Prison Magic
34 Capítulo 34
Notas iniciais
Autora: Toynako
Betada por: L. Kathar
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Prison Magic
Capitulo 33 (ou 34, se for no Nyah!)
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Alguns meses se passaram, arrastados, cansativos e completamente desesperadores para alguns ali. E todos novamente estavam à mesa do café, conversando coisas aleatórias quando um assunto um tanto inusitado veio por parte de Guille.
“–– Cainzinho!” – exclamou, notando todos se assustarem e olharem para si “–– Seu aniversário, é por esses dias, não?”
“–– De fato... Havia me esquecido.” – Cain olhou surpreso para Guille, dando um suspiro longo “–– Farei vinte e três anos... ”
“–– Os herdeiros de Radiance se casam com vinte e cinco...” – comentou Nyha, recebendo um olhar suspeito do loiro “–– Foi... O que ouvi minha irmã dizer... ” – deu um suspiro meio triste, notando satisfeito o caçador desviar o olhar.
“–– Sim. Andei enviando cartas pelo Falon, no período que estávamos no navio... Mas desde que estou aqui, não... ”
“–– Falon?” – questionou Oroi, olhando de um para o outro ali.
“–– Era o falcão da minha irmã, ela conseguia entender o que ele dizia.”
“–– Deixe esse assunto de elfa, falcões e casamentos de lado. O foco é o aniversário do Cainzinho.” – relembrou o loiro, erguendo-se em um impulso “–– O que faremos de especial? Um bolo? Compras? Festa na taberna?” – um pouco de animação ali não causaria nada demais.
“–– Creio que não precise de nada disso.” – um suspiro longo escapou da boca do príncipe, onde desviou de leve o olhar “–– Eu só tenho um único desejo.”
“–– Príncipe... Eu... Andei pensando e... Aceito levar vocês até o castelo do meu ex-Mestre.”
“–– Levará!?” – a animação nos olhos ametistas fora bastante visível.
Cain animou-se no mesmo instante, fitando o vampiro à mesa. Seu peito parecia leve, bem como os seus ombros. Era como se tivesse recebido o melhor dos presentes, por isso sorrira tão radiante. Estava tão visivelmente animado que até causou um tanto de espanto nos outros três.
Ficar tão perto do Veck e não saber como encontrá-lo dessa vez, estava o agoniando. O príncipe pensara que seria tudo mais fácil. Que a senhorita Luna iria os guiar assim que chegassem ali, mas a mesma encontrava-se enferma. Era complicado, era realmente complicado para ele conter algumas coisas.
Tanto para este, quanto para Yami as coisas estavam complexas. O demônio nesse meio tempo quando conseguia o controle do corpo, ia para a parte mais longínqua da floresta próxima, descarregar suas magias e energia, liberar a tensão que o estava rodeando.
Isso que ouvira era definitivamente um bom presente de aniversário.
“–– Vamos comemorar hoje! Farei uma janta boa.” – empolgou-se Guille, por outros motivos, lógico.
“–– E eu conseguirei um ótimo vinho!” – Nyha animou-se também, pegando o copo que bebia o suco e erguendo “–– Um brinde a... Amizade!”
“–– Brinde!” – todos à mesa pegaram o copo e ergueram, acabando por rirem de leve depois.
“–– Mas eu tenho um pedido. Não machuquem Shisue.” – foi o único pedido de Oroi, feito depois de abaixar o copo.
“–– Meu objetivo é apenas resgatar Veck... Nada mais.” – Cain falou firme, ainda animado “–– Depois desse presente de aniversário, não preciso nem de festas. ” – rira, sendo logo cortado pelo loiro.
“–– Negativo! Aniversário é algo importante para os humanos, vamos comemorar.”
“–– Será daqui há doze dias... Podemos ir resgatar o Veck no dia... O que acham?” – sugeriu Cain, olhando ansioso para o Oroi.
“–– Não espere chegar lá pedindo para o senhor Shisue que lhe dê o Vectorius de presente, ganhará esqueletos mordendo seus calcanhares.” – riu baixinho, apesar de ser uma dica séria a respeito disso.
Oroi surpreendera-se um pouco no período que ficou ali com todos, com o futuro rei de Radiance. Ele estranhamente lembrava um pouco a si antes de virar um vampiro. Talvez as idades próximas tenham gerado essa familiaridade com o mesmo.
Mas de fato, essa inocência dele o iria machucar muito se não fosse logo extinta. A sorte, ao ver de Oroi, era que a aparente outra personalidade do mesmo conseguia balancear tudo. A questão maior era, o que ele faria quando esse demônio que o possuía saísse do corpo?
Pelo jeito ninguém mais estava pensando nisso.
“–– Eu não iria pedir isso só... Achei que seria bom.” – justificou-se meio sem jeito, corando bem de leve e desviando o olhar.
“––Negativo!” – Guille falou de imediato, olhando a cara de surpreso deles ali “–– Vamos fazer uma festa na taberna que tem na vila, de noite! Lá é um bom lugar, depois de manhã vamos resgatar o morcego.”
“–– Tudo bem, mas depois que resgatarmos o Veck, faremos uma festa de boas vindas.”
“–– Negócio fechado, Cainzinho!”
E o café da manhã seguiu agitado. Não só ele, os dias seguintes se tornaram mais leves até para quem possua duplo objetivo ali. Parecia ter um grande contraste com os meses anteriores, o tempo até mesmo passou mais rápido para todos. Logo, já era o tão esperado dia do aniversário do príncipe de Radiance.
Guille parecia o mais animado nisso. Novamente, já estava costurando as roupas para o tão aguardado dia... Não que fosse de suma importância, apenas queria manter a mente ocupada. Fora que, imaginar emprestar mais roupas suas para o morcego desnutrido e sem dono que Cain adotara – por assim se dizer – o incomodava absurdos.
Por sorte na vila próxima da cidade o loiro conseguira tudo o que precisava para realizar seus projetos, nada como fazer uns favores pessoais em troca de certas coisas. Era como unir o útil ao agradável para este. Por isso, o tempo que tinha era passado diante de uma antiga máquina de costura – presente dado por um daqueles a que foram prestados serviços.
A parte da manhã do aniversário do príncipe fora simples, parabéns dados pelos amigos, bem como todos já ajeitando suas coisas para a invasão no dia seguinte. Era para tudo estar perfeito. Precisariam de alguns mantimentos e provisões para possíveis curativos que poderiam ser feitos.
Cain estranhava algumas coisas. Afinal, como todos os homens que falava para negociar algo que precisava de alguma forma conheciam Guille? Este achava que o fato se dava unicamente de o loiro ser animado e sorridente, fazendo-o assim ser popular com todos. Entretanto, uma certa parte sua apenas parecia achar graça disso.
“–– Terminei!” – avisou Guille, aparecendo na sala onde todos estavam aguardando-o sentados “–– Terminei nossas roupas de hoje! Me foquei em algo quente e agradável.”
“–– Quente é? Imagino.” – Nyha soou sarcástico, sorrindo um tanto.
