Prince of Wallachia

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Livremente inspirada nos primeiros 25 minutos da série Dracula. Eu estava assistindo o primeiro episódio quando a necessidade de escrever me fez parar.Espero que gostem :)

Inglaterra, 1890

O salão estava cheio. Era noite do baile na mansão do milionário Evan Teppes Lewis. Em décadas não havia nada de animação ou de vivo naquela casa. Os funcionários quando souberam da festa quase fizeram uma para si próprios. Não por causa do excesso de trabalho, que tinha sido um inferno na última semana. Mas porque a mansão estava morta há tempo demais. Desde que o casal Lewis morrera ninguém viera ali a não ser o grande e gordo Sr Scott. Um suposto representante do último membro da família.

– O Sr Lewis está de volta a cidade e quer dar uma festa, portanto quero que tudo saia perfeito — disse Sr Ordens, como era chamado por todos. Ele saiu e deixou de forma brusca uma lista de preparativos nas mãos da governanta.

Respirando fundo, a pequena senhora entrou no corredor que dava nos aposentos do novo patrão. Ela o vira apenas uma vez desde que ele chegara e não foi o que pode se dizer de um encontro normal. O rapaz, que não deveria ter mais de 30 anos, parecia ser mais velho que o falecido Sr Lewis. Olheiras profundas marcavam o rosto jovem e pálido, a boca tão seca que parecia que iria se partir no meio cada vez que ele falava.

Trocou uma ou duas palavras educadas com Bernadett, a cozinheira, e depois virou-se para a governanta.

– Rosemary, uma moça chegará aqui hoje. Quero que leve-a direto para meu quarto. Obrigado — e subiu sem dizer mais nada.

E era isso que ela fazia agora. Andar por aqueles corredores estava arrepiando-a até os ossos mas a garota ao seu lado parecia calma. Um vestido bem tratado e limpo, com o cabelo arrumado em um coque alto na cabeça. O pescoço exposto sem nenhuma joia. O rosto sem nenhuma emoção visível.

Tentando ignorar os pensamentos ruins que lhe vieram na cabeça, Rosemary sorriu para a menina. Ela sorriu de volta. Nada de errado, repetiu para si mesma.

– Chegamos — disse ao parar em frente a porta do patrão. Antes mesmo de bater a porta abriu-se levemente. E a voz do jovem patrão veio cansada de dentro do quarto.

– Obrigado, Rosemary. Diga para Monica entrar. Sem dizer nada a garota entrou e fechou a porta com um baque.

A velha governanta respirou fundo e desceu até a cozinha onde o cheiro de comida e animais no forno lhe reconfortaria.

***

Horas depois

Os convidados dançavam animados pelo salão da grande mansão. Velhos babões e suas esposas igualmente velhas porém ardilosas balançavam para lá e para cá numa confusão de corpos. Evan olhava para a multidão sem muito interesse. Depois de anos em uma sepultura, fechado e sem se alimentar poderia pensar-se que ver outras pessoas — especialmente humanos embriagados — poderia lhe causar pelo menos um pouco de divertimento.

Mas ele sabia o que iria acontecer. Por isso o a embriaguez de alguns macacos evoluídos não causava tanto interesse quanto o final da festa.

– Senhor... — chamou Scott — Percebo que não está se divertindo o quanto achei que o fosse fazer — salientou seu conselheiro.

Evan olhou para o grande e velho vampiro a sua frente. O transformara alguns anos antes das pessoas na Romênia descobrirem seu segredo. Antes Willian Scott era apenas um escravo dispensável, agora tornara-se um vampiro presunçoso que comia mais do que bebia sangue. A ironia do destino era tamanha, pensou.

– Will, você é um ótimo caçador. Encontrou-me preso naquela caverna no fim do mundo, trouxe-me aqui. Rastreou meus captores e trouxe-me seu cadáveres. Você é bom em muitas coisas — em comer e contar vantagem são as principais, completou mentalmente — Mas em observar você é tão bom quanto um coelho é bom cão de guarda. E meu divertimento não é de sua conta — dando um tapinha no ombro do velho Evan se afastou.

Rangendo os dentes Scott sorriu um pouco e saiu para beber algo.

