— Você quer entrar aqui?” – indaguei doce, olhando para baixo me deparando com os brilhantes olhos arroxeados do outro.
“— Papai me mandou...” – soltou um suspiro triste “— Para salvar a todos, eu tenho que entrar.”
“— Mas-” – parei de falar, ao escutar uma voz monstruosa sair de dentro da sala.
“— Cain... Sabia que um dia viria a mim... Estive te esperando...” – soou a voz de dentro.
Notei prontamente a criança agarrar em minha cintura, ficando um pouco pálido pelo medo que aquela voz causou em si. Acariciei de leve seus cabelos negros, sorrindo ao notar que era macio igual ao Cain adulto.
Após alguns instantes, este se separou de mim, olhando-me com coragem e determinação, para logo em seguida empurrar a enorme porta, andando para dentro da sala. Entrei também, estranhando que a porta atrás de si se fechou sozinha.
Pronunciei duas pequenas palavras, e acompanhado de um movimento de minhas mãos, a sala se iluminou. Olhei prontamente para as paredes, notando a quantidade de encantamentos realmente antigos espelhados por esta.
Infelizmente eram antigos demais para se saber do que se tratavam, mas notava que serviam para selar alguma entidade maligna. Notei que a sala estaria toda vazia, se não fosse por um altar púrpuro com um pano branco no meio da sala.
Olhei mais para esse lugar, admirando a espada amaldiçoada de Cain lá, como se aquele altar fosse só dela.
“— Só uma espada para a sala inteira?” – ouvi o menor dizer, andando até esta.
Tive ímpetos de puxá-lo para mim, tirando-o daquele local por saber de toda a dor que aquela espada lhe traria. Por algum motivo, não consegui me mover naquele lugar, tentei chamar a atenção deste, mas nada saiu de minha garganta.
Estava paralisado, parecia que eu estava ali apenas para observar a tudo. Vi o moreninho se aproximar daquele altar cada vez mais, parando em frente deste, segurando o cabo daquela espada. Meu coração tremeu ao escutar um gemido de dor vindo deste.
Notei um filete groso de sangue escorrer da mão deste, percebendo agora que parecia que laminas se cravaram nele.Ouvi um gritinho meio contido em quanto este fazia força para retirar a empunhar a espada.
“— Cain...” – estranhei que agora conseguia pronunciar algo.
“— Sim, Veck?” – este se virou para mim, portando um pecaminoso sorriso, segurando aquela enorme espada negra como se fosse uma pluma.
“— ...” – não soube o que falar.
De repente, do chão, como se fosse uma sombra surgindo, uma criança aparece desnuda, idêntica a Cain, porém esta possuía em seu corpo vários selamentos negros.
“— Yami?” – estranhei.
“— Oi.” – falou doce este, abraçando-se a Cain por trás, olhando-me pelos ombros, como se quisesse esconder-se de vergonha.
“— ...” – estranhei mais, achando estranho aquelas duas crianças ali.
Apesar da criança escondida atrás ter as marcas da maldição, não parecia que era Yami, e sim Cain, da mesma forma que a criança a frente parecia ser o Yami e não Cain.
“— Quem é o Cain?” – perguntei por fim.
“— Eu.” – falaram as duas crianças juntas.
“— Então que é Yami?”
“— Eu.” – novamente as duas falaram.
“— Por quê?”
“— Por que quem Cain ama...” – falou a criança segurando a espada, sorrindo com desdém.
“— Yami também ama...” – a criança atrás completou a frase do outro de modo tímido.
“— Então quem os dois amam?” – questionei.
“— É alguém de quem não podemos gostar...” – falaram juntas “— Ela, a pessoa, não nos ama inteiramente... Só ama um de nós.”
Cada vez eu ficava mais confuso, isso em que estava definitivamente só podia ser um sonho... Um dos bem malucos, por sinal. Pelo menos e melhor do que sonhar estar sendo sadomizado por meu Mestre.
“— E de quem a pessoa que vocês amam, gosta?” – quis saber.
“— Eu.” – falaram novamente as duas crianças juntas.
“— ...” – fiquei mudo, já impaciente pelas crianças “— Então não tem como resolver isso?”
“— Tem.” – falou o que segurava a espada, afastando-se da outra criança “— É bem simples.”
“— Sim... É bem simples... Eu sou o parasita, eu que estou sobrando...” – disse a outra criança, chorando baixo.
“— Qual é o jeito?” – perguntei, olhando de um para o outro.
Estranhei o sorriso diabólico que surgiu no Cain, aquele que segurava a espada. Em seguida vi este avançar rápido e perfurar a barriga da outra criança com esta, fazendo o sangue espirar em si.
“— Viu, era fácil.” – puxou a espada, vendo a outra criança cair ao chão, manchando completamente o chão da sala de vermelho.
“— Yami?” – exclamei assustado para o garoto vivo, afinal, aquele definitivamente não tinha como ser o Cain.