“–– Bem... Sem roupas curtas dessa vez, em partes... Morcegos não sentem frio.” – sorriu para o Oroi, tendo jogado suas criações absurdas para ele.
“–– Então Gui, quem começará a experimentar as roupas?” – questionou Cain, querendo que hoje simplesmente passasse logo.
“–– Primeiro o aniversariante, claro! Pode me seguir, por favor?”
O caçador seguiu até onde Cain estava, segurando a mão do amigo para fazê-lo se erguer, mantendo a mão cativa. Havia um brilho de satisfação no olhar dourado, mostrando o quanto estava orgulhoso com suas criações. Guille sabia que quando se esforçava, tendo os tecidos e materiais certos, conseguia fazer as melhores roupas possíveis. Logo guiou-o ainda segurando a mão.
“–– Espero que não tenha feito nenhuma besteira para nós.” – a voz do príncipe veio levemente mais rouca, denunciando quem estava no comando.
“–– Fique tranquilo, sempre visto o Cainzinho com os melhores tecidos e o melhor corte. ” – riu baixinho, olhando de leve para o outro do seu lado e notando as inscrições levemente mais fortes pelo corpo dele “–– Está... Ansioso..? ” – perguntou mais baixo, ainda o guiando para o quarto.
“–– Ansioso? Cain acabará morrendo se essa energia maligna não for tirada dele. E, logo.”
“–– Como?” – parou de andar, virando-se para o outro.
“–– A única coisa que o salva, é essa inocência absurda dele... Mas os próprios pensamentos e desejos, já estão começando a traí-lo. Ele não para de pensar no Veck, um único instante. E eu me alimento disso... Não que faça de propósito, é automático.”
“–– Então...” – desanimou completamente com o escutado, olhando-o assustado com as informações obtidas.
“–– Sim, se essa invasão falhar... Creio que morreremos.”
“–– E porque não falou antes!?” – desesperou-se com tudo que fora dito, levando as mãos a cabeça.
“–– Não devo satisfações a ninguém.” – respondeu sério, cruzando os braços.
“–– Então porque está me falando agora?” – ainda estava meio desesperado com tudo isso.
“–– Para você não fazer besteiras amanhã. O problema que você tiver com seu pai, não é nosso problema.”
“–– ...” – Guille calou-se, olhando-o sério perante ao comentário “–– Venha vestir a roupa. ” – falou seco, depois de um tempinho “–– Por sinal, feliz aniversário também, Yaminho.”
Por fim, Guille guiou-o e o ajudou a vestir a roupa sem falar mais nada. O clima estava pesado, ao menos para ele. Seu plano, logicamente, não envolvia nada relacionado ao morcego que Cain e Yami estavam atrás.
Seu alvo era Shisue.
Finalmente o caçador sentia-se perto de colocar as garras no pescoço daquele ser nefasto e por fim o matar. O claro objetivo era acabar com tudo o que poderia ser chamado de existência. Só assim, unicamente assim, conseguiria descansar em paz. Iria sentir-se vingado, sua mãe e seu irmãozinho, esses dois que morreram diante de si seriam salvos.
Ao menos, em seus pensamentos, seriam salvos... Ao loiro pouco importava a vida medíocre de escravo que teve antes, o que precisava fazer para ter o que quisesse e coisas do tipo. Atualmente... Apenas sentia o desejo e dever de vingar a morte de sua mãe e irmão.
Aurora e Lewis, nunca esqueceria seus nomes.
Acabou que fora tirado de seus pensamentos quando vira o príncipe vestido com as roupas que criara. Realmente, modéstia a parte, havia feito um trabalho muito bom para esse. Admitia que não se esforçou em nada para o Nyha, mas ele iria ao menos bem vestido.
“–– Está bonito.. ” – elogiou-o, sorrindo sem jeito “ Com o Yami controlando o corpo, está é sexy... Mas não vou comentar nada... ” – pensou logo em seguida, deixando isso de lado.
“–– Agora, vista os outros... Depois iremos para essa maldita festa.” – mandou Yami, seguindo logo para a sala.
Assim que o demônio chegara, atraíra a atenção dos outros dois pelas roupas que usava. Não que fossem extravagantes, mas eram bonitas e bem feitas pelo alfaiate loiro. O mesmo usava uma blusa de mangas longas e gola alta, de um tecido grosso justo ao corpo, o que deixava bem visível o porte mais definido do mesmo, em uma coloração roxo escuro.
Uma calça preta levemente folgada no corpo, para dar mais flexibilidade aos movimentos dele. Por cima, sobre os ombros, havia um manto curto de veludo preto. Todas as peças ornavam muito bem, deixando-o com um ar jovial e provocante.
“–– Vejo que Guille realmente sabe costurar.” – comentou Nyha, surpreso com isso.
“–– Não recorda Nyha? Eu fiz as roupas deles na festa da vila élfica.” – estranhou Guille, olhando meio desconfiado para o elfo.
“–– Agora tenho a confirmação de que realmente sabe.” – sorriu meio sem jeito, saindo pela culatra com seu comentário.
“–– Tanto faz... Próximo.” – reclamou Yami, seguindo para o sofá que estava e sentando-se de braços e pernas cruzadas.
“ Se eu o transformasse em vampiro, com essa idade, seria eternamente apetitoso... ” – pensou a vampira, usando a aparência do Nyha.
“–– Próximo vai ser... Nyha, pode vir.”
Avisou Guille indo até o mesmo e pegando-lhe pela mão, guiando-o para trocar-se. Não demoraram quase nada, o mesmo apenas voltou usando roupas mais simples e quentes, era como se houvesse uma má vontade do loiro ao fazer o modelo que o elfo usaria. Quase como se quisesse esquecer o mesmo. O que era de se esperar, por conta da troca do elfo com a vampira. Sem ninguém saber, Guille perdeu o seu capacho.
“–– Alguém não parece estar satisfazendo um certo caçador.” – Yami rira, atraindo um tanto a atenção dos outros “–– Próximo agora, isso parece o show de horrores... Agora, vai colocar assinhas de morcego no Oroi?” – alfinetou mais.
Nyha apenas deu um suspiro longo, seguindo para o seu lugar e sentando-se quieto... Realmente, pelo jeito não estava satisfazendo o ego do caçador.
“–– Você, me siga.” – Guille falou firme, para o Oroi.
“–– Mestre...” – gemeu baixinho em resposta, sendo a sua vez de atrair atenção de todos ali.
“–– Se você ousar me confundir com aquele desgraçado mais uma vez, te arranco outro olho!” – disse sério, sinceramente incomodado com essa loucura que aquele morcego tinha.
“–– Aí é que ele geme mais.. ” – alfinetou Yami novamente, rindo baixinho.
“–– Certo, Cain tem que voltar para esse corpo o quanto antes. Isso daqui está medonho!” – alarmou-se Guille, virando-se e indo na frente, sendo acompanhado do Oroi.
