Princesa dos Dragões

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Estou viciada em rare pair a algum tempo e CharliexDaphne ganharam meu coração quando me deparei com eles no Tumblr. Espero que gostem tanto quanto eu gostei de escrever. Beijinhos glitterinados e boa leitura ❤️

— Por Merlin, o que a "Barbie vai a floresta" está fazendo aqui? – Will indagou indignado, fazendo Charlie parar de caminhar e olhar na direção que o outro olhava.

O ruivo fechou um pouco os olhos devido a forte luz solar daquele dia de verão e observou duas figuras. A primeira, e menos interessante, era o corpo robusto e desajeitado de Bob O'Dyew, o chefão do centro de treinamento e estudo de Dragões da Romenia. A segunda, entretanto, resultava em um maior interesse nos dois amigos. A sinueta da garota era curvilinea, e ao contrário do comentário machista de Will, bem forte. Os cabelos loiros como fios de puro ouro estavam revoltosos, numa luta acirrada que o vento intensivo lhes causava. Era jovem, uns seis anos mais nova, no máximo oito. Parecia animada. Não, animada era pouco. Estava claramente exalando felicidade sólida e inocente. As mãos encontravam-se inquietas e ela dava leves pulinhos de animação que, inultimente, tentava disfarçar com alguma risada espontânea. Interessante.

— Apesar de eu não ter nenhum conhecimento sobre barbies, inclusive as que vão a floresta – Charlie direcionou o olhar a Will, apenas para sorrir em deboche e voltar a olhar a garota – Mas acho que é uma maneira muito rasa para descrever a princesa ali.

***

Daphne deitou na grama gelada em puro êxtase. Tudo tinha dado mais certo do que ela imaginava. Certo, provavelmente seus pais a odiavam, mas em alguns dias as coisas ficariam melhores, quando a poeira abaixasse e eles não vissem a filha como uma desmiolada. Sua irmã deveria estar orgulhosa, não podia se esquecer de escrever a ela, contando tudo o que ocorrera naquelas últimas semanas. Tudo ficaria bem, se viraria com as economias que tinha. Tudo ia ficar bem, porque ela estava feliz e era apenas isso que importava.

Recusou-se pregar os olhos e inclinou a cabeça em direção ao céu noturno. Vislumbrou as estrelas e começou a marcar as constelações com as pontas dos dedos.

— Sua avó nunca lhe falou que apontar os dedos para as estrelas dá verruga?

A garota se assustou e Charlie mordeu os lábios para segurar o riso. Daphne observou sentada enquanto o homem ruivo se sentava próximo a ela. Era bonito, do jeito que homens de 25 anos, cabelos ruivos, tatuagens coloridas, sardinhas salpicadas e sorrisos simpáticos eram. A Greengrass simplesmente continuou a admira-lo, torcendo para que sua primeira noite na Romênia estivesse escura o suficiente para disfarçar o tom rosado de suas bochechas.

— Minha avó materna não era de crendices – a loira voltou a deitar assim que Charlie o fez. – Era uma mulher da ciência, me ensinou a ver com outros olhos o mundo.

Charlie percebeu que a garota era um pouco orgulhosa.

— Minha mãe é a rainha das crendices — Charlie riu, criando um sorriso espontâneo no rosto da jovem. – Eu levava uns belos tapas quando apontava para as estrelas e ela ficava vendo toda hora se tinha alguma marquinha a mais nos meus dedos.

— Acho que não deve ser algo que precise de grandes preocupações, – Daphne olhou para o ruivo, provocando-o divertidamente – Posso lhe mostrar amanhã de manhã. Continuaram perfeitas.

A risada de Charlie preencheu a noite novamente, e a loira mudou de posição. De repente, as estrelas ficaram absurdamente sem graças perto do sorriso torto do seu parceiro de pesquisa.

— Vamos ver no final da semana, princesa – Charlie a olhou debochadamente, pegou em suas mãos, sentindo a textura macia. Daphne arrepiou ao sentir sua pele ser arranhada levemente pela dureza da pele dele – Daqui a uma semana vai estar chorando por causa de calos.

Daphne o olhou ofendida e ficou de pé.

— Eu não ligo para calos e muito menos para trabalho duro, então se quer me julgar, pode fazer isso bem longe de mim! — A loira começou a caminhar pesadamente em direção a casa onde os funcionários moravam quando sentiu uma mão áspera a puxando.

— Ei, eu não quis te ofender – Charlie disse e Daphne bufou. O homem percebeu que além de orgulhosa, a moça era facilmente irritável. Charlie gostava de irritar os outros – Me desculpe, princesa, eu prometo nunca mais ofende-la.

Charlie olhou nos fundos dos olhos da garota e tentou encontrar algo. Nada. Indiferença. Então ela balançou a cabeça, como se tentasse arrumar os pensamentos embaralhados, e riu alto.

— Está bem, garoto da fazenda, mas está me devendo um cerveja. Bem forte.

Charlie riu, e caminhou com a mais nova integrante do grupo até a casa, pensando que talvez princesas dos dragões gostassem de cervejas escuras e ruivos mais velhos.

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