Princess Undercover!
1 Como tudo isso começou
Notas iniciais
A minha história começa não muito atrás, nem cerca de um ano atrás, quando eu -descendente da família real- era uma pessoa normal... Tá, nem tão normal assim, eu nunca fui para uma escola... Mas tinha pessoas que eu podia chamar de amigos!
Com a morte do rei, por causas naturais felizmente, meu pai -por ser o filho mais velho- assumiu o trono e eu passei de adolescente normal (que brincava com seus melhores amigos) para princesa (e agora meus amigos não mais tem permissão de olhar-me nos olhos) e há tempos não temos uma conversa, fala sério, você amou ser da realeza agora né?
Além de perder amigos sou agora considerada tesouro nacional, logo não posso sair do palácio por questões de segurança, muito menos me machucar(quem quer ver um monumento com algum osso quebrado? Ninguém, certo?), mas isso jamais me impedirá de ser livre, escreva o que eu te digo. Jamais!
Eu estava na frente dos portões de novo, observando cuidadosamente a paisagem, observando todo e qualquer detalhe que achasse que fosse sentir falta, senti uma presença, mas não me virei, já sabia muito bem quem era.
-Yin, por que devo ficar como uma boneca de porcelana dentro de uma caixa? — falei como já não experando uma resposta, quem dirá uma resposta boa.
-Princesa, não é meu dever responder-lhe isso, desculpe-me. — viu o que disse? Sim, nada de resposta, há algum tempo atrás não seria assim pois este era um de meus amigos, e agora ele é meu guarda costas! — Por favor, deixe-me escolta-la até o palácio. — virei rapidamente com uma ideia em mente, mantive-me impassivel e parei na frente dele, segurando seu queixo com minha mão.
-Yin, olhe pra mim.- subi seu queixo, mas Yin fechou os olhos. — OLHA PRA MIM! — gritei alterada, o que não surtiu nenhum efeito. — Caralho, nós eramos amigos, e agora você nem me trata como uma pessoa mais! — soltei seu queixo e andei, escondendo minha cara já marcada pela tristeza.
No castelo me dirigi até o meu lugar predileto, uma janela com um divã colocado junto a ela(porque agora meu tempo de ócio é gigantesco). Sentei-me delicadamente, como fora instruída pelos ultimos anos(só porque eu tinha amigos não queria dizer que não estava sendo treinada para ser princesa) e apanhei o livro que deixara lá antes e pus me a ler, sonhando com o dia em que seria tão livre quanto aqueles personagens, e voltaria a ter amigos!
Terminei o livro tarde da noite e caminhei até o meu quarto, entrei nele e logo coloquei minha camisola, e por baixo dela uma roupa bastante maleável, joguei um par de tenis no meio dos arbustos, ninguém nunca olhava por entre aqueles arbustos, mesmo eu sempre jogando coisas lá em meus surtos de raiva.
Coloquei minhas pantufas e caminhei pelo castelo como se fosse pegar um copo d\'água, mas sai pela porta dos fundos e fui até o arbusto, onde joguei minha camisola e pantufas, coloquei meu tenis, e coloquei-me em uma agilidade felina para fora daquela prisão.
Esgueirei-me entre as plantas, tomando cuidado com tudo aquilo que fosse fazer barulho suficiente para alertar alguém que eu, a princesa, estava fugindo... de novo. É, além de não ser boa eu não desisto.
Entrei na parte aberta do gramado, alí teria que contar apenas com a minha agilidade.
Eu ja via o muro, 20, 15 metros, aproximo-me mais, 10, 5. Colido com algo.
-Autch! — esclamo quando caio em meu traseiro.-Yin, saia do meu caminho... eu te ordeno!- olhei-o pela primeira vez com a fúria de uma leoa, ele não me respondeu e fez menção de me carregar de volta ao castelo. — Eu não vou voltar pra lá. Nunca!- seu olhar pareceu exitar...
E foi então que senti uma dor aguda na base do meu pescoço e tudo ficou preto.
Acordei no dia seguinte, no meu quarto, com meu pescoço doendo demais(o que geralmente acontecia no dia seguinte de uma tentativa de fuga), varri o cômodo procurando por aquele que me causara tal dor.