Novamente, Guille levou quem iria vestir-se para o quarto, retornando com esse para o lugar. Um contraste grande, com a roupa de má vontade feita – como no caso do Nyha, Oroi estava vestindo-se com uma jardineira jeans sendo uma bermuda curta a parte debaixo. Haviam meias vinho escuro que iam até quase onde a bermuda acabava. Para completar e combinar, uma blusa de malha fina na mesma cor das meias. O cabelo estava perfeitamente trançado, com um laço verde escuro prendendo tudo. O melhor fora que as bandagens que estavam enroladas no rosto de qualquer forma tampando o olho agora eram um tapa olho branco, deixando um visual mais limpo para a face.
“ O gosto do Shisue é meio estranho... ” – pensou Nyha, nem querendo comentar nada.
“–– Uma obra prima para nada, senta logo. Vou me vestir.” – avisou Guille, deixando-o ali e indo vestir-se.
O mesmo demorou um pouco, mas retornou enfim com uma calça justa ao corpo com cor grafite, além de uma blusa curta e folgada amarela. No entanto, o que chamava mais atenção era um casaco longo e felpudo de pele de coelho, finamente costurado, demonstrando delicadeza de uma maneira aparentemente confortável e quente. Os cabelos dourados estavam penteados em um rabo de cavalo.
“–– Todos prontos? Podemos ir.” – o caçador deu uma voltinha, mostrando bem o seu figurino.
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O anoitecer chegara rápido para a felicidade de muitos ali. O loiro tratou de guiar todos para a taberna que mais frequentava na localidade, já sendo amigo do dono dessa. Havia conversado com o mesmo, explicando a situação mais festiva que fora rapidamente aceita. E por mais incrível que fosse, dessa vez sem nenhum trabalho íntimo e pessoal tendo sido realizado pelo loiro para o dono.
Fato esse que poderia até significar ser realmente uma boa amizade.
O quarteto entrou no estabelecimento bem iluminado em uma das ruas desérticas de Even, mais afastado do vilarejo em si. Era um lugar onde qualquer tipo de ser era bem-vindo, contando que pudesse pagar, logicamente.
O dono era um rapaz de seus aparentes dezessete ou dezoito anos. A pele bronzeada não parecia combinar com o clima gélido do local, onde a maioria das pessoas não costumavam passar tempos apreciando o adorável clima sob o sol – e nem esse rapaz poderia, logicamente. Possuía ainda uma alta estatura, tendo feições delicadas e olhos estreitos de um vermelho intenso.
Sempre que trabalhava estava trajado com roupas clássicas de atendentes de taberna local – calça escura com blusa clara, tendo um colete preto sobre essa, onde apesar da ideia ser a de não se destacar dos demais, o rapaz falhava fortemente por conta de seus cabelos que sempre destoavam do ambiente a volta, por serem de fios finos e de um ruivo alaranjado vívido.
Seus cabelos eram realmente um show a parte, volumosos, passando da altura da cintura. Na parte da frente tinha uma franja longa e desfiada, o que de alguma forma fazia-o parecer ter um ar animalesco e desafiador. Tudo gerava um conjunto que deixava-o parecer um rapaz provocativo, com seu físico delgado e olhar levemente felino.
“–– Shirou! ” – Guille gritou animado logo que entrou no estabelecimento, não ligando em atrair atenção dos demais a volta.
“–– Gui! ” – pulou o dono do lugar, erguendo a mão e acenando de trás da bancada.
O loiro logo tratou de andar apressado até o balcão, espalmando as mãos ali e olhando para o ruivo. Sorriu de fora animada para esse, endireitando-se a indicando com a mão para os tímidos que ficaram parados na porta com cara de quem não fazia a menor ideia do que fazer.
“–– Trouxe todos, estão sob seus cuidados.” – Virou-se para o seu grupo, chamando-os com a mão.
Cain fora o primeiro a aproximar-se, sorridente como sempre, não se incomodando com a atenção recebida. Era um príncipe afinal, ser o alvo de olhares era algo normal. Apenas espantou-se de leve com a intimidade que loiro tinha com aquele rapaz. Mesmo que Guille fosse extremamente sociável, ainda achava surpreendente.
“–– Prazer, me chamo Cain.” – apresentou-se, notando os demais virem finalmente “–– Estes são Oroi e Nyha.” – indicou com a mão respectivamente.
“–– O prazer é todo meu. Sou o Shirou, dono desse lugar.” – riu baixinho, olhando para o loiro um momento depois “–– Já conhecia o Guille, antes mesmo de ter essa taverna. Faz o que? Uns vinte anos..?”
“–– Por aí, foi surpreendente achá-lo aqui.” – olhou para o antigo amigo “–– Não achei que você gostasse de ficar em um só lugar.”
“–– Algo em Even me atraiu. ” – justificou-se, se endireitando e olhando para os demais “–– Então, parabéns ao aniversariante.”
Logo Shirou pegou quatro canecas grandes e encheu de bebida, colocando para eles ali na bancada.
“–– Por conta da casa! Divirtam-se!” – Ofereceu-lhes, indo atender outros clientes e deixando-os em paz.
Guille manteve os olhos no seu antigo amigo mais um tempo, antes de estreitar o olhar e voltar atenção aos demais. A ideia era realmente festejar, descontrair um pouco já que o dia seguinte seria o do derradeiro final. Havia repassado em sua mente tantas vezes esse dia, que parecia mais que certo que tudo sairia bem.
No entanto, nesse momento quis apenas aproveitar a festa, pegando sua bebida e tomando com os demais. Não demorou muito até ir à mesa de um dos clientes dali, sentando-se perto de um homem forte. Nyha, por mais estranho que fosse para os demais, fez algo parecido ao sentar-se com outros homens que bebiam.
Ficaram Cain e Oroi, sentados no balcão olhando para suas respectivas bebidas.
“–– Não vai beber?” – questionou Oroi, notando apenas que esse enrolou o tempo todo e não tomou nada.
“–– Tenho receios de... Bem, de beber e perder o controle.” – explicou, vendo que realmente devia ser o único que ia para uma taberna e não bebia “–– Se importa que eu faça uma pergunta? ”
“–– Não vou voltar atrás no que disse, ainda irei levá-los até meu ex-Mestre..”
“–– Não, não é isso.” – avisou logo, negando com as mãos juntos, de uma forma meio sem graça pela situação “–– É que ouvi que vampiros não... Bem... Mudavam, e eu lembro de você tendo dois olhos.”
Oroi olhou um tanto confuso para ele, só depois de alguns instantes erguendo a mão e levando-a até o olho tampado, sorrindo de leve ao deslizar as pontas dos dedos ali.
“–– Você tem razão... ” – sorriu mais, fechando o olho e estremecendo de leve, abraçando-se “–– Shisue me tem ainda..” – murmurou baixo, mais para si.
“–– Como? Desculpe, o lugar está barulhento e não compreendi.” – ficou mais na duvida ainda, sem entender se tinha perguntado algo errado.