“— Não, eu sou o Cain.” – aproximou-se de mim, e com um leve movimento de mãos, por algum motivo, me fez ficar de joelhos no chão “— Por que é tão difícil de acreditar?” – soltou a espada, olhando para a sua mão sangrando forte pelo uso desta, abaixou-se passando sua mão machucada pelo sangue da outra criança no chão “— Este sangue, é o mesmo sangue, nosso sangue. Mas mesmo assim, você insistiu em escolher apenas uma de nós.” – passou o sangue na boca em minha boca.
“— Hnwm...” – gemi baixinho, contendo-me em não abrir a boca e lamber aquela mão.
Aquilo era tentador demais...
“— Acima de tudo, você não passa de um vampiro.” – ouvi saindo de sua boca em um tom que parecia puro escárnio, para logo em seguida sentir seu dedo esgueirando para dentro de minha boca.
Eu tentei, mas não consegui resistir, comecei a sugar com força aquele dedo ensanguentado em minha boca, fechando os olhos, fazendo para quem olhasse aquela cena, parecer algo impudico e luxurioso.
Entreabri só um pouco meus olhos, notando que Cain, se é que aquele é mesmo ele, um enorme sorriso ente ao que eu fazia.
Senti aquele dedo ser retirado de minha boca,meu sangue fervia por mais... Olhei com desamparo para o garoto a minha frente, realmente não tinha como saber se era Cain ou Yami.
Notei este passando a mão novamente no chão completamente ensanguentado, sujando do mesmo modo seus dedos com o sangue do que morrera há alguns instantes.
“— Você quer isto, não é?” — falou, mostrando-me a mão completamente ensanguentada novamente.
“— Quem...” – falei junto com um ofego, parando para respirar melhor em seguida “— Quem vocês amam?” – indaguei não podendo evitar em sentir um pouco de ciúmes.
“— Se você não sabe... Como vamos saber?” – falou irônico, enfiando três dedos sem mais nem menos em minha boca “— Agora... Chupa.” – ordenou, sorrindo macabramente.
Nem pode resistir, o sangue nos dedos entrou em minha garganta como uma droga, fazendo-me instintivamente querer mais daquele tortuoso sabor. Fechei novamente os olhos, levando minhas mãos a do Cain, segurando-o firme pelo pulso.
“— Isso...” – este sussurrou rouco em seus ouvidos.
Estranhei o tom, de certa forma familiar, e quando abri os olhos me deparei com o Cain que conhecia, o de dezoito anos, me olhando com perversão, algo que nunca tinha visto em seu rosto, já que sempre era doce e sereno.
“— Gosta do nosso sangue, Veck?” – indagou, tirando os dedos daminha boca, mostrando-os brilhando em saliva “— Você nos quer...?” – acariciou minha face, me fazendo estremecer fracamente, de surpresa talvez “— Neste sangue contem muitos mistérios, este sangue contém a maldição... Neste sangue flui um amor contido por alguém...” – aproximou mais de meu rosto, ficando a pouco mais de um palmo de minha boca.
“— Cain...” – fechei os olhos, tentando entender a tudo que estava acontecendo “— Yami...” – sussurrei o nome deste também.
“— Este já está morto.” – falou Cain “— Eu o matei.” – aproximou mais os rostos “— Por que quem amamos, só ama um de nós.”
“— Precisava matar Yami?” – recuei, abrindo os olhos e olhando-o com raiva.
“— Preocupado com ele?”
“— Sim.”
“— E se fosse eu que morresse, melhoraria?”
“— Não.”
“— Então quer nós dois vivos?” – Cain sorriu.
“— Quero.” – respondi, pela terceira vez.
“— Por que?” – indagou novamente.
“— ...” – fiquei mudo dessa vez, não soube o que responder.
Cain levantou-se, sobre o meu olhar curioso, andou até onde ainda estava o corpo de Yami, caído para baixo no chão. Abaixou-se perto da criança acariciando-lhe os cabelos.
“— Acorde Yami...” – falou Cain, com a voz doce de costume, me fazendo estranhar a ligeira mudança “— Nós podemos ficar juntos.”
A criança se remexeu no chão, começando lentamente a se levantar deste, e a media em que fazia isto, ficava mais velho. Quando ficou em pé, já estava na mesma idade de Cain, as marcas brilhando em um tom sombrio por todo o seu corpo ainda desnudo.
“— Tem mais algo que este sangue pode mostrar...” – falou Yami, que agora estava novamente vivo, sorrindo de forma maliciosa, não escondendo agora seu corpo nu.
Fiquei vermelho, a luxuria com que viam aqueles olhos ametistas me olhando me deixaram, de certa forma, quente...
Mas estranhei que de repente, o demônio começou a parecer estar sentindo dor, e Cain tentar consolá-lo. Um urro de dor fora ouvido, quando um par de chifres negros despontou de sua cabeça deste, estranhei mais, se é que era possível, quando notei um rabo da mesma cor, fino e longo que na ponta tinha o formato de uma seta.
