Princess Haylley's Diary - Volume III
8 Nearly Wolf and Nearly Girl
Quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Acordei algumas horas depois, ainda enrolada. Estava frio e escuro. Eu me senti estranha, porém mais forte. Pensei se eu não teria virado um lobo, mas lobos não conseguem pensar.
Olhei para as minhas mãos, que agora não eram exatamente mãos, e sim patinhas. Patinhas cinzentas com garras afiadas.
Tive também um vago pensamento de que eu poderia me juntar às criaturas da floresta. Viver lá para sempre como todos os lobisomens que fugiram da batalha.
Me sentei e olhei para os meus pés. Eles estavam completamente cobertos por uma pelagem cinza. Meus sapatos simplesmente não existiam mais.
Me levantei, me espreguicei e olhei em volta. Havia um lago ali perto, e eu decidi ir até lá. Me abaixei para ver meu reflexo. Meu cabelo estava mais despenteado do que nunca (pensei no trabalho que eu ia ter para pentear depois), mas meu rosto continuava o mesmo.
Bem, com exceção de uns bigodinhos perto do nariz, parecido com aqueles que os cachorros e gatos têm.
— Ora, se eu não sou um lobo, nem uma humana, o que eu sou? — indaguei para mim mesma — E por que eu não virei totalmente um lobo?
— Para de gritar! — resmungou a voz de Pinkie.
— Eu não tô gritando — repliquei, me levantando.
— Claro que tá! Na sua casa você fica falando alto enquanto tá todo mundo dormindo?
Pinkie Pie saiu do meio das árvores, com uma expressão um tanto irritada.
— Tá bom, eu falo baixo — eu disse. — Mas só se você responder as minhas perguntas.
Pinkie suspirou.
— Aquele lobo tinha meu DNA de humana.
— Às vezes eu acho que você é muito idiota.
— Eu sei. Mas por quê?
— Você só faz coisas idiotas! Colocou seu DNA no pobrezinho do lobo que não tinha nada a ver com isso, só pra ele morder uma de nós e deixar a gente mais forte.
— Eu não achei que fosse acontecer isso! Eu pensei que você ia virar um lobo totalmente e matar as outras quatro...
— Por que você colocou seu DNA nele, mesmo?
— Sei lá!
— Aí, daqui a pouco, você vai dizer que o Slender é seu marido, o Jeff é o padrinho do Sosu e o teletubie é seu amante.
— Como você adivinhou?
— Quê! É sério!?
E ela ficou falando um tempão, e até me ofereceu um chazinho que eu não aceitei "por educação" (certeza que tava envenenado). Voltei para o castelo e para a nossa sorte ela não me seguiu.
Chegando no dormitório, para minha surpresa, Gabita estava acordada, olhando pela janela.
— Gabita, vai dormir! — mandou Ariana.
— Não! — retrucou a loirinha. — Eu não vou dormir até minha irmã chegar!
— Então agora você vai, porque eu já voltei — eu disse.
— Haylley! — exclamou Gabita, vindo me abraçar.
— O que aconteceu com suas mãos? — perguntou Elen.
— Aquele lobo que me mordeu tinha o DNA da Pinkie — repliquei. — Acabou que eu não sou nem lobo, nem humana.
— Um meio-cachorrinho! — disse Gabita.
— Um "meio-cachorrinho" bonzinho — eu disse.
Naquela noite, eu não consegui dormir, porque lobos acordam à toa. Pensei onde eu poderia arrumar um antídoto, se é que eu poderia arrumar um. Poderia perguntar para Aslam, e foi exatamente o que eu fiz. Fui sozinha, porque não quero ninguém me atrapalhando.
Como eu abri o portal pra Nárnia, eu não faço ideia, mas abri. Quando cheguei lá, a primeira coisa que eu fiz foi procurar pelo leão.
— O que aconteceu com você, filha de Eva? — questionou ele.
— Um lobisomem com DNA de humano me mordeu e agora eu sou essa coisa — respondi. — Existe antídoto pra isso?
— Então você tem DNA de lobo?
— Sei lá, tenho?
— Bem, sim, existe um antídoto pra você.
— Pode me ajudar a conseguir?
— Posso dizer os ingredientes.