“–– Ele...” – respirou fundo, buscando acalmar-se e segurar novamente a caneca de bebida, tomando-a lentamente “–– ...deve estar com meu olho. Simples assim... Mantendo com magia.” – preferiu explicar.
“–– E... Não doi?”
“–– Bastante. ”
“–– Está tudo bem com isso..?” – Cain deu um longo suspiro ao ver o outro concordando, onde acabou notando que não adiantava muito tocar no assunto.
Era um mistério para o jovem príncipe, toda essa devoção obcecada que Oroi possuía, devoção essa que ele alegava ser amor...
“ Do que tem tantas dúvidas, hospedeiro?” – a voz soou em sua mente, sendo obviamente Yami “–– Não sei do que está falando..” – Sussurrou, onde nem a si escutara o que foi dito em meio a barulheira do local, não que importasse o ser com quem conversava compreendia.
A conexão entre hospedeiro e demônio estava em seu auge. Tiveram anos juntos, portanto conseguiam se entender bem melhor devido ao do tempo decorrido. O príncipe até compreendia que Yami era um demônio da luxúria de forma mais plena agora.
E nem sempre fora assim...
No início, após Veck ser levado – ou ter ido de livre e espontânea pressão de seu Mestre, Cain não compreendia o motivo de seu corpo estar necessitando de mais contato íntimo. Ainda mais porque desde o tempo que se juntara ao amigo para esse o ajudar a tirar a maldição, não tivera tantos problemas referentes ao demônio.
Claro, após relembrar do fato de que haviam noites em que Veck o mordia, toda a situação fez um bocado mais de sentido. Cain lembrava-se bem da confusão que acontecera inicialmente quando descobriu que era mordido. Soou como vergonhoso um príncipe como a si deixar-se ser apenas um alimento para outro tipo de ser. Era um ato que não fazia parte da realeza, com toda certeza.
No entanto, quando seu amigo precisou de si, de livre e espontânea vontade ofereceu-se. Sentia seu sangue ser drenado, junto com uma sensação um tanto única demais para o ato.
Não era a dor...
Se fosse só dor o que sentia, as coisas seriam mais fáceis.
Houveram algumas situações bem íntimas, que agora, quando o príncipe parava para recordar, deixavam o seu corpo quente.
Naquele tempo, anos atrás com o amigo precisando de ajuda e portando-se como uma criança não havia como maliciar nada. Todavia, agora não era mais aquele jovem príncipe de outrora. Não que sua inocência estivesse sido corrompida, apenas os anos e o que passou o fizeram ter uma noção mais real da vida em volta.
Foram anos no navio, navegando pelo mar, visitando vilarejos, conhecendo pessoas e escutando vidas diferentes da sua. Pode ter uma noção melhor do que pessoas comuns precisam, algo que nenhum conselheiro real iria lhe passar de forma tão fiel. Sentia que no dia que voltasse para sua Radiance, faria do local um bom ambiente para seus habitantes.
“ Pelo visto, me enganei... ” – A voz zombeteira ecoou na mente do príncipe “ Imaginei que tudo o que passamos lhe fez prestar atenção nos próprios desejos, hospedeiro. ”
Nesses anos navegando Yami teve seu tempo para que pudesse explicar por alto a respeito do que ele era, de como se alimentava, e principalmente, do que precisava se alimentar. Houveram anos para que esse tema fosse abordado, para o lento conhecimento próprio, para brigas entre os dois e para reconciliações também.
Ao menos, ambos possuíam o mesmo objetivo: Resgatar Veck. A única e maior diferença eram os motivos pessoais a respeito desse resgate. Ou talvez apenas um não se dera conta de que seus motivos pessoais eram parecidos com o do outro.
“–– Tome controle do corpo, Yami.” – pedira, olhando sem foco para o copo de bebida que estava pousado sobre a bancada daquela taverna.
Yami e Cain compartilhavam um único corpo.
De alguma forma, Yami havia se acostumado com seu hospedeiro. O mesmo sabia que houveram outros príncipes e princesas que possuíra por vários motivos em Radiance. Yume, que fora a portadora da espada – e da maldição — anterior a Cain era a única da qual recordava. E lembrava com perfeição que não demorou muito para simplesmente tomar domínio completo e findar com a vida de ambos por falta de controle.
Nem cogitava que unicamente a culpa era de Shisue, a quem a garota de modo ingênuo fora recorrer ajuda. Talvez unicamente da princesa em si.
“ É seu aniversário. ” – replicou o pedido, recusando-se por hora.
Literalmente, havia algo de diferente em Cain, algo que fazia querer proteger o mesmo. Não apenas por saber que sua vida estava ligada à dele, e sim, por conta do rapaz destemido e valente, que possuíra agora. Era um provável e tolo apego emocional, algo completamente atípico para um demônio da luxuria como era...
“–– Estou meio... Ansioso demais... ” – deu um suspiro longo, fechando os olhos.
Se ao menos Cain lembrasse o rei pelo qual Yami sentira algo muitos anos atrás poderia encontrar uma desculpa para esse pequeno zelo. Todavia não havia nenhum traço que os ligasse... Feições, gestos, comportamento, questionamentos... Eram duas pessoas diferentes, o que fazia Yami às vezes questionar-se.
Um amigo de verdade, talvez?
“ Ficará observando tudo ou me dará controle completo? ” – a dúvida do demônio fez Cain engolir em seco e decidir tomar mais um gole da bebida.
Era o pensamento mais bobo e ingênuo que vinha do demônio referente a toda essa situação que se encontravam. Provavelmente por conta da proximidade de ambos, houvesse uma assimilação de algumas características nos dois.
Demônio e hospedeiro.
A ingenuidade de um passava para o outro e, a vivência desse outro retornava ao primeiro.
E nesse ponto se recupera o aprendizado do qual o príncipe tivera conhecimento. De início soava complicado como uma quebra de intimidade, como se não houvesse um momento em paz consigo mesmo. No entanto com o tempo, tornou-se um prazer necessário para ambos.
A falta dos encontros noturnos de Vectorius Razard fazia seus sintomas serem sentidos pelos dois. Resultava em uma energia maligna que, até então não se sabe ao certo de onde surgiu — apesar das lembranças do Rei ruivo e o anjo, energia essa em excesso e de uma tensão curiosa vinda por parte da necessidade de luxúria do demônio.
Para o primeiro problema, não havia nada que pudesse ser feito. Nenhum dos viajantes tinha o conhecimento mágico para ajudar, o que resultava apenas em um acúmulo completamente danoso para o hospedeiro.
Quanto ao segundo problema...
Esse era de renome mais íntimo, e de certa forma, havia uma solução casta. Afinal, os futuros reis ou rainhas de Radiance precisavam ser intocados, virgens. Cain então apenas precisava tocar-se mais vezes.
“–– É meu aniversário. ” – riu baixinho, respirando fundo logo em seguida e abrindo os olhos.