“— Um íncubos? ” – murmurei, espantado com a transformação que via acontecer.
Yami chegou mais perto de mim, exibindo seu porte esbelto e forte, olhando-me sempre da forma mais carnal e sensual, esbanjando malicia a cada passo que andava felinamente em minha direção.
“— Ya-Yami?!” – gaguejei, engolindo seco vendo aquela figura voluptuosa se aproximar cada vez mais.
“— Gosta do que vê?” – provocou-me.
“— ...” – abaixei meus olhos, não querendo mais ver aquele demônio a minha frente “— Não sabia que era um íncubus...”
“— Eu sou?”– gargalhou, ajoelhando-se em minha frente, ficando da mesma altura “— Serio?”– indagou em tom divertido, tocando a minha face.
“— Este sonho já está estranho demais...” – comentei baixinho, tentando recuar ao toque.
“— Por quê?” – indagou Cain agora, rodeando-me, parando atrás de mim “— Levante-se.” – pediu, porém parecia uma ordem.
Surpreendeu-se ao notar que minhas pernas se moviam sozinhas, fazendo-me ficar de pé. Olhei sobre os ombros, tentando ver Cain, acalmando-me um pouco ao ver um sorriso doce neste.
Entretanto, olhando para Yami, fiquei tenso novamente. Este ainda estava ajoelhado em minha frente, olhando-me com malicia de baixo para cima. Recuei um passo, batendo em Cain, que prontamente me abraçou.
“— Pare de chorar, a culpa é nossa...” – sussurrou Cain, rouco e baixo em meus ouvidos.
“— Não estou chorando...” – respondi baixo, estranhando aquilo.
“— Pare de se desculpar, você não tem culpa do que está fazendo...” – falou Yami, levantando-se.
“— Não me desculpei por nada.” – fiquei confuso, com o rumo que aquilo levou.
“— A culpa é minha... Fiz algo sem pensar.” – falaram os dois juntos.
“— Não estou entendendo, eu não fiz nada.”
“— Não?” – Yami afastou-se um pouco, segurando uma mecha de meus cabelos “— Então por que seu cabelo está quase todo com tons vermelhos?” – mostrou-me.
Arregalei os olhos, completamente chocado, para seu cabelo estar daquele jeito, só se tivesse tomado muito sangue. Toquei levemente meu cabelo, sentindo nojo por saber o que aquela cor significava.
Mas... Não me lembrava de ter tomado sangue, exceto há alguns instantes, mas aquela quantidade nunca me faria ficar daquele jeito. Se tinha tomado sangue, quem seria o ‘doador’?
“— Sangue...?” – murmurei baixo.
“— Pare de chorar...” – pediu novamente Cain, abraçando-me mais forte “— Isto me faz sentir mal...” – apoiou sua cabeça no meu ombro “— Mas é o único jeito de fazer você melhorar pelo menos, um pouco...” – suspirou.
“— Eu vou ficar quieto por uns tempos...” – falou Yami, tomando a minha atenção “— Até você enjoar de morde-lo.” – lambeu os lábios “— Mas te peço apenas para parar de chorar...”
“— Desperte Veck...” – falaram os dois juntos.
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“— Ahhwhm! Veeeck...” – gemeu.
Este abriu os olhos espantado, ofegando forte, tentando entender o que estava acontecendo. Percebia um corpo em baixo do seu, os cabelos negros grudados a nuca a respiração descompassada, e uma mordida sangrenta em seu pescoço.
“— Cain...?” – falou baixinho, ainda estranhando a tudo.
Olhou em volta, uma sala inteiramente branca, iluminada por magia. Estava em uma cama, deitado sobre as costas de Cain, de seu amigo, que parecia estar desmaiado agora.
Alarmou-se se sentando na cama, só percebendo agora que parecia que estava chorando de modo desenfreado, limpou as lágrimas do rosto, olhando melhor para si, notando-se estar desnudo.
“— Cain.” – chamou com zelo e medo o nome deste, acariciando-lhe o rosto “— Eu... Eu não posso estar fazendo isto...” – olhou espantado para o sangue que escorria de sua mordida “— Eu estava te... Mordendo!?” – tocou os lábios, vendo que seus dedos ficaram sujos de sangue “— Impossível.”
Tentou se levantar da cama, para tentar chamar alguma ajuda, mas não tinha forças, e só percebeu agora que estava acorrentado a cama. Sentou-se melhor na cama, notando um pano branco perto de si.
Levou-o para o pescoço do moreno, limpando o sangue dali, se culpando por ter feito tal ato tão profano com seu único amigo. Notou um remexer, e a respiração deste ficar mais branda.
Soltou um suspiro aliviado, terminando de limpar o local para logo em seguida vira-lo para cima. Não pode evitar em admirar aquele rosto tão inocente e calmo, que parecia dormir sossegadamente com um pequeno sorriso nos lábios.
