Princess, the story of a Knight

1 Capítulo 1 - Perturbação


Notas iniciais
YOO, MINNA-SAN!
Ainda não sei dizer se vai ser uma short-fic ou uma long-fic. Depende muito dos reviews e da minha vontade de escrever -qn Também não sei qual será o shipper principal, então vai haver "Lucy" para todos os gostos. NaLu, GrayLu e LoLu :3 ~Õ~
Não me odeiem.
E boa leitura! KKK'


Lucy estava estressada.

Na Guilda, avisou a todos – mais especificamente Erza, Gray e Natsu – que não queria nenhum intruso em sua casa. Queria apenas chegar e ficar sozinha. Haviam acabado de voltar de uma missão, e não estava se sentindo com humor para aturar seus nakamas, por mais que os amasse.

Quando chegou a seu apartamento, sentiu que iria desmoronar a qualquer hora. Precisava descontar sua raiva em alguém. Ou ao menos distrair-se um pouco. Então pensou em chamar Plue, mas depois de algum tempo, preferiu Loki. Precisava de alguém que não ficasse falando apenas ‘pun-pun’. O leonino era extremamente gentil — gentil demais -, e provavelmente a faria ter raiva com suas provocações. Os olhos de Lucy arderam, e ela tratou logo de pegar a chave do Leão, com um sentimento de nostalgia lhe consumindo.

– Eu abro-te, portão de Leão... Leo!

A maga deliciou-se com seus últimos momentos sozinha. Momentos que não duraram muito tempo. O Espírito era extremamente eficiente.

— Chamou-me, Hime-sama? – Loki ajeitou os óculos no rosto enquanto os cantos dos lábios repuxavam-se em um sorriso brejeiro. Ele aproximou-se da loira, esperando uma resposta – ou uma reclamação por tê-la chamado de “Princesa”, propositalmente -, e não deixou de notar que a garota estava com a cabeça baixa, olhando para os próprios pés descalços, talvez. O Leão olhou para baixo também, procurando a coisa deveras fascinante a ponto de ser o motivo de ela ignorá-lo completamente, mas tudo o que viu foi os dedos dela se contraírem rígidos contra o chão, quase como o castigasse por algo. E ainda sem uma resposta, ele voltou sua atenção para cortina loira que parecia retardar qualquer tentativa frustrada dele olhar nos olhos de sua dona. – Tudo bem com você? Parece perturbada. – Riu sem ânimo na vã tentativa de arrancar uma daquelas respostas barulhentas de Lucy, mas seu tom de preocupação o denunciara.

— Loki... – Os sentidos leoninos captaram o sussurro com muito esforço, mas este foi tão fraco que ele mal conseguira ouvir sua voz. A palavra, no entanto, era vazia.

O sorriso do Leão encolheu-se lentamente, até ser extinto por completo. Seu sangue parecia ter gelado de repente, como se Gray estivesse escondido em algum lugar do quarto, o aprisionando em um cubo invisível de gelo. Mas não era esta a situação. Ele deu um passo à frente e segurou os ombros de Lucy com força. – Lucy, o que você tem? Está se sentindo mal? Está doente? Você se machucou? – Balançou-a pelos ombros de um jeito que dispensava qualquer delicadeza, fazendo com que seus cabelos se agitassem juntamente com seu corpo meio mole. – Heartfilia! – Praticamente gritou, e sentiu o pequeno sobressalto da garota.

Ela levantou a cabeça, a franja naturalmente se arrumando pelos lados de seu rosto pálido, e então olhou para Loki. Aquela expressão era tão sofrida que o rapaz foi obrigado a desviar o olhar, com medo de cair naqueles olhos castanhos melancólicos.

— Você me assustou, baka. – Praguejou baixinho, mais aliviado do que irritado.

— Go-Gomen, Loki. – Lucy gaguejou em resposta, as faces agora assumindo uma coloração rosada enquanto a loira olhava para os lados.

Loki bateu com o indicador na testa de Lucy, fazendo com que ela voltasse a encará-lo, surpresa.

— Qual é o problema, não está conseguindo escrever sua novela? – Abriu um típico sorriso debochado. Lucy rolou os olhos e caminhou até a sua escrivaninha. Então pôs a mão em um dos livros empilhados ali e observou a capa cheia de estrelas do mesmo. – É sério, Lucy, você devia arranjar um passatempo mais produt-. – E antes que ele completasse a última frase, um livro médio atravessou o quarto e atingiu o Leão em cheio.

— Calado!

Ele riu em meio a dor.

— Essa é a Lucy que eu conheço. – Massageou o nariz enquanto caminhava até ela. – Mas, me diga: O que está te perturbando?

Uma longa pausa se fez.

— ... Não é nada.

— Você é uma péssima mentirosa. – Loki balançou a cabeça em um falso gesto de reprovação.

— Você é irritante. – Ela cuspiu as palavras rispidamente e sentou-se na cama. A tristeza subitamente se transformando em raiva.

— Isso é amor reprimido, Lucy. – Mais uma risada — Aliás, você me salvou, agora vai ter que me aturar. – Ele limpou uma sujeira imaginária do terno negro, impecável.

— Preferia quando você tinha medo de mim. – A maga virou o rosto, emburrada.

— Não mude de assunto, Hime-sama.

— Pare de me chamar assim! – Mais uma vez ela o surpreendera, atirando, dessa vez, uma almofada contra o rosto do Leão. – Hime-sama, Hime-sama, Hime-sama...! Princesas são frágei, inúteis, só servem para serem salvas! – A loira colocara-se de pé em um pulo. Loki olhou de relance para suas mãos fechadas em punhos. Engoliu a seco. – Princesas são medrosas, dependentes, burras. Estão sempre contidas, presas em um maldito castelo! – Aproximou-se de seu espírito, os olhos castanhos agora faiscavam de raiva.