Cain olhara para os lados, notando Guille se divertindo sentado no colo de um homem musculoso em uma mesa com outros bebendo, bem como havia Nyha com um grupo de jogadores de cartas em outra mesa. Acabou dando um suspiro longo em seguida, voltando atenção para Oroi e notando-o conversando com alguém imaginário – ao menos era o que achava.
De alguma forma, sentia-se perdido no meio dessa festa de aniversário. Não que as demais tenham sido diferentes, acabava parando em algum vilarejo com os corsários da senhorita Luna e divertindo-se em uma taberna parecida como essa. A única diferença era que realmente estava ansioso.
Não queria estar ali, queria estar já rumando para reencontrar seu amigo, para salvar Veck daquele mestre insano que o mesmo possuía.
“–– Ou seja, estarei bem acordado, só lhe darei o controle.” – riu baixinho, virando-se e olhando para o dono do lugar.
“–– Falando sozinho?” – esse riu baixinho, servindo um pouco mais da bebida, estreitando de leve o olhar “ Afinal de contas, um já estava falando mesmo...” – pensou logo em seguida, olhando brevemente para o vampiro sentado em sua bancada.
“–– Conversando com meu demônio interior.” – rira de leve “–– Eu adoraria conversar mais com você, esse lugar parece animado, entretanto por hora, irei me ausentar.” – avisou-lhe, fechando os olhos.
Shirou olhou confuso leves marcas se tornarem mais visíveis no rosto daquele humano, bem como o olhar ametista que antes brilhava em ingenuidade tornar-se mais provocativo quando o moreno o abriu, combinando perfeitamente com o sorriso travesso nos lábios.
“–– Eu sou o demônio interior, prazer.” – piscou um dos olhos, levando a mão até a fivela que prendia o manto de veludo que tinha sobre os ombros.
Não demorou em Yami tirar o manto que o cobria para aquecer, levantando-se e deixando sobre o banco que estava. Fora a sua vez de olhar em volta, buscando um ponto de diversão.
Brigas? Jogatina? Bebida? Flertar..?
Não, esse último era riscado da sua lista. Querendo ou não estava ansioso para ver o vampiro, para puxá-lo pelos ombros e jogar em uma parede de frente para essa, para poder esfregar-se nesse...
“–– Brigar.” – rira baixo, olhando uma confusão se iniciar na mesa onde Nyha jogava cartas, virou-se então para aquele tal de Shirou, olhando-o bem “–– Aconselho aumentar a música.”
Foi o que dissera antes de ir em direção da confusão para se divertir.
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Após horas de festa Yami se divertira, consequentemente, Cain se divertia e esquecia um pouco dos problemas que o assolavam. Eram alguns momentos para descontrair em meio a pressão de conseguir concluir a missão.
Houve grito, porradaria, jogatina, bebidas e dança nesse meio tempo, todos pareciam harmoniosos. Nyha já estava desmaiado em um canto da taberna, Oroi já havia perdido a conta de quanto de bebida tomou e Guille misteriosamente já havia saído e voltado algumas vezes com alguns homens que existiam no lugar. Motivo esse que o demônio da luxúria sabia bem qual era e podia sentir uma leve inveja.
Yami dera uma pausa depois de um bom tempo jogando cartas com alguns homens da taberna, estava bebendo em meio a tudo isso e os efeitos estavam começando a surgir – deixando seu hospedeiro desacordado. Por isso, preferira apenas levantar-se e sair do estabelecimento, seguindo para a lateral do prédio de madeira bem trabalhada.
Não havia muita coisa em volta, apenas mais adiante algumas poucas casas. Even era um povoado simples, mas amplo, com pequenos grupos de casas e estabelecimentos. Tudo envolto a muita neve e árvores, mais ao sul tendo várias montanhas gélidas.
Definitivamente era um lugar frio e não haviam muitas épocas do ano onde o lugar amenizava quanto a temperatura. Haviam alguns pilares de madeira, que iluminavam os caminhos que interligavam o local. Vez ou outra, alguém passava informando que era vigilante, alegando que a cidade estava tranquila e que poderiam dormir.
Era um lugar carregado de energia maligna e um antro de vários tipos de seres, não apenas vampiros. Entretanto, para todos daquela cidade era claro quem comandava o lugar, sendo o dono do castelo local. O senhor feudal, que era benevolente com a cidade na medida do possível, claro.
O povoado de Even conhecia Shisue muito bem, sabiam o que ele era e que de certa forma, enquanto obedecessem ao que lhes era dito, não haveria problemas por conta de outros monstros.
Um suspiro longo escapou do jovem príncipe possuído, estando com Yami no controle ainda. Por um pequeno tempo esse distraiu-se vendo a fumaça esbranquiçada que saia ao soprar em suas mãos para aquecê-las. Havia um peso no peito, o demônio sabia estar no limite, Cain não aguentaria muito mais tempo. E Even, com toda certeza, estava colaborando para esse acumulo energia maligna.
Só havia de conhecimento de ambos, uma forma para se livrar dessa energia...
Vectorius.
“–– Cain..?”
A voz suave chegou aos ouvidos do demônio que logo arregalou os olhos e virou-se para o lado, recuando um passo, onde por instinto quase levara a mão até a espada – que sempre o acompanhava.
“–– Veck!?” – exclamou, olhando o ser de capuz diante de si.
“–– Me enganei...” – um leve sorriso brotou em seus lábios “–– Yami.”
O ser diante de Yami levara a mão lentamente, de forma suave, até o capuz para o retirar, revelando assim a figura tão bem conhecida para este.
“–– Veck..?” – a voz oscilou, chegando a recuar mais um passo.
“–– Vocês cresceram...” – reparou, desabotoando o que prendia o capuz no peito e deixando que este caísse na neve.
Não havia dúvida alguma, era Veck. Yami pode reparar em meio a luz oscilante do lugar que o vampiro não havia mudado absolutamente nada. Era o mesmo cabelo prateado que passava de sua cintura, perfeitamente liso – que por muito tempo achara que apenas havia magia envolvida nesse fato. Aquele olhar esverdeado ainda o encarava, sendo emoldurado por provocativos cílios longos. Feições delicadas, que portavam um sorriso malicioso no momento.
Só não recordava que o amigo era mais baixo que si de tal forma... O que o fazia olhar levemente para as botas deste, na dúvida se não estava as usando... Não, Veck trajava-se como lembrava-se, roupas finas prateadas com detalhes em verde oliva. A calça marrom fosco, onde para completar havia uma bota de cano e salto alto.
Parecia o mesmo de sempre.
Tanto que o demônio estremecera, olhando sem entender o que se passava. Não sabia nesse momento se era sorte ou azar Cain estar desacordado pela quantidade de bebida. Nem ao menos sabia se seus olhos estavam o traindo agora, se era apenas uma miragem do que tanto queria...
“–– Eu não tenho muito tempo... ” – Veck começara, dando um suspiro curto, olhando o outro ainda na defensiva “–– ...Sei que soa estranho, e há algumas respostas que não posso responder por conta de magia...”