Peguei um pedaço de pergaminho e pena (foi terrível para conseguir segurar a pena com patas) e Aslam começou a falar:
— Dente de tigre dente-de-sabre, cinco cenouras da sabedoria, duas colheres de mostarda da chuva, um copo de leite de mantícora, dez abelhas, dois punhados de coentro amarelo do conhecimento, quatro colheres de ectoplasma, duas colheres de Nescau e...
— Nescau?
— É.
— Ah, tá. Continua.
— E um bocado de pelo de gato.
— Onde eu vou arrumar isso tudo?
— Você vai conseguir — Aslam disse isso com um tom de "se vira".
— Tá. Obrigada!
— Disponha.
Olhei para o pergaminho e analisei minha caligrafia. Só esperei que eu conseguisse entender depois.
Faça isso: segure um lápis ou sei lá como uma criança com sua mão esquerda (se você for canhoto, use a direita) e escreva alguma coisa num papel. Não ficou horrível?
Agora imagine isso umas quinze vezes pior.
É. Estava assim.
Voltei para Hogwarts e, como era de costume, parecia que o tempo tinha parado. Queria começar logo esse antídoto, então comecei a procurar pelo ingrediente mais fácil (Nescau), que eu achei que tivesse na cozinha. Peguei uma lata (sim, uma lata inteira) e fui à procura do dente de tigre, na sala de poções. Não consegui nada mais, mas dois ingredientes já é um bom avanço, né?
Eu não poderia colocar, de jeito nenhum, esses ingredientes no dormitório, porque alguém poderia descobrir.
Estava andando o mais silenciosamente possível pelo corredor do sétimo andar, quando passei pela tapeçaria de Barnabás, o Amalucado ensinando balé a trasgos.
Nesse momento, me lembrei que a Sala Precisa estava logo ali.
Concentrei-me com todas as forças na frase "preciso de um lugar para esconder os ingredientes". Assim que abri os olhos, vi aquelas grandes portas de madeira iluminadas pela minha vela.
Entrei na sala. Lá dentro havia um monte de armários, cômodas com gavetas, prateleiras, etc. Coloquei tudo em um armário próximo, porque qual é a probabilidade de alguém encontrar?
A preguiça me venceu mais uma vez e eu dormi lá mesmo. Fiquei rolando no chão e pensando onde poderiam estar os outros ingredientes.
Sexta-feira, 18 de setembro de 2015
Quando acordei, já estava amanhecendo, e então eu tive a brilhante ideia de procurar no dormitório. O corredor estava deserto, então foi fácil chegar lá.
Abri a porta bem devagarinho, e fui andando na ponta dos pés até a minha cama. No momento em que me ajoelhei para pegar o malão, Gabita gritou:
— Irmãzinha! Você voltou!
Sei lá, mas eu acho que Gabita consegue escutar minha respiração, porque não é possível! Ela só acorda quando eu apareço!
Com o grito dela, todo mundo acordou (menos Demi).
— Voltei? Como assim? — tentei disfarçar. — Eu estive aqui o tempo todo!
— Deixa de ser boba, bobinha! — disse Gabita. — Eu sei que você saiu!
— Saí pra onde?
— Você entrou naquele negócio roxo pra ver o gatão fofinho.
— Você tem provas disso? — indaguei.
— Claro! Eu gravei tudo com a câmera da Ariana!
— E eu por acaso te emprestei a câmera? — disse Ariana.
— E o que você foi fazer em Nárnia? — questionou Elen.
— Err... eu fui... buscar um antídoto...
— Antídoto pra quê? — quis saber Ariana. — Pra mordida?
— Você sabe que não existe cura, Haylley — comentou Elen.
— Eu sei! Mas algo me diz que tem...
— Mas, de qualquer forma, por que você não chamou a gente? — inquiriu Ariana.
— Porque eu não queria ninguém me atrapalhando! — repliquei.
— A gente não atrapalha — disse Elen. — Quem atrapalha é a Gabita.
— Não fala assim de mim! — reclamou Gabita, me abraçando.
— Cara, a gente te ajuda — disse Ariana.
— Só fala os ingredientes que estão faltando e a gente procura com você — falou Elen.
— S-Sério...? — indaguei.
— Com certeza! — exclamou Ariana.
— A gente pode até adicionar isso no nosso livro... — disse Elen. — Né, amor?
— Claro, docinho! — disse Ariana, abraçando Elen.
A partir desse dia, aprendi que podia confiar nelas.
Pra absolutamente qualquer coisa.
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