Princesa Errada

5 Capítulo 04


Sasuke tinha me visto.

Isso não saiu da minha cabeça a noite inteira, depois que me acalmei da adrenalina.

Se não, como ele saberia que eu estava escondida? E me cobriu?

Senti uma pontada de ciúme, e se tivesse sido outra garota ele teria feito o mesmo?

Ele não disse nada, não me perguntou nada, então acredito que não tenha visto a cor rosa de meus cabelos.

Sua capa estava dobrada em meu sofá e eu via Karin terminar de ser vestida.

Meus cabelos, já pintados, estavam numa única trança, ela chegando a minha cintura.

Me colocaram um espartilho e um vestido bufante, com babados.

Me sentia desconfortável, mas foram ordens da mãe de Karin: ela estava vindo.

— Ainda bem que é a tia Kushina quem está à frente do baile — Resmunga Karin — Ela gosta de se vestir assim.

O vestido dela era mais chamativo, um vermelho cobria seu busto e os babados eram com as tonalidades do mesmo tom, seus cabelos estavam soltos e sua tiara era o centro da atenção.

As damas e criadas para serem reconhecidas deveriam manter o cabelo trançado.

A mãe de Karin já estava chegando, então para recebê-la a princesa e suas acompanhantes deveriam estar ao desejo da rainha.

— Faltam dois dias para o baile, e ela vem para xeretar! — Ela estava irritada.

Assim que ficamos a sós, Karin se aproxima.

— Precisa tomar cuidado, minha mãe é o total oposto, então vai precisar enganá-la. Só de dizer que é uma dama de companhia ela vai ter ignorar.

Karin me explicou que sua mãe era boa, mas que infelizmente levava muito a sério a questão da nobreza, então se não fosse da alta patente não deveria nem lhe dirigir a palavra.

— Preciso convencer Naruto a esconder Sasuke, minha mãe é doida para fazer parte dos Uchiha, então vai querer agarrar a oportunidade de chamar a atenção dele…

Eu estava alheia a tudo o que ela me dizia, pois o sobrenome dele me travou.

— Uchiha?!

— Ah não te disse?

— Não! A família mais influente por essas terras é melhor aliada aos Uzumaki, como poderia esquecer? — Bati a mão na testa — Tava na cara também, ele é melhor amigo do seu primo!

Se eu já estivesse começando a criar alguma expectativa, seria sensato parar por ali.

— Isso não vai impedir de ter interesse nele — Como se lesse meus pensamentos Karin fala sorrindo — Eu tenho uma ótima ideia, e não se preocupe, vai dar certo.

Esse era meu medo.

Depois de prontas, era a hora de receber a rainha.

Minato e Kushina iam na frente, Naruto e Karin logo atrás. De resto os empregados.

Nenhum sinal do Sasuke.

Então a mãe de Karin, a rainha Hana entrou pela porta do salão real, atrás dela tinham guardas e damas de companhia.

Hana era muito bonita: alta, cabelos ruivos, estavam num coque alto, sua coroa era grande também, com design em rosas, seu vestido era longo e com babados arrastando para o chão.

O vestido era deslumbrante: com pérolas costuradas nas mangas, um tom avermelhado acompanhava o brilho e toque dos cabelos, o espartilho parecia apertado, com uma bela curvatura de cintura.

Ela sorria, enquanto cumprimentava com elegância todos os presentes:

— Obrigada por me receberem sem muito aviso, mas já estava ansiosa em ver minha filha.

— Eu entendo, só lhe peço perdão por não termos preparado algo, se puder esperar peço ao cozinheiro fazer uns aperitivos — Minato sorri ao apontar para os aposentos e uma criada a avisar ao cozinheiro. — Fique à vontade, Karin foi bem cuidada.

Hana sorriu e estalando os dedos, seus criados pareciam já saber o que ela desejava.

Com isso alguns carregaram suas malas e seguiam onde Minato apontou, Karin a contragosto me lançou um olhar de “terei de te abandonar” e seguia sua mãe.

— É agora que as coisas vão se agitar — Naruto aparece do meu lado e me curvo, o cumprimentando — Começamos com o pé esquerdo, me desculpe por antes — Ele se referia a sua sala — Sasuke me deu um sermão.