“–– É... É você mesmo..? ”
“–– Sim... Eu..- ” – parara de falar, ouvindo movimentações da porta da taberna, acabando por mover-se rápido e pegar a mão do outro “–– Vem, vamos para os fundos. ”
Os passos foram apressados guiando ambos para os fundos do estabelecimento, um lugar mais escuro. Entretanto, não levou nem alguns instantes para o vampiro usar sua magia e criar vaga-lumes, que iluminavam o ambiente de uma forma harmoniosa e bonita.
“–– Como eu dizia...” – retornou o que falava, após ter usado a magia para iluminar “–– Há certas informações que não posso dizer por-.. ”
Não houve como terminar a fala outra vez, Veck sentira a mão do outro em seu ombro, empurrando-o com força em direção a parede da construção e logo o corpo desse prensando-o ali.
“–– Cala a boca.” – mandara Yami, quase rosnando no momento “–– Não me interessa para quem você teve que pagar favores, para estar aqui... Só... Só cale a boca.” – abrandou mais, ainda o segurando, pelo ombro, levando a outra mão até a cintura desse “–– Não pode imaginar a infinidades de vezes que meu hospedeiro sonhou em te reencontrar..”
“–– Cain é ingênuo... Eu sou um ser já fadado a um destino. Ele é um príncipe, futuro rei de Radiance, deveria ter voltado..”
“–– Para que!? Para ser morto por acumulo de energia maligna!? ”
“–– Eu consigo sentir... Há tanto em você dessa vez..” – sussurrou, aproximando o rosto do pescoço do outro, respirando fundo.
“–– Cain está desacordado no momento...”
Não houveram mais frases ditas após isso, Yami levara a outra mão que estava no ombro alheio e a pousou no outro lado da cintura, mantendo as duas ali. Os corpos se aproximaram, havia uma tensão silenciosa no lugar, quebrada apenas pelos sons de aves que as vezes ressoavam pelas árvores a volta. Os corpos colavam cada vez mais, o que fazia o íncubus ter que resistir ao instinto primal de segurar o vampiro pelas pernas e fazer esse enlaçar a sua volta.
Yami estava sedento, seu corpo buscava encaixar-se ao do amigo, onde as mãos que percorriam suas costas só o deixava em um estado mais faminto por qualquer coisa. Eram corpos que ansiavam mais contato. O olhar verde encarando o ametista apenas denotava um desejo não tão oculto dentro dos orbes de ambos.
A única dúvida era se ambos ansiavam o mesmo, neste momento.
Vectorius estremecera, sentindo a coxa forte mover-se de encontro a sua intimidade, causando arrepios suaves pelo seu corpo. Havia uma necessidade de mais, as palavras tornavam-se mudas soando apenas como suspiros mais sonoros, arfares em meio a um mover sinuoso de corpos, uma fricção a qual claramente gerava prazer em ambos.
“–– Ahnw.. ”
O primeiro gemido fora o vampiro quem deixou escapar, estremecendo quando sentira que as mãos do outro subiram por dentro de suas vestes, arranhando a lateral de sua cintura como se quisesse apenas o manter preso no lugar, segurando-o enquanto os corpos esfregavam-se.
Era a tão conhecida dor que já estava tão anestesiado ao longo desses anos, mas vindo de uma forma diferente, com uma sensação nova... Com um prazer não unicamente por conta da dor em si, mas por quem a fazia. Por um instante a mente deste ficara vazia, erguendo o rosto e olhando o céu estrelado, o manto noturno. Entreabrira a boca, deixando leves ofegos saírem...
A situação estava mais intensa do que deveria ser. Tanto que o corpo do vampiro reagia pelas mãos do demônio passando por si. Talvez, alguma palavra devesse ser dita relacionada a essa situação, mas antes que pudesse ser dito sentira ser virado bruscamente pelo outro, ficando com corpo de frente a parede, sendo prensado nessa.
“–– Ya-Yami!?”
“–– Silêncio.”
A ordem fora dada de modo afoito, onde o demônio logo segurou novamente os quadris.
“–– Eu estou faminto...”
“–– Eu também, Yami...”
Era um desespero cúmplice no meio disso tudo. Vectorius logicamente não alimentou-se de nada além da energia maligna natural do lugar, durante esses anos. E Yami, obviamente estava refreando seus instintos por conta dos limites do próprio hospedeiro. Entretanto, dessa vez não havia como refrear o fato de ter ficado rijo com os corpos se movendo momentos antes, e nem ao fato de neste momento estar esfregando o volume nas nádegas do suposto amigo raptado.
“–– Vejo que realmente cresceram...” – gracejou Veck, fechando os olhos.
“–– Nem faz ideia...” – a provocação fora logo rebatida, seguida de um leve risinho sarcástico “–– ...Mas talvez queira fazer.”
Yami ainda não compreendera em totalidade, era como se uma parte da sua memória atual tivesse sido apagada. Não que esse fato fosse alguma novidade para o íncubus, apenas que havia a sensação que fizera muito mais com o vampiro do que realmente havia feito.
Como se Cain tivesse feito e por esse motivo houvesse carta branca para si... Por esse motivo e do seu hospedeiro estar dormindo, aproveitou-se no momento. Lambera os lábios, olhando o cabelo cair como um manto prateado sobre as costas alheias, bem como as nádegas pareciam encaixar-se bem e gerar mais prazer em si.
Fora a sua vez de gemer, movendo-se suave como se o estivesse estocando. Desejava algo, sentia o desejo percorrer pelas suas veias e nem achava que essa vontade vinha unicamente de si. A verdade era que mais parecia algo mesclado com o humano ingênuo no qual hospedava.
Apesar disso tudo havia um limite, não conseguia passar dessa parte, e a frustração começava a tomar conta conforme ouvia ofegos vindos do vampiro que havia mantido cativo dessa forma.
Veck não sabia bem o que fazer nessa situação. Não que nunca tivesse se enfiado em uma situação parecida, a questão era com quem estava... Sentia as unhas cravando em sua pele e podia apostar que haviam feito pequenos cortes tamanho a força que outro o segurava.
Lembrava-se bem de uma situação assim a qual tentara esquecer de todas as formas, fora um deslize que quase custou a vida do seu amigo... Cain era tão ingênuo, como pode o deixar fazer aquelas coisas consigo, por estar drogado com o afrodisíaco que Guille fizera uma vez?
Daquela vez haviam ido tão longe, recordava-se dos dois, Yami atrás de si e Cain na frente... O amigo quase que usara a boca em sua intimidade enquanto o demônio esfregava o membro rijo em si. Se parasse para notar, o demônio fora o que menos atreveu-se naquele momento, apenas instruindo, esperando o humano fazer para depois poder ousar e fazer o mesmo... Como se a cada ação mais pervertida que fizesse, precisasse da permissão do hospedeiro...
E, era verdade.
“–– Cain ainda é virgem, correto..?” – perguntou, apesar de não saber se frustrava-se ou não com essa pergunta.
“–– Acertou.”
“–– Duvido que consiga gozar... Apenas ficará mais necessitado...”
