Princesa Errada
7 Capítulo 06
Na medida do possível o jantar correu sem problemas, a comida estava uma delícia e as princesas conversavam alto.
— Elas sabem que podemos ouvir tudo não? — Pergunto e Naruto ri. Elas estavam falando dele também.
— Uma forma de quererem chamar atenção, não que eu não goste, mas prefiro tempo de qualidade, conhecer cara a cara.
— E alguma chamou sua atenção? — Pergunto na curiosidade.
— A princesa está interessada? — Zomba ele, sabendo exatamente que eu não estava e eu reviro os olhos — Tem uma sim — Diz por fim — Ela é quieta, não faz fofoca e até agora só observou a arquitetura do baile.
— Nossa que observador — Varro o lugar com meus olhos em busca da princesa que ele disse.
Vejo uma moça, cabelos longos e lisos, pretos com tons de azul, uma franja quadrada lhe dá um charme, seus olhos eram bem claros.
— A mocinha ao lado da sacada? Ela está olhando para o jardim — Cutuco e ele sorriu.
— Bons olhos, sim é ela. Se chama Hinata Hyuuga, sua família é mais reservada. Mas eles sempre vem ao bailes, já conversamos algumas vezes.
— Bom, pelo menos ela não me parece alguém que só falaria com você para manter as aparências.
— Na hora de mudarmos de salão, vou chamá-la para dançar, deveria fazer isso também — Ele aponta para Sasuke que bebia alguma coisa — Senão outra irá roubá-lo.
— E-eu não vou chamar! — Acabou falando um pouco alto e Kushina nos olhou, erguendo uma sobrancelha — Desculpe, senhora.
— Está querendo dançar com alguém Sakura? — Pergunta ela já animada — Não se preocupe, Naruto te ajuda.
— Eu?
— Claro, Karin está amarrada com Hana, então você como um bom amigo vai ajudá-la — Seu tom estava mais de ameaça ao filho — Daqui a pouco vamos para o salão, mas os adultos ficarão no andar de cima, para os jovens terem seu momento — Ela dá uma piscadela para mim — Sakura e Karin poderão respirar um pouco.
Kushina pensou mesmo em tudo.
Apenas balancei a cabeça em concordância, mas não sabia como chamá-lo, ou se deveria.
Um orador falou a todos que as salas dos bailes estavam prontos, e aqueles que terminassem de comer poderiam seguir adiante.
Muitas princesas eufóricas não terminaram sequer seu prato e já seguiam para as mesas dos príncipes.
Consegui apenas ver a silhueta de Sasuke, ele saiu antes que alguma chegasse em sua mesa e despistou as que o seguiram.
— Naruto! — Quatro moças quase montam em cima de mim para ficarem próximas a ele, elas se curvam a Kushina e Minato e eu totalmente ignorada — Gostaria de se juntar a nós?
— Muito obrigado senhoritas, mas já tenho uma parceira de dança — Ele aponta para mim e elas me olham de cima a baixo.
— E quem seria? — Uma com maquiagem demais pergunta.
— Uma amiga — Respondeu ele apenas e se levantando me estendeu a mão, a pego sem dizer nada e se despedindo de seus pais ele vai me guiando para fora, ainda sentia o olhar delas em nós — Desculpe por te usar assim, mas elas não me deixariam em paz.
— E a sua princesa?
— Ela já saiu para o salão, vou chamar ela lá.
Que rápida.
Quando chegamos em frente ao portão Naruto me sussurra:
— Procure por ele, ou vai perdê-lo.
Esse aviso me pegou de surpresa, imagino que depois do baile ele não retornaria tão cedo ao castelo.
— E Karin?
— Atrás do pretendente dela.
Fiquei feliz que ela tenha chegado em seu príncipe.
Tentei procurar Sasuke, mas outras princesas também faziam o mesmo.
