Princesa Emily
27 Então era você.
Notas iniciais
Emily devorava o segundo livro de oito. Estava achando tudo muito interessante, mas ao mesmo tempo se sentia triste.
Ela lia as notícias desde quando a família real era jovem, até morrer todo mundo, e bem, eram seus ancestrais e isso era meio triste e deprimente.
Ficou zangada ao ver que praticamente todos eles se casaram com plebeus, menos a princesa Madeleine, que se casou com um Lorde da própria Gardênia, Henrie.
Ela suspirou sorrindo vendo a foto do casamento dos dois, eles se beijavam e várias pétalas de rosas caiam em volta deles.
"Bem que poderia ser comigo, né?" ela pensou agora novamente triste. Seus sentimentos estavam mais íngremes que uma montanha russa. Ela ainda se sentia destruída por dentro.
Grunhiu de raiva quando uma lágrima caiu de seu olho contra sua vontade.
– O que eu fiz de tão errado para merecer isso? – ela quase berrou desabando em lágrimas no travesseiro fofinho com um cheiro muito gostoso.
Detalhe, ela estava de TPM.
Algumas meninas ficam irritadas, outras comilonas e algumas sentimentais demais, Emily ficava com todos os "sintomas" possíveis, simplificando ela ficava absolutamente bipolar.
O "pâncreas" dela doía (dor no pâncreas significava cólica para ela), estava fortemente enjoada e meio tonta. Bom, mais tonta que o normal.
Sua vontade era de ficar na cama o dia inteiro, ligar a TV e colocar em algum filme deprimente para chorar ainda mais... e claro, tinha que ter chocolate incluso.
Carla entrou e levou um susto ao ver que Emily já estava acordada. Viu a cara de sua Princesa e mordeu a própria boca checando seu calendário mental.
10 de julho... 10... é, ela estava de TPM.
Ela respirou fundo, era meio difícil lidar com Emily na TPM simplesmente por não saber com qual humor ela estava no momento.
– Bom dia – Carla disse fechando a porta devagar atrás de si.
– O que tem de bom no dia? – ela estava com a expressão fechada, os olhos inchados de sono e o cabelo em uma juba loira.
Vish, começou cedo de mais.
– Mau dia, então – Carla sorriu de lado entrando e Emily a olhou com aquela cara de Serial Killer assustadora.
– Eu quero morrer – ela murmurou se jogando na cama novamente.
– Na-na-ni-na-não, nada de morrer agora – Carla se sentou na cama massageando o ombro de Emily levemente.
– Não quero os garotos hoje – exceto o Charlie, faz o favor de chamar ele aqui? – não to com cabeça pra isso hoje.
Ela abraçou mais forte o travesseiro praticamente enterrando sua cabeça ali.
– Hã... eu não tenho poder para fazer nada sobre isso – Carla disse passando as mãos nas costas de Emily tentando acalmá-la um pouco.
– Eu sei, nem eu tenho _ Emily disse cabisbaixa e suspirou.
– E então... eu posso fazer alguma coisa? Trazer um remédio ou algo assim?
– Um remédio, eu agradeço – ela disse com a voz grogue de sono, dor... o que você preferir – e pode trazer meu café na cama, por favor, e avisar ao povo que eu to naqueles dias e desço no almoço?
– Ok – Carla assentiu – quer chocolate?
Quero! Traga duas daquela caixa majestosa do chef Carlos!
– To comendo chocolate demais, traga só um de creme de avelã com morango, daqui a pouco eu to rolando de gorda – ela fez um gesto de desdém com a mão direita com a esquerda na barriga.
– Gorda você? Hahahaha – Carla riu baixinho – já volto com o que me pediu – ela disse saindo.
Emily se afundou nos cobertores e gemeu de dor/desgosto/raiva/tristeza e tudo o que você puder imaginar.
A única coisa que conseguia lhe arrancar um sorriso era lembrar de Charlie. Ela podia imaginar a reação do seu Guarda com ela naquela situação, provavelmente ele ficaria assustado como todos os homens ficam diante de uma mulher na fase bipolar do mês.
Ela pensou que Simon ajudaria a superar Charlie, mas não, ninguém conseguia substituir Charlie. Simon era incrível, doce e muito gentil... mas Emily não conseguia sentir uma real atração por ele, ela queria, ela tentava, mas não dava.
Fazia longos dias que ela nem sequer o via, era como se ele tivesse sumido... ou ainda devia estar com muita raiva dela. Era como se ele tivesse sido apenas um sonho... como se não fosse real.
