Princesa Emily 2
28 Repouso.
Notas iniciais
– Eu já disse que estou bem – Tyler repetiu meio zangado.
A bala já havia sido retirada do ombro e Tyler, e realmente estava tudo bem com ele, mas por ser quem era, as enfermeiras ficavam em cima dele a todo momento, e ele estava furioso com tudo para ficar aguentando isso.
– Meu pai, quero saber como está meu pai – ele disse a enfermeira que colocava o curativo em seu ombro, a terceira vez que o trocava.
– Desculpe, mas não sei de muita coisa, senhor.
– E o que sabe?
– Seu pai está em cirurgia no momento, é só oque sei.
Tyler respirou fundo quando viu sua irmã entrar no quartinho que estava. Ela estava com o cabelo preso, oque era extremamente raro, suas roupas ainda estavam meio sujas por ficar um bom tempo no esconderijo subterrâneo, e seu rosto demonstrava seu medo, preocupação e agonia diante de tudo aquilo. Alex sempre foi forte, nunca chorava em frente as pessoas e nem se demonstrava fraca, mas não tinha como permanecer forte diante de todos os recentes acontecimentos.
– Oi rebelde sem causa.
– Oi – ele respondeu com um pequeno sorriso – você viu o papai?
Ela assentiu.
– Por muito pouco a bala não atingiu o coração – ela chegou perto dele – quase o perdemos, Tyler – lágrimas brotaram nos olhos dela.
Tyler segurou a mão da menina a acariciando de leve com o polegar.
– Se eu não tivesse lá, ele não teria se distraído e não teria levado um tiro.
Alex a olhou e enxugou uma lágrima que saía de seu olho.
– Isso é pra você parar de ser teimoso e sempre querer bancar o herói! – ela suspirou derrotada – você sabe usar uma arma, ok, mas isso não significa nada.
– Eu só queria...
– Eu sei, sei que só queria ajudar, mas você tem que começar a pensar como adulto Tyler. Imagina só se tudo tivesse dado errado? E se o papai tivesse morrido? Como iríamos ficar? Como a mamãe ia ficar? Você pensa nisso?
Tyler olhou para baixo constrangido.
– E como você está?
Tyler deu de ombros levemente.
– Ótimo, nada comprado ao papai – Alex assentiu devagar – e a mamãe?
– Mesmo sabendo que o papai está fora de risco, ela continua preocupada, sabe como é.
Tyler assentiu.
– Pediu pra dizer que já vem te ver.
– Não precisa, fale pra ela ficar com o papai, ele se sente melhor com ela, mesmo desacordado.
Alex sorriu.
– Acho isso lindo – ela disse.
Tyler sorriu e de repente seu sorriso sumiu.
– Isabelle está chegando – ele fechou os olhos – droga, não queria que ela ficasse assustada.
– Ótimo, ainda bem que está vindo, isso significa que se isso acontecer novamente, você vai criar juízo e ao invés de bancar uma de herói, vai protegê-la e ficar seguro.
Ele sorriu.
– Espero que não aconteça com ela aqui.
Alex assentiu.
– Precisa de algo?
– Sim, que me ajude a sair daqui.
Alex riu.
– Não disse que está bem? Então, peça alta.
Ele assentiu.
* * *
Emily olhava pra parede. Joey havia dormido em seu colo e ela acariciava os cabelos do filho devagar. A enfermaria estava silenciosa, Alex estava com Tyler que estava muito bem, pelo menos ele. Charlie estava terminando a cirurgia, mas já haviam ido avisar Emily que a bala havia sido removida com sucesso e ele estava fora de risco.
O coração dela doeu quando o viu quase morrendo em seus braços, foi uma dor diferente de quando não o achava depois do outro ataque, talvez mais intensa e perturbadora.
Olhou para o filho, só queria que todos ficassem bem, apenas isso. Era pedir demais?
– Como ele está?
Carter apareceu acompanhado de Rose, os dois meio sujos como todos ali, mas ilesos.
– A cirurgia está terminando, conseguiram tirar a bala e ele agora está bem.
Carter assentiu. Rose foi até Emily e a abraçou com cuidado.
– Sinto muito.
Ela soltou um sorriso fraco e Carter olhou para Joey se ajoelhando em frente ao menino.
– Acabei de ver Tyler, ainda bem que foi apenas no ombro.
Emily assentiu.
– Quer que eu o leve para o quarto? – ele voltou a olhar para Joey.
– Por favor – ela sorriu para o irmão.
Carter pegou Joey no colo devagar e saiu com ele da enfermaria.
– Imagino o desespero que deva estar passando – Rose a olhou e suspirou – não tenho filhos, mas tenho marido, e sei como ficaria caso algo acontecesse a ele.
– Nada nunca vai acontecer a Carter – ela disse – ele se afasta do perigo, Charlie se joga nele, parece retardado.
Rose riu do modo que ela disse aquilo e Emily sorriu.
– Ele não tem poder para... sair de situações como essa? Quer dizer, ele é general, sabemos, mas ele deve ter algum tipo de liberdade diplomática ou algo assim. Ele é o príncipe, não pode se... expor ao perigo, certo?
– Na teoria – Emily disse – mas ele acha que seria uma traição deixar os soldados lutarem sem ele.
Rose suspirou.
– Não adianta, ele é cabeça dura.
– Entendo.
Passados cerca de 20 minutos o médico apareceu e Emily prontamente se levantou.