Elas eram afoitas e saíram várias vezes só salão pelas redondezas do castelo, até onde tinham autorização de ir sozinhas.
Eu suspirei derrotada, ao ver tantas princesas elegantes e lindas… eu estava bonita, mas não parecia assim tão “realeza”.
Notei que Naruto finalmente estava sentado ao lado da Hinata, e estavam numa conversa bem acalorada.
Vi um príncipe acompanhado de um grande cachorro branco, ele era lindo, os pêlos pareciam bem sedosos.
Notei o irmão do Sasuke e sua companheira, eles dançavam num ritmo só deles, estavam em seus próprios mundos.
Uma cena linda.
Resolvi não ficar parada, queria ao menos me despedir de Sasuke, já que com toda a certeza ele iria embora.
Então sai do salão de baile, iria procurá-lo em todos os lugares que já nos vimos.
Então primeiro fui ao esconderijo na sala do Naruto.
Quando adentrei a sala notei que tinha uma bebida na mesa, vinho talvez. Acredito que isso está a pouco tempo.
Percebo a capa que tinha enrolado o gatinho dobrada em cima do sofá marrom, e olha só, o bola de pêlo estava dormindo pleno em cima dela.
Sorrio e me aproximo dele, toquei em seu pelo macio e ele em resposta miou para mim.
Tinha um papel do dobrado embaixo do gato, eu o pego e leio o conteúdo:
“Só mais um pouco e vai me achar”
Meu coração acelera, tinha absoluta certeza quem que escreveu.
Ele queria que eu o encontrasse? De alguma forma isso me deu mais vontade de encontrá-lo.
Então fui para o jardim, lá tinha algumas pessoas andando. Outras passando escondidas.
Fui um pouco depois da fonte, havia um pequeno labirinto, não a ponto de alguém se perder, em algumas bordas estavam guardas para apontarem a saída.
Para os mais ousados, era só esperar um deles virar as costas e tomar outro caminho.
Como já andei por ali algumas vezes, fiquei mais firme em procurar ele nos lados menos iluminados.
Para minha surpresa não era Sasuke que estava sentado num banco longe da luz, mas duas silhuetas que eu pude ouvir as vozes:
— Você vai mesmo? — Era a voz de Karin, ela parecia chateada.
Diminui meus passos, se ela está aqui escondida poderia ser a outra pessoa…
— Não é o que desejo, minha princesa — Uma voz masculina.
O rapaz que ela gosta!
— Minha mãe deseja que eu me case com o príncipe Sasuke, mas tanto eu quanto ele não desejamos isso.
— Por isso mesmo que vou convencer sua mãe — Ouço algo, um pequeno estalo — Eu vou pedir a sua mão — Outro novamente e suspiros.
Coro rapidamente, estava ouvindo o que não deveria e esse som era de… era de…
Beijos!
Dei dois passos para trás, mas bato em alguém grito de susto, mas uma mão cobre minha boca e sufoca o som e a outra me imobiliza, apertando minha cintura.
Seguido por uma voz em meu ouvido, que para mim saiu sedutora:
— Parece que encontrou o bilhete, pensou rápido ao vir aqui, princesa.
Minhas pernas ficaram bambas, era Sasuke quem me segurava e foi afrouxando sua mão à medida que me puxava para longe de Karin e seu amor.
Ele me solta por fim e o sigo, ainda estava constrangida pelo que acabou de acontecer.
— No fim, foi você quem me achou. Majestade — falei por fim e estávamos bem perto da fonte, onde o bola de pêlo ficava — Me reconheceu pelo cheiro novamente? — Digo em tom de brincadeira.
— Sim e não, eu estava andando e imaginei que estaria perto da fonte — Então ele me encara — Mas as coisas ficaram…. — Ele hesita, se pareceu constrangido, logo isso passou — Calorosas por lá.
Concordo e tento encontrar uma resposta, mas seu olhar me prende novamente e abro os lábios, mas a palavra não sai.