Antes que Evan pudesse voltar a observar as pessoas em seu salão, sentiu um cheiro familiar. O odor de flores penetrou em seu nariz. Não flores. E sim uma flor. Orquídeas.

Evah.

Sua irmã estava ali.

Correndo os olhos pela multidão ele a encontrou próxima a porta, como se tivesse acabado de chegar, os longos cabelos loiros caindo em cachos em volta dos olhos azuis. Usava um vestido vermelho com detalhes em prata, no seu pescoço jazia o colar da família. Ela o encarava sorrindo.

Sem pensar duas vezes, ele foi até onde ela estava. Sem saber o que fazer apenas parou e ficou observando-a.

– Um bom cavalheiro beija a mão das damas quando as vê, meu caro irmão — falou ela com uma voz doce.

– Está certa, minha doce irmã — respondeu, ainda surpreso. Não conseguia parar de encarar a pequena criatura a sua frente. Como podia ainda estar viva...? – Concede-me essa dança e algumas respostas?

Ela sorriu e balançou a cabeça, os pequenos cachos se remexendo sobre os ombros.

– Apenas se você me disser que me apresentara seus amigos bonitos — brincou.

– Nem pense nisso — riu ele pegando a mão enluvada. Ao toca-la não sentiu o comum calor humano, mas não ficou surpreso. Rever sua irmã que deveria estar morta há uns 900 anos sim, era uma surpresa. Ela não ser humana não, não era nem um pouco surpreendente.

A música mudou de ritmo para algo ainda mais animado e todos agora giravam mais alegremente. Exceto Evah e Evan. Ambos continuavam num ritmo só deles. A saudade não permitiria a eles nenhum espaço.

– Senti sua falta, Evan — disse ela com um certo alivio nos olhos.

– Quem a transformou? — perguntou antes de gira-la e faze-la voltar.

– Isso interessa? — retrucou.

– Se não interessasse eu não perguntaria, Evah — respondeu ele de forma brusca.

– Katharina — murmurrou.

Evan parou de dançar. Isso não era possível. Katharina não poderia estar viva. Vampiros com a idade dela era uma raridade até mesmo há 900 anos, quando foram caçados.

– Eu pensei que ela estivesse morta... — sussurrou ele, mais para si mesmo que para sua irmã.

– Bem, eu também. Viver presa dentro de um calabouço num castelo pode ser meio enlouquecedor. Principalmente depois que esse castelo é destruído e você fica presa lá pelos próximos séculos — a voz de Katharina soou alta e clara pelo ombros de Evan.

Ao virar-se ele deu de cara com os velhos olhos negros e cabelos ainda mais pretos que o mar de piche em suas iris. Sua pele parecia mais branca do que se lembrara e os lábios estavam vermelhos em função do batom que ela colocara. O vestido preto apertado assentuava cada uma de suas curvas e depois descia em uma longa calda que a seguia como uma sombra brilhante. As mãos encobertas por luvas quase não escondiam as longas unhas por baixo do pano. As joias também negras com os detalhes de alguns diamantes transparentes e ouro do mais puro.

Tudo em nela gritava morte e luxo.

– Seu estilo é inigualável, Katharina — comentou.

Ela riu, mostrando os longos e perfeitos dentes.

– O que posso dizer se gosto do personagem, querido!

Evan momentaneamente esqueceu-se de sua irmã, do baile e até mesmo de seus planos para o fim da noite. Caíra no erro de olhar no olhos de Katharina. Os olhos pareciam prende-lo ali, como as correntes que o prendiam dentro daquele caixão dentro da caverna durante anos. Porém dessa vez ele não queria lutar para escapar.

Balançando a cabeça, ele apertou os olhos. Maldita influência. Depois de anos vivendo como um demônio você aprende alguns truques. Katharina aprendera a controlar as pessoas pelo olhar, pela fala, pelo toque.

Por isso ficara tão preocupado por ela ter transformado sua irmã. Fora ela controlada? Evah nunca pediria para ser transformada em um monstro. A doce e ingênua Evah nunca pediria para transformasse num dos monstros que Joseph lia para eles, num dos monstros que lhe diziam ser aliados do diabo nas aulas de religião.

A não ser que algo muito ruim tivesse acontecido... Com um arrepio na espinha, olhou para ela.

– Por que? — indagou, não querendo realmente saber a resposta — Como?