– Charlie está no quarto, ainda sob efeitos da anestesia, mas passa bem.
Emily botou a mão no coração e sorriu.
– P-Posso vê-lo?
– Claro.
Emily foi apressada até o quarto em que Charlie estava e abriu a porta devagar para não assustá-lo. Ele estava deitado na cama, sem camisa e com um curativo enorme no peito, havia uma máscara de oxigênio em seu rosto e Emily não havia notado isso, mas haviam vários cortes superficiais em seus braços e peito.
Andou até ele devagar vendo seu peito subir e descer com força, tocou o rosto dele de leve e sorriu minimamente, ele estava bem.
– Ele deve acordar em alguns minutos – a enfermeira entrou e Emily a olhou assentindo.
– Ele terá que repousar, presumo.
– Sim, um mês de repouso para recuperação total – Emily assentiu – ele aparentemente ficará sem nenhuma sequela.
– Ótimo, realmente ótimo – ela sorriu.
– A cicatriz será mínima, quase não a notará – Emily assentiu, ficava feliz em saber que uma cicatriz não iria estragar aquele corpo lindo daquele homem – certo, quando ele acordar, mande me chamar, ok?
– Ok, muito obrigada.
A mulher sorriu e se retirou. Emily puxou uma cadeira e se sentou ao lado de Charlie.
– Quase me mata do coração, seu irresponsável – ela disse acariciando o ombro dele.
Olhou o rosto dele mais uma vez e entrelaçou seus dedos na mão quente de Charlie.
Ele se mexeu devagar e Emily o olhou com atenção esperando que ele acordasse. Seus olhos se abriram devagar e foram diretamente para Emily, ele esboçou um sorriso fraco e apertou a mão dela um pouquinho.
– Oi – a voz dele saiu mais grossa do que o normal. Emily sorriu abertamente.
– Oi, meu amor – ela se inclinou mais sobre ele.
– Eu... eu levei um tiro e... oque aconteceu? Eu não consigo me lembrar.
– Você acabou de sair de uma cirurgia, tiraram a bala do seu peito. Está tudo bem agora, amor.
– E Tyler?
– Está ótimo, o preocupante é você.
Ele assentiu tentando olhar para seu peito.
– Ficou muito feio?
Ela negou.
– Vai ficar uma cicatriz pequena, nada demais.
Ele assentiu segurando a mão dela.
– Eu vou chamar a enfermeira e acho que você vai poder ir para o quarto depois, tudo bem?
Ele assentiu. Emily se levantou e tocou o rosto dele se inclinando depositando um leve beijo em seus lábios, que ele tentou aprofundar, mas não conseguiu.
Charlie sorriu e ela sorriu saindo para chamar a enfermeira.
* * *
– Acha que ele aguenta? – Alex perguntou.
– Acho que ele vai surtar – Tyler disse.
Não fazia dois minutos que eles haviam saído da enfermaria, Charlie teria que passar a noite na enfermaria, e não havia gostado nada disso.
– Sorte sua que você só foi no ombro – Alex disse.
– Pois é – ele assentiu.
Eles atravessaram o corredor quando um guarda apareceu.
– Príncipe Tyler, a senhorita Belutti acabou de chegar – ele disse – ela está em seu quarto.
– Certo, obrigado – o guarda fez uma breve reverência e saiu.
– Boa sorte, eu vou dormir um pouco – Alex disse subindo as escadas para seu quarto.
O lugar já estava limpo, e pelo que Tyler soube, ninguém morreu, e isso é ótimo. As coisas já estavam "normais" depois de quase cinco horas depois do ataque.
Tyler foi até seu quarto abrindo a porta devagar.
– Oque aconteceu aqui?
Tyler a olhou, estava linda como de costume. Suspirou fechando a porta atrás de si e foi até ela.
– Oque é isso no seu ombro?
Tyler ignorou e a abraçou devagar.
– É uma longa história.
– Então pode começar a contar – ela segurou o rosto dele.
Tyler assentiu dando um selinho nela.
Ele contou tudo, tudo que sabia pelo menos. Em nenhum momento Isabelle demonstrou nada, nem surpresa, nem medo.
– Eu entendo se quiser voltar pra casa – ele disse.
Ela negou.
– Eu vou ficar.
– Eu prefiro que você volte, não quero que aconteça nada com você.
– E não vai acontecer.
Tyler a olhou.
– Se algo assim acontecer, você tem que me prometer que irá seguir os guardas e ficar protegida.
– Só se prometer que vai ficar comigo ao invés de se jogar na morte – ela disse – estava pensando oque? Queria se matar?
Ele negou e ela tocou o ombro dele devagar.
– Está doendo muito?
– Não, na verdade nem está doendo.
Ela segurou o rosto dele e o beijou, o beijo que devia ter dado assim que o viu.
– Obrigado por vir – ele sussurrou no ouvido dela.
Ela o abraçou suspirando em seu ombro.
– Eu te amo Tyler, por favor, não me assusta mais desse jeito.
Ele beijou a testa dela algumas vezes sentindo ela fazer carinho em seu cabelo.
– Eu que devia estar fazendo carinho em você.
– Shiu – ela lhe deu um selinho – vou fazer carinho a noite toda, então não reclame.
Ele sorriu para ela segurando seu rosto.
– Eu te amo muito, sabia disso?
Ela assentiu com um sorriso.
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