— O seu cabelo — Ele aponta para meu penteado, a trança havia soltado uma mecha e caiu sobre minha bochecha.
Sem pestanejar Sasuke ergueu sua mão, e pegou meu cabelo, seus dedos roçaram no meu rosto e os senti gelados, ele arruma a minha tiara.
Colocou a mecha no seu devido lugar e baixou os dedos, tocando novamente em minha face e deslizou para meu queixo.
Me sentia hipnotizada e de alguma forma ele parecia também, pois com seu polegar contornou delicadamente meus lábios e os encarou.
Respiro ofegante e quando vou chamar seu nome ouvimos um grito:
— Tirem esse bicho daqui!
Olhamos ao mesmo tempo e vemos o gatinho sair correndo em direção ao salão. A serviçal estava com uma bandeja de carne, isso deve ter chamado a atenção dele, mas o coitado foi expulso.
— O cachorro — Lembro e me afasto de Sasuke — Tem um príncipe com um cachorro!
Me apresso em correr em direção ao baile, Sasuke me acompanhava.
Minha cabeça não queria processar o que poderia acontecer se não fossemos interrompidos.
Onde eu estava com a cabeça? Preciso me lembrar que sou filha de um conde falido? Tudo isso seria um enorme pretexto para ganhar a riqueza de um príncipe! E isso eu não iria suportar, ser julgada e difamada assim.
Eu não sou uma princesa e estava com graça com um príncipe, não sei no que deu em mim ou em Sasuke por me tocar daquela forma.
Mas não poderia deixar isso acontecer ou também só iria prejudicar.
Apenas dois jovens que se entenderam e agora acham que podem tudo.
Joguei os pensamentos de lado e me atentei em ver onde o gatinho estava.
O coitado corria no meio do salão, e o cachorro logo atrás dele latindo.
— Akamaru não! Deixe o pobre gato! — Seu dono tentava a todo custo chamar sua atenção, mas eles ainda corriam.
As princesas gritavam, outros tentavam sem sucesso parar o gato ou o cachorro.
E os animais deixavam um rastro de comida no chão e cadeiras reviradas.
Aquela cena para mim se tornou a mais divertida da minha vida e comecei a sorrir.
O rapaz conseguiu pular e segurar seu cachorro, e pedindo muitas desculpas começou a levar ele para a saída.
— Não sei porque deixam esses animais entrarem, olha só isso! — Reclama uma garota loira.
Os servos e guardas se apressam em acalmar os jovens e arrumarem a sala outra vez.
O gatinho tinha subido na cortina, mas estava preso no tecido.
Tentei pegá-lo, mas ele estava longe do meu alcance.
— Mantenha a mão estendida — Pede Sasuke, que logo estica seu braço e toca na pata traseira do felino — Eu carinha, é melhor sair daí.
Ouvimos vozes pelas costas, eram os reis e rainhas que estavam na sala de cima a ver o que era aquela zona toda.
Mas nem eu ou Sasuke olhamos para trás, nossa missão se tornou o gato.
Sasuke conseguiu puxar sua patinha e o coitado se desequilibrou e caiu para trás.
Seguramos ele ao mesmo tempo e batemos nossas testas, fazendo um som oco.
O gato se alinha em meus dedos e Sasuke o solta, acabamos rindo com a cena e eu embalo o gatinho no peito.
— Eu disse que seria a escolha certa! Ela é a noiva do meu filho!
Na curiosidade olho em volta para saber quem iria se casar.
Até notar que o salão inteiro estava nos olhando e viram a cena toda.
Sorrio sem jeito e encaro o senhor que me olhava e depois olha para seu filho.
— Perdão, majestade, mas quem vai casar? — Arrisco perguntar e ele se aproxima.
— Ora, de você e meu filho, claro!
— O QUE?! — Falamos ao mesmo tempo, o que só faz o rei se alegrar mais.
Nos metemos numa encrenca.
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