Princesa Errada

2 Capítulo 01


Eu e o rei ficamos uns minutos em silêncio, enquanto meus pais eram removidos da sala real.

— Não desejo que sua família seja difamada, então irei segurar o máximo, mas as pessoas vão comentar.

Precisava me preparar para toda a informação, choraria só quando tudo estivesse calmo.

Minato era alto, cabelos até os ombros, lisos e loiros. Tinha belos olhos azuis e mostrava gentileza.

Uma coroa reluzente de ouro brilhava em sua cabeça, fazendo seus fios de cabelo parecem angelicais.

— Obrigada pela misericórdia comigo, majestade — Afirmo e me curvo a ele.

Meus cabelos caem pelos meus ombros e cobrem minha visão: eles são um lembrete da onde era minha casa.

Os Haruno tinham uma marca registrada em seus cabelos, uma tonalidade de rosa não passava despercebida, fazia parte da nossa genética e nossos cabelos eram naturais.

Aos estudados, saberiam de onde sou e outros apenas se perguntariam se seriam cabelos tingidos.

— Infelizmente a negligência de seus pais afeta você, então vamos cobrir seus cabelos por enquanto — Minato se aproxima e toca em meus ombros — As paredes podem ter ouvidos, então coloque isto por enquanto.

Me endireito e pego o que ele me estende: sua capa real onde tinha uma touca.

Eu a visto e consigo deixar os fios completamente alinhados e escondidos debaixo da touca.

Quando saímos da sala, olhos curiosos não paravam de procurar algum erro que fosse, provavelmente foi uma troca de funcionários então aqueles que estavam ali não sabiam quem eu era.

O conselheiro do rei logo se aproximou e enquanto eles iam alguns passos na frente eu permanecia atrás, acompanhando.

O conselheiro parecia ter cerca de trinta anos, mas tinha cabelos longos e brancos, estava com uma calça verde e capa vermelha.

Enquanto cochichavam ele me olhou de canto algumas vezes, e tive receio do que estavam falando de mim.

Já anoitecia e eu não sabia até quando iríamos andar, então de supetão paramos em frente a uma porta.

O guarda da porta anunciava a chegada do rei e então ela foi aberta e adentramos o quarto.

Lá dentro uma mulher e uma jovem ambas ruivas sorriam e conversavam animadas.

A mulher quando notou nossa presença, pediu que as damas e os demais guardas se retirassem da sala.

Presumo que seja a rainha, pelas ordens e ela estava apenas com os cabelos soltos sem nada na cabeça, mas mesmo assim me curvo a ela e a jovem ao seu lado.

— Como foi a reunião meu rei? — Pergunta, mas quando olha para mim seu sorriso parecia compreensível — Não deu certo não é?

Ela se levanta de seu elegante sofá e caminha até nós, seus cabelos eram enormes e lisos até suas pernas, era um ruivo intenso e cheio de presença e seus olhos verdes brilhavam como pérolas. Ela estava com um vestido bege e tons de cinza, sem acessórios, mas não a impedia de ser tão bonita.

— Infelizmente a soma deles é demais para encobrir novamente, conseguiram gastar mais que a coroa! — Minato parecia perplexo.

A mulher então me olha, e toca em minha mãos sorrindo para mim:

— Me chamo Kushina, e está é a princesa, sobrinha do meu marido — A moça estava sentada me cumprimenta com um aceno de cabeça — Ela se chama Karin.

A princesa usava um vestido com babados dourados, seus cabelos ruivos estavam presos no alto e se alinhavam junto a sua coroa com um design de flores. Ela era muito bonita e estava sentada com elegância num sofá azulado.

— Eu sou Sakura.

— Querida, eu tive de colocar os Haruno para trabalhar, mas ainda não sei onde deixar a filha deles — Minato apoia as mãos nos cabelos.

— Ela pode ser dama de companhia — Até então, o Senhor que estava nos acompanhando finalmente se pronunciou — Pode acompanhar a princesa até o baile de noivado.

— Ótima ideia Jiraya! — Kushina concorda — Mas e quanto aos seus cabelos?

— Se ela concordar, tenho uma tinta natural — Karin se aproxima — Não vai prejudicar seus cabelos e sai com água, então terá de tomar cuidado com chuva ou qualquer coisa que possa te molhar.

— Muito obrigada pela ajuda de vocês — Me curvo de novo — E sinto muito pelo trabalho que meus pais e eu estamos dando.