É, ela não podia colocar a culpa daquele sofrimento em ninguém a não ser nela mesma, porque claro, sendo ela quem era só fazia cagada nessa vida, não tinha uma coisa que ela fazia sem acontecer algum desastre, nem que fosse um mínimo desastre, acontecia alguma coisa.
Todo mundo acha que as Princesas têm tudo o que querem, a vida delas é perfeita, arco-íris, borboletas, pôneis e tudo mais... mas não é bem assim não, Emily era a prova viva disso.
– Seu café e seu chocolate – Carla entrou e Emily levantou os olhos para ela vendo a bandeja tão convidativa e cheirosa.
O estômago da loira roncou de fome, geralmente ela não sentia muita fome de manha, mas na TPM sua fome aumentava 100%.
– Valeu Carla – ela disse se sentando quase babando naquele café da manhã.
Carla colocou a mesinha com pés na cama e Emily começou a devorar seu café devagarzinho saboreando cada sabor diferente um do outro, mas deliciosos igualmente.
– Ah, sua mãe disse pra você relaxar e tomar o remédio – Carla indicou o remédio na bandeja do café e Emily assentiu de olho no bombom.
. . .
E como esperado, hoje Emily não foi tomar café. Carter não precisava nem perguntar por que ela havia ficado no quarto, sempre os entre os dias 9, 10, 11 e 12 quando acontecia isso, Carter já sabia que a irmã estava NAQUELES DIAS.
E isso era uma espécie de alerta para nada de brincadeiras, nada de chamá-la de loira burra ou chata e nada de conversas. É, ele realmente evitava contato com ela por aqueles 3 ou 4 dias.
Carter se sentia incomodado com alguma coisa naquele dia, era uma sensação estranha que ele geralmente só sentia antes de algo acontecer.
Remexeu a cabeça decidindo ignorar isso e tomou mais um gole do seu delicioso suco de laranja natural, ele amava sentir os gominhos da laranja estourarem na língua.
– Estou com dó dos garotos hoje – disse Anne.
– Por quê? – perguntou o Rei enquanto Carter só observava a cena igualmente curioso.
– Porque a nossa Princesinha está naqueles dias, e eu sinto dó de qualquer um que tenha que lidar com ela nesses dias.
– Coitada – disse o Rei sorrindo negando com a cabeça.
– Eu a amo, mas ela fica bem rabugenta nesses dias.
– Então é mal das mulheres da nossa família – disse Edwin.
Anne virou o rosto para ele com cara de psicopata e Edwin respirou fundo, Anne também estava naqueles dias... o que era um baita de um azar, já não bastava uma mal humoradinha tinham duas de uma vez só!
– O que disse? – a Rainha perguntou já meio zangada.
– N-nada não querida – ele beijou a testa dela delicadamente.
_ Bom mesmo senhor Edwin _ ela disse ainda bravinha voltando a comer.
Não sei a quem Emily puxou.
Carter olhou para sua comida, ainda era pequeno demais para entender essas coisas, ainda bem.
Se desconcentrou quando foi comer e derrubou calda na gravata.
_ Ah, droga _ ele reclamou olhando para a gravata vermelho vinho com uma mancha marrom escuro.
_ É só trocar querido _ disse Anne.
Carter suspirou.
_ Mas eu estou com preguiça de subir, tirar a gravata, achar outra que combine, e dar um nó perfeito que vai demorar uns 10 minutos! _ ele disse com uma voz manhosa.
Edwin riu negando com a cabeça.
_ Você está de terno preto e camisa branca, qualquer gravata que colocar ai vai ficar bom _ disse Anne tentando deixá-lo menos preguiçoso.
_ Não é tão simples _ ele disse olhando sério para mãe _ existe toda uma ciência atrás da escolha de gravatas.
Novamente Edwin riu, havia criado um filho perfeccionista.
Assim que o café acabou, Carter se levantou saindo do salão até seu quarto para trocar aquela gravata.
A tirou deixando em cima da estante enquanto entrava em seu closet. Havia demorado tanto para escolher aquela gravata em especifico naquela manhã e agora teria que fazer tudo de novo.
Passou pelas vermelho vinho e negou com a cabeça, repetir a cor no dia não. Passou por uma rosa clara que lhe chamou atenção. Era um rosa tão claro que parecia branco com listras espaçadas de um rosa mais escuro. Levantou as sobrancelhas, o garotinho tinha um senso de moda incrível, pegou a gravata e foi para a frente do espelho a colocando em frente ao pescoço vendo se ficaria boa com o terno e a camisa, e como esperado, ficou.
Tirou o palitó o pendurando e levantou a lapela da camisa enrolando a gravata no pescoço e começando a dar o nó lentamente para que ficasse perfeito.