“— Cain... O que eu ando fazendo contigo?” – falou triste, deitando-se ao lado deste “— E por que você me deixa fazer isto...?” – sentiu-se com sono misteriosamente “— Eu não quero sangue... Não quero te ver neste estado mais...” – abraçou-se forte ao outro, notando este estar pálido “— Por favor, não me deixa mais eu te morder... Se for assim, prefiro esquecer a tudo...” – pediu, fechando os olhos, deitando sua cabeça no peito deste, dormindo profundamente em seguida.
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“— Senhora Jiyha, o Cainzinho já entrou há muito tempo...” – preocupou-se Guille, sentado na enorme escadaria “— Já não é bom fazê-lo parar de alimentar o morcego?”
“— Eu falei isso para ele...” – a mulher deu uma pausa, olhando para a porta a frente “—Mas ele disse que quer ajudar o Vectorius de qualquer maneira.”
“— Mas já passa um mês que ele começou com isso... E cada vez noto que o Cainzinho está mais pálido.”
“— Todo mundo notou isso...” – a elfa levantou-se da escadaria “— Mas só nos resta esperar.”
“— Não!” – levantou-se também “— Cainzinho já está há muito tempo lá dentro. Ele pode ter desmaiado, ou coisa pior...” – alarmou-se “— Se aquele vampiro fizer algo com o meu Cainzinho...” – murmurou entrando na porta.
O loiro entrou sozinho, fechando a porta atrás de si. Olhou curioso para as diversas portas daquele lugar, mas nenhuma lhe interessava. Lembrou-se rapidamente que a sala em que Cain devia estar com Veck, entrando nesta ficando prontamente boquiaberto em ver aquela cena em sua frente.
Veck completamente nu, abraçado de uma forma bem intima ao Cain, que estava apenas vestindo suas calças, e por sinal, estavam meio abertas. Era uma cena um tanto estranha.
“— Calma Gui...” – falou para si, levando a mão ao coração, respirando profundamente “— Não pense besteiras...” – andou mais para perto, sentindo seu coração doer pela cena “Morcego atrevido...”
Olhou com pouca causa para Veck, retirando-o lentamente de cima de Cain. Tudo o que não queria agora era um vampiro louco e sedento atrás de si. Sorriu vitorioso, quando conseguiu afastá-lo completamente do moreno.
Pensou em diminuir o tamanho das correntes que pretendiam Veck, mas ignorou isto, assim que visualizou melhor Cain, agora sem o outro em cima. Suspirou alegre, atrevendo-se a passar de modo sutil e ousado, seus dedos pelo tórax desnudo deste.
Lambeu os lábios, atrevendo-se mais, descendo com seus dedos pela linha do abdômen, já olhando perigosamente para a calça meio entreaberta de Cain.
“— O que está fazendo?” – uma voz doce e infantil soou.
O loiro afastou rapidamente suas mãos do moreno, olhando abismado e incrédulo para Veck de olhos vermelhos abertos ao lado deste.
“— Ve-Veck?!” – assustou-se, recuando um passo.
“— Quem é você...?” – perguntou este, de forma suave “— Alias... Quem sou eu?”
“— Como?” – olhou incrédulo “— Eu sou o Guille, lembra?”
“— Não.” – respondeu sorridente “— E eu?”
“— Você é o Veck.”
“— Entendi...”
Guille estava literalmente boquiaberto olhando aquele Veck a sua frente. O caso realmente parecia grave, já que não se lembrava de quem era. Soltou um suspiro pesado, aquilo estava ficando complicado, iria atrapalhar seus planos...
“— E ele...” – o loiro apontou para o moreno, que ainda dormia “— Se lembra dele?”
“— Claro!” – sorriu, como se tivesse acertado uma pergunta valendo premio “— Ele é Cain!” – abraçou-se a este.
“— Dele você se lembra, não é, morcego...” – reclamou Guille, com ciúmes e raiva pela cena “— Alias, se afasta do Cainzinho.”
“— Por quê?”
“— Bem... Er...” – ficou corado, não sabendo o que responder.
“— Hnm... Pesado...” – falou baixo Cain, se remexendo na cama, acordando em fim do sono “— O que...” – olhou para o loiro “— Guille? O que faz aqui?”
“— Estava preocupado com você, Cainzinho.”
“— Cain!!!” – exaltou-se Veck de modo muito animado, abraçando-se mais ao moreno “— Acordou, acordou, acordou!” – sorriu para este.
“— Veck?!” – olhou assustado para aqueles olhos intensos vermelhos a lhe observar “— Co-como?”
“— Eba! Cain acordou!” – falou Veck, ajoelhando-se na cama, olhando sorridente para este.
“— Veck?” – Cain avermelhou-se olhando o amigo ajoelhado ao seu lado, completamente desnudo “— Você está bem?” – falou, evitado olhar para este.
“— Agora que você está comigo, eu estou.”
