Notas iniciais
24/11/2020 Caso você tenha lido no início, isso tudo foi um pesadelo que tive muitos anos atrás e que por milagre, eu consegui lembrar então, por isso eu pude concluir essa história maravilhosa

Enfim, o final

Haviam se passado duas semanas desde o ocorrido e tudo o que havia passado, estava incerto da perspectiva da família da menina que naquele momento, abria os olhos como se tivesse acordando de um acidente de carro. Se sentia quebrada como nunca antes. Se tivesse trabalhado nas minas ou corrido quilômetros fugindo de um trem, talvez estivesse menos cansada. Suspirou olhando ao redor e viu que estava em seu quarto, sendo guardada pelos três que havia salvo e sua família.

— O.. Que? Matheus? Mamãe? pai?

— Angel! A senhorita Angel acordou!!

Meio tonta, por não ter recuperado suas energias ainda, olhou para a mãe que parecia tremer de preocupação, a olhando nervosa.

— Minha filha. Minha filhinha querida. Você está bem?

— Meio tonta, mas acho que vou ficar bem. Rick... Você tá chorando?

Seu irmão mais novo, que estava meio longe de todos, parecia que ia chorar a qualquer momento, mas se segurava pois era um homemzinho, e tinha de ser forte. Ou era o que o pai dele havia dito.

— A culpa é sua! — Gritanto isso, saiu correndo para fora do quarto enquanto tentava esconder as lágrimas que teimavam em cair.

— O que aconteceu? Porque tá todo mundo estranho?

Confusa com a reação de seus familiares e a atenção de seus protegidos, ela podia agora ver que os mesmos estavam muito melhor do que antes e até mesmo a pequena menina estava acordada e com uma aparência menos sofrida. O homem que havia salvo se aproximou com todo o respeito e se ajoelhou perante ela de forma submissa e cortes, com os olhos marejados pela emoção, iniciando a explicação dos ocorridos:

— Senhorita, depois que finalmente conseguimos escapar daquele monstro para dentro do banheiro, a senhorita desmaiou e ficou desacordada por duas semanas.

— Duas..?

— O problema, não foi apenas esse, mas a quantidade de energia que você utilizou pra salvar a gente... Nós éramos muitos e estávamos muito fracos, então para conseguir nos levar de uma dimensão para a outra, a senhorita doou mais energia vital do que deveria e quase faleceu. Nós... Nós sentimos muito por colocar nossa salvadora em perigo desse jeito.

Ao falar isso, a menininha e Matheus, o único que conhecia o nome, todos se puseram de forma respeitosa para abaixar a cabeça de forma formal. Aquilo era muito estranho para ela, que olhou aos pais meio preocupada.

— Filhinha, quando vimos estas pessoas dentro de casa, pensamos em chamar a policia, mas eles pareciam que iam morrer a qualquer momento e você estava tão gelada... Entramos em pânico. Porque não avisou ninguém?

— Não acho que vocês iam acreditar mesmo que eu falasse, sabe.

Rindo brincalhona, suspirou aliviada, por ter pais tão amorosos e de mente aberta.

— Eles não queriam deixar você nem conosco, que somos os seus pais. Eles queriam proteger você da gente, mesmo parecendo que iriam cair com o menor esforço, não podíamos jogar nas ruas pessoas que queriam o bem de nossa pequena, então sentamos para conversar enquanto a menininha recobrou a consciência. Tudo o que eles haviam explicado batia com o que ela falava e resolvemos esperar que você se recuperasse para ouvir de você o que aconteceu.

Sem jeito, Angel passou a mão pelos cabelos e percebeu estar com uma sonda e recebia soro intravenoso. Havia passado uma semana em coma afinal, não conseguiria sobreviver se fosse diferente.

Incomodada com aquilo, puxou com cuidado a agulha para fora e tocou na sonda, sentindo agonia. Como ia tirar aquilo?

— Não se preocupe meu anjo, vou chamar a enfermeira e ela vai cuidar disso ja já.