-Yin, apareça.- nada... — Yin, em nome de meu pai, eu lhe comando que apareça.- o menino de apenas 16 anos apareceu de... Sei lá onde ele estava, em pose serviçal. -Quem me nocauteou?... Não me faça aumentar a frase de novo com o nome do meu pai! — Ah, opa, aumentei de qualquer jeito...
-Lee nocauteou-a para que eu lhe trouxesse de volta para o palácio... princesa. — ele disse no habitual tom dele, monótono, como se estivesse falando com uma criança, polidamente, mas ainda assim.. com uma criança, poxa! Ele era só um ano mais velho, ser shinobi era assim tão... chato? Lógico que deveria ser muito melhor do que ser princesa, aposto!
Ouvi batidas na porta e logo meus pais apareceram.
-Anne, nós tomamos uma decisão.- meu pai disse firmemente, enquanto minha mãe demostrava estar se segurando para não chorar — Você sairá deste palácio, porém, irá para o colégio interno de seu tio.- meu sorriso foi de orelha a orelha, eu deveria estar realmente com uma cara bizarra...E maníaca.
-Pai, eu estou pulando de felicidade(não, eu simplesmente não podia conter tudo aquilo em mim, tente entender), mas esse colégio não era só para garotos?
-Esta é a nossa condição, se você quer se desligar de nós por um tempo o fará sem a proteção de um sobrenome real. Caso você seja descoberta como garota você voltará para o palácio, de onde só sairá quando se casar.- Eu pulava pelo quarto em minha imaginação, afinal quem conseguiria saber se eu arranjasse um melhor amigo ou algo assim, digo, se ele não contasse estaria tudo de boa! — E para assegurar isso Yin irá te acompanhará. — Oh não, desse jeito estarei de volta em menos de um dia.
-Ok, entendi, concordo com isso! Algo mais? Quando vou pra lá? — tentei não parecer tão feliz, mas, falhei tremendamente, sorriso demente.. hellow!
Minha mãe estalou o dedo e a porta se abriu, revelando uma equipe de cabelereiros e estilistas.
-Providenciei que você tivesse um pouco mais de chance apesar de Yin estar com você e tudo mais. Esta equipe estará a sua disposição para que você consiga roupas que dêem a impressão convinente de que você não é uma menina. — pera, o que? não vai ser assim, tipo as fantasias de superherois para crianças, com aquela espuma em formato de tanquinho né? diz que não, diz que não! -Não, Anne, nada de espuma.- Oh droga, falei isso em voz alta. — E você irá para o colégio antes do jantar.
Vermelha como meus cabelos levantei-me da cama.
-Ok, quando começamos isso? — disse com um sorriso de \'criança pronta para aprontar\', não precisei olhar para Yin para saber que ele provavelmente estaria revirando os olhos mentalmente, e tambem se olhasse não o veria fazer isso, então pra que comecei a frase desse jeito? Oh bem, hora da transformação!
Minha mãe não respondeu e apenas andou em direção à porta, parando à um passo da porta. — Mais uma coisa, Yin, você também sofrerá a transformação e acompanhará minha Anne neste colégio.- Oh não, Yin na mesma classe que eu! Agora sim isso será pior do que ficar no castelo! Não, espera, no colégio ele não vai poder me socar aleatoriamente! Uhuw, abaixo as surras por tentar escapar do castelo!!!
A tarde inteira pode ser resumida em : cortar o cabelo (eu queria cortar em um estilo meio j-rocker, e a princesa consegue tudo o que quer! há háááááá!), tirar medidas (Yin relutou ao me deixar sozinha, afinal aquele estilista gay totalmente ia me agarrar e estuprar-me ¬¬), esperar pelo meu uniforme ficar pronto( realeza é assim, no mesmo dia está pronto).
A noite peguei a limosine e fui ao colégio, com Yin ja devidamente arrumado, e eu também, com calças pretas (e nelas uma corrente prateada prendendo minha carteira a mim) que escondiam o meu quadril sem me dar a impressão de estar acima do peso ou abaixo dele, meus pequenos seios escondidos por faixas de alta compressão, uma camisa de linho branca, meu blazer negro estava aberto e minha gravata um pouco solta propositalmente. Sério, eu era o cara mais gato que eu ja vira.