Evah suspirou e fechou os olhos de leve. A pele alva mostrou os veias roxas das pálpebras que cobriam os olhos tão azuis quanto o céu de verão...

Oh infernos! Ela nunca mais veria o sol que tanto amara brincar sobre..., ele se martirizou.

– Depois que eles levaram você do castelo, — dessa vez foi Evan que fechou os olhos ao se lembrar daquela noite — Vieram atras de mim e da mamãe. Nós fomos... Eles nos desonraram. Mamãe não aguentou... Ela... Se ofereceu para que eu não fosse mais machucada.

– Céus... — disse ele. Suas mãos se fecharam com tamanha força que pensou que seus dedos pudessem estar quebrando.

– Não fique assim, meu irmão...Isso foi há muito tempo — Evah levantou uma das mãos e passou sobre o rosto dele. Respirando fundo, continuou — Enquanto eles... Eu fui até o calabouço e...

– Espere, você sabia que Katharina estava lá? — perguntou confuso, e girou o corpo para olhar para sua criadora. Katharina havia sumido. Olhando pela multidão ele a achou conversando com um velho investidor. Ela olhou-o sorrindo. Evan voltou-se para a irmã.

– Na verdade eu não sabia. Só sabia das lendas que contavam. Que você guardava algo muito poderoso lá.

– E foi assim que eu entrei no jogo, amor. — a voz grossa e arrastada de Katharina apareceu ao lado deles novamente — Ela me encontrou faminta, e eu disse-lhe que a ajudaria caso me desse um pouco de seu sangue. Felizmente um pouco foi o bastante para que eu me fortalecesse o bastante para encontrar os bastardos que a estupraram. Porém eles haviam fechado ou abençoado todas as saídas viáveis, e eu só descobri isso depois que havia os matado. Ficamos presas lá durante séculos, apodrecendo. Até que o... Qual era o nome dele mesmo, querida? — ela perguntou a Evah.

Evah apontou para Willian.

– Willian Scott. Eles nos encontrou e disse que você estava vivo. Nos trouxe até aqui.

– Sr Lewis... — uma voz chamou-o de longe. Sr Becker, o dono de uma das maiores adegas de Londres se aproximava deles. Também era o mais novo entre os comerciantes das redondezas — Perdoe a interrupção. Mas não pude deixar notar a beleza de sua esposa, com todo o respeito — falou com um sorriso simpático. Recompondo-se rapidamente Evan respondeu.

– Oh não, ela não é minha esposa. É minha irmã. Evah Lewis. Querida, esse é Harry Becker. Um amigo.

Evah franziu o cenho ao ouvir o sobrenome que lhe fora dado. Evan apenas balançou a cabeça.

O sorriso do Sr Becker aumentou ainda mais quando ela olhou-o.

– Acho que meu irmão já tem vários convidados para cuidar. O senhor poderia me fazer companhia enquanto ele vai distribuir um pouco de atenção? — brincou ela.

– Seria uma honra — disse ele, lhe dando o braço.

– Vai ficar tudo bem — sussurrou Evah ao deixar um breve beijo na bochecha de seu irmão.

***

Katharina subiu elegantemente os degraus da longa escada até Evan, que se encontrava no para-peito do segundo andar olhando os convidados. Em sua mão direita estava um grande copo de uísque quase vazio, mas seus olhos estavam sedentos. E não era de álcool.

– Terrível, não é? O calor na garganta, arranhando as paredes de seu estomago — disse ela, colocando uma das mãos nas costas largas dele.

– O que você quer? — perguntou, sem olha-la.

Aquilo a enfureceu. Cravou suas unhas nas costas de Evan a ponto de seus dedos entrarem na pele, até onde seu coração estava. Sem poder gritar ele mordeu seu lábio inferior a ponto de rasgar a pele.

– O que eu quero? Eu quero respeito. Salvei sua irmãzinha, mesmo depois de você ter me mantido presa durante anos. Ensinei sua mãe a como viver sem envelhecer, e matei o maldito do teu pai pra você. E o que eu ganho? Nada. — Katharina girou um pouco a mão dentro do corpo de Evan.- Eu te transformei, garoto. Exijo um pouco mais de respeito.

Lentamente ela levou a mão livre a boca suja de sangue dele. Limpou o liquido escorregadio dali.