“— Cainzinho...” – Guille o chamou “— O morcego está estranho... Não sabia quem eu era, e muito menos quem ele era...” – avisou “— Eu diria que ele perdeu a memória... Mas ele parece lembrar-se de você.”
“— Notei que ele está muito estranho mesmo...” – olhou de relance para o amigo, ficando novamente vermelho por fazer isso “— Melhor falarmos com a Jiyha.” – falou, sentando-se na cama.
“— Vai embora Cain?” – falou Veck, com voz chorosa “— Não me deixa...” – chorou baixinho.
“— Chega a ser bizarro ver o morcego assim.” – disse Guille, boquiaberto pela cena.
“— Calma Veck... Eu não vou embora...” – tentou tranquilizá-lo “— Eu apenas vou chamar a Jiyha, sabe quem ela é?” – perguntou.
“— Não.” – parou de chorar “— Não sei quem é.”
“— Isso é preocupante...” – de um suspiro, olhando para o loiro em seguida “— Guille, poderia chamá-la aqui? É melhor não o deixar sozinho.”
“— Certo Cainzinho, explicarei para ela o que está acontecendo...” – comentou, andando até a porta “— Já volto.” – saiu.
Cain não conseguiu evitar em olhar para o Veck, corando ao fazer isso, mas mesmo assim não conseguindo desviar o olhar.
Aquele a sua frente era o seu amigo, mas ao mesmo tempo parecia outra pessoa, com aqueles olhos carmesins a lhe observar, e com aquele cabelo bicolor agora. O sorriso suave e alegre, o jeito infantil de se sentar...
“— Cain... Ta frio...” – aproximou-se mais, aconchegando-se no moreno “— Me esquenta?” – pediu manhoso.
“— Que?” – engoliu seco “— Me-melhor eu procurar algo para você vestir.” – afastou-se delicadamente do outro “— Fica ai na cama.” – avisou, levantando-se desta “— Minha camisa deve estar por aqui...” – comentou olhando para o chão.
Achou-a por fim, sacudindo-a para deixá-la limpa. Olhou novamente para Veck, estendendo a camisa para ele. Este apenas olhou curioso para o pedaço de pano nas mãos do moreno, sorrindo sem entender o que era para se fazer com aquilo.
“— Veste Veck.”
“— ...Vestir?”
“— Sim, assim não ficará com frio.” – explicou.
“— Legal!” – sorriu alegre pegando a camisa e olhando fixamente para esta “— Mas o que é ‘vestir’?”
“— Vestir é...” – embolou-se na explicação “— Deixa que eu visto você...” – falou por fim pegando a camisa “— Fica em pé.” – pediu.
“— Certo!” – saiu de cama lentamente, ficando em pé ao lado desta.
Cain ficou a sua frente, sentindo seu corpo se esquentar pela visão que via. Mas tratou de se controlar, focando sua mente em apenas vesti-lo. Notou que ele ainda estava algemado, e que preso daquele jeito a cama, não teria como colocar sua camisa nele.
“— Estica as mãos.” – pediu, sendo prontamente respondido.
Retirou lentamente as algemas que o prendiam, olhando chocado o roxo que tinha em seus pulsos pelo uso constante desta. Por sua culpa seu melhor amigo estava neste estado.
Sorriu fraco, beijando levemente o pulso roxo do outro, fazendo um suave carinho como se pedisse perdão imensamente por isto.
“— Para.” – falou Veck sorridente, contorcendo-se um pouco como se sentisse cócegas.
“ Que fofo.” – pensou Cain “— Levanta os braços um pouco por favor.” – pediu.
Percebendo melhor agora, Veck se comportava como uma criança, portando sempre um sorriso imaculado no rosto. Com um pouco de dificuldade conseguiu vesti-lo com sua camisa.
Por mais que quisesse expulsar alguns pensamentos, mas só vê-lo vestido com aquela blusa negra de manga comprida, que chegava ao meio das coxas deste, não tinha como negar que era uma visão muito bela.
Ainda mais por saber que aquela única roupa a lhe cobrir era sua, dava uma certa sensação de ser dono...
“— Está mais quente...” – falou Veck, segurando a manga de sua própria camisa, e dando uma voltinha “— Obrigado Cain!” – pulou em cima deste, abraçando-o pelo pescoço.
Se fosse uma criança a fazer isso, não teria problemas, mas como Veck já era um adulto, o que resultou foi que o moreno não aguentou e acabou caindo, levando-o consigo.
“— Ai...” – gemeu de dor Cain, abrindo seus olhos e espantando-se em ver a proximidade em que estava com o outro “— Você está bem Veck?” – perguntou.
“— Estou.” – abraçou-o mais forte “— É mais quentinho aqui...” – esfregou-se sem pudor algum no outro em baixo de si “— Bom...”
“— Ve-Veck...”