— ... Enfermeira?

— É incrível como a medicina dos tempos atuais funciona, pode até manter viva uma pessoa com fios e tubos.

"Medicina dos tempos atuais?" Nesse momento, ela olhou para as roupas de todos eles e se deu conta de que as vestes pareciam de tempos diferentes. A pequena, da idade média francesa, assim como o adolescente, mas o homem, vestia roupas quase atuais, talvez de muitos séculos atrás.

— Vocês são por acaso... de uma outra linha do tempo? Em que ano vocês foram capturados?

— Isso é meio estranho de dizer agora, mas... Fui para lá em 1799, as crianças vieram juntos dez ou onze anos depois de mim. Eles são irmãos.

"Essa casa parece ser bem mais antiga do que imaginávamos."

— Bem, mas agora que Angel acordou, podemos finalmente nos apresentar de forma apropriada. Este que vos fala se chama Alfred de Lavilla e por quatro gerações minha família serviu aos Avis.

— Senhorita Angel, eu tenho a honra de finalmente me apresentar de forma decente. Peço desculpas por minha indelicadeza até então. Chamo-me Matheus Bragança Avis e esta princesa ao meu lado é minha irmã mais nova, Alice Bragança Avis.

— Suas roupas... Achei que eram da idade média.

— No dia em que viemos pra cá, era uma noite de festa a fantasia. Eu e minha irmãzinha decidimos usar vestes de época.

Ele tinha forças para caminhar, falar, e até mesmo se inclinar para beijar a mão de Angel. As olheiras fundas quase não estavam mais presentes e ela podia ver o quão lindo ele era.

Mais tarde, a enfermeira chegou para o trabalho achando que teria de trocar a sonda, mas vendo sua cliente sentada na cama conversando, chamou o médico encarregado, que depois de uma avaliação rigososa, a liberou com alta, reforçando que ela deveria permanecer sob supervisão por ainda três dias, para ter certeza de que não ocorreria nenhuma recaída.

Sem mais a sonda para a alimentar/torturar, Angel estava livre para comer de verdade, mas apenas coisas leves.

(...)

— Precisamos planejar um meio de tapar aquele portal com todo o cimento que pudermos conseguir, ou quando sairmos daqui, mais pessoas cairão como vítimas.

Tudo estava sendo planejado para ser feito entre eles mesmos, temendo que pudesse vazar a informação pelos pedreiros, estudaram tutoriais na internet e cobriram não apenas o portal, mas dentro de todo o banheiro, gastando uma pequena fortuna para cobrir todo aquele espaço vazio e destruir qualquer resquício de que aquilo existiu algum dia.

Quando foram fazer aquilo, puderam ver a monstruosa garota deitada próxima ao portal completamente fraca e entenderam que ela iria definhar sozinha e desaparecer com o tempo, pois não poderia roubar vitalidade de mais ninguém.

(...)

O tempo passou e os pais de Angel adotaram aquelas crianças, tendo de criar novas identidades, com muita dificuldade e burocracia. A história que inventaram era que eles moravam no meio do mato e desconheciam sobre o mundo completamente. Foram criados por uma mulher que os havia sequestrado quando crianças pequenas e não sabiam os próprios sobrenomes por conta disso. Quanto ao homem, após apanhar de delinquentes, perdeu a memória e vagando pelo mato achou as crianças sozinhas, as levando consigo.

Alfred passou a trabalhar para a família de Angel, cuidando não apenas dos irmãos Avis, quanto de todos que ali moravam com toda sua lealdade e no mais tardar, Matheus pediu aos pais da mesma, permissão para a cortejar.

Agora com todos saudáveis, poderiam viver felizes, longe do perigo e perto do amor.

Notas finais
internet na outra dimensão, falta de fome.. sobrevivendo séculos... mas enfim. tudo pode acontecer nos sonhos. falhas técnicas que os sonhos produzem. obs:Criei o final para melhor condizer com a situação. no meu sonho, eu acordei depois que angel desmaia.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!