Yin estava com o blazer fechado, gravata devidamente apertada, o cabelo estava finalmente visível, ia até o queixo, inteiro repicado.
-Yin, solte a gravata e abra o casaco. Você parece o tipo de cara que seria espancado em uma escola só para garotos.
-Arthur, o código de vestimenta do colégio diz com bastante clareza que é assim que os alunos deverão se apresentar. — Ele RETRUCOU?!?!?! Quem DIABOS ele pensa que É?!?!? Ele não era tipo... Meu guarda costas shinobi???
Levantei uma das minhas sobrancelhas questionando-o.
-Arthur, a partir do momento em que saímos do castelo, sou seu amigo e segurança disfarçado, eu não farei nada daquilo que mandar caso seja contra a minha vontade.
Desgraçado, olhei-o com raiva e a limosine parou, à uma quadra da escola, olhei questionando Yin.
-Não podemos chegar na escola com este carro Arthur, as pessoas pensarão que somos da realeza, imagine a catástrofe que seria as pessoas pensando que você fosse da realeza — seu sorriso diabólico me fez olha-lo ainda com mais curiosidade.
Descemos da limo e pegamos nossas malas, aprendi que sim, eu teria que carregar minhas malas, maldita mala pesada!
Ao finalmente entrarmos no colégio um gentil senhor se ofereceu para levar nossas malas, pois o jantar já havia começado. Yin colocou a mala dele no carrinho de malas, e eu tentei fazer igual, eu JURO que tentei... mas a minha tinha que escorregar e quase acertar o pobre velhinho na cara, né? Yin rapidamente empurrou a mala no ar para que só desviasse do velho e depois só deu um sorriso diabólico de lado quando a mala se abriu, felizmente nada de sutiãs alí, nem calcinhas, sim , eu usava boxers... enquanto menino.
Abaixei com um suspiro pesado, comecei a recolher minhas boxers calças e roupas para outras ocasiões, fechei a mala, me desculpei com o senhor e deixei a mala no chão, eu não ia pedir pro Yin colocar lá em cima, baita humilhação!
Joguei o cabelo para o lado com as mãos e entramos no salão em que ocorria a cerimônia de primeiro dia na escola.
Yin entrou ao meu lado, reto, impassível. Já eu entrei com uma cara de cansado, ombros caídos, ignorando todos e andando completamente desleixada. Paramos na frente da mesa em que meu tio estava. Passei a mão pelo cabelo e parei na frente do meu tio com uma cara de \'e aeeeew?\', parei e arrumei um pouco minhas costas, esperando pelo que ele me falaria.
-Olhe só, se porte como um menino daqui, abotoe essa droga de casaco antes que eu tenha que ir fazer isso pra você ¬¬ — Ah, bom dia, bom te ver também tio! Como vão as coisas? Você está um poço de alegria hoje, pequeno raio de sol!
Yin soltou uma risada e me olhou com uma cara de \'eu não disse?\', baguncei meu cabelo e abotoei meu blazer e arrumei minha gravata, visivelmente mostrando meu desagrado pelo jeito que meu tio me tratou.
-Sente-se logo , ja começamos a comer sem você, se sirvam alí na cantina.
Olhei para a cantina, no outro extremo do salão, minha cara de \"ah velho, que longe\" já dizia tudo, essa história de vir para um colégio de garotos disfarçada não ia terminar bem.
Ok, olhando para a cara de todos daquela escola me olhando como se eu fosse o maioral melhorou meu humor enquanto caminhava até lá. Isto é, até Yin colocar seu pé gigantesco na frente do meu e eu cair de quatro no chão e todos rirem. Até eu me levantar e mostrar meus dedos médios a todos como se não realmente me importasse, e eu não me importava, mas eles visivelmente se importavam e estavam e-x-t-r-e-m-a-m-e-n-t-e ofendidos.
Ok, aquilo provavelmente não ia terminar bem, mas isso era só o começo do que estava à minha espera naquele colégio com Yin.
Notas finais
Tão vivos ai? Certeza? Então deem um sinal de vida me mandando reviews!
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