“— Ahhhhhh!!!” – gritou histericamente Guille, entrando no lugar “— Isso que eu estou vendo é um pesadelo!” – exclamou, com as mãos na cabeça, como se tivesse vendo o fim do mundo.
“— O que houve Guille?” – perguntou a elfa, entrando também no lugar “— Ah! Isso...” – olhou de modo curioso para a cena à frente “— Minha filha desmaiaria se visse isso.” – comentou maliciosamente.
“— Quem liga para sua filha?!” – reclamou Guille, andando mais para perto “— Cainzinho o que está acontecendo?!” – quis saber.
“— Ele caiu em cima de mim.” – explicou vermelho.
“— E para isso ele tem que se remexer desse jeito estranho...?” – apontou para este “— Empurra esse morcego de cima de você.” – pediu.
“— Veck... Pare...” – pediu Cain, tentando afastá-lo.
“— Mas é bom...” – fez manha.
“— Por favor, Veck...” – sua foz misteriosamente estava mais rouca “— Não faz isso... Anw...” – sussurrou baixo.
“— Cainzinho...?” – o loiro recuou um passo, abismado pelo que via.
“— Um Príncipe como você não devia ficar deste jeito.” – a elfa alfinetou “— Levante-se e me deixe ver como Vectorius está.”
Cain envergonhou-se, reunindo forças para afastar Veck de si, levantando-se, trazendo este com sigo, o fez sentar na cama. Afastou-se de todos, encostando-se na parede ao lado da porta, sendo esquecido pelos outros.
“— Como se sente Vectorius?”
“— Quem é Vectorius?” – falou este.
“— Você.”
“— Mas já me disseram que eu era Veck.” – avisou “— E foi ele!” – apontou infantilmente para Guille, culpando-o por mentir.
“— Seu nome é Vectorius Radiance.” – disse “— Veck é um apelido que você criou.”
“— O que é ‘apelido’?”
“— Odeio crianças...” – a elfa murmurou, perdendo a calma “— Este não é o Vectorius, parece mais uma criança.” – comenta “— É óbvio que perdeu a memória.”
“— Mas ele se lembrou do Cainzinho.” – Guille se aproximou.
“— Talvez por que seja dele que ele esteja se alimentando...”
“— Só por isso?” – o moreno perguntou, chegando mais perto.
“— Queria que fosse por algo mais?” – a mulher perguntou.
“— Não...” – deu um suspiro “— Mas como recuperamos a memória dele?”
“— Talvez seja melhor deixá-lo desse jeito.”
“— COMO?!” – exclamou Cain “— Não posso deixar Veck neste estado!”
“— Mas pensei bem... Ele está melhor deste jeito... Melhor que não se lembre de nada.”
“— Deixá-lo do jeito que está?” – deu uma pausa, indo para mais perto do Veck “— Não. Nunca!” – falou triste, mas decidido.
“— Cain...” – chamou-o Veck “— Por que você está com essa cara?” – indagou inocente “— Aconteceu algo?” – abraçou este.
“— Por hora...” – a ruiva deu um suspiro, olhando tristemente para o vampiro “— Como ele já parece controlado, vamos tira-lo daqui.”
“— O morcego vai para onde?” – indagou Guille.
“— Para a casa no qual vocês estão.” – explicou “— Mais tarde eu passarei lá para ver como tudo está.” – sorriu “— Vamos o tirar deste lugar.”
“— Certo.” – sorriu Cain também.
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Aquela tarde para Cain, parecia extremamente sofrida. Sentado em uma cadeira na varanda da casa no qual estavam, via Veck brincar no terreno tal qual uma criança, sujando-se todo, apenas se divertindo.
Apesar de ver sempre um sorriso nos lábios de seu amigo, sentia-se culpado pelo estado no qual este se encontrava. Todavia, por causa deste mesmo sorrido infantil e ingênuo que nunca tinha visto neste, já estava começando a se perguntar se realmente era melhor recuperar sua memória.
“— Cainzinho... O que faremos?” – aproximou-se deste, sentando-se na cadeira ao seu lado “— Cabe a você decidir.” – o loiro sorriu triste, vendo Veck correr de um lado para o outro atrás de uma borboleta “— Ele parece feliz.” – deu um suspiro ao final.
“— Nunca o tinha visto desta forma, tão alegre...” – comentou, abaixando a cabeça, como se recusasse a olhar para a realidade à frente “— O que foi que eu fiz a ele?” – lamentou-se.
“— Cain! Cain!” – Veck correu sorridente em direção a este “— Olha o que eu peguei.” – mostrou-lhe a borboleta que estava atrás correndo há instantes “— Ela é roxa! Igual aos seus olhos.” – sorriu mais.
Uma dor absurda acumulou-se no coração de Cain, tanto que não pode e evitar em chorar baixo, vendo aquele de quem mais tinha carinho, como amigo é claro, daquele estado tão triste.
“— Não gostou?” – entristeceu-se também “— Não chora...” – aproximou-se mais.