“–– Cale-se!” – mandou, dando um tapa forte na nádega do vampiro.
A resposta desse fora apenas gemer e fechar os olhos com força. Sentia-se vulnerável a mercê desse demônio. Entretanto, não era uma vulnerabilidade similar ao seu Mestre. Apenas havia alguma coisa, um calor em seu peito, que fazia com que se rendesse mais fácil ao que era feito.
Respirou fundo, crispando as mãos na parede de madeira, deixando as marcas de suas unhas ali. Estavam um tempo considerável desde que o puxara para os fundos. Os corpos esfregaram-se e agora havia esse ato incompleto, que por algum motivo desconhecido estava ficando mais suave. O aperto firme em si estava fraco.
“–– Me deixe mordê-lo...” – pedira em meio a um ofego, abrindo os olhos e virando-se um pouco para encará-lo.
Fora então que Vectorius notou o olhar inocente em sua direção, seu coração bateu apressado, onde sentira as pernas ficarem fracas por alguns instantes.
“–– Cain!? ” – exclamara confuso.
Cain logo tratou de afastar-se, completamente corado, levando uma das mãos ao rosto e tampando um pouco os lábios. Estava completamente sem jeito, como se tivesse sido pego fazendo algo que com toda certeza era errado. E com sinceridade, não sabia porque mesmo depois de ter voltado a si apenas continuou o que Yami fazia.
Por alguns instantes, quando notou a situação não a entendera bem. Estava diante de Veck, seu amigo, quem procurava, quem desesperadamente procurava... E ele estava daquela forma, consigo atrás... Soava um daqueles sonhos que tinha a certeza ser culpa do íncubus. Só sendo culpa desse devido a tamanha devassidão.
E havia o prazer... Mover-se daquela forma lhe fez sentir bem...
“–– Desculpe eu...” – não soube o que responder, virando o rosto para o lado “–– Apenas... Segui o embalo... E... É você mesmo!?”
Instantes seguinte, a vergonha sumira, voltando a olhar para o vampiro diante de si com inocência e alegria, movendo-se apressado para um abraço.
“–– Veck! Não acredito! Nós te procuramos tanto! Você fugiu!? ” – questionou em meio ao abraço
“–– Cain...” – um suspiro longo escapou dos seus lábios, retribuindo ao abraço “–– Senti sua falta...”
“–– Vamos embora! Chamarei os outros nesse exato momento!”
“–– Não posso... Me escute... Há uma magia lançada em mim que me proíbe de responder algumas perguntas e... Também impede que eu me afaste muito do meu Mestre...” – explicou o que queria dizer desde o inicio “–– Ela não durará muito tempo, mas é o tempo que teremos apenas...”
“–– Como assim..? Eu... Eu pensei em tantas coisas para te dizer, na minha cabeça várias formas de te reencontrar existiam... O que eu faria, como seriam as coisas daqui para frente... ”
“–– Calma Cain... Ainda não é o nosso reencontro de verdade...”
“–– Não quero te perder novamente...” – disse mais baixo, abraçando-o mais forte e juntando os corpos.
Um arrepio passou por ambos ao terem os corpos unidos, Vectorius passou as mãos pelas costas do amigo, subindo e descendo de maneira calma, querendo dar conforto.
“–– Não vai... E nem eu posso te perder...” – fechou os olhos, sendo a sua vez de conter instintos.
“–– Você... Me perguntou se podia me morder...”
“ Já era ele no controle desde ali..? ” – a dúvida povoou a mente do vampiro, pensando sobre o quanto o corpo moveu-se atrás de si após isso “–– Eu posso? ” – finalmente perguntara, afastando um pouco o rosto e encarando-o.
“–– Sim...” – corou forte ao dar a permissão “–– Só... Só espere eu me recompor... ”
Afastaram-se e logo Cain levara uma das mãos a nuca, sem jeito pela situação. Sem sombras de dúvidas era vergonhoso estar na situação que se encontrara... Entretanto esperava que pudesse se acalmar antes de voltar para dentro da taberna. Por hora, a situação não podia ser resolvida apenas com pensamentos ruins... Seu olhar logo voltou-se para Veck, ainda não conseguindo processar toda a gama de emoções e sensações que passavam pelo seu corpo. Havia acabado de se afastar e já queria o abraçar novamente.
Era como se pudesse chorar de alegria.
No entanto ainda sabia que não era o reencontro perfeito. Poderia não saber e muito menos ter as respostas do porque do seu amigo estar ali, diante de si, sorrindo docemente em sua direção enquanto ajeitava os cabelos para trás novamente... Nunca havia parado para notar, mas Vectorius era um homem bonito...
O pensamento era curioso, mas atreveu-se a observar o corpo dele, soava tão delgado agora, harmonioso... Sensual, por assim se dizer...
Não eram pensamentos que deveria e muito menos podia ter, em relação a um amigo... E definitivamente, Veck era seu amigo. Por isso apenas dera um sorriso sem jeito, respirando fundo e puxando a gola da blusa feita por Guille, apenas para dar mais acesso aos caninos do outro. E por alguns instantes, jurava ter visto o olhar esverdeado brilhar em sua direção.
“–– Estou pronto...”
Havia tanto a ser dito, queria muito conversar com ele, contar todas as suas micro aventuras em meio aos dois anos que ficou navegando no mar com outros piratas. Queria mostrar o quanto conhecera do mundo, que não era apenas um príncipe engomadinho que vivera a vida toda atrás dos portões do castelo.
Conhecera a fome, a miséria, situações complicadas e ajudou como pode, sabia que o mundo não era um mar de rosas e queria levar essa realidade para Radiance. Queria conhecer seu reino, saber como estavam os aldeões, o povoado... Dar condições justas e igualitárias...
Realmente, havia tanto a ser dito que o encontro de agora se tornava triste.
“–– Cain...” – Veck chamou-o, levando a mão até a dele que puxava a gola, tirando-a dali e segurando-a “–– Eu faço...” – a voz estava mansa, suave, quase sussurrante.
“–– Eu confio em você.” – era uma afirmação séria.
O vampiro sentiu uma batida forte em seu peito, observando a feição séria daquele humano, o jeito no qual realmente estava entregando para si de bom grado sua energia... Tinha noção de que ser uma refeição, por assim se dizer, era algo vergonhoso e feria o ego de qualquer um. Entretanto Cain já havia o alimentado e, acreditava que se estivesse com ele, o mesmo lhe deixaria se alimentar sempre que necessário. Havia uma certa sensação estranha ao olhar Cain depois desses anos. Realmente, ele havia crescido, aprendido.
“–– Me salve...”
O pedido de Veck mexera até com ele próprio. Pensava que iria chegar ali e mandar Cain ir embora, abrir os olhos dele diante da loucura. Dar para ele uma chance... Mas não conseguira, não havia manipulação em suas palavras, eram apenas o desejo mais profundo que estava dentro de si.