Se olhou no espelho arrumando o cabelo e pegou o palitó novamente o colocando e saiu do quarto pensando o que faria agora.
Hoje não tinha aula de nada, e geralmente ele ficava entediado nesses dias. Encher o saco da Emy? Ah é, ela tava de TPM, não dava para provocá-la hoje.
É, não tinha nada o que fazer mesmo.
Foi andando pelo castelo sem rumo algum e decidiu se aventurar nos corredores isolados do castelo, aqueles desertos e de certa forma inúteis pelos quais ninguém nunca passava porque eram sem saída ou não levavam a um lugar muito frequentado, tipo o porão.
Ele foi andando e andando até que cruzou o corredor e franziu o cenho com o que viu. A ponta de um vestido branco e um... sapato social preto?
_ Ei, calma ai.
É, ele conhecia perfeitamente aquela voz: Samantha.
Samantha... garoto... quarto... "coisinhas"... era ele!
Em passos rápidos o garoto se dirigiu até lá e antes de ver de quem era o rosto disse:
_ Então era você! _ ele exclamou e só depois foi olhar para o garoto... Dylan se ele não se enganava... ah, não importa, era um dos 15 meninos e pronto!
Samantha e Dylan deram um pulo de susto enquanto Carter com os braços cruzados intercalava olhares entre um e outro.
_ Carter? _ Samantha disse meio medrosa.
_ Olá traidores _ ele permaneceu sério.
_ Hã... acho que podemos conversar...
Carter riu.
_ Conversar? Não, eu prefiro só ferrar com os dois mesmo, principalmente você _ ele olhou para Dylan que não parecia preocupado, mas sim raivoso.
_ Olha aqui seu principezinho anão _ Dylan foi segurá-lo, mas Carter desviou.
_ Encosta em mim seu babaca, que eu ferro ainda mais com a sua vida _ disse Carter com os olhos azuis faiscando de raiva.
Dylan riu baixinho.
_ E o que você, um anão poderia fazer?
_ Posso ser menor que você, mas minha idade mental está anos luz na sua frente _ Carter riu _ sou bem convincente e todos confiam em mim, eu posso fazê-lo ser expulso do castelo e ser odiado no seu país seja lá qual for... isso claro, só pra começar.
Ok, agora Dylan tinha ficado com medo.
_ Certo, o que você quer? _ perguntou Samantha olhando para o garotinho.
_ Nada _ ele pareceu franziu o cenho ofendido por pensarem que ele era "negociável".
_ Então vai calar a boca?
_ Claro que não.
_ Seu pivete...
Samantha o interrompeu colocando a mão na frente da boca de Dylan para que ele não estragasse tudo.
_ Carter, seu fofinho _ Samantha disse falsamente gentil _ você faz ideia de quanto irá magoar o coração da Princesinha se contar isso a ela?
Carter ficou quieto esperando ela continuar.
_ Você não vai querer partir o coração da sua irmãzinha em mil pedaços, não é? _ ela perguntou e Carter ficou pensando, ele não tinha pensado por esse lado.
_ É, então fique de bico calado _ disse Dylan.
Carter o olhou com raiva e engoliu seco.
_ Eu só não conto, porque isso certamente ia deixá-la triste e você não merece que ela chore por você, e porque eu tenho certeza que você não será o escolhido.
_ Eu discordo _ disse Dylan sorrindo de lado.
_ Mas eu não, porque eu posso tecnicamente não contar, mas posso plantar mil e uma mensagens ruins sobre você no cérebro dela, sem dizer que ela não se casaria com ninguém que eu não quisesse e bem, eu posso desenvolver um "ódio" sem motivo aparente por você _ Carter piscou para ele com o olho direito _ agora se me dão licença eu tenho coisas mais importantes para fazer do que ficar falando com dois energúmenos, passar bem traidorezinhos.
Carter deu meia volta, mas parou.
_ Espera, eu esqueci uma coisa _ ele sorriu de lado para Dylan se aproximando dele.
Olhou bem para a cara de zangadinho que ele tinha no rosto e deu com tudo um chute no meio de suas pernas.
Dylan foi para o chão gemendo de dor com a mão no local do chute. Samantha se abaixou ao lado dele.
_ Seu pirralho! _ ele gritou para Carter que apenas sorriu irônico e piscou com um olho para Dylan antes de sair marchando querendo muito ferrar com aqueles dois, mas não tinha jeito de ferrar com eles sem ferrar com a sua irmã também.
E essa era a única coisa que o mantinha de bico fechado.
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