Soltou a borboleta no qual segurava delicadamente, segurando agora no rosto do moreno, fazendo encarar o seu. Aproximou-se lentamente, sempre sorrindo para este, por fim lambendo em seu rosto as lágrimas que escorriam deste.
Cain apenas fechou os olhos, deixando-se cuidar pelo amigo, mesmo sabendo que o estado dele era muito pior que o seu. Todavia sentindo aquele carinho doce e singelo, aquelas delicadas lambidas em seu rosto, o fizeram apenas chorar mais.
Parecia que alguma coisa dentro dele, como se fosse outro ser, estava chorando mais que si...
“— Cainzinho...” – Guille falou baixo, vendo aquela cena ao seu lado “—Só dessa vez morcego, deixarei você cuidar dele...” – murmurou bem baixinho, levantando-se e saindo do lugar, deixando-os a sós.
“— Yami, não chora.” – pediu Veck, abraçando firme o moreno “— Não chora também Cain...”
“Yami?” – pensou “Veck já me chamou desse nome algumas vezes...” – abraçou-o de volta, estranhando este nome.
Veck sentou-se por fim no colo de Cain, atravessado para este. Aproximou-se novamente deste, descansando em seu peito, como uma criança manhosa.
“— Você é meu...” – falou de forma doce.
“— Ve-Veck.” – avermelhou-se, não sabendo o que fazia.
“— Quentinho...” – aconchegou-se mais, dando um bocejo.
“— Sim...” – suspirou, ajeitando-se na cadeira para que o outro ficasse mais confortável “— Deve estar cansado de brincar tanto, pode dormir se quiser.” – avisou “— Eu ficarei aqui, zelando seu sono.” – sorriu para este, acariciando seus cabelos.
“— Verdade?” – olhou fixo nos seus olhos.
Para Cain, ainda era estranho ver seu amigo com aquele olhar vermelho, tão intenso, em sua direção. Sentia falta, do verte tão vivo que eram seus olhos. E do ar maduro que sempre emanava deste.
“— Verdade.” – afirmou de forma branda.
“— Te amo Cain.” – aconchegou-se e fechou os olhos, aguardando o sono vir.
Mesmo a frase sendo feita de forma tão meiga e infantil, sem nenhuma malicia, parecia que uma flecha incandesceste acertou o coração de Cain. Tanto que não pode fazer mais nada, alem de acariciar a cabeça deste Veck.
Isto que estava sentindo era algo estranho, algo que nunca tinha sentido antes. Amargava e adocicava seu coração. Chorou novamente, dessa vez sem saber o motivo para estar fazendo isto.
Olhou para o céu azul daquela tarde, notando-o lentamente escurecer. Sentindo o ressonar calmo do ser que dormia em seus braços, tal qual uma criança carinhosa reconfortando-se nos braços de sua mãe.
Sorriu lembrando-se de sua irmã, nas noites em que esta tinha pesadelos e vinha pedir para dormir consigo. Não pode evitar em começar a cantar baixinho uma canção de ninar branda que sabia, apenas para amaciar mais os sonhos do seu amigo, como fazia para sua irmã.
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Em quanto isso, Guille olhava tudo de longe, escutando a doce melodia que provinha de Cain, sentindo seu coração pesar. Mas não iria interromper nada, deixaria do jeito que estava, talvez fosse melhor assim.
“— Morcego sortudo...” – murmurou, olhando com ódio para este “— Por isso odeio vampiros.” – virou a cara, como se tivesse nojo daquela cena “— Está muito comportado, ainda não posso fazer nada...” – falou, indo para dentro da casa.
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A noite fora chegando, e Cain continuava cantarolando na sacada, com Veck em seus braços.
“— Atrapalho algo?” – Jiyha apareceu.
“— Não, nada.” – o moreno sorriu para esta, parando de cantar.
“— Como Vectorius está?” – indagou, sentando-se na cadeira ao lado.
“— Feliz...” – falou triste.
“— Já está se convencendo de que é melhor deixá-lo deste jeito?”
“— Talvez...” – olhou para o rosto deste em quanto dormia, retirando uma franja que tampava-lhe a visão “— Ele parece uma criança tão alegre...”
“— Alegre e carinhosa, pelo que estou notando.” – sorriu para o garoto “— Apesar de que eu não suporto crianças, é muito bonitinho ter um adulto como Vectorius todo carinhoso e infantil desse jeito.”
“— ...”
“— Mas Príncipe...” – tomou a atenção deste “— Tenho estranhado um fato.”
“— Diga.”
“— As algemas estão comigo, mas andas dormindo normalmente...” – comentou “— E nem uma destruição aconteceu à vila.”
“— Também estranhei tal fato...”
“Talvez seja por que Vectorius o estava mordendo quase todo dia...” – pensou a elfa “— Não se sente fraco... Andas perdendo muito sangue.”
“— Guille sempre faz comidas bem nutritivas.” – falou alegre “— E as elfas da vila, me trazem frutas para não me dar anemia.” – explicou.