— Eu que peço majestade, estávamos invadindo…

— Ali é o único lugar onde a mãe de Karin não ousa ir, já que me pertence. Ao menos minha prima tem descanso, não se preocupe, se precisar de um espaço só ir lá — Com isso ele sussurrou — Sasuke odeia essas partes, Hana o persegue desde sempre, mas ele está escondido na minha sala.

— Ela não tem outros pretendentes para a filha? Por que tem de ser seu amigo?

— Pela influência que os Uchiha tem, meu pai já tem vínculo com eles, mas como nasci homem não tem como acontecer um casamento. Então o que sobra para Hana, é Karin.

Não poder escolher um companheiro é realmente horrível.

— E ele? O Sasuke vai fugir do baile também?

— Faz o possível, mas ele precisa estar presente — Naruto cruza os braços — Bom, minha missão é manter Hana entretida até o baile, ela não pode saber que Sasuke já está aqui, poderia então avisar ele que ela já seguiu aos aposentos? — Ele me olhava com esperança — Ele vai ter de pular as janelas para chegar no quarto, então se conseguirmos manter Hana afastada.

— Céus, Sasuke não tem um minuto de paz?

— Agora que ele pode se casar todas as moças vão cair matando — Ele cruza os braços e suspira — Quem mandou nascer na realeza?

“E bonito” penso.

Concordei em ir até a sala, e Naruto segue rumo ao seu plano de entretenimento.


Agora que estava sozinha, até estranhei ninguém querer me parar ou fazer perguntas.

Talvez por caminhar com Karin me deram carta branca.

Consegui chegar até o jardim, queria ver o gatinho antes, e se estava bem.

Mas ele não estava lá.

Nem minha capa.

Será que ele saiu, ou foi pego? Meu coração deu uma pontada de tristeza.

Dei uma volta perto da fonte e olhei onde tinha deixado ele, me agachei, mas nenhum sinal.

Perguntaria a Sasuke, quem sabe ele viu o gatinho sair.

Quando fui levantar a porcaria do vestido prendeu num espinho, só agora havia notado que eram rosas, que não nasceram, então os espinhos eram pequenos.

Com cuidado para não rasgar, consegui tirar o tecido, mas no processo furei dois dedos.

Com medo de sujar o vestido, lambi rapidamente os dedos, o gosto estranho de sangue veio à boca.

Segui rumo a sala, conferindo que ninguém me veria entrar, então abro a porta.

— Com licença? — Falo hesitando — Naruto me pediu para vir…

— Tudo bem.

A resposta logo veio e meu coração,tolo, já deu umas fortes batidas.

O avistei sentado num sofá cinza, Sasuke parecia mais à vontade, calça preta e uma camiseta de mangas longas marrom.

Seus olhos escuros pousaram em mim sérios, mas não parecia incomodado.

Ele parecia ter acabado de tomar banho, pois os cabelos pretos estavam molhados, e bagunçados.

Avistei o gatinho em seu colo, ele parecia bem e limpo. Tinha mesmo as cores preto e branco.

— Ah você cuidou dele, que bom — Sorrio e logo me lembro de meu objetivo — Desculpe — Me curvo a ele e logo prossigo — O príncipe Naruto me pediu para avisar que está com a rainha Hana, ele vai distraí-la até o baile.

— Obrigada — Ele olha para o gato — Não precisa de formalidades, se Naruto te mandou aqui então ele confia em você.

Agradeceria ele pro resto da minha vida, com essa preciosa oportunidade.

— Muito obrigada, mas sou apenas uma dama de companhia….

Ele não me corrigiu ou falou mais nada, apenas pegou um livro ao lado e começou a folhear.

— Perdão a intromissão… — Me aproximou um pouco dele e seus olhos atentos me olham novamente — Não agradeci, sobre ontem… e, se tinha me visto antes de me ajudar. — Olho para o chão, envergonhada pela ousadia.

— Eu não te vi antes — Sua voz pareceu dar uma vacilada, estaria ele mentindo? — Mas… — Ergui meus olhos agora, e encarei os seus — Você tem cheiro de cerejeira.

— Cerejeira?

Dou uma leve fungada em meu braço, tinha um cheirinho de flores, mas não imaginava que Karin colocou cerejeira nos sais de banho.

— Tenho um bom olfato, senti desde o dia que Karin e você estavam aqui.

Sorrio ainda mais, envergonhada por ele reconhecer meu cheiro e pelo próprio nome dele.

— É o significado do meu nome — Sorrio — Sakura.