Lucy parecia bipolar, às vezes.

— Luc-...

— Cale a boca e me deixe terminar de falar! – Agarrou o colarinho do terno e ficou na ponta dos pés para que pudesse encarar Loki bem no fundo dos olhos. Queria que ele sentisse em sua alma o quão ela estava irritada com aquilo. Queria torturá-lo, massacrá-lo, espancá-lo e torturá-lo novamente! – O que te faz pensar que eu gosto de ser chamada de ‘Hime’? Pois bem, eu não gosto. E se eu aceitasse ser chamada assim, estaria aceitando o fato de eu ser fraca como uma princesa. – Os dedos da maga enroscaram-se no terno de Loki, amarrotando-o de tão forte que o fizera. – O que te faz pensar que eu gosto de ser sempre salva, e depender dos outros, porque sou inútil sem as minhas chaves?! – Ele sentiu seus olhos serem perfurados, mas manteve o olhar fixo no dela. Seus ombros se encolheram, por instinto. – Você acha que eu gosto de ser fraca, Loki? Acha que eu gosto?... Responda-me, porra!

O Leão não sabia lidar com aquilo.

Quem a olhasse agora, juraria que aquela era a bruta Edo-Lucy (ou Lucy de Edolas).

— E-e-eu... – Engoliu o nó que se formara em sua garganta e pigarreou para tentar limpá-la. – S-Sumimasen, Lucy. Eu não sabia que se sentia assim... Sou um inútil. Mereço ser punido.

— Você está parecendo a Virgo. – Ela rosnou.

— Sumimasen.

— Pare de se desculpar. É irritante.

— Sum–... Que dizer, tudo bem. – Mexeu nos cabelos alaranjados, um pouco sem graça com a situação.

Depois disso, Lucy e Loki ficaram em silêncio. Os dedos da loira escorregaram pelo terno do rapaz e caíram ao lado do corpo. Deixou de ficar na ponta dos pés e parou de olhá-lo, também.

Talvez ele tivesse razão.

Talvez ela realmente estivesse perturbada.

— Lucy, está tarde. Você precisa dormir. – Pronunciou o leonino, após mais alguns segundos de silêncio.

— O que eu faço? Eu não quero ser fraca como uma princesa e ter que ser sempre salva por Erza, Gray e Natsu. – Sua voz ainda tinha vestígios de raiva e frustração. Loki deu um passo à frente e bagunçou o cabelo da loira enquanto soltava uma risada baixa, despreocupada. Puxou a dona daquela cabeleira para si e depositou um beijo fraternal no alto se sua cabeça. Lucy se importava com os outros antes de o fazê-lo consigo mesma. Qualquer um se sentiria lisonjeado em ser salvo pelo time mais forte da Fairy Tail. Mas não Lucy. Ela queria ficar forte, por eles. Se aumentasse sua força, o time também ficaria mais forte, e com isso seus nakamas deixariam de se envolver em situações perigosas para salvá-la, como sempre faziam, sem ao menos hesitar.

Ela era gentil, e nenhum pouco egoísta.

“O oposto de Karen” – pensou Loki, não deixando de se sentir agradecido.

— Durma um pouco. Uma boa noite de sono te deixará mais disposta pela manhã... – Afastou-se da Maga Estelar e cruzou os braços sobre o peito. Lucy o olhou com cara de “E daí?”, e o Leão tratou logo de completar: — Lucy, amanhã começaremos o seu treino. Você quer ficar mais forte, não quer? – O brilho de seus óculos reluziu, e a garota podia jurar que viu empolgação no Espírito. Do jeito que Natsu ficava em meio uma luta. Assustador.

— Eeeh? – Disse ela, sem entender o que estava acontecendo. – Do que você está falando, baka?

Loki suspirou. Se ela não fosse sua dona...

— De agora em diante, pode me chamar de Sensei. Vou te ajudar a ficar mais forte, Hime-sama. E você vai ser a primeira princesa a se tornar um cavaleiro, ah, eu tô empolgado! – Abriu um sorriso, deixando a mostra todos os dentes, antes de caminhar até um canto do quarto e pegar a almofada que Lucy havia atirado nele. – Vou fazer você desejar ser apenas uma Hime novamente. Agora, vá dormir. – Lucy sentiu que aquilo não era um pedido.

— Pare de me dar ordens – Indagou impaciente, arrancando a almofada das mãos dele. – Você me dá medo quando diz essas coisas, hm.

— Já está desistindo? Tsc.

— Calado. Eu não disse que iria desistir. – Ela empinou o nariz e voltou para sua cama, suspirando de leve. Loki estava pronto para sumir, mas antes o fizesse, viu Lucy olhá-lo por cima de um dos ombros, sorrindo. – Arigato, baka.

— Sempre aqui, Hime-sama. – Alargou seu sorriso, se é que era possível, e bateu continência. – Permissão para retirada?

— Permissão concedida. – Respondeu brincalhona, então o Leão sumiu do mesmo jeito que aparecera, em uma forte luz dourada. Um formigamento familiar tomou uma de suas mãos, e ela apertou a chave de Loki firmemente.

“Foi uma longa noite. Preciso mesmo tomar um banho e ir logo dormir...”

Esfregou os olhos, pegou uma toalha e foi em direção ao banheiro. Havia sentido raiva, frustração e tristeza em excesso, precisava relaxar o quanto antes.

Notas finais
GrayLu e NaLu, não me batam! -QN
Gostaram? Então, façam-me feliz e deixem uma review :3'