— Não se preocupe, vai ser por pouco tempo — Afirma Karin — Venha comigo aos meus aposentos e vamos cuidar dos seus cabelos.

Me despedi da rainha e do rei e segui a princesa aos seus aposentos, com guardas de escolta.

A princesa não tinha damas atrás dela, apenas eu, e me perguntei o porquê disso.

— Estou mais de visita, e por isso minhas damas não me acompanharam — Disse ela, como se lesse meus pensamentos — Minato é meu tio, e respeita o espaço dos seus parentes.

O rei Minato era mais um livro aberto e com isso o povo o recebeu com alegria e o seu reino era bem próspero.

A princesa Karin vinha visitar, mas seu pai nunca mandava mais que dois guardas e nenhuma dama de companhia.

— Perdão pela minha curiosidade — Respondi — Mas ao menos é acompanhada pelos guardas.

— Gosto assim, tanto meu pai quanto o tio Minato me deixam com espaço — Ela sorri — Assim posso conhecer os príncipes nos bailes sem querer as damas fofoquem — Ela me dá uma piscadela e sorrio. — Este é meu quarto.

Era lindo, grande e aconchegante.

As paredes tinham cores claras, o chão cinza com o brasão da casa Uzumaki, um espiral.

Um lindo guarda roupa de madeira cobria metade do lado esquerdo do quarto, possuía detalhes de uma paisagem, a porta do banheiro ficava logo ao lado.

Do lado direito, uma janela agora coberta por uma cortina cinza claro dava um ar de elegância ao lugar.

No centro do quarto dois sofás da cor marrom, em cima de um tapete com pelo animal, uma mesa de centro.

— Sente-se, eu vou preparar as tintas — Ela aponta para um dos sofás.

Sem jeito me sento no sofá, e observo Karin pegar suas coisas no guarda roupa.

— Gosto de pintar — ela começa a dizer — E com o tempo comecei a gostar de arrumar o cabelo das pessoas — Seu olhar se abaixa — Mas como uma princesa eu não posso fazer isso em público… Só o tio Minato me perguntou o que gosto de fazer.

— Eu entendo, meus pais gostavam de exibir as riquezas dos Haruno e faziam festas uma vez ao mês, acabei me tornando uma boneca.

Vi que ela estava pegando alguns ingredientes e os amassando, colocando um pouco de água.

Logo uma cor preta foi aparecendo e quando vi ela despejou a tinta pronta num recipiente.

— Você tem um cabelo muito bonito — Disse enquanto massageava meus cabelos e começa a repartir — Como disse antes, a tinta sai muito rápido é como uma maquiagem. Ele não vai prejudicar em nada os seus fios.

Eu agradeci e fechei meus olhos, era tão calmo e gentil a forma que Karin cuidava dos meus cabelos, ela foi passando a tinta e senti no couro cabeludo o líquido gelado.

Foi passando por toda a extensão dos meus fios, meu cabelo chegava até minha cintura.

Depois de quase uma hora ela finalmente terminou.

— Vou te ensinar a fazer, então quando tomar banho ponte outra vez, por agora vamos esperar secar e assim amanhã já pode fazer seu penteado e a tinta não vai sair.

— Muito obrigada princesa.

Ela sorriu de volta e então me mostrou um espelho, a cor preta parecia natural e não tinha nem um fio sequer rosa faltando.

Meus olhos são verdes claros, mas agora não pareciam mais vivos e sim apagados.

Como eu estava.

As palavras do meu pai, as festas na nossa casa, todas as informações vinham na minha mente, a minha nova realidade.

O meu pai iria me dar como pagamento ao rei, ele nem hesitou em me empurrar.

Eles sempre me apresentavam a outros barões, mas eu ainda não possuía idade de debutar.

Agora eu tenho dezessete e posso participar das festas e aceitar pretendentes.

E certamente seria entregue a alguém rico, para assim eles permanecerem em seus gastos.

Notei no meu reflexo as lágrimas descerem, e meu coração se desfazer.

Karin nada disse, apenas me deixou uns minutos no meu próprio sofrimento e então me abraçou.

— Vou mandar para prepararem uma cama para você, durma hoje aqui e depois fazemos o seu quarto de dama.

Não consegui responder, e apenas aceitei suas ordens.

Estava triste, mas ao mesmo tempo eles me acolheram e ainda estão cuidando de mim.

Faria o máximo para não desapontar eles.