— Sakura?

Ouvir meu nome nos seus lábios me causou calafrios e ao mesmo tempo calor.

Estava desnorteada.

O gatinho então levanta a cabeça, parecendo farejar algo e pula do colo de Sasuke.

O bichano corre e atrás de mim, bate sua patinha em algo que logo se mexe e sobe no babado do vestido.

Era uma aranha, e grande.

Com medo dei um grito, mas ficou preso na garganta então saiu baixo, o gato louco por sua presa pulou e se prendeu no babado do meu vestido, em busca da sua aranha.

Tento me livrar dela balançando o vestido, mas a danada e o gato faziam a festa presos nele, Sasuke se levanta e como se não fosse nada, ele pega o gato com uma mão e a aranha bateu com o livro, a criatura voou para longe e sem querer desistir o gato chuta o braço dele e sai correndo até sua presa.

O que causa um efeito dominó: Sasuke perde o equilíbrio e cai para trás, o gato passa em minhas pernas e eu tropeço com o peso do vestido.

Com o pensamento muito rápido, Sasuke coloca seu braço atrás da minha cabeça e tomamos juntos no chão, minha cabeça não sofrendo dano algum.

Estavamos perto, minha cabeça inclinada no seu ombro, a levantei um pouquinho e encontrei seus olhos outra vez, senti a mornidao de sua respiração nasal.

Céus se eu ou ele se movesse se beijaria.

Corando então consigo me levantar:

— Obrigada, e desculpe a confusão.

— Foi divertido — Ele sorria.

O pequeno bola de pelo amassava alegre a aranha com a patinha.

Não resisti e soltei uma risada e de brinde o ronco, logo tapei a boca, mas foi ele quem deu uma gargalhada.

— Acredita que para mim esse tipo de risada é a melhor? — Dizia e ainda ria — Mostra que você realmente se divertiu.

Eu sorria e ele também, nunca pensei que um príncipe poderia ser acessível.

Até Minato que eu já vi sua gentileza inumes vezes, tanto Naruto quanto Sasuke me surpreendeu.

Ver uma pessoa tão bonita, sorrir mostrando os dentes me aquecia o coração.

— Ah o vestido! — Notei que ficou um furo pela unha do gato — A rainha vai me matar!

— Não se preocupe — Sasuke se levanta e começa a procurar alguma coisa atrás de si, logo aparecendo nas mãos com uma caixa — Minha mãe antes de partir me ensinou algumas coisas.

— Sinto pela sua perda.

— Obrigado.

Ele me pede para sentar no sofá, então arruma o vestido, deixando ele esticado, assim que arruma a linha ele se concentra em ajeitar o pequeno furo.

Conversamos bastante, ele tem um irmão mais velho que está noivo, seu pai resolveu não se casar depois da morte de sua mãe, ela estava doente e faleceu sem dor alguma.

Ele não gosta de bailes, pois é aonde as pessoas mais fingem e querem conquistar espaço só para ter mais atenção.

— Infelizmente estou envolvida num problema grande, mas não posso falar, pois assim vai expor os outros — Falei cabisbaixa — Mas resumindo: estou servindo aí rei por negligência de meus pais.

— A coisa foi feia então — Falou ele — Mas entendo, não se preocupe, não precisa se forçar a dizer tudo. Nossa conversa já está boa o suficiente.

Olho para ele novamente, e para o meu azar ele também estava me observando.

Seus olhos pretos eram muito intensos, como se soubessem todos os seus segredos.

E isso só o deixava mais atraente, não sei quanto tempo ficamos conversando, mas seus cabelos está vam mais secos e lisos.

Ele desvia o olhar e guarda sua agulha na caixa.

— Pronto, já pode ficar tranquila.

Uma costura perfeita, não se via erro algum.

— Muito obrigada! — Falei me levantando — Já preciso ir, não vou mais tomar seu tempo.

— Eu que agradeço, pelo seu tempo — Ele sorriu.

Esse tempo, só esse momento com ele me fez esquecer dos problemas e sobre realeza.

Para mim nos fez sermos mais amigos, mas ainda assim não posso me esquecer para que estou aqui.

Me despedindo dele, deixo a sala.

Já estava escurecendo, mas cheguei sem problema no quarto e quanto fui tomar banho, prestei mais atenção no cheiro.

Era mesmo de cerejeira.