– É impressionante, não é? O fato de ainda termos sangue no nosso corpo, mesmo que ele seja tão frio quanto a água de um rio no inverno — suspirando, ela tirou a mão das costas de Evan.

Respirando fundo, ele arqueou-se no para-peito enquanto seu corpo tomava conta de processo de cura. Após cerca de 15 minutos de recuperação e órgãos se contraindo para voltar ao normal, ele conseguiu falar.

– Eu te respeito, Katharina. Mas viver com você não era seguro. Você é impulsiva, cruel. E amo isso, não me entenda mal. Contudo, eu precisava de descrição. Um lapso e olha o que aconteceu com minha irmã — ele endiretou as costas e virou-se para olha-la — Me perco em seu olhar e isso não tem nada a ver com a influência tem você exerce nos outros — ele levantou a mão e passou os dedos sobre o rosto de Katharina. Ela fechou os olhos e aspirou o doce perfume da pele de Evan — E no final de tudo você é minha fraqueza também.

Uma lágrima escorreu pelas bochechas brancas de Katharina. Somente por um segundo, pois ela logo a secou com a ponta dos dedos.

– Você diz que quer descrição, mas terá seus empregados limpando manchas vermelhas dos moveis e não amareladas de champagne quando a festa acabar — ela levantou uma das sobrancelhas — Me desculpe se não consigo acreditar no que diz.

Evan sorriu um pouco. Seus olhos cinzentos brilharam como os de uma criança na noite de Natal.

– Os tempos são outros agora, amor. — pegando na mão relutante de Katharina ele levou-a até o topo da escada — Todos precisam saber que a família Teppes Draculea está de volta.

***

Rosemary estava brincando com o filho de Bernadett quando ouviu uma gritaria imensa vindo do salão. Na cozinha o barulho das panelas batendo uma na outra e pratos se quebrando também era grande. Preocupada que estivesse acontecendo algo de muito sério ela disse ao pequeno Heathcliff para ir pra casa.

Rapidamente a velha governanta entrou na casa que mais parecia um campo de guerra. Pessoas correndo para lá e para cá, panelas voando e galinhas se salvando da panela. E mais gritos vindo do salão...

Antes que pudesse chegar até a porta que separava a ala dos criados alguém pegou em seu braço com força. Era Bernadett, e ela estava banhada em sangue. Seu vestido já muito puído estava em pedaços, e sua garganta possuía um buraco tão grande que Rosemary podia jurar que via a parede por ele. Aterrorizada, ela não sabia o que fazer. Seu corpo paralisou olhando para a mulher quase morta em sua frente.

– Salve... Meu filho... — a jovem cozinheira engasgava a cada palavra mas seu aperto no braço da governanta ainda era forte — Por favor...

Antes que ela pudesse receber qualquer resposta, uma das convidadas do baile entrou na cozinha com seu vestido coberto por sangue. Rosemary se preocupou ainda mais e logo olho para a garganta da jovem moça. Nada. Nenhum arranhão.

E ela não parecia assustada, e sim... feliz. Como uma criança que acabara de encontrar um novo brinquedo.

– Aqui está você, docinho! — disse ela com uma voz quase infantil — E temos uma amiga também! — completou ao se aproximar e pegar ambas pelo cabelo.

Como se estivesse carregando o peso de nada ela arrastou as duas mulheres até o salão, onde o Sr Lewis e mais outra mulher estavam. Havia uma pilha de corpos em volta deles, e uma poça de sangue manchando o piso de mosaico. Por algum motivo, Rosemary pensou em como iria tirar as manchas dos moveis...

– Olhe, Evan! Eu achei mais duas! — riu a menina. Sem o menor esforço jogou o corpo de Bernadett para a outra mulher coberta de sangue e vestes pretas — Tome fique com essa para você, Katharina! Um presente! — riu ela mais uma vez.

Santo Deus, ela parece brincar de bonecas!, pensou Rosemary com angustia.

– Cuidado, irmã. Talvez não queira matar esta. Ela é a governanta da casa — falou o Sr Lewis do outro lado do salão. Ele acabara de jogar um corpo de um homem para o lado, e chutara mais alguns ao se levantar.

A menina que a segurava pelos cabelos respirou fundo contrariada.

