Princesa Errada

18 Capítulo 17


— Eu juro que não fizemos nada!

— Misericórdia, majestade!

Ouvir os lamentos dos meus pais só me davam mais aperto no peito, me doía e ao mesmo tempo me aliava a saber que eles estavam assim, pois comeram o que plantaram.

Sasuke segurava minha mão, mas olhava para a frente sem hesitar e na outra não estava seu arco.

Eu ainda estava descabelada e suja de tinta, sem contar das mechas rosas que claramente não se poderiam esconder mais.

Ele não se dirigiu a mim, mas falou com o outro Príncipe:

— Kiba, muito obrigado pela ajuda e do Akamaru que se lembrou do cheiro da Sakura. — Akamaru deu um latido em resposta e Kiba sorriu largo — Estou em dívida com vocês.

Eu estava ficando muito aflita, mas antes que falasse algo, Kiba diz.

— Pode contar conosco, sempre que precisar! Ah se quiser levar a princesa para se limpar, tem o quarto de hóspedes onde eu estou, como moramos mais longe a rainha nos concedeu um quarto, venha só me seguirem! E posso pedir roupas para ela.

Sasuke apenas concorda e segurando firme em minha mão, seguimos Kiba para além dos corredores escuros e sem que os convidados nos vissem caminhamos escondidos.

Faltava pouco para todos se sentarem e o casamento acontecer, e infelizmente eu não conseguia focar.

Era o grande dia da Karin e olha como eu estava, deplorável…

— Sasuke… — chamei do fundo da garganta, ela doía e pareciam espinhos, pois eu só queria chorar e não conseguia nem isso.

— Vamos cuidar de você primeiro — É o que responde e volta ao silêncio.

Seria isso? Estaria bravo comigo, por ter mentido?

Já no quarto Kiba corre para procurar uma roupa e já me indica o banheiro.

Não teria mais volta.

Peguei a roupa emprestada e segui ao banheiro.

Não demorei como gostaria, pois precisava falar tudo a Sasuke, mesmo que ele não me queira mais.

Lavei os cabelos e vi o restante da tinta indo embora, junto com a identidade falsa, o rosa claro tomando conta e se espalhando, me libertando desse temor.

Sequei o máximo que pude nos cabelos, ficando um pouco úmido, eles caiam ondulados por minhas costas.

O vestido era lindo: verde claro, sem babados, ele contornava minha cintura com um pequeno laço, desciam lisos até minhas pernas, mangas curtas chegavam com um toque delicado no tecido até meus cotovelos.

Saio do banheiro e os dois que estavam sentados se levantaram ao me ver.

— Que bom que serviu! É da minha mãe, mas não se preocupe, ela não negaria ajuda. — Kiba diz — Combina com você, princesa… Bom, vou deixar vocês conversarem — Ele segue para á porta com Akamaru atrás.

— Obrigado novamente Kiba.

Assim que Kiba fecha a porta nos deixando a sós, e Sasuke olhava para mim, e meus cabelos rosados.

Minha garganta queria se fechar, e quando ele abre a boca para falar o interrompi:

— Me perdoe — Falei e senti novamente o incômodo na garganta e desta vez deixei que saíssem as lágrimas e lamentos — Me perdoe por mentir para você e sua família, se eu pudesse voltar atrás teria feito diferente… — As lágrimas não paravam de cair e minha voz estava esganiçada.

— Sakura — Ele me chama, mas sei que se não terminar isso, talvez nunca consiga.

— Eu sou filha de um duque falido, onde queriam se reerguer me casando com alguém da realeza…

— Sakura…

— Entendo se não me querer mais! Se desejar nunca ter me conhecido, e se quiser me prender junto dos meus pais!

Por conta das lágrimas eu não conseguia ver mais nada e então só jogava as palavras sem filtro.

E foi aí que não o vi se aproximar, tão rápido quanto a sua flecha e com uma mão apertar minha cintura e a outra levanta meu rosto calando-me com um selinho.

Foi doce e gentil, ele então se afasta e como não digo nada, recolhe as minhas lágrimas.

— Desculpe, mas você não ficou quieta — Diz e sorriu, ao nos lembrarmos do dia da carruagem — Sabe o quanto desejei te ver? Eu pensei que aquele cara iria te ferir.