“—Que bom.” – sorriu mais tranquila, afinal, era um assunto a menos a se preocupar “— Bem... Espere apenas dois dias, para ver o que faremos com Vectorius.”
“— Dois dias?” – perguntou curioso.
“— Só faltam mais esses dias para suas algemas estarem prontas.” – avisou alegre.
“— Obrigado!” – agradeceu animado.
“— Hn...” – Veck se remexeu, acordando de seu doce sono “— Oi...” – falou sonolento, esfregando seus olhos com as mãos.
“— Desculpe Veck, devo ter te acordado.”
“— Tudo bem.” – voltou a aninhar-se neste, olhando curioso par a elfa ao lado.
“— Vectorius...” – esta o chamou.
“— Meu outro nome.” – falou sorridente.
“— ...” – ficou muda por um tempo “— Conhece a minha filha, a Luna, não é?” – indagou.
“— Não.” – falou de imediato.
“— E por que se lembra do jovem Príncipe?”
“— Quem?” – olhou confuso.
“— Do Cain.”
“— Por que ele é meu.” – cantarolou a frase, de uma forma absurdamente meiga.
A elfa e Cain ficaram mudos, não sabendo realmente o que fazer. Não tinha como deixar Veck naquele estado, apesar de que parece ser o melhor para este.
“— Jantar está prontoooo!” – chamou Guille de dentro da casa.
“— Uma dona de casa competente.” – brincou a elfa, descontraindo o ambiente.
“— Quer se juntar a nós?” – Cain convidou “— Assim poderemos conversar com mais calma.”
“— Claro.” – aceitou o convite.
“— Veck, primeiro tome um banho, para depois ir comer.”
“— Não gosto de banhos.” – emburrou-se.
“— Você está todo sujo, alias... Você me sujou todo dormindo cheio de lama em cima de mim.” – só notou agora “— Levante-se por favor Veck.”
“— Malvado.” – levantou-se “— Toma banho comigo?” – perguntou animado.
“— Você sabe tomar banho sozinho...” – retrucou Cain, levantando-se também, vendo que realmente sua roupa estava suja.
“— Me fico perguntando se Vectorius, quando criança, fora realmente assim...” – pensou em voz alta a elfa.
“— A senhora não sabe?” – indagou Cain, tentando limpar com a mão a sujeira de sua roupa.
“— Não... Quando minha filha trouxe Vectorius a esta vila, ele mal falava. Talvez por medo de confiar em outras pessoas depois do que o Mestre dele fez a ele.”
“— ...” – Cain não soube o que responder.
Levemente Veck puxou a manga da camisa do moreno, olhando-o ternamente. Este apenas fez um carinho em sua cabeça, sorrindo gentil e confortante para este. O passado de Veck era tão negro, que realmente talvez fosse melhor deixá-lo deste jeito.
“— Geeente, vai esfriar!” – chamou Guille, novamente de dentro da casa.
“— Melhor irmos.” – falou por fim Cain “— E você, Veck...” – olhou com seriedade para este “— Vá tomar um banho.” – mandou, tal qual uma mãe faria ao um filho inobediente.
“— Certo...” – abaixou a cabeça e deu-se por vencido, entrando dentro da casa.
“— O Príncipe parece ter facilidade em lidar com crianças...” – a elfa comentou.
“— Minha mãe morreu no parto de minha irmã, por isso tive que aprender cedo a se saber o que fazer nessas horas.”
“— Lamento.”
“— Agradeço.” – sorriu com nostalgia “— Vamos entrar?” – convidou.
“— Certo.”
CONTINUA...
18/08/09
Nota da autora:
Eu tive que parar assim, pois se continuasse iria dar umas 30 páginas XD (só faço cada CAP no máximo 20 páginas), mas de qualquer forma este CAP mostrou muita coisa.
Para falar a verdade me da pena ver o Veck neste estado, mas me encanta a fofura no qual ele está.
Ah! Para os que não sabem o que é um ‘Íncubus” eis a descrição:
As Succubus e os Íncubus são filhos de Lilith com Lucifer. Eles seduzem, desperta ou realiza desejos sexuais de suas vitimas e sugam suas energias ou tiram a alma como diz em algumas historias. Diz-se de demônio ou fantasma maligno que supostamente toma a forma de mulher/homem e vem perturbar o sono dos homens/mulheres. A experiência do ataque do íncubus/succubus varia de extremo prazer ao absoluto terror.
Tirei isto de um site da net, mas não levem tão a serio a estória por de trás de um Íncubus, pois não será utilizada no Prison Magic. Coloquei isto apenas para terem uma ideia melhor do que ‘aguarda’ o Veck. (Hahahahahahahah)
Aviso:
Só quero avisar aqui, que o próximo CAP demorará mais a sair, pois a faculdade (Weee, Toy entrou para a facul) está mais puxada do que pensei que fosse XD
By: Toynako
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