– Podemos arrumar outra, oras. Governantas não devem ser tão difíceis de se encontrar.

– Ouça seu irmão, querida. — a mulher das vestes pretas levantou a cabeça do pescoço de Bernadett — Ela será útil para limpar essa bagunça — falou apontando para a pilha de corpos e as manchas — E eu também não quero entrevistar velhas fétidas só para que meu chão fique limpo, se já temos uma aqui.

A garota suspirou mais uma vez de forma petulante.

– Mas eu quero! — falou arrastando o "quero" como um bebê mandão.

– Evah, por favor... — disse o Sr Lewis, como se estivesse falando com uma criança que não queria ir para a cama na hora certa.

– Está bem, então — disse ela jogando o corpo da pobre velhinha para o outro lado do salão como um brinquedo velho — Que a velha fique viva.

A última coisa que Rosemary viu antes de desmaiar fora seu patrão estendendo a mão para a mulher de vestes pretas e beijando-a de leve nos lábios manchados de sangue e o corpo de Bernadett se tornar mais um na montanha no meio do salão.

***

Evah ignorou o beijou de Katharina e Evan. Não que não estivesse feliz pelo dois, mas não queria ver aquela cena de amor. Seu coração ainda se ressentia por Mircea, mesmo depois de anos após sua morte no campo de batalha. Suspirou ao lembrar que de seu amado. Não pudera enterrar seu amado ou sequer revelar seu amor aos pais. Bom, mas o que ela queria? Incesto não era bem vindo nem mesmo numa família de assassinos. Muito menos se ele fosse seu irmão mais velho.

Andando entre os corpos em silêncio, ela começou a ouvir um som que vinha da cozinha. Tinha certeza que o Sr Scott mataria todos os empregados que tentassem fugir portanto o barulho era estranho.

Algo parecido com choro de uma criança... Talvez?

Curiosa, Evah andou até onde o barulho a levava. Passando pela grande sala, atravessou a cozinha e encontrou a fonte do barulho. Numa casinha nos fundos da mansão um menininho chorava, suas roupas puídas indicavam que seus pais deveriam ser empregados da casa.

– Olá, pequeninho — disse ela estendendo os braços para pega-lo no colo. A criança inocentemente retribuiu os braços abertos e se agarrou no pescoço de Evah, o choro diminuindo um pouco.

Evan e Katharina aproximaram-se lentamente de braços dados.

– Olha só o que eu encontrei aqui — disse Evah, brincando com os cabelos lisos e negros do menino — Acho que podemos ficar com ele, não?

A expressão de Katharina foi de alegre a ofendida em menos de um segundo.

– Eu tenho cara de quem mata crianças, Evah? — perguntou bruscamente.

– Desculpe... Eu não quis dizer isso — disse ela de forma envergonhada — É só que eu achei que vocês talvez quisessem manda-lo para um orfanato ou algo assim.

Evan sorriu de leve para a irmã.

– Bem, se fomos nós que matamos seus pais acho que o minimo que devemos é um lar com amor para ele.

O sorriso de Evah foi de orelha a orelha. Ela correu até o irmão e lhe abraçou, esquecendo momentaneamente da criança em seus braços. O pequeninho resmungou e voltou a chorar.

– Oh meu Deus, eu quase o derrubei. Desculpe, bebezinho... — disse ela ao perceber o que fizera.

Katharina revirou os olhos.

– Vamos entrar e você pode se acostumar com ele, e também lhe dar um nome — disse ela se voltando para a porta da cozinha — E por favor, seja mais que criativa que sua mãe e não dê um nome para a criança que comece com "Eva".

Notas finais
Vamos para algumas explicações:Mircea realmente existiu e foi irmão mais velho de Vlad Tepes (governador da Valáquia), o suposto conde Dracula.Não tenho certeza se o Evan é o Vlad III (Conde Dracula) pois ele só "apareceu" pra mim nesse conto, e tudo o que eu sei sobre ele está ai.Katharina e Evah são minhas personagens, mas Katharina é levemente inspirada na Lorena de True blood, na Katherine de The Vampire Diaries, e na amada do Conde Dracula.Evah me lembra muito a Lucrezia Borgia.Ah e o Evan é parecido com o Francois Arnaud.Acho que é só :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!