— Mas eu...

— Eu também sabia sobre você, mas não queria que se chateasse.

Sasuke passou o polegar em meus olhos lentamente, limpando o último resquício da lágrima e me beijou na testa, terno.

Então me lembrei da conversa com seu pai, ele disse que Sasuke também sabia de tudo.

— Eu ouvi parte da conversa de seus pais e o tal Juugo, entendo perfeitamente porque precisou esconder sobre sua família — Ele me abraça e apoia a cabeça no meu pescoço — Me perdoe também, eu fui covarde e não conversei com você adequadamente, fui um tolo orgulhoso que desejava que viesse falar comigo. E no fim a deixei sozinha…

— Sasuke — O abraço forte e sinto seu cheiro — Ainda pretende casar com alguém como eu?

Ele se afasta e me encara, seus olhos pretos me puxam como um buraco negro, imledidno-me de sair.

Sua mão passa por meus fios rosados e erguendo uma mecha e a leva até os lábios.

Ele me mostrou que me aceitava, e aceitava a naturalidade de meus cabelos.

— Não imagina quanto tempo pensei em te ter assim — Sasuke agora passa o polegar em contorno de meus lábios — O quanto desejei ver você com seus cabelos, rosas e belos. Você quem faz jus ao sobrenome Haruno e seu verdadeiro significado de delicadeza e força, tem um bom coração — Ele sorri e isso me faz derreter por completo — E meu coração já é seu, Sakura. Não teria honra maior em tê-la como esposa.

— Eu te amo, Sasuke — Falei e poderia esperar que meu coração explodisse de tamanha alegria.

Ele ainda assim me escolheu.

Por um momento esqueci onde estávamos e deixei apenas que minhas emoções tomassem conta, e desta vez eu o beijei.

E Sasuke o aceitou, sorrindo entre o beijo, passando sua mão em volta da minha cintura para que eu não caísse quando aprofundou seus toques.

O puxo mais forte, já não existia espaço algum entre nós, mas ainda assim o queria mais perto.

Uma de suas mãos tocou em meu rosto e dei passagem que sua língua invadisse minha boca.

Não sei como, mas de algum jeito andamos pelo quarto e tropecei em alguma coisa dura.

Com um susto nos separamos e Sasuke me amparou, caio de costas no macio da cama e ele por cima de mim.

Tirando seu peso de mim ele se apoia nos braços e começamos a rir.

Eu tinha tropeçado na madeira do sofá em frente a cama, e agora tinha um belo garoto me segurando.

— Por favor, não me tente — Ele zomba e sussurra em minha orelha — A não ser que prefira consumar o casamento aqui. — Fico totalmente sem jeito e ele gargalha, logo se levantando e estendendo a mão para mim — Me perdoe, mas não resisti.

Segurei firme a sua mão, e estávamos de frente para o outro novamente.

— Temos um casamento para participar.

— Ah, mas e meu cabelo? Eu não tenho tinta…

— Não precisa — Sasuke pega novamente em meus cabelos — Seja você mesma, aposto que Karin vai gostar de te ver livre.

Ele me coloca sentada no sofá e arrumar meus cabelos, seis dedos pegam meus fios com leveza e gentileza.

Logo Sasuke fez uma trança em meu cabelo, os fios rebeldes ficaram no lugar.

Verificamos se as roupas não estão amassadas e com tudo pronto, ele pega em minha mão, a leva até os lábios e beija minha palma.

— Que eles vejam a verdadeira Haruno.

Dito isso, seguimos ao salão dos convidados de cabeça erguida.

Alguns começaram a nos olhar com curiosade, outros já arregalaram os olhos e cochichavam com o companheiro.

— Estou com você, não se preocupe — Sasuke aperta minha mão — Deixe que falem.

Ele tem razão, com meu amor ao meu lado, sei que passarei por isso.

Então nós sentamos em nossos lugares, com Fugaku sorrindo para nós, Kiba estava ao seu lado então deve ter lhe contado toda a situação.

Juugo estava escondido no canto, e sorriu ao me ver.

Ele já sabia que isso poderia causar algum caos, mas ainda assim queria ver de camarote.

Que assim seja, pode vir Hana. Agora estamos prontos.