Por esse e outros motivos, dera um beijo singelo na testa do outro, tendo que esticar-se um pouco para tal feito. E logo depois seguiu com os lábios para o pescoço desse, puxando a gola para liberar mais espaço. Não havia um motivo propriamente dito dos lábios deslizarem cm contato com a pele, mas logicamente arrancaram um suspiro afogueado do seu atual alimento.
Assim que o lugar onde mordia fora encontrado, sorrira, abrindo os lábios e mostrando mais seus dentes.
“–– Se doer... Avise...”
“–– Eu vou te salvar.” – disse de maneira firme.
Vectorius fechou os olhos ao ouvir o que fora dito, corando de leve pela certeza que havia na voz de Cain. Acabou não conseguindo resistir em segurá-lo mais de encontro a si, sentindo em seguida um abraço da parte dele.
Os corpos voltavam a se aproximar, Cain levara as mãos até a cintura alheia, puxando-a para si. O contato com os corpos soava um ato mais íntimo do que deveria ser. Os beijos que Veck dava no pescoço causavam arrepios pelo corpo do humano, o que não ajudava em nada a acalmar-se.
Então houve a mordida.
As presas entraram de forma rápida, a fim de causar menos dor possível.
Cain soltou um gemido baixo de dor, segurando firme o amigo, dando alguns passos e voltando a prensá-lo na parede do lugar. Havia algo de estranho nessa mordida. Lembrava-se um tanto de quando ele o mordera no lago, anos atrás, enquanto tentavam resolver o problema da falta de memória.
Aquelas mesmas sensações percorriam o seu corpo. Remexeu-se de leve sentindo-se arrepiar, não conseguindo evitar ofegar em meio ao ato. As mãos em seu corpo o segurando no lugar, a ideia de finalmente estar com ele junto faziam com que ficasse estranhamente mais afogueado.
As mãos apertaram mais, movendo-se e encaixando uma das pernas entre as dele, voltando ao ato de momentos atrás que Yami fazia. A pressão na intimidade de ambos, gerado pela coxa em contato fazia com que os ofegos virassem gemidos, que o leve remexer virasse algo mais intenso.
Havia algo de diferente nessa vez, havia uma total compreensão do ato, de ambas as partes.
Vectorius sorvia de modo faminto tudo o que podia absorver de energia maligna. Havia uma grande quantidade, por isso não sentia tão rápido o corpo atracado ao seu perder as forças. Pelo contrário, sentia-o cada vez mais em contato consigo. As mãos seguiram pelas costas, descendo até as nádegas e apertando-as com gosto.
Um gemido desejoso fora ouvido.
O gemido fora como um estalo na mente do vampiro, que rapidamente desencostou-se da parede e girou, sendo a sua vez de prensar alguém de encontro aquela construção.
“–– Ve-Veck...” – gemeu o nome deste, agarrando-se com desespero nas vestes.
Cain finalmente fechara os olhos, entorpecido pela sensação que aquilo causava. Estranhamente não estava doendo tanto quanto achava que estaria, pelo contrário havia uma sensação de um peso ruim sobre os ombros sendo tirada. Bem como pequenos arrepios que seguiam da linha da sua coluna para baixo, indo parar em sua intimidade desperta. Aquilo definitivamente era errado, entretanto claramente ele aproveitava tudo o que acontecia.
O frio de Even nem era mais tão sentido pelo humano...
“–– Feliz aniversário, jovem príncipe.” – Uma voz torpe soou pelo ambiente, seguido de lentas palmas.
Veck logo afastou-se apressado, levando a mão até a boca e limpando com as costas qualquer sangue criado pelo ferimento – não possuía o menor interesse neste tipo de néctar. Logo seu olhar esverdeado fora para o ser de capuz diante dos dois, fazendo com que abaixasse a cabeça no mesmo instante.
“–– Mestre... ”
“–– Como..?”
Cain ainda estava meio aturdido, ofegante encostado na parede, levemente desligado do que acontecia em sua volta. Estava em uma montanha-russa de sensações e ainda não tinha conseguido se situar no que acontecia em volta.
Entretanto, não levara tanto tempo para este desencostar-se e levar a mão até a sua espada, sacando-a e apontando para aquele ser, movendo-se e parando em frente ao amigo. Com toda certeza, não deixaria-o ir embora dessa vez.
“–– Você... Você novamente!” – Apontou mais a espada em direção, estreitando o olhar “–– Não deixarei que o leve dessa vez! ”
“–– Levar?” – Shisue rira baixinho, negando com a cabeça, abaixando o capuz que usava “–– Vectorius sempre vem a mim de bom grado. E dessa vez não será diferente. ” – sorriu fino, lambendo os lábios.
“–– Eu não deixarei que-”
“–– Cain...” – interrompera-o, levando suavemente a mão ao ombro desse, negando com a cabeça “–– ...Eu tenho que ir.”
“–– Impossível...”
O olhar ametista havia uma mistura de decepção e raiva, fitando o amigo ao seu lado, que lentamente tirava a mão de si e seguia em direção ao mais velho. Só havia uma única dúvida na mente do príncipe, e claramente era o motivo de o amigo decidir ir.
“–– Como disse antes... Todas as vezes, minha criança vem para mim de bom grado... ”
Assim que Vectorius aproximou-se de Shisue, esse o pegou pelo braço, puxando-o e beijando o mesmo.
“–– Largue-!!”
Dessa veza voz do príncipe estava mais rouca, as marcas pelo corpo mais visíveis, logicamente era Yami quem tomara o controle, tanto que quase podia-se ouvir um certo rosnado vindo deste.
Todavia, antes do demônio correr em direção com sua espada, o vampiro conseguira conjurar uma breve magia e simplesmente desaparecer dali.
Yami ficou olhando para o nada, completamente irritado com a situação... Nada parecia fazer sentido, a aparição do Vectorius, a aparição do mestre deste...
A mordida...
Levara uma das mãos até o lugar mordido, dando um suspiro longo. Havia sido drenada uma boa parte da energia maligna que estava destruindo o corpo do seu hospedeiro. Não queria acreditar, mas se isso tudo que o mais velho fez fora apenas uma brincadeira para o provocar, apenas esticou ainda mais a sua vida.
E com toda certeza, lhe deu mais determinação para no dia seguinte, recuperar de vez o seu Vectorius.
CONTINUA...
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26/12/18
Comentário da autora:
Feliz natal!!
Espero que tenha sido um bom presente de natal para todos, para quem ainda segue a história!
Comentário da Beta:
AH QUE ÓDIO DESSE FINAL DE CAPÍTULO!!!
Enquanto estava betando cheguei a duas conclusões:
Em resumo: Shirou e Gui são amigos e não fizeram coisinhas por serem ambos ukes~
"Um arrepio passou por ambos ao terem os corpos unidos, Vectorius passou as mãos pelas costas do amigo, subindo e descendo de maneira calma, querendo dar conforto."
Sim, claro~ É só o conforto que ele quer dar~
Vejo vocês no próximo cap~ Ainda acho que o Shisue devia beijar o pobre Oroi e deixar o Veck pro